O ARQUIVO PÚBLICO DA BAHIA
De
passagem na capital da Bahia, tivemos ocasião de visitar este importante
estabelecimento que, pela sua boa organização, asseio e ordem, faz honra ao
Estado.
O Arquivo
Público da Bahia foi fundado em 1890, pelo saudoso doutor Manoel Victorino
Pereira, então governador do Estado.
Seu
primeiro diretor, o doutor Francisco Vicente Vianna, confeccionou durante a
respectiva administração a Memória histórica sobre o Estado da Bahia, trabalho
de grande valor, que teve a honra de figurar na exposição Chicago.
Exerce
atualmente o cargo de diretor o doutor Virgílio de Araújo Cunha, nome
vantajosamente conhecido, que empresta ao importante estabelecimento todo
brilho da sua melhor atividade.
Graças
aos esforços do doutor Pedro Vicente Vianna, secretário do governo, passou o
Arquivo Público por grandes reformas e acha-se hoje perfeitamente instalado,
possuindo diversos e preciosos documentos da nossa história política desde 1670
até aos nossos dias.
O governador
do Estado, doutor José Marcelino, pensa atualmente em ampliá-lo, o que vem de
alguma forma adiantar o processo cada dia mais crescente do Arquivo Público.
O
retrato do doutor Manoel Victorino, que todos têm como um benemérito na
fundação de tão útil estabelecimento, foi colocado envolto em crepe, ricamente
emoldurado, no salão do nobre edifício.
Disponível
em:
INSURREIÇÕES NEGRAS NA BAHIA
Fonte: Revista da
Semana – Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1956. Ano: 57, Nº 38
Disponível em:
HISTÓRIAS DO ARQUIVO PÚBLICO DA BAHIA
Por maiores os títulos do Arquivo Nacional, na
capital do país, para deter, guardar e conservar consigo tudo quanto interesse
as tradições escritas da nacionalidade, lícito não lhe não será, entretanto,
despojar o Arquivo Público da Bahia de documentos que lhe pertencem, por
ligados a fato que, embora de História Nacional, aqui ocorreram, sendo,
portanto, sobretudo, acontecimentos tradicionais da História Baiana.
Sobre o assunto, o governo do Estado dirigiu o
seguinte ofício ao Excelentíssimo Senhor presidente da República: Em 30 de
novembro de 1936.
3.934 – Senhor presidente. – A 16 de setembro de
1887, o ministro do Império, Francisco Belisario Soares de Souza, dirigiu ao
presidente da província da Bahia o ofício do teor seguinte, do qual junto a
este uma cópia autêntica, e cujo original se conserva no arquivo público deste
Estado: “Sirva-se Vossa Excelência, dar as necessárias ordens para que sejam
entregues, mediante recibo, ao chefe da Seção da Biblioteca Nacional, Alfredo
do Valle Cabral, que se acha com licença nessa província, afim de serem catalogados,
extratados ou impressos, não só os volumes de registros mandados fazer pelo
governador Dom Fernando José de Portugal, os quais compreendem o período da
fundação da cidade da Bahia, até a expulsão dos holandeses do Brasil – (1549-1654);
como também outros documentos relativos ao mesmo período, que não estejam incluídos
no coleção mandada fazer pelo mesmo governador: devendo ser-lhe entregue cada
volume de sua vez e depois de restituído o que tiver recebido anteriormente, de
modo que toda a coleção possa ser estudada”.
Trata-se, como se vê, e nem podia ser de outra
forma, de um empréstimo de documentos, os quais, todos, sob essa condição foram
remetidos a Biblioteca Nacional, que devia receber casa volume de sua vez, e
somente depois de restituído o volume anterior, poderia receber outro. Houve,
pois, cuidado de se evitar que a Bahia fosse, de qualquer modo, desapossada de
uma grande parte do seu patrimônio histórico. Era um empréstimo caracterizado,
e sob condição previdente, que assegurava a devolução dos volumes emprestados. Entretanto,
a verdade é que a Biblioteca Nacional, contra compromisso solenemente assumido
pelo governo do Império, acumulou nas seções dos documentos que pertencem a
Bahia, e há anos os retêm nas suas seções. Também não me consta que houvesse
jamais governo que procurasse reaver o patrimônio do Estado.
A Bahia, porém, é que tem sofrido, e sofre, as consequências
deste estado de coisas. Assim é que, por exemplo, entre documentos emprestados,
está um e dos demais importantes a defesa do seu território, na questão de
limites com Sergipe: o regimento, dado pelo governador da Bahia, para fundação
da aldeia de Curaça, que Sergipe diz lhe pertencer. No rol dos mesmos
documentos se encontra o tombamento ou auto da demarcação e confrontação das terras
que pertenciam ao Rei em Ilhéus, e Belmonte, a mais rica zona cacaueira do
Estado de onde a disputa da posse da terra tem dado lugar a toda a sorte de abusos,
a falta da preciosa documentação, retida na Biblioteca Nacional.
A máxima parte da vida histórica e administrativa
da Bahia se acha fora dos seus arquivos: tudo o que diz respeito a fundação da
cidade, numa vasta coleção de provisões reais; grande parte da correspondência,
das ordens, das portarias da administração baiana; todos os registros da
secretaria do governo da Bahia, compreendendo não só toda administração
colonial, como também notável porção, correspondente ao período da
independência.
Se caso o governo da Bahia carece consultar
qualquer documento da sua mesma propriedade, é preciso que peça autorização
para esse fim, coo agora mesmo está ocorrendo no que concerne a demarcação das
terras do sul do Estado. Se resolve comemorar o seu passado histórico, tem de
mandar copiar documentos respectivos, dispensando com isso, como tem feito,
contos de réis.
“Nem foi só em 1887 que a Bahia emprestou ao
governo do Império e até ao da República, peças notáveis do seu arquivo. A
exposição realizada no Rio de Janeiro no ano de 1881, a Bahia se fez
representar por uma copiosa remessa de manuscritos, livros, retratos, etc., o
que tudo consta de um catálogo impresso, e do qual uma cópia da relação
respectiva acompanha este ofício. Ainda em 1908, o governo da União, para que
figurasse na exposição daquele ano, a carta régia da abertura dos portos, ato
firmado em 1808, na Bahia, dirigido ao senhor governador e cujo documento
pertence a Bahia.
Todos esses sucessivos empréstimos, ou todas essas
remessas para simples exposição, e que, portanto, nem chegaram a ser empréstimos,
foram ficando retidas na Biblioteca Nacional e, em outras repartições públicas
do Rio de Janeiro.
Tenho a consciência, excelentíssimo senhor
presidente, de que, neste momento, cumpro um os mais elementares deveres do
governo baiano, solicitando de vossa excelência, com o maior calor e empenho,
como de fato aqui solicito, o obséquio da devolução de todos os volumes,
documentos, papéis, livros manuscritos avulsos ou não, retratos, etc., que
pertençam a Bahia, e que no seu arquivo se devem guardar, porque sua
propriedade, seu patrimônio histórico, instrumentos da defesa dos seus direitos
e da sua mesma fortuna pública.
Para esse fim se apresentarão a vossa excelência,
incumbidos de procederem a tudo quanto a esse propósito se faça mister, os
senhores doutores Braz do Hermenegildo do Amaral e Homero Pires, para os quais
pelo a vossa excelência toda a atenção do seu espirito de justiça, certo de que
a fará inteira a Bahia, que ainda há pouco galharda e entusiasticamente recebeu
a vossa excelência e a quem ela ficará assim a dever mais de um dos grandes e
inestimáveis benefícios da benemérita administração de vossa excelência.
Valho-me da oportunidade para renovar a vossa
excelência as homenagens do meu elevado apreço e distinta consideração.
Assinado – Juracy M. Magalhães. Governador. Ao excelentíssimo senhor doutor
Getúlio Vargas, DD. Presidente da República”.
Acesse a fonte: A NOITE, terça-feira, 6 de julho de 1937.
ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA: PRECIOSIDADES RARAS
Arquivo
Público – Cuidados das Cortes Portuguesas com as terras e águas do patrimônio
da cidade do Salvador – Árvore genealógica de Catharina Paraguassú.
Preciosidades
raras
Chegando
ao nosso conhecimento ter o diretor do Arquivo Público, doutor Francisco Borges
de Barros, solicitando do doutor secretario do Estado a necessária autorização
no sentido de lhe ser entregue o arquivo do Teatro São João, reputado de
primeira ordem, procuramos o mesmo diretor em sua repartição, ontem às 2 horas
da tarde. Apesar de fechadas as demais repartições ele trabalhava. Todos os
funcionários, de bom grado o auxiliavam em arrumações, buscas e pesquisas. Já é
outro, em poucos dias, o aspecto daquele departamento. As cartas régias uma das
grandes riquezas do Arquivo, estão extremadas; iniciou-se a catalogação dos
maços de papéis importantíssimos como sejam: os quintos e dízimos do ouro, a
planta da Bahia em 1621; os fatos da Sabinada; o estudo e planta do Rio Paraguaçu
em 1784; cartas régias de D. João III, D. João IV, D. João V e D. José I sobre
as terras dadas como patrimônio à cidade da Bahia, as reclamações sobre
ocupações indevidas nessas terras, alvarás ordenando as medições das mesmas e
intimações dos réus, o cuidado daquelas
cortes sobre os serviços das águas compreendidas nas terras do patrimônio da
cidade do Salvador. Passamos a outra seção e lá encontramos vários montões
de maços de papéis: eram as sesmarias, antigos documentos sobre navios negreiros e sinais de escravos, fórmulas de testamentos em 1580, proibição aos negros e mulatos de usarem sedas nos
ominosos tempos de D. João III e ordens da corte portuguesa, vedando, no Brasil,
a entrada de armas, que não fossem procedentes de Lisboa. Mais adiante
deparamos, salvos do pó, os mapas da Bahia e do Rio Grande do Sul, feitos pelo
Barão Homem de Mello, a planta levantada em 1875 para a construção de um dique
para a Companhia Baiana e um belo quadro da árvore genealógica da família, de
que foi tronco ancestral Catharina Paraguassú. A poeira nos asfixiava e o laborioso
diretor, sorrindo, dizia: trabalhamos como mineiros, cada dia encontramos novo
filão referto e riquíssimo em dados e informações para as coisas da Bahia. Vê
aquilo que ali está? São as determinações do governo do 2º império ao modo pelo
qual devíamos exercer nossa neutralidade, perante franceses e alemães, na
guerra de 1870. Mais além divisavam-se manuscritos sobre nossas questões de
limites, seguras informações sobre os “encapelados extintos e adjudicados à Fazenda
Imperial”, plantas de aldeamentos de índios e assuntos outros que seria longo
enumerar. E o novel Diretor nos manifestou o grande afã de sua excelência o
doutor Governador e do doutor Secretario do Estado de elevar o Arquivo Público
da Bahia ao mesmo nível dos de São Paulo e Minas Gerais, dando-lhe a
organização consentânea com a sua alta importância. Em oito dias fez-se
aquisição de material novo e adaptado aos fins de tão útil instituição. O
governo do Estado ordenou que o Diário Oficial, faça a encadernação de todos os
livros importantes e que se acham estragados, sobressaindo os de registro de
terras, avisos e provisões, a cópia das cartas régias e de outros documentos do
mais transcendente interesse, e o seu Diretor, a exemplo do Arquivo de Minas e
São Paulo, vai pedir, segundo nos disse, autorização do Governo para elaborar,
de ora avante, a estatística do Estado. O prédio em que está a repartição, passa por urgentes e radicais reformas.
COMUNICADO: ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
Parafraseando Sigmund Freud, quanto menos alguém sabe sobre o passado e o presente, mais inseguro será o seu juízo sobre o futuro.
ACOMPANHEM ESSA LONGA HISTÓRIA:
SANTA AFRO CATARINA
O programa Santa Afro Catarina
visa promover a identificação, a valorização e a difusão do patrimônio cultural
associado à presença dos africanos e afrodescendentes em Santa Catarina, com
foco em Florianópolis num primeiro momento. O programa articula ações de
educação patrimonial em dois níveis. Por um lado, prevê a elaboração de
narrativas temáticas e de roteiros de visita sobre a história dos africanos e
afrodescendentes em Santa Catarina baseados em pesquisa de arquivo sob a
perspectiva da História Social e por outro lado, prevê o desenvolvimento de
atividades de educação patrimonial associadas ao ensino de História, dando
ênfase à articulação entre patrimônio e história local. Desde 2011, oferecemos
visitas guiadas por roteiros históricos, em maio de 2013 lançamos o livro
História Diversa: africanos e seus descendentes na Ilha de Santa Catarina, e ao
longo de 2013 está previsto o lançamento de um website contendo as narrativas
temáticas e a oferta de oficinas para professores e para guias de turismo.
A equipe do programa é formada
por profissionais atuantes nas áreas de História da Diáspora Africana,
Patrimônio e Ensino de História.
A integração inovadora dos
conteúdos de história da presença africana à discussão de patrimônio faz o
diferencial do programa Santa Afro Catarina: ao agenciar uma nova gama de
marcos urbanos como cenários de tramas históricas, ao atribuir novos
significados a espaços já visitados, ou ainda ao enfatizar as ausências dos
marcos materiais e o esquecimento da presença africana, as ações previstas
proporcionam novos modos de percepção e de relacionamento com o passado
configurado nos espaços urbano e rural.
CHAMADA PARA ARTIGOS: REVISTA TEMPORALIDADES
A Revista Temporalidades - 12ª
edição - v.6, n.1, periódico discente da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) faz saber que abre chamada pública de artigos, resenhas e transcrições
documentais comentadas para o próximo dossiê intitulado "Instituições,
poderes e magistrados no mundo luso-brasileiro. Séculos XVIII e XIX."
A Revista também recebe
contribuições em fluxo contínuo. O prazo para envio termina em 25 de março de
2014.
Lembrando que o próximo número,
a edição 11, sai até a próxima sexta-feira. Aguardem.
ACESSSE: http://www.fafich.ufmg.br/temporalidades/revista/
ARQUIVO NACIONAL DE CABO VERDE
História
da Escravidão: Arquivo Nacional de Cabo Verde disponibiliza lista de documentos
sobre o tráfico de escravos no país.
7 ANOS DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL
A história do abolicionista,
Luiz Gama, será contada em séries e filmes. Gama nasceu livre na Bahia, mas foi
vendido como escravo pelo pai para pagar dívidas de jogo. Seu relato como
escravo foi exposto em carta escrita ao amigo, Lúcio de Mendonça, em 1880.
Para maiores informações, click na imagem.
MATOU A DONA DE RAIVA!
Ilustríssimo
Excelentíssimo Senhor
Levo ao
conhecimento de Vossa Excelência que o doutor Delegado do 1º distrito,
comunicou-me em ofício de 30 do próximo passado, que no dia 28 daquele mês,
tendo vindo a delegacia dona Anna Francisca da Rocha Martins, tratar de uma
questão relativa a uma sua escrava de nome Carolina, que também se achava
presente, e tendo esta lhe faltado ao respeito, teve a mesma senhora um ataque,
falecendo poucos minutos depois, apesar dos esforços empregados para salva-la
pelo doutor João Antônio de Castro Loureiro, que imediatamente compareceu.
Feito o corpo de delito, reconheceu-se que a morte foi devida a uma lesão cardíaca.
Deus guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Conselheiro
Pedro Luiz Pereira de Souza, Presidente desta província. O chefe de polícia.
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção
colonial – maço: 3139-68
REENCONTROS NA ESCRAVIDÃO
A história dessas duas mulheres não poderia ser contada se não fosse à preservação deste documento por meio digital, sua perda o levaria ao anonimato para sempre! Conheça o projeto: DIGITALIZANDODOCUMENTOS AMEAÇADOS: OS LIVROS DE NOTAS DA BAHIA - 1664-1889.
Traficada
como milhões de outros escravos para o Brasil, Anacleta Maria do Rosário, jamais
imaginaria reencontrar sua filha na Bahia, porém, o destino havia de lhe pregar
uma peça; ao encontrar em um lote “uma
filha sua que havia ficado na dita Costa da Mina”. Logo a comprou e
providenciou sua liberdade e batismo, e seu nome católico não poderia ser
outro, Felicidade! Sim, feliz a Anacleta e sua filha, pois as amarguras do
cativeiro só duraram o tempo da longa e dolorosa travessia atlântica.
Muitas
foram as Felicidades, que como a de Anacleta, viveram como cativas no Brasil,
mas não tiveram a mesma sorte. Histórias como a de Felicidade e sua mãe, fazem
parte de uma época em que, não só o estigma da escravidão se fazia presente em suas
vidas, mas também, a submissão, humilhação dentre outras perseguições.
Cópia
da carta de liberdade da preta Felicidade conferida por Anacleta Maria do
Rosário
Digo eu
Anacleta Maria do Rosário, natural da Costa da Mina, que [me achando] já
liberta nesta cidade, acontece aparecer cativa no lote e poder de José Antônio
da Costa uma filha minha que havia ficado na dita Costa da Mina, a qual comprei
pelo preço e quantia de cento e noventa mil réis, que logo os paguei em
dinheiro corrente; e suposto a mandar-se Batizar forra pondo-lhe o nome de
Felicidade, contudo para seu título por meu falecimento em qualquer parte onde
ela possa ir de viagem ou habitar, faço a presente carta de liberdade, e rogo as Justiças de Sua Majestade de um e outro foro lhe deem todo o vigor e proteção
que em direito for permitido por ser a presente liberdade, conferida como mais a
mesma faça essa para sua inteira validade lhe faltar alguma cláusula ou
cláusulas a hei por expressas e declaradas como se dela fizesse expressa
menção; e por eu não saber ler nem escrever pedi a José Miguel Álvares esta por
mim fizesse, e como testemunhas assinasse em presença das mais testemunhas
também assinadas. Bahia, vinte seis de junho mil oitocentos dezoito. Como
testemunha que esta fiz a rogo de Anacleta Maria do Rosário, José Miguel
Álvares, como testemunha Caetano Álvares do Espírito Santo, Joaquim Maxado Pessanha, Luís Gonzaga de Santana. Distribuição: ao Tabelião Albergaria, Bahia, vinte seis de julho mil oitocentos e dezoito, Amado, Reconhecimento, Reconheço ser
própria, Bahia, quatorze de julho mil oitocentos e dezoito. Em testemunho de
verdade, estava o sinal público, Marcelino Epifânio Soares de Albergaria. E copiada
a dita carta de liberdade a qual me reporto esta conferi, consertei, subscrevi e
assinei, e a própria carta entreguei a quem abaixo assinou. Bahia, 17 de
julho de 1818. Eu Marcelino Epifânio Soares de Albergaria, que o subscrevi.
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção
Judiciária/Livro de Notas 196 – P. 43V.
Observação: Livro encontra-se sem acesso por estar bastante fragilizado.
Observação: Livro encontra-se sem acesso por estar bastante fragilizado.
Travessia do equador, alimentação e condições de saúde nos relatos de viajantes (séculos XV-XX)
O repertório agora tornado
público é parte do projeto Fragmentos da cultura marítima no Atlântico:
autonomia escrava, ritos a bordo e vida material. Um dos objetivos do projeto é
reunir e catalogar evidências que permitam analisar aspectos da cultura marítima
atlântica entre os séculos XV e XX.
A reunião dos dados possibilita um estudo
das transformações formais e de significado nos rituais de travessia da linha
do equador, buscando descrições em relatos de naufrágios de embarcações
portuguesas, na crônica colonial e em livros de viajantes de diferentes
nacionalidades.
O material reunido e catalogado viabiliza
também o estudo da vida material no mar, centrado nas questões de alimentação e
condições de saúde a bordo.
ACESSE:
PALESTRA: “SOBRE NEGROS E MUÇULMANOS NO RIO DE JANEIRO OITOCENTISTA”
HISTORICAL NEWSPAPERS
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CARNE SEM OSSO, FARINHA SEM CAROÇO
Das
Partes hoje recebidas, consta haverem sido ontem presos a minha ordem o Fiscal
da Câmara Theodoro Pereira da Fonseca, que passou a disposição do doutor Juiz
Municipal da 1ª vara, como implicados nos ajuntamentos ilícitos e motins de 28
de fevereiro e 1º do corrente; Firmiano José da Silva e Miguel do Carmo Lemos,
vadios para terem conveniente destino; sendo também presos pela subdelegacia do
1º distrito da freguesia da Vitória, Manoel Martiliano; e pela do 1º distrito
da Santo Antônio, o crioulo José Moreira, escravo para averiguações. Deus
guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Desembargador
João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú, Presidente da Província. Justiniano
Baptista Madureira.
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção colonial / maço: 3139-18
Para saber mais, click na imagem
O JOGO DO ENTRUDO: UMA FESTA PROIBIDA
Secretaria
da Polícia da Bahia, 18 de fevereiro de 1858
Ilustríssimo
Excelentíssimo Senhor
Das
partes hoje recebidas consta haverem sido ontem presos, a minha ordem Américo
Amâncio Gomes, Tenente do 1º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, por
infração do Edital da Polícia e Postura Municipal, que proíbem o entrudo, sendo
que apreendido em flagrante pelo próprio Subdelegado, não se recolhera logo ao
Quartel da Polícia, por falta de Oficial, que o conduzisse; e os Africanos José
Barata, liberto, e Benedito , escravo, indicados em crime de roubo de quantia
maior de 600$ réis, em diversas espécies e outros objetos, ao Africano também
liberto, com quem moravam, de nome Carlos João Chaves. Foram mais presos pela
Subdelegacia do Pilar, as Crioulas escravas Maria e Roza, compreendidas no
Edital sobre entrudo; e pela da Penha, a Crioula Constantina, igualmente escrava;
por fugida. Deus guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor
Desembargador João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú. Presidente da Província.
Justiniano Baptista Madureira.
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção Colonial / Maço: 3139-18
CARNAVAL, ENTRUDO E SAMBA NO SABOEIRO
Bahia, Subdelegacia do 2º
Distrito de Santo Antônio, 24 de fevereiro 1879
Tenho a
honra de comunicar a Vossa Excelência que ontem correu pacificamente o
divertimento do carnaval neste distrito, dando-se apenas dois conflitos, que
deram em resultado ferimentos leves, tendo lugar um na estrada do Saboeiro
proveniente de um samba, que sem muita ciência, verificou-se na noite de
sábado, onde se reunia grande número de indivíduos, os quais ficando alcoolizados
promoveram durante o dia o divertimento do entrudo, e a tarde procurando o
indivíduo Manoel Boaventura molhar Severo José da Amorim, resultou levar uma
paulada na cabeça, sendo prezo em flagrante o réu, procedi ao auto de flagancia
(sic) e corpo de delito, que sendo
considerado o ferimento leve, mandei recolher o réu a correção. Como sejam de
opinião os doutores que em poucos dias esteja o ofendido curado, desejo saber
de Vossa Excelência se é conveniente quando ele melhorar recolhe-lo a correção
como infrator da postura da Câmara. Outro conflito foi motivado por trocas de
palavras que deram em resultado ser ferido com uma chibatada Severo José, por
Salustiano Pinto, que não sendo preso em flagrante, e a ofensa sendo diminuta
tratei de amenizar. Como sabe Vossa Excelência este distrito é bastante extenso
e tendo o destacamento poucas praças não me é possível policiar de maneira que
possa obstar a estes incidentes, aliás desagradáveis. Deus guarde a Vossa
Excelência.
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção
colonial – maço: 6247
CRUZ VERMELHA E EUTERPE: PICUINHAS DE VELHOS CARNAVAIS
Ilustríssimo
e Excelentíssimo Senhor Conselheiro Presidente da Província
Entreguem-se
os papeis – Palácio da Presidência da Bahia, 29 de janeiro de 1886.
Dizem
os abaixo-assinados membros do conselho administrativo do Club CarnavalescoCruz Vermelha que, havendo sido, em geral, mal interpretado o ato pelo qual o
mesmo Club contratou para tocar em suas festas carnavalescas no corrente ano, a
música do corpo policial, levando-se a conta de má vontade para com outra
sociedade denominada Euterpe em ato de mera administração; que não convindo de
maneira alguma deixar vingar e produzir seus perniciosos frutos essa má
interpretação, mormente quando se trata de duas sociedades de puro divertimento
e dos quais fazem parte pessoas que na vida comum se acham ligadas em estreitas
relações de todo o gênero, e até mesmo de íntima amizade; que não desejando
além disto continuar a ocupar a atenção de Vossa Excelência com a questão suscitada
sobre o referido contrato. Pedem e requerem a Vossa Excelência se digne mandar
restituir-lhes o requerimento que tratando do assunto, submeteram a
consideração de Vossa Excelência, pois que, o Club que os suplicantes representam
está pronto a ceder a música a que tem incontestável direito, a Sociedade
Euterpe como também em virtude das ponderações acima expostas e outras razões
particulares, intercede a Vossa Excelência para que isso realize de maneira a
ficar a referida Sociedade servida, sem quebra da dignidade dos oficiais que
assinaram o mencionado contrato. E. R.
M. Bahia,
27 de janeiro de 1886
José
Coelho de Resende, José Oliveira
Castro, Arthur
Francisco Magarão, José da
Silva Mattos, Joaquim
da Silva Cunha, José Dias
Lopes.
FONTE: Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção colonial maço: 1570
REVOLTAS NA BAHIA – UMA CRONOLOGIA
1824 – Revolta do 3º Batalhão de 1ª Linha, o batalhão dos
“Periquitos” com o assassinato do Comandante das Armas Felisberto Gomes
Caldeira (25 de outubro a 3 de dezembro).
1825 – Fuzilamento de Sargento-Mor Sátiro da Cunha, acusado
de participar do motim que resultou na morte do Comandante das Armas (15 de
janeiro).
1826 – Revolta de escravos no Cabula, periferia de Salvador,
com prisão do “Rei dos Negros” e morte da “Rainha” que se recusou a render-se
(25 de agosto).
1827 – Revolta dos escravos no Cabula e em Armação, termos
de Salvador, com saldo de 8 mortos (11 e 12 de março). Revolta dos escravos do
rico proprietário Pedro Rodrigues Bandeira, em Cachoeira, ocasião em que os
escravos mataram o feitor e um seu irmão (22 de março)
1828 – O presidente da província menciona que neste ano
ocorreram três rompimentos da escravaria, sendo o último em dezembro.
1829 – Revolta dos escravos de três engenhos do coronel José
Maria de Pina e Mello, em Cotegipe, com
três mortes e incêndio de um dos engenhos ( 26 de outubro). Outra sublevação
escrava no Recôncavo, em novembro. Em fins deste ano os proprietários do
Recôncavo fazem uma representação ao presidente, pedindo o envio de destacamentos
militares para aquela região, com o objetivo de reprimir as constantes revoltas
escravas.
1830 – Assassinato do Visconde de Camamú presidente da
província da Bahia (28 de fevereiro). Dezoito a vinte negros invadem e saqueiam
lojas no centro da cidade, se dirigindo em seguida para um armazém de negros
novos, onde se lhes ajuntam mais de cem. Vai ao encalço deles um grupo de 60
praças. Houve luta, sendo capturados 41 negros e mortos 50 (1º de abril).
1831 – Revolta a bordo da charrua Carioca, com luta entre
marinheiros e oficiais (31 de janeiro). Distúrbios anti-lusitanos por ocasião
da chegada de notícias relatando os acontecimentos de 13 de março na Corte do
Rio de Janeiro - “Noite das Garrafadas”
– tendo esse movimento, na vanguarda, parte da tropa de 1ª linha;
reivindicava-se a demissão do Comandante das Armas, o Marechal Calado, e do
Comandante dos corpos militares (4 de abril). As inquietações atingem o
Recôncavo, principalmente Cachoeira, Santo Amaro e Maragogipe ( a partir de 6
de abril). Depois do assassinato de um comerciante brasileiro, seguem-se
assassinatos de vários portugueses e o saque de suas propriedades (13 de
abril). Os escravos de Pedro Rodrigues Bandeira ameaçam romper de novo, o que
coloca Cachoeira em sobressalto (23 de abril). Prisão de Cipriano Barata, João
Primo, Barão de Itaparica e outros, acusados de crimes contra a ordem pública,
inclusive a tentativa de subverter os escravos prometendo-lhes liberdade (28 de
abril). Revolta do Batalhão nº 20 do Piauí, estacionado em Salvador, com adesão
do Batalhão de Artilharia de Linha sediado no Forte de São Pedro, com assalto
do trem militar nos Aflitos; exigi-se a demissão do Comandante das Armas e se
reclamava contra a vida interna da caserna: as revistas, o rancho e o uso dos
pescocilhos de sola (31 de agosto). Primeira revolta federalista, iniciada pelo
Batalhão nº 18, com grande participação de populares vindos do Bairro de Santo
Antônio Alem do Carmo (28 de outubro).
1832 - Segunda revolta federalista, em São Felix, com a
participação de diversos fugitivos procurados por haverem participado da
primeira revolta em 31 de outubro; dirigia o rompimento o Juiz de Paz de São
Felix e vereador da Câmara de Cachoeira, Capitão Bernardo Miguel Guanais
mineiro (19 a 24 de fevereiro).
1833 – Prisão de cinco suspeitos de sedição, tentativa de
aliciamento rebelde do Corpo de Artilharia, tentativa de arrombamento da prisão
do hospital, intensa propaganda federalista (? Janeiro). Populares atacam a
Companhia de Cavalaria dos Municipais Permanentes, em Água de Meninos, e
ocorrem ajuntamento “suspeitos” de pessoas em São Caetano e Mangueiras, nos
limites da cidade; do ataque resultam o ferimento grave de um soldado e a
prisão de um homem negro e outro pardo, sendo que um deles já se envolvera na revolta
de São Felix (8 e 9 de março). Terceira revolta federalista, partida de um
motim penitenciário entre presos políticos na Fortaleza do Mar, houve
bombardeio da cidade durante três dias por parte dos rebeldes do forte e no
interior de Salvador se verificaram escaramuças entre populares e soldados,
prisões e invasões de domicílio pela soldadesca (26 a 29 de abril).
1834 – Revolta dos Índios de Pedra Branca, vilarejo
pertencente á comarca de Cachoeira, onde cerca de 300 índios se rebelaram
contra a ocupação de suas terras pelos lavradores (?).
1835 – A Revolta do Malês, com a participação de escravos e
libertos africanos que atacaram vários quartéis e rondas de soldados em
diversos pontos da cidade, morrendo durante a luta e repressão mais de 40
negros rebeldes e cerca de 6 soldados (24 a 25 de janeiro).
1836 – A Cemiterada, distúrbios populares contra a criação
de um cemitério na cidade, cujos proprietários teriam o monopólio dos enterros
em Salvador por trinta anos, tirando das Irmandades o direito de fazer
sepultamentos em seus cemitérios
particulares e jazigos de igrejas (25 de outubro).
1837-1838 – A Sabinada, maior de todas as insurreições do
período, quando os rebeldes dominam a cidade de Salvador, obrigando o governo
legalista a fugir para o Recôncavo e posteriormente se instalar na ilha de
Itaparica, enquanto durou a luta (7 de novembro de 1837 a 16 de março de 1838).
Fonte: REIS, João José. A elite baiana face aos movimentos sociais, Bahia: 1824-1840. Revista de História, V.54, ano 27, nº 108, pp. 347-348, out/dez. 1976.
TROPEIROS SAMBISTAS EM SÃO FELIX - 1877
Subdelegacia
de São Felix, 24 de dezembro de 1877
Excelentíssimo
Senhor
As
reiteradas reclamações desta Subdelegacia, em luta policial com o inveterado
costume dos sambas, alimentado pelos tropeiros que atuam de todo o centro e
sertões da província a esta povoação empório comercial de agitado concurso,
ordenou o Excelentíssimo Senhor Conselheiro Silva Nunes a permanência de um
caba e 4 praças aqui destacados para policiar e manter a ordem tão necessária a
garantia e paz das famílias, e graças ao que tenho conseguido a repressão do
crime; entretanto que bruscamente e sem a menor satisfação a mim; a cuja praças
foram eles retirados pelo Alferes Getúlio Manoel dos Santos Victal. Levando
esta ocorrência ao conhecimento de Vossa Excelência tem havido muitos roubos,
gomados das três cartinhas, tenho por fim rogar-lhe, que a bem e tranquilidade
pública, faça que voltem o mesmo número de praças para continuar a garantir a
ordem, levando ao conhecimento do Excelentíssimo Governo a palpitante
necessidade desta medida, para ser reconsiderada a ordem de retirada, se
porventura do mesmo Governo partiu ela parecendo-me que só o Excelentíssimo
Presidente da Província ordenaria a retirada de um destacamento que fora
ordenado por seu antecessor fixar-se nesta freguesia. Que venha o destacamento
diretamente a disposição desta Subdelegacia em separado do numero do
destacamento da Cachoeira. Deus Guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo
Excelentíssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia. Subdelegado Geminiano Pereira da
Silva.
Fonte:
Arquivo
Público do Estado da Bahia
Seção
Colonial – Correspondência recebida de subdelegados
Maço:
6245
QUANDO AS AUTORIDADES MANDAVAM PARA O PELOURINHO
Cipó,
Freguesia de Assú da Torre, 15 de dezembro de 1877
Ilustríssimo
e Excelentíssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia
Os
habitantes deste arraial vêm expor a Vossa Excelência um crime horroroso que
aqui se está praticando, com o consentimento das autoridades policiais. Um
indivíduo de nome João Gonçalves Menezes está, no lugar denominado Frutas,
barbaramente surrando um infeliz escravo de nome Alexandre, de cor mulato, e o
vai meter, além de surrado, conforme disse o bárbaro senhor, em ferros, por
causa muito fútil. Como, é Excelentíssimo Senhor, que se comete tal
barbaridade, em vista da lei que nos rege? O indivíduo João Gonçalves é mais contra
parente e íntimo amigo do senhor Delegado da Polícia deste termo, bem como do
atual Subdelegado deste infeliz arraial o senhor João Alves do Nascimento, que
é lento de mais, e por isso é infrutífero se Vossa Excelência pedir informações
destas autoridades, que são coniventes neste crime horrendo, pois o senhor
Delegado tem de presente, bois e novilhos para encobrir os desmandos de seu
contraparente. Condoendo-nos da sorte deste infeliz, é que viemos em nome da
lei ultrajada pedir a Vossa Excelência que mande vir à vítima a sua respeitável
presença para certifica-se da nossa verdade. O Subdelegado é tão conivente que
viu nesta semana, aqui a vítima, que foi interrogada por ter fugido, por não
querer servir a um tal desumano, por cuja causa está surrado e talvez já
carregado de ferros, e metido num tronco, dando-lhe comida de 2 em 2 dias. Esta é a verdade, que será
verificada com a presença de Vossa Excelência, a quem pedimos justiça, para
desabafo da lei, que é ultrajada.
Deus
guarde a Vossa Excelência, Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Doutor Chefe de
Polícia desta Província. Os habitantes do Cipó.
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção Colonial / Maço: 2970
CIGANOS EM RIACHO DE SANTANA
Nº 11.
Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor.
Tenho
por dever comunicar a Vossa Excelência, que o doutor Delegado de polícia deste
Termo recebeu hoje do subdelegado do Distrito do Riacho de Santana a
participação de achar-se aquele distrito em grande alarma, por efeito de
notícias ali recebidas de que, no porto do Salgado, da Província de Minas, se
preparava uma grande multidão de Ciganos para descerem o Rio de São Francisco
até o lugar denominado Bom Jesus da Lapa, entrarem por aí, a fim de atacarem o
sobredito Arraial do Riacho de Santana, assassinarem suas legítimas autoridades
e saquearem os povos daquele distrito. Bem que me pareceu estas notícias
exageradas e filhas do pânico, de que se deixou possuir aquele subdelegado,
nesta mesma data, de acordo com o doutor Delegado, foram prontamente dadas todas
as providências congruentes a prevenir semelhante atentado, e tenho fundada esperança
de que a tranquilidade pública de minha Comarca não será alterada. O doutor
delegado parte sem demora para a Vila da Cariranha a fim de mais perto cumprir
os seus deveres, e eu tenciono também brevemente seguir para o Riacho de
Santana, a fim de desvanecer ali o pânico, que ocupa aquela população, e de dar
quaisquer outras providências que me sugerirem as circunstancias que forem
ocorrendo. Deus Guarde a Vossa Excelência, Monte Alto, 8 de maio de 1848.
Ilustríssimo
Excelentíssimo Senhor Presidente desta Província.
O Juiz
de Direito desta Comarca, João Antônio de [Souza] Vianna
(A
lápis: Eu faço ciente, e muito confio em seu zelo e adverte que providenciará
do modo que seja prontamente repelida qualquer agressão, que se tente fazer
contra os habitantes do Riacho de Santana.)
Na
lateral: Respondeu, 3 de julho de 1848.
Fonte: Arquivo
Público do Estado da Bahia / Seção Colonial / Juízes de Monte Alto
Maço:
2488 – Ano: 1842-1859.
Suspensão de atendimento externo no Arquivo Público do Estado da Bahia
A Fundação Pedro
Calmon/SecultBA informa que a partir desta quarta-feira, dia 19 de fevereiro de2014 está suspenso o atendimento ao público externo no Arquivo Público do
Estado da Bahia, em virtude das obras de requalificação predial que estão sendo
realizadas no histórico imóvel que abriga a instituição arquivística.
Especialistas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia –
IPAC/SecultBA, arquitetos e engenheiros estruturalistas, realizam um delicado
trabalho de diagnóstico do serviço de restauração e recuperação do telhado e
forro do prédio. A previsão é que o atendimento seja restabelecido em umasemana.
A ação integra a série de
intervenções que têm sido realizadas no Solar da Quinta do Tanque, localizado
na Baixa de Quintas, que abriga o Arquivo Público do Estado da Bahia. As obras,
com investimentos estimados em R$2 milhões, visam qualificar a infra-estrutura
física do imóvel e assegurar a modernização da preservação e do acesso ao
patrimônio documental. Essa é a primeira intervenção no imóvel, desde 1980,
quando o Arquivo Público foi transferido da Rua Carlos Gomes para a Baixa de
Quintas. Trata-se de uma construção secular, erguida pelos jesuítas no século
XVI e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan), em 1949.
As obras do Arquivo Público
foram divididas em três etapas. A primeira intervenção, em fase bem adiantada, é
a requalificação do sistema elétrico, rede lógica e telefones, que abrange a
troca de cabeamento, quadros de disjuntores, luminárias (internas e externas),
tomadas e a construção de uma subestação elétrica com nova tecnologia não
poluente, pois a antiga era a óleo. A próxima etapa é o restauro do forro e
telhado, além da estabilização da estrutura física do imóvel.
Parafraseando Sigmund Freud,
quanto menos alguém sabe sobre o passado e o presente, mais inseguro será o seu
juízo sobre o futuro.
ACOMPANHEM ESSA LONGA HISTÓRIA:
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