Nota pública das comunidades dos terreiros


NÓS DA REDE RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA DO SUBÚRBIO (RREMAS[1]), VIMOS A PÚBLICO MANIFESTAR NOSSA INDIGNAÇÃO DIANTE DE MAIS UMA BRUTALIDADE QUE A IGNORÂNCIA POPULAR ATRIBUI A NóS COMO PRÁTICA RELIGIOSA.  MAIS AINDA, NOS INDIGNAMOS COM O FATO EM SÍ QUE VITIMOU UM SER PEQUENINO NO TAMANHO, MAS GRANDE EM SUA ESSÊNCIA, INOCENTE E POR TUDO ISSO SAGRADO PARA NóS: UMA CRIANÇA (QUE ATÉ O NOME ESQUECERAM E QUE ESTÁ SENDO CHAMADO “MENINO DAS AGULHAS”); VÍTIMADA PELA INSANIDADE DE PESSOAS VISIVELMENTE DESCOMPENSADAS.

TÃO PASMOS COMO TODA POPULAÇÃO, TEMOS ACOMPANHADO AS REPORTAGENS ESPERANDO PARA ELE UM DESFECHO POSITIVO E QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ACORRAM ÀS NOSSAS LIDERANÇAS RELIGIOSAS PARA ALGUMA DECLARAÇÃO, COMO É DE PRAXE SE FAZER, EM CIRCUNSTÂNCIAS COMO ESTA, QUANDO UM IMPORTANTE SEGMENTO DA SOCIEDADE É CITADO OU RESPONSABILIZADO.

VIMOS A FALA DO MÉDIUM DIVALDO FRANCO, POR QUEM DEVOTAMOS RESPEITO; CONTUDO, NÃO PODE SER CONSIDERADA COMO BASTANTE A PONTO DE NÃO SE BUSCAR OUVIR OUTROS SEGMENTOS ESPIRITUALISTAS, PRINCIPALMENTE, O CITADO PELO REU-CONFESSO.

PREOCUPADOS COM O CRESCIMENTO DA CALÚNIA, ESTAMOS NOS ANTECIPANDO, PARA QUE NÃO CRESÇA SOBRE NÓS A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA OU PIOR, O ÓDIO RELIGIOSO, JÁ TÃO FORTEMENTE DISCEMINADO POR DETERMINADOS SETORES NEOPENTECOSTAIS, ATRAVÉS DE SUAS TÃO PÚBLICAS E “NOTÓRIAS” ATIVIDADES  MERCADOLÓGICAS.

PORTANTO, DECLARAMOS QUE NUNCA HOUVE E NÃO HÁ EM NENHUMA DAS NAÇÕES RELIGIOSAS, DE CULTO A ANCESTRALIDADE AFRICANA E BRASILEIRA, AS QUAIS CHAMAMOS DE  “RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA”, RITUAL, DE QUALQUER OBJETIVO, ENVOLVENDO SACRIFÍCIO DE VIDA HUMANA, SEJA QUAL FOR A FAIXA ETÁRIA, MUITO MENOS HAVERIA DA INFANTIL, QUE É POR NÓS TÃO RESPEITADA.

VALE RESSALTAR, QUE NÃO HÁ EM NENHUM DOS SACRIFÍCIOS RITUAIS QUE REALIZAMOS COM ANIMAIS, REQUINTES DE CRUELDADE. AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS CONSOMEM TODOS OS DIAS, TONELADAS E MAIS TONELADAS DE CARNE ANIMAL SEM  QUESTIONAR QUAIS OS MÉTODOS ADOTADOS PARA ABATÊ-LOS E, PODEMOS  GARANTIR QUE NÃO SÃO NADA GENEROSOS, BOA PARTE DELES SÃO EXTREMAMENTE CRUÉIS. A DESPEITO DO QUE TRATAMOS AQUI, CONSIDERAMOS UMA RESSALVA IMPORTANTE, POIS QUE  COMPLETA A INFORMAÇÃO E SE ANTECIPA AS ARGUMENTAÇÕES,  HIPÓCRITAS E AMORAL EM SUA MAIORIA,  DE QUE SACRIFICAMOS ANIMAIS.

AINDA VALE OUTRA RESSALVA, PARA O FATO DE QUE MESMO SE UMA DAS ACUSADAS FOSSE IYÁLÒRIXÁ (“MÃE DE SANTO”), NÃO SE PODERIA CONDENAR O CANDOMBLÉ; POIS QUE QUANDO UM MÉDICO ERRA, NÃO SE CONDENA TODA A MÉDICINA. ASSIM COMO O ERRO DE LÍDERES  RELIGIOSOS,  NÃO SE ATRIBUE ÀS SUAS MATRIZES RELIGIOSAS.

NÃO HÁ HISTÓRICO NEM LUGAR PARA ESTA MONSTRUOSIDADE QUE INSISTEM EM DAR VISIBILIDADE NO DISCURSO IGNORANTE E NÃO INOCENTE (PORQUE BUSCA SE EXIMIR DA RESPONSABILIDADE), DO CRIMONOSO, DE QUE UMA DAS ACUSADAS USAVA “OS CABOCLOS E ORIXÁS”, PARA SUA PRÁTICA ASSASSINA E DOENTIA. OS CABOCLOS, ORIXAS, VODUNS E INQUICES, DE CERTO VÃO COBRAR DELE E DE QUEM MAIS AFIRMAR TAL BARBARIDADE. ELES SÃO SERES DE LUZ E NA LUZ, RESPONSÁVEIS PELO EQUILÍBRIO DA TERRA, DAS PESSOAS E DE SUAS RELAÇÕES.

POR FIM, CONCLAMAMOS A TODAS AS ORGANIZAÇÕES DOS “POVOS DE SANTO” A QUEM PREFERIMOS CHAMAR DE “POVOS DE TERREIRO”, DA BAHIA E DE TODO O PAÍS, A SE MANIFESTAREM, PARA QUE MAIS ESTA INJUSTIÇA _ QUE ALIÁS, JÁ DESPONTA EM OUTROS ESTADOS, A EXEMPLO DO MARANHÃO, COMO “MAGIA NEGRA” E, AÍ AUTOMATICAMENTE  AFIRMAM AUTORIA A NÓS _  NÃO SE ATRIBUA A NOSSA TÃO BONITA RELIGIÃO. EMBORA, DIGA-SE DE PASSAGEM, NADA TEM HAVER O TERMO “MAGIA NEGRA” COM O CONHECIMENTO DA MAGIA AFRICANA, PASSADA DE  GERAÇÃO EM GERAÇÃO HÁ MILHARES DE ANOS, , QUE MANIPULA OS ELEMENTOS DA NATUREZA PARA NOS EQUILIBRAR DIANTE DELA E NOS RELIGAR A ANCESTRALIDADE, LEMBRANDO QUE A HUMANIDADE SURGIU NA ÁFRICA.  VALE DESTACAR, QUE MAGIA NEGRA é COISA DE SÉCULOS REMOTOS DA EUROPA. AXÉ!

[1]Comissão Organizadora: ILÊ AXÉ TORRUNDÊ /  ILÊ AXÉ ODETOLÁ / ILÊ AXÉ OYÁ DEJI / ILÊ AXÉ OMIN ALA / ILÊ AXÉ GEDEMERÊ / TERREIRO GÊGE  DAHOMÉ / ILÊ AXÉ IYÁ TOMIN /  ILÊ AXÉ OGODOGÊ / ILÊ  AXÉ  LOGEMIN – contatos: 9966-6506 / 3394-8184,Guilherme de Xangô - Bàbálòrixá;  9908-5566 / 3408-1455 Valdo Lumumba-Ogan;  8716-5833 Edvaldo Pena - Huntó; 3521-1423 Dari Mota – Bàbálòrixá; 3394-8175, Wilson Santos - Bàbálòrixá.
Estamos longe de termos nossos direitos assegurados...

Luiz Dantas
Coordenador ponto de cultura  
Associação do Culto Afro Itabunense
Projeto cultura em ação
ACAI/Bahia
(73) 3612-0175
 

Prêmio Jovem Cientista 2010-Energia e Meio Ambiente


Soluções para o Futuro é o tema da 24ª edição do Prêmio Jovem Cientista 2010. O concurso vai distribuir a graduados, estudantes do ensino superior e médio mais de 145 mil reais em prêmios. As inscrições, e maiores detalhes,podem ser feitas até junho de 2010 no endereço:


O objetivo do Prêmio é buscar, através dos diferentes temas abordados a cada ano, soluções simples e acessíveis para problemas diretamente ligados à população. O foco desta edição será o estudo, desenvolvimento e uso de energias alternativas, com a finalidade de estimular a produção e o consumo sustentável dessas fontes de energia, ou seja, que atendam às
necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações atenderem também às suas próprias.
Colaborador desta postagem: Paulo Cesar

Sepromi seleciona universitários para mapear espaços de religião africana


Estão abertas até quarta-feira (23), as inscrições para estudantes universitários que queiram atuar no Projeto Mapeamento de Espaços de Religião de Matriz Africana nos Territórios de Identidade do Baixo Sul e do Recôncavo. Os 20 bolsistas selecionados vão colaborar com a iniciativa, aplicando questionários sob a orientação da coordenação do projeto. A íntegra do Edital 007/2009, que regulamenta a seleção dos candidatos, está disponível no site sepromi/edital, da Secretaria de Promoção da Igualdade, responsável pela iniciativa. 
As inscrições podem ser protocoladas na sede da Sepromi, das 9h às 12h e das 14h às 17h, ou postadas nos Correios (via sedex) para: Secretaria de Promoção da Igualdade, Centro Administrativo da Bahia – CAB, 2ª Avenida, 250,  Anexo  B, Blocos A e B, Paralela, CEP – 41745-003 – Bahia – Brasil. O resultado da seleção será divulgado no dia 30 desse mês, através do  site da Sepromi e do Diário Oficial do Estado. 
Além da cópia do CPF e RG, os candidatos deverão entregar formulário de inscrição preenchido e impresso, conforme modelo disponível no site da Sepromi; comprovante de matrícula do semestre 2009.02; declaração própria de que não possui vínculo empregatício nem percebe outra modalidade de bolsa (modelo disponível no site da Sepromi); e currículo atualizado. Os bolsistas que desejem concorrer seguindo critérios para cotistas deverão apresentar boletim de desempenho no vestibular, que deverá ser requerido na instituição de ensino a que esteja vinculado(a). 
As bolsas terão o valor de R$350 mais diária de R$200 e serão concedidas pela Sepromi para estudantes que estejam cursando a partir do 3º semestre e matriculados em instituições de ensino superior devidamente registrada pelo Ministério da Educação (MEC). Uma vez selecionados, os colaboradores bolsistas terão o compromisso de manter o bom desempenho estudantil e não poderão ter vínculo empregatício durante a vigência da bolsa.

O Projeto  

O projeto será realizado a partir de um convênio firmado entre a Sepromi e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir, em parceria com as prefeituras e organizações da sociedade civil dos municípios envolvidos. Com início previsto para este mês, o projeto deverá ser concluído em 15 meses, abrangendo Casas de Santo dos territórios do Recôncavo e do Baixo Sul. 
Os dados coletados, que serão disponibilizados em uma publicação e na Internet, servirão como subsídio para elaboração de uma política estadual, com estratégias de atendimento às demandas dos espaços pesquisados. Para tanto, serão pesquisadas informações relativas à origem e história dos Espaços; nação a que pertencem; tempo de fundação; condições físicas e de infraestrutura; recursos ambientais, trajetórias de luta e resistência; e sobre o perfil das autoridades religiosas (sexo, raça, formação etc). 
No Baixo Sul, os municípios abrangidos são Aratuípe, Cairu, Camamu, Gandu, Igrapiúna, Ituberá, Jaguaripe, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia, Valença, Wenceslau Guimarães. No Recôncavo, o projeto contempla Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragojipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Felipe, São Félix, São Francisco do Conde, Sapeaçu, Saubara e Varzedo. 

Assessoria de Comunicação 
Secretaria de Promoção da Igualdade 
(71) 3115-5142 / 3115-5132 / 9983 9721

O REI DA PALHA


Aldonildo Cândido Sena, nascido em Fortaleza-CE em 22 de julho de 1972, mas baiano por opção a quase (30) trinta anos. Aos onze anos descobriu o amor pela arte, começando com desenho artístico, passando pelo couro, arame e atualmente na palha do coqueiro onde já se encontra ha mais de doze anos, enfrentando toda espécie de críticas e preconceitos. Durante esses doze anos, fazendo decorações em hotéis, casamentos, pousadas, teatros, distribuindo brindes confeccionados com a palha de coqueiro em camarotes no carnaval.
ACESSE: http://reidapalha.blogspot.com/
E-mail: aldonildooreidapalha@hotmail.com 
Tel: 71- 8846-7856

ACADÊMICOS AMESTRADOS


Por Idelber Avelar

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a "morte de Marx". Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar - cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. Éimpensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que
revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me
acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de "vagabunda" pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como "o filósofo" pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de "terrorismo de Estado". Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real - por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses - se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como "terrorismo de Estado" a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de "trapalhadas" e chamava Celso Amorim de "líder estudantil" e "cavalo de troia de bufões latino-americanos". Poucos dias depois, a respeitadíssima
revista Foreign Policy - que não tem nada de esquerdista - apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o "melhor chanceler do mundo", nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os "especialistas" sobre isso - agora sim, com aspas - são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e
Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro.
Nas bancas.
Idelber Avelar

Acesse: Os Urbanitas
http://www.aguaforte.com/antropologia
Colaborador desta postagem: J.J.Reis

JUCA FERREIRA - FACTÓIDE DO FOLDER


Prezados(as),
Nesse episódio que poderíamos chamar de factóide do folder, depois da tempestade, temos a bonança bonança dinâmica. Tivemos, primeiro, o factóide do folder indevidamente caracterizado por alguns parlamentares de propaganda eleitoral –quando, na realidade, era evidentemente uma peça de força para alavancar a cultura nesta reta final e decisiva de votações. Inclusive, fez parte da sessão solene do Dia Nacional da Cultura na Câmara.
Ou seja, era a parte que inescapavelmente nos cabia no evento como ministério da área.

Em seguida ao factóide, alguns veículos compraram acriticamente a falsa pauta –negando assim seu papel de investigadores isentos.

Na sequência, me envolvi num entrevero com um jornalista que –mais uma vez– distorcia o papel da imprensa: agora, em vez de investigar, ele me acusava.

A seguir, chamo sua atenção para dois documentos: a nota distribuída à imprensa em que me penitencio por minha resposta indignada e justa ao comportamento inusitado do jornalista; e a entrevista que concedi a Jotabê Medeiros, de O Estado de S.Paulo, versão integral reproduzida pelo jornalista no seu blog, e que inclui observações que recompõem, isentamente, o que foi esta minha indignação.

Sinto necessidade ainda de parabenizar os que fazem jornalismo objetivo. A imprensa cumpre papel insubstituível nas sociedades contemporâneas –e zelar por sua integridade é tarefa que cabe a todos nós, tanto os que trabalham nela, quanto os que se informam por meio dela.


Juca Ferreira

SEGREGAÇÃO PÓS-MORTE


Senhores Representantes da Provincia    Da Meza [...] da Irmandade  da Conceição desta cidade  pedindo 20 loterias [...]
  Indeferido na forma do parecer      
Aff. Em 24 de Setembro de 1857           
F-1
A Mesa Administrativa da Confraria Professa na
Ordem da Conceição desta Cidade, estando bem certa de quan-
to se tem mostrado Esta Assembleia sempre sollicita, e desvella-
da em proporcionar meios para manutenção do Culto Divi-
no, e coadjuvação de obras pias; vem pelo prezente supplicar,
e espera merecer, a concessão de 20 Loterias, livres de Direitos
P (mutilado)  melhor para com
o producto dellas (mutilado) a continuação da obra de uma
pequena caza de azilo ao lado da Capella, que está parali-
zada por falta de meios desde 1853; e á factura de novas
catacumbas no Cemiterio publico da Quinta dos Lázaros;
alem dos indispensaveis, e urgentissimos reparos, de que nece-
sita a mesma Capella, e que estão orçados por Peritos enten-
didos em cerca de 16:000#000.
A Confraria suplicante não pode deixar, Senhores,
de reconhecer, que a prohibição dos enterramentos dentro das
Igrejas, restituiu aos Templos o devido leustre, e decoro, por
que elles se fizerão para que os vivos rendão cultos á Divin-
dade, e não para vastos sepulcros de mortos; mas he tam-
bem verdade, que a privação desses enterramentos nas Car-
neiras da Igreja fez quazi desapparecer sua mingoada
receita annual, não havendo d’então para cá entradas
de Irmãos, por que o principal incentivo para isso era
a segurança de jazigo certo para descanço do côrpo, depois
de apagado o sôpro da vida.
Não he, portanto, para alimentar vai
F-2
vaidades, ou privilegiar sepulturas, que se levantão as novas
catacumbas; he sim para despertar o fervor religiozo um
pouco amortecido; para fazer partilhar pelo mais crescido
nº possivel de pessoas o que há de mistico, sublime, e edifi-
cante na Regra da Confraria; já que o desenvolvimento do Culto
está assim dependente das vantagens, com que cada um quer
contar para os cazos de (mutilado)
longada, por que he melhor ter um azilo proprio, do que esmolar o
pão de porta em porta.
A receita unica, que a confraria Supplicante percebe
Prezentemente he de 1: 214#000 rs dos alugueres das proprie-
dades de seo pequeno Patrimonio; mas ella se exhaure toda nos
multiplicados gastos ordinarios, de Missas, guizamento, cêra,
azeite, lavagem, e engomado de roupas para a celebração dos
Actos Divinos, Decimas urbana, e de mão morta, ordenados de
Capellão, organista, Escriturario, Andador, e Sineiro, sem fallar nos
Pequenos, e atamancados concertos, que se fazem todos os annos
Na Capella.
A crença herdada de nossos Paes não se pode, Senhores,
Desarraigar do coração do Povo – Chega-se á considerar tão pal-
pitante necessidade para a morte o não ser enterrado no cam-
po de mistura o senhor com o escravo; o assassino com a victima;
o bem feitor com o ingrato # quanto o he para a vida a alimenta-
ção; quanto o he para a salvação d’alma o socorro espiritual
da Releigião.
Portanto, sendo tão justificados os objectos, a que se
F-3
se tem de applicar o producto das Loterias; sendo tão digna de
attenção a falta de meios, em que se vê a Confraria Supplicante,
e a justiça, com que parece se-lhe-deverão compensar os interesses,
que perdeo, provenientes de direitos adquiridos; espera ella, e
P. aos Senhores Representantes, e Legisladores
Da Provincia mais esta prova de Patriotis-
mo, e Religião, com concessão das 20 Lote-
rias declaradas em principio.
Reconheço as assinaturas em fé           E.R.M.ª
por verdadeira 9 de junho de 1856.      Os Membros da Confraria
[ilegível]                                                         Thomas [...] [...] Silva
Jose Joaquim da Costa Amado              Luis Francisco [...]
Para saber mais consulte: Reis, João José: A morte é uma festa - Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do Séc. XIX. Cia das Letras, SP1991
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção: Legislativa - Petições
Maço: 1043

CONCURSOS


CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR (novo)
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande - FURG
Nº de vagas: 1
Inscrições: 12 a 25/11/2009
Mais informações

CONCURSO PARA PROFESSOR HISTÓRIA (novo)
Instituição: Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE
Nº de vagas: 1
Inscrições: 30/11/2009
Mais informações

CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR DE METODOLOGIA E TEORIA DA HISTÓRIA (novo)
Instituição: Universidade de São Paulo - FFLCH/USP
Nº de vagas: 1
Inscrições: até 07/12/2009
Mais informações

CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR (novo)
Instituição: Universidade Estadual de Londrina - UEL
Nº de vagas: 5
Inscrições: 7 a 11/12/2009
Mais informações

CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR DE HISTÓRIA ANTIGA E MODERNA (novo)
Instituição: Universidade de Brasilia - UNB
Nº de vagas: 2
Inscrições: até 13/12/2009
Mais informações

CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR DE HISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO E REPÚBLICA (novo)
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Nº de vagas: 1
Inscrições: até 14/12/2009
Mais informações

MESTRADO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Federal de Pelotas - UFPel
Inscrições: até 22/12/2009
Mais informações

MESTRADO EM HISTÓRIA
Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Inscrições: até 25/01/2010
Mais informações



Informativo Eletrônico da ANPUH - Edição nº 1 - Ano I
Expediente: Nelson Schapochnik (editor), Pablo Serrano (secretário), Mario Guimarães (webdesigner). Todos os direitos reservados. www.anpuh.org

Fale conosco: informe@anpuh.org

Patrimônio Cultural e Desenvolvimento Científico no Brasil


As notícias recentes no Brasil de furtos e roubos em museus, bibliotecas e arquivos apontam para a afirmação de um mercado ilegal de bens culturais que se coloca ao lado do comércio ilegal de drogas e armas como as maiores empresas criminosas do planeta. O risco é que a questão da segurança imponha restrições ao acesso de bens culturais. O que a ciência tem que ver com isso? No Brasil, desde a criação do Ministério da Cultura, o patrimônio foi administrativamente desvinculado da educação pública e da ciência. Essa mudança reconheceu a autonomia da cultura em termos de políticas públicas. De outro lado, as leis de incentivo à cultura criaram um ambiente propício ao investimento de iniciativa privada. Além disso, os direitos de propriedade intelectual aprofundaram os laços entre cultura e capital ao agregar valores a produtos e marcas. Em contraposição, as novas mídias confrontam as formas de controle de direitos autorais forçando a ampla apropriação social de bens culturais. Tudo isso indica a necessidade de políticas públicas renovadas para a cultura que confirmem a cultura como um direito que fortalece a cidadania no nosso país. Capaz de oferecer análises sobre a cultura na atualidade, o campo da ciência não tem dado importância aos efeitos das mudanças institucionais da cultura no terreno do desenvolvimento científico. Em geral, pode-se dizer que o campo da ciência se coloca distante das instituições de patrimônio cultural, como se fosse uma questão de outra esfera, naturalizando a divisão administrativa entre o MC&T e o MinC. É preciso sublinhar a importância das instituições de patrimônio cultural como parte da infra-estrutura de pesquisa. Nesse sentido, trata-se de reconhecer que bibliotecas, museus e arquivos são essenciais ao desenvolvimento científico. Toda pesquisa depende de valiosos acervos de bens culturais que integram a esfera das instituições de patrimônio cultural e que condicionam os horizontes do desenvolvimento científico, sobretudo no campo das humanidades. A ameaça à integridade dos acervos (seja por roubos ou pela deterioração) e as imposições às condições de acesso (por falta de infra-estrutura ou pelas restrições impostas por direitos autorais, por exemplo) podem representar obstáculos à pesquisa e ao desenvolvimento científico. Assim, o campo das ciências precisa se comprometer com a defesa de melhores condições de preservação e acesso aos acervos de bibliotecas, arquivos e museus. O MC&T por meio da FINEP está prometendo abrir uma linha de financiamento dirigida à preservação de acervos, favorecendo melhores condições de atendimento à pesquisa e acesso à informação. Seria um modo seguro de expandir a infra-estrutura de pesquisa científica, aproveitando uma base já existente, mas pouco valorizada. Museus importantes ainda não possuem salas e serviços destinados a pesquisadores externos; arquivos não tratam seus acervos em bases de dados informatizadas; e bibliotecas não oferecem máquinas leitoras de microfilmes e estações de leitura de imagens digitais confortáveis à pesquisa científica. Isso cria obstáculos à pesquisa e não permite estabelecer plenamente os canteiros de pesquisa. Defender que o Ministério e as Secretarias de C&T e as agências de fomento à pesquisa dêem atenção à preservação de bens culturais é um modo também de influenciar o trabalho das instituições de patrimônio cultural a serviço da pesquisa. A ciência deveria estar pronta para lançar uma mirada transversal da cultura, ultrapassando as fronteiras estabelecidas pela administração pública. Este enfoque poderia enriquecer a pauta de entidades como a ANPUH que defendem a progresso da ciência. O movimento atual de construção de um Plano Nacional de Cultural pode ser uma oportunidade. 
Paulo Knauss é Professor do Departamento de História da UFF e Diretor-Geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro

PROJETO DE LEI PELA PROFISSIONALIZAÇÃO DO HISTORIADOR


Foi apresentado, no dia 27 de agosto de 2009, pelo senador Paulo Paim, o Projeto de Lei do Senado n. 368/2009, que REGULAMENTA A PROFISSÃO DE HISTORIADOR e dá outras providências. O Projeto foi encaminhado no dia 28 de agosto de 2009 para a Comissão de Assuntos Sociais, onde ficou aguardando emendas até o dia 04 de setembro de 2009, não sendo apresentada nenhuma emenda. No dia 24 de setembro de 2009 o Projeto foi encaminhado para o senador Cristovam Buarque para relatar a matéria nesta Comissão. A ANPUH – Associação Nacional de História enviou carta aos senadores Paulo Paim e Cristovam Buarque no sentido que esta entidade, que representa nacionalmente os profissionais de História, possa vir a ser ouvida em audiência pública por esta Comissão e possa vir a interferir na elaboração final da matéria. Cópia do texto do projeto está disponibilizada na página da entidade
Leia o projeto aqui.

I Encontro dos Programas de Pós-graduação da FFCH



A Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA é um pólo regional para a pesquisa de qualidade. No espaço de São Lázaro, ao lado de seus seis programas de pós-graduação, contamos com mais um importante programa sediado no Instituto de Psicologia. Além disso, o Departamento de Museologia também caminha para construir um programa de pós-graduação, e nossos pesquisadores têm mantido fortes e freqüentes laços com o Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, de sorte que suas pesquisas têm um lugar natural em nosso Encontro.
Além da rica produção dos docentes e discentes de São Lázaro, são fortes os laços desses programas com pesquisadores de todo país. Trata-se, pois, de uma produção rica e de referência, que deve ser divulgada amplamente e, mais ainda, deve encontrar-se e interagir.
Desse modo, por iniciativa da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, o espaço de São Lázaro irá abrigar, de 30 de novembro a 04 de dezembro, um grande encontro dos nossos programas de pós-graduação, para o qual estão convidados a apresentar trabalhos os atuais docentes e discentes dos programas, mas também serão bem-vindas as boas pesquisas de nossos egressos, bem como os trabalhos de pesquisadores de todo país que mantêm intercâmbio acadêmico com nossos programas.
Participe do Encontro! Inscreva-se aqui!
ACESSE: http://www.ffch.ufba.br/spip.php?article12

ESPETÁCULO: ROSÁRIO - QUEM APRISIONOU TEU CANTO?



                                           VALE A PENA ASSISTIR E PRESTIGIAR!

REPÚBLICA: 120 ANOS DE LUTAS POR CIDADANIA NO BRASIL


No dia 02 de dezembro (próxima quarta-feira), às 19:00hs, no Campus V da UNEB em Santo Antonio de Jesus, acontecerá a Mesa Redonda intitulada República: 120 anos de lutas por cidadania no Brasil, promovida pelo Programa de Pós-Graduação em História Regional e Local. Esta Mesa será composta pelos professores doutores Aldrin Castellucci (UNEB), Antonio Liberac (UFRB), Rinaldo Leite (UEFS) e Maria das Graças Leal (UNEB), como coordenadora da Mesa.
 
Informamos ainda que os certificados desta atividade estarão disponíveis na sede do PPG em História Regional e Local a partir do dia 03/12/2009.

Pedimos a todos que divulguem este evento.
Cordialmente,

Secretaria Acadêmica
PPG em História Regional e Local - UNEB
(75) 36313465

V Encontro Estadual de História - ANPUH-BA


Caros associados da ANPUH-BA:

É com grande satisfação que a diretoria da ANPUH-BA publiciza o sítio oficial do V Encontro Estadual de História, a realizar-se na Univerisdade Católica de Salvador, do dia 27 ao dia 30 de julho de 2010. O endereço da página é: www.ucsal.br/vencontroanpuhba/

Lembramos a todos os associados que o prazo para inscrição de propostas de simpósios temáticos e mini-cursos é até o dia 30 de dezembro de 2009. Ressaltamos que neste encontro realizaremos o concurso de monografias José Calazans, cujo edital se encontra também no sítio, e que demandará um grande esforço de todos os diretores de departamento e coordenadores dos colegiados dos cursos de História para sua ampla divulgação e seu posterior sucesso. 

Um grande abraço,
A diretoria da ANPUH-BA.

Revista Eletrônica Cadernos de História (UFOP)



Prezados,

A Revista Eletrônica Cadernos de História (UFOP) lança a chamada de trabalhos para a edição ano V nº 1, com seção temática de artigos Religião, Identidade e Cultura e seção livre para resenhas, transcrições comentadas, entrevistas e traduções. O prazo para envio de trabalhos se encerra no dia 1º de março de 2010. Segue em anexo o cartaz com o texto de apresentação do número.

Cordialmente,

Os editores.

Conselho Editorial
Revista Eletrônica Cadernos de História:
publicação do corpo discente do departamento de história da UFOP
Rua do Seminário, s/n - Centro
Mariana - MG
35420-000

CONSCIÊNCIA NEGRA EM FOCO



Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB realiza seminário Conversas de Negros e Sobre Negros (CNSN) - Iniciativa, aberta ao público externo, vai debater questões etnicorraciais com pesquisadores da cultura afrodescendente - Dia 21/novembro, em Salvador


Conversas de Negros e Sobre Negros (CNSN). Esse é o título do seminário que a Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UNEB realiza do dia 21 de outubro, às 15h, no Auditório Professor Roberto Santos, do Museu de Ciência e Tecnologia (MC&T) da universidade, localizado no bairro do Imbuí, em Salvador.


Para a iniciativa, gratuita e aberta ao público externo, não há necessidade de inscrição prévia.


“No mês da consciência negra, queremos qualificar o debate sobre questões etnicorraciais, que é uma orientação da lei nacional que inclui a cultura e história afro-brasileira na matriz curricular das escolas do país”, explica o professor Gildeci Leite, um dos coordenadores da iniciativa.


O seminário é organizado pela Coordenação de Literatura do programa estadual Universidade para Todos na UNEB, que utilizará a ação como uma das reuniões mensais para a orientação dos discentes-monitores da instituição no programa.


A programação do seminário reserva a participação de importantes pesquisadores da história e cultura afrodescendente, a exemplo da professora da UNEB Yeda Pessoa de Castro, da docente da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Wlamira Albuquerque e do sociólogo Marco Aurélio Luz, autor do livro Agadá, obra literária considerada referência à compreensão da sociedade africana.


O evento oferece certificado aos participantes de três horas de extensão.

Informações: Proex/UNEB - Tel.: (71) 3371-0107.

ACESSE: http://www.uneb.br/exibe_noticia.jsp?pubid=4377



Câmara de Cachoeira celebra o Dia Nacional da Consciência Negra


Para marcar o Dia Nacional da Consciência Negra, a Câmara de Vereadores de Cachoeira, cidade histórica do Recôncavo baiano, distante 110 km de Salvador, promove, sexta-feira, 20 de novembro, sessão especial tendo como palestrante convidada, a doutora em Educação, Fátima Aparecia Silva que falará sobre as mobilizações sociais e políticas dos negros na sociedade brasileira.

A Câmara de Vereadores também vai homenagear o ativista político Pedro Erivaldo Francisco, a yalorixá Nilta Dias da Conceição e a educadora e líder comunitária quilombola Juvani Néri Viana Jovelino, em reconhecimento a atuação dos três, em defesa das políticas afirmativas e inclusão social, respeito à liberdade religiosa e valorização cultura e identidade do negro na sociedade cachoeirana.

Ainda como parte das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, a Câmara de Vereadores organizou um festival de arte e cultura, que inclui a mostra fotográfica Acontece que São Cachoeiranos, de Alzira Costa, com o registro de imagens de pessoas negras da comunidade em diversos momentos de suas vidas. Consta da programação, uma exposição com obras de artistas negros cachoeiranos, a exemplo do escultor Fory que tem suas obras espalhadas por vários países, além de apresentações de capoeira e samba de roda.(Foto: Povo de Santo)
www.alzirajornalista.blogspot.com

A grande mídia e a desigualdade racial

DEBATE ABERTO


A grande mídia e a desigualdade racial
Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia revela posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas).

Venício Lima 

O “Dia da Consciência Negra” é comemorado em todo o país na data em que Zumbi – o herói principal da resistência simbolizada pelo quilombo de Palmares – foi morto, 314 anos atrás: 20 de novembro de 1695. Muitas revoltas, fugas e quilombos aconteceram antes da Abolição em 1888.

O Brasil de 2009 é, certamente, outro país. Apesar disso, “os negros continuam em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras ancestralmente ocupadas no campo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades”.

O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgado em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, de 1998 a 2008, dobrou o número de negros e pardos com ensino superior. Mesmo assim, os números continuam muito abaixo da média da população branca: só 4,7% de negros e pardos tinham diploma de nível superior em 2008, contra 2,2% dez anos antes. Já na população branca, 14,3% tinham terminado a universidade em 2008. Dez anos antes, eram 9,7%. Entre o 1% com maior renda familiar per capita, apenas 15% eram pretos ou pardos no total da população brasileira.

A grande mídia e a desigualdade racial
Diante desse quadro de desigualdade e injustiça histórica, como tem se comportado a grande mídia na cobertura dos temas de interesse da população negra brasileira, vale dizer, de interesse público?

Uma pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

No período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008, foi acompanhada a agenda da promoção da igualdade racial e das políticas de ações afirmativas em torno dos seguintes temas: cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial, diversidade racial e religiões de matriz africana.

Não é possível reproduzir aqui todos os detalhes da pesquisa. Menciono apenas cinco achados de um Relatório de quase 100 páginas.

1. Com graus diferentes, os jornais observados se posicionaram contrariamente aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente. Em toda a pesquisa, as políticas de reparação – ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas - tiveram o maior o percentual de textos com sentidos contrários: 22,2%.

Acesse na íntegra: http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?idioma_id=1&alterarHomeAtual=1&home=S

3600 famílias quilombolas recebem titulação de terras


3600 famílias quilombolas recebem titulação de terras

Para comemorar o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o Governo Federal, por meio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), promove uma série de atividades em todo o País. A principal delas ocorre em Salvador (BA), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. Em ato público na Praça Castro Alves, serão assinados 29 decretos para a titulação de comunidades de quilombos de Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

São 29 comunidades, que receberão a titulação de cerca de 335 mil hectares. Destaque para as 600 famílias da comunidade Kalunga, de Goiás, que receberão 253 mil hectares, em área localizada nos municípios de Monte Alegre, Teresina e Cavalcante.  De 2003 até hoje foram expedidos 59 títulos regularizando 174 mil hectares em benefício de 81 comunidades e 4.133 famílias quilombolas.

Também será lançado o Selo Quilombola, marca que será atribuída aos produtos artesanais criados por comunidades de remanescentes de quilombos de todo o País como forma de agregar identidade cultural e valor econômico a essa produção.

Educação – Outras atividades marcam a data, como o lançamento da Fase 2 do A Cor da Cultura, projeto educativo de valorização da cultura afro-brasileira por meio de programas audiovisuais, fruto da parceria entre SEPPIR, Ministério da Educação, Fundação Cultural Palmares, Fundação Roberto Marinho, Petrobras e Centro de Informação e Documentação do Artista Negro (CIDAN). Iniciado em 2004, o projeto está apoiado na Lei nº 10.639/03, que estabelece o ensino da história da África e dos negros brasileiros nas escolas de todo o País. Por meio do novo contrato, a Petrobras destinará R$ 9 milhões para a implementação da nova fase do projeto, que inclui ações presenciais, de comunicação, monitoramento e de produção e distribuição de novos conteúdos.

ACESSE: http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/EQ932a

Memórias da ditadura militar na Bahia continuam encobertas.



                  Presidente da comissão, Alessandra Prado, mostra documentos de militantes durante ditadura na BA

Criada com a missão de recuperar documentos do período da ditadura militar na Bahia, a Comissão Especial Memórias Reveladas está sentindo na carne o que é o jogo de empurra-empurra das Forças Armadas e dos órgãos que estiveram envolvidos na repressão às ações políticas de esquerda. Quatro meses depois de instituída, a comissão não tem ideia de quando terá acesso aos arquivos que ajudarão a reconstituir o período da história do País que vai do golpe de 1964 à abertura política em 1885.
Os ofícios que a comissão encaminhou aos ministérios militares, solicitando o acesso aos registros do período,  deram em nada. A Marinha optou pelo silêncio. O Exército e a Aeronáutica alegaram que a solicitação deveria ser feita ao Ministério da Defesa. E o ministro Nelson Jobim sequer respondeu ao documento, que foi encaminhado pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Nelson Pelegrino.

Revanchismo - Não foi diferente na superintendência estadual da Polícia Federal. A direção informou que os documentos foram enviados à sede do órgão, em Brasília. Lá, disseram que todos os documentos da década de 60 e 70 do século passado encontravam-se no Arquivo Nacional da capital federal. Este, por sua vez, informou não ter sido encontrado, no lote que recebeu da PF, nenhum registro relativo à atuação de militantes na Bahia. 
É nesse compasso  que caminha o trabalho da Comissão Especial Memórias Reveladas na Bahia. Um resultado “frustrante”,  como admitiu a coordenadora da comissão, Alessandra Mascarenhas Prado, salientando que o acesso ao acervo em posse de órgãos oficiais é a principal tarefa da comissão.
Alessandra atribui ao “temor de revanchismos e punições” a resistência de setores das Forças Armadas em abrir os arquivos do período da ditadura militar. Uma visão equivocada, no seu entendimento. “O projeto visa a outra coisa. Quer resgatar o respeito da nossa história, e os documentos ainda desconhecidos são parte dessa memória”, assinala a coordenadora.
Não fossem depoimentos gravados, fotos, cartas e desenhos de arquivos particulares de ex-presos políticos baianos e cerca de 30 processos de ex-presidiários que estavam em posse do Conselho Penitenciário do Estado e da Penitenciária Lemos Brito – além de 1.128 folhas digitalizadas de documentos da extinta Polícia Política da Bahia, cedidas pelo Arquivo Nacional do Rio de Janeiro –, o trabalho da comissão poderia ser considerado nulo.
Entre os registros estão o que foi cedido por ex-presos políticos da Penitenciária Lemos Brito, como um desenho  feito por Carlos Zanetti do companheiro Magno Burgos, que morreu semana passada, aos 80 anos. Mais velho dos detentos da Galeria F, ocupada por presos políticos, Burgos ultrapassara os 40 anos quando chegou à cadeia. Presos, como José Sérgio Gabrielli, Emiliano José, Jorge Almeida, Carlos Sarno e Paulo Pontes tinham entre 19 e 25 anos. 

http://www.atarde.com.br/politica/noticia.jsf?id=1280002 
Patrícia França, do A TARDE

REVOLTA DOS ALFAIATES


Provável autoria de Lucas Dantas, preso entre 12 e 25 de agosto, acusado de lutar pela igualdade e assassinado na praça da Piedade em 8 de novembro de 1799.

Segunda, 16 de novembro, às 22h

Revolta dos Alfaiates

O programa desta segunda-feira fala sobre um dos momentos mais importantes da história do país: a Revolta dos Alfaiates. O processo dramático e violento que pôs fim a Revolta, também conhecida como Inconfidência Baiana, está completando 210 anos. A Conjuração Baiana foi o movimento separatista mais radical do Brasil Colônia. Além de alfaiates, participaram da revolução sapateiros, bordadores, ex-escravos, padres, médicos e advogados.
Com a mudança da capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763, menos recursos foram destinados à cidade baiana. Além disso, o aumento dos impostos e as exigências das colônias contribuíram para piorar as condições de vida da população local. Insatisfeitos, em 1798, diversos setores de classes média e baixa decidiram se reunir e lutar pela instalação de um governo democrático e independente de Portugal.
No entanto, a violenta repressão metropolitana conseguiu desarticular o movimento, que nem chegou a se concretizar. Os membros da elite que estavam envolvidos foram condenados a penas mais leves ou tiveram suas acusações retiradas. Em contrapartida, os populares que encabeçaram o movimento conspiratório foram presos, torturados e, ainda outros, mortos e esquartejados.
Para comentar sobre este episódio histórico, participam do programa a historiadora Maria Helena Flexor, os historiadores Luiz Henrique Tavares, Patricia Valim e Joel Rufino, o jornalista e historiador Marco Morel, e para finalizar, o ritmo tipicamente baiano do grupo Olodum
O programa é o De lá pra cá, na TV Brasil, às 22h00, segunda-feira, 16/11 - reprisado aos domingos às 18h00.