REIVINDICAÇÕES DE UM PESCADOR BAIANO NO SÉCULO XVIII


Requerimento do pescador José de Moura Miguel ao rei Dom João V solicitando alvará para que nenhum oficial de justiça atente contra o suplicante.

15 de dezembro de 1735

Diz Joze de Moura Miguel morador na Freguesia de Nossa Senhora da Encarnação de Passé, termo da Cidade da Bahia de Todos os Santos, que ele Suplicante vive da oficina de Pescador pelo rios deste Recôncavo para suprimento desta Cidade e seus arrabaldes com redes de malha grande a peixes de corsso nos fundos e altos, sem se arrastar nas praias da terra firme, só nas coroas dos Altos com muito trabalho das pessoas que o acompanham, e como o Suplicante se veja afetivamente oprimido dos oficiais e rendeiros da dita Cidade, sem o Suplicante ter caído nas penas expostas pelo Senado; e a dita rede se não possa conduzir a praça da mesma Cidade pela grandeza, para se embarcar e desembarcar, o faz em um carro que o Suplicante mandou fazer para a condução da dita rede, e porque o Senado não quer admitir ao Suplicante para que possa pescar em toda a parte deste Estado, nem mandar fazer vistoria da dita rede por homens que entendam de pescaria e digam a verdade como é certo ser a dita rede maior da bitola do que dá o Senado da Câmara, e não é prejudicial a criação do peixe miúdo, mas antes é muito conveniente ao bem comum, pois mata cações e tubarões, os quais dão muita perda, tanto a homens que por desgraça acertam de cair no mar, como também a criação de peixes miúdos. Portanto pede a Vossa Majestade lhe faça mercê mandar passar Alvará, para que nenhum oficial de justiça ou rendeiro do ver possa contender com o Suplicante, e que possa pescar em toda a parte deste Estado visto o que almeja. E receberá mercê.

Fonte: Projeto Resgate – Bahia Avulsos – 1604-1828 – Disponível em: www.resgate.bn.br