Domingos Dias da Silva, o último contratador de Angola: a trajetória de um grande traficante de Lisboa

“Prespectiva da Cidade de S. Paulo de Loanda no Reino de Angola”, 1825
AHU, Iconografia Impressa
 
RESUMO:

O artigo analisa a trajetória de um grande traficante de escravos de Lisboa no terceiro quartel do século XVIII. Por meio de sua biografia, procura-se entender suas atividades no tráfico de escravos em Angola como capitão de navio e contratador e discutir a formação da fortuna de um negociante que tinha no comércio de pessoas uma de suas atividades principais. Além disso, pretendo discutir o papel do contrato real do direito sobre a exportação de escravos na organização do comércio de Luanda e as mudanças institucionais que ocorreram no período, contribuindo para compreender melhor os laços econômicos que conectavam Portugal, Angola e Brasil.
Palavras-chave: tráfico de escravos; Contrato de Angola; capitães de navio.

O ano 1765 parecia promissor para Domingos Dias da Silva. Depois de passar a década de 1750 em viagens entre Portugal, Angola e Brasil, onde acumulou grossos cabedais, finalmente ele poderia descansar um pouco das longas e perigosas travessias no Atlântico. Afinal, associado a mais dois homens de negócios da praça de Lisboa, Domingos havia adquirido junto à Coroa portuguesa o direito de cobrar os impostos sobre as exportações dos escravos em Luanda e em Benguela, o assim chamado “Contrato de Escravos de Angola”, o que lhe prometia ganhos chorudos e supostamente permitiria estabelecer-se confortavelmente em Lisboa para apenas administrar de longe a cobrança de impostos. Um ano depois, esse poderoso negociante poderia gozar da fama e fortuna adquiridas no ultramar: agraciado com um hábito de Cristo, era tido por pessoa nobre por seus vizinhos, deslocando-se pelas ruas da freguesia de Santos-o-Velho em carruagem própria.
ACESSE NA ÍNTEGRA: Revista Tempo 




Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia



Programação:

Segunda-feira, 03 de julho de 2017:
19h - Conferência de Abertura
Prof. Dr. Hendrik Kraay (University of Calgary/Canadá)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

Terça-feira, 04 de julho de 2017:
14h – Mesa-Redonda I: 2 de Julho: Permanências e atualidades
Prof. Dr. Jocelio Teles dos Santos (Universidade Federal da Bahia)
Prof. Dr. Wlamyra Ribeiro de Albuquerque (Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

19h - Mesa-Redonda II: Os caminhos da Independência: sujeitos e instituições
Prof. Dr. Igor Gomes (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia)
Prof. Ms. Moisés Amado Frutuoso (Doutorando – Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

Quarta-feira, 05 de julho de 2017:
8h – Rota Histórica da Independência por Salvador
Passeio guiado pelo Prof. Ms. Marcelo Siquara (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) pelos pontos históricos da cidade de Salvador relacionados à Guerra de Independência e as celebrações do Dois de Julho.
Saída da Biblioteca Central do Estado da Bahia (Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)
VAGAS LIMITADAS

14h – Mesa-Redonda III: Tensões e Conflitos
Prof. Ms. Marcelo Renato Siquara Silva (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) Prof. Ms. Lucas Faria Junqueira (Universidade Federal do Oeste Baiano)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

18h - Indicação de Atividade: Volta da Cabocla
Atividade que marca o encerramento oficial das celebrações do Dois de Julho, quando a Cabocla – símbolo da vitória -, é levada de volta do Largo do Campo Grande à Lapinha, onde repousará até o dois de julho do próximo ano.
Saída do Campo Grande (Praça Dois de Julho, Campo Grande, Salvador-Ba)

Quinta-feira, 06 de julho de 2017:
9h – Rota Histórica da Independência por Itaparica
Passeio guiado pelo Prof. Ms. Marcelo Siquara (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) pelos pontos históricos da cidade de Itaparica relacionados à Guerra de Independência.
Saída da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior (Rua Ruy Barbosa, S/N, Centro, Itaparica/Ba)
VAGAS LIMITADAS

14h – Mesa-Redonda IV: Brasileiros Independentes, e agora? Reorganização social pós-conflitos de Independência
Profª. Msª. Elisa de Moura Ribeiro (Secretaria de Educação do Estado da Bahia)
Prof. Dr. Dilton Oliveira Araújo (Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

19h - Conferência de Encerramento
Prof. Dr. Sérgio Guerra Filho (Universidade Federal do Recôncavo Baiano)

Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)


Equipe avaliará quais peças devem ser descartadas de acervo da Ufba


Foto Marina Silva/Correio 

Ainda não foi possível quantificar o enorme acervoda Biblioteca Gonçalo Moniz, fundada em 1832, na Faculdade de Medicina (Fameb)da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus. A maior parte de suas obras estão deterioradas e, por causa disso, é avaliado se é necessário fazer o descarte de algumas delas - as que já não tenham possibilidade de serem recuperadas. Segundo o diretor da Fameb, Luis Fernando Adan, uma equipe multidisciplinar será formada para fazer a avaliação das obras.
Foto Marina Silva/Correio 

“A gente tem o projeto de criar uma comissão de profissionais de diferentes saberes para poder avaliar as peças. Existem algumas coisas que são passíveis de descarte, mas precisam passar por avaliação”, explica o diretor.

A ideia é que esses pesquisadores de diferentes áreas possam indicar quais peças, que mesmo em estado ruim de conservação, ainda devem ser guardadas pela biblioteca e passem por um outro processo de recuperação.
Segundo a coordenadora da biblioteca, Ana Lúcia Albano, um projeto está sendo elaborado para garantir materiais de consumo e melhorar as condições de trabalho dos funcionários.

O projeto tem custo de R$ 200 mil, para bancar materiais como papel com PH neutro - o mais adequado para acondicionar as obras recuperadas.
Acesse matéria na íntegra: Correio 24 horas 

                 

PROJETO MEMÓRIAS DE LEITURA


A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.


A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

Revista Brasileira de História n° 74. Contra os preconceitos. História e democracia.



Antonio Luigi Negro 

O livro Cidadania e Direitos do Trabalho, de Angela de Castro Gomes, começa pelo caso de uma operária que, grávida, compareceu à justiça do Trabalho em busca de seus direitos. Em réplica à sentença proferida, seu patrão atestou estar seguro de não ser “o pai da criança” e, por isso, ser livre para demiti-la (Gomes, 2002, p.8). Sua posição, além da prática do assédio, evidencia a recusa patronal diante do direito da classe trabalhadora a ter direitos perante seus empregadores.

ACESSE NA ÍNTEGRA: RevistaBrasileira de História

Encontro "Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões"


O Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL/UNEB) e o Grupo de Pesquisa Escravidão e Invenção da Liberdade (PPGH/UFBA) realizam a segunda etapa do Encontro "Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões", nos dias 6 a 8 de junho de 2017, no Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), cidade de Caetité (BA). As inscrições iniciam em 29/05, no site www.gruposertoes.uneb.br


A segunda etapa do Encontro “Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões” objetiva reunir estudiosos da escravidão da Bahia e do Brasil para debater temas relacionados às lutas pela liberdade, formação de famílias de escravizados e de forros, e tratar das condições de vida de populações quilombolas/sertanejas do alto sertão da Bahia. Pretende promover debates temáticos por meio de mesas-redondas e rodas de conversa, que integram docentes e discentes de diversas partes da Bahia e do Rio de Janeiro com moradores de comunidades locais. A escravidão na Bahia será abordada tendo em vista as suas diversas regiões, hoje mais integradas por novos estudos desenvolvidos em diversos Programas de Pós-Graduação do Brasil e do exterior. A organização do evento contempla a necessidade de atualização de agendas de debates sobre a escravidão na Bahia, de modo a articulá-las à vida cotidiana de comunidades quilombolas reunidas no entorno do município de Caetité, especialmente entre moradores das comunidades do distrito de Maniaçú, e comunidades quilombolas do Rio das Rãs, Araçá-Cariacá, Tomé Nunes, Nova Batalhinha, Lagoa do Peixe, Quilombo Pau D'arco e Parateca, do Território Velho Chico.


           


NÃO QUEIMEM A NOSSA HISTÓRIA: QUEIMA DE ARQUIVO NÃO!


PL 146/2007 será votada em regime de urgência no Senado. A lei permitirá o descarte dos documentos públicos originais (em papel) impedindo sua futura autenticação. Confira abaixo as restrições dos especialistas e as implicações deletérias q a medida terá no futuro próximo. Ela significará, muito provavelmente, a perda da documentação pós-1950, que ainda não foi recolhida aos arquivos públicos (cf. Renato Venâncio)
Texto de Daniel Flores (via Renato Venancio e byebyepaper) ajuda a compreender os efeitos dessa proposta.


"Total irresponsabilidade. O projeto é AMADOR, tem crítica da unanimidade dos especialistas renomados em DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS DIGITAIS, não garante a Autenticidade. Basta ler o que é AUTENTICIDADE de Documentos Arquivísticos (Res. 37/Conarq e InterPARES). São 2 componentes, Identidade e Integridade. Este último componente, morre ao ter o original de produção eliminado, a Ciência que estuda a Autenticidade, a Diplomática preconiza estes elementos JURÍDICOS, estamos falando de DOCUMENTOS FONTE de PROVA, não só de Informação, de Acesso, estamos falando num Documento que MEXE, IMPUTA algo na vida das pessoas, do cidadão, do estado, CONFERINDO ou RETIRANDO DIREITOS. Digitalização não é Modernização, é VELHO, é ULTRAPASSADO. Modernizar é Produzir NATO DIGITAIS, e não dar a mensagem pra Sociedade de seguir produzindo ANALÓGICOS para depois DIGITALIZAR e BOTAR FORA o Original FONTE DE PROVA. Ainda, segundo o Código do Processo Civil, o CPC, o Cidadão quando arguir a Falsidade de um Documento Digitalizado Apresentado como PROVA, tem o direito de que a outra parte apresente o Original para sua Análise Forense. Imagem o que vai acontecer. Poderão haver apresentações de documentos APÓCRIFOS, haverá uma INSEGURANÇA JURÍDICA sem precedentes. Uma lástima a serviço da Falta de Leitura e de ouvir os ESPECIALISTAS, e principalmente, visando um LUCRO FÁCIL em Consultorias que devem ter pensado num Lobby Caro para Destruir o Patrimônio Documental Arquivístico e a AUTENTICIDADE destes Documentos."
ACESSE: QUEIMA DE ARQUIVO NÃO! 
OPINE: NÃO AO PLS 146! 

QUE FIM LEVOU A IGREJA DE GUADALUPE

Em 3 de Abril de 1850
Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores Deputados Assembleia Provincial
O Juiz e Mesários da Irmandade de Nossa Senhora do Guadalupe, conhecendo o grande mal que há, em deixar-se arruinar a Capela, que de certo terá esse fim, se senão acudir de pronto aos concertos de que necessita; e por outro lado, não podendo por si concorrer para suas despesas, se não com uma parte muito diminuta, em atenção a suas fracas forças, vem pedir a Vossas Excelências que à vista do orçamento e exame juntos, lhes concedam trinta Loterias pequenas, e segundo o plano que oferecem, ou outro que Vossas Excelências terem servidos dar, dispensando o Direito Provincial, a fim de com esses rendimentos, possam ir concertando a Igreja, que quando não fique inteiramente reparada, ao menos deixará de desabar, como está prestes, se não for acudido. Graça esta que esperam da Filantropia de Vossas Excelências. Assinaturas: Francisco das Chagas Solto, Tertuliano Cândido Rodrigues, José Antonio de Carvalho e Araújo, Simplicio da Silva Reis Jorge Gomes, Raimundo Victorio Pereira, João Nunes da Matta, Anselmo José da Cruz, José Antonio Xavier, José Joaquim Lucio Magalhães, André Lucio de Medeiros, Francisco de Abreu Faria, Francisco Bruno Pereira. Reconheço as assinaturas supra por verdadeiras. Bahia, 20 de Abril de 1850. Em testemunho de verdade. José Joaquim da Costa Amado.
Fonte: APEB, Seção Legislativa, Livro 983.

Ilustração de 1873 da Praça dos Veteranos, no sentido da Barroquinha. A rua, à esquerda, é um acesso à Ladeira da Palma. O casarão, ao centro, ainda existe. Era o antigo Largo de Guadalupe, devido à Igreja de Guadalupe, demolida em 1858. No centro vê-se o chafariz do Guadalupe, instalado no lugar da Igreja, por volta de 1860, e que fazia parte do Sistema do Queimado. 
Comunico a Vossa Excelência que, em virtude da ordem dessa Presidência por oficio de 16 de março último, ordena o recolhimento ao armazém por baixo da sala da casa da Câmara, em que funciona o Júri, dos materiais provenientes do desmancho da Igreja do Guadalupe; e que, principiando-se a recebe-los, tem-se reconhecido que, de envolta com alguns que podem ser aproveitados, há uma grande quantidade de objetos, e muitos, estragados, ou podres que estão à vista de todos, e que, só podendo servir para o fogo, tem de encher o armazém sem a menor utilidade. Parecendo, pois, mais conveniente que, mediante exame e orçamento de pessoa competente, se ponham em hasta pública tais objetos, recolhendo-se seu produto à caixa de cauções, Vossa Excelência tira-se de resolver a respeito como julgar mais acertado. Deus Guarde a Vossa Excelência. Tesouraria Provincial da Bahia, 8 de Junho de 1857. Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Presidente da Província. O Inspetor, José Joaquim de Mello Paulino.
Fonte: APEB, Seção de Arquivos Colonial/Provincial, Correspondência Recebida do Inspetor da Tesouraria da Bahia, Maço 4247.

Nesta ilustração, em carvão, do médico e artista plástico baiano Octavio Torres, de 1946, está representada a Ladeira da Praça, no século 19. Em frente ao solar, em primeiro plano, estão carregadores de cadeira, um meio de transporte comum, na época. Nesse solar funcionou a primeira sede da Academia de Letras da Bahia, fundada em 1917.  


      

PROFESSORES: REIVINDICAÇÕES OITOCENTISTAS


Em 23 de março de 1854.
As comissões de Instrução Pública, Justiça e Secretária da Fazenda.
Pedem aumento de ordenado.
Nós os Professores primários desta Província abaixo assinados, convencidos da paternal justiça, com que Vossa Excelência se dignam de atender as reclamações justas, vimos respeitosamente representar a Vossa Excelência que o ordenado que percebem não é correspondente ao nosso trabalho de natureza afanoso, não está de acordo com os aumentos que tem tido outras repartições, nem ao menos nos proporciona uma subsistência decente para nós e para nossas famílias. Os suplicantes, Excelentíssimos Senhores, não carecem recorrer nem ao relatório do Governo da Província, no qual vos recomendou que nos recompensásseis, nem no do Diretor dos Estudos, que com o mais próximo conhecedor de nossas precisões, doeu-se delas e mais de uma vez tem pedido que se nos aumentem os ordenados; basta, porém, recorrer ao senso comum de Vossa Excelência para mostrar que não é possível que nós, que outro meio de vida não temos, nem podemos ter, diariamente ocupados em nosso magistério, ou estejamos remoídos de nossos lares para exercer o magistério lá nessas terras remotas, internados no coração do deserto, longe dos pais, dos filhos, dos amigos e parentes, destituídos de recursos e de meios até de haver os nossos ordenados, lutando com as secas, com as fomes, as penúrias e toda a sorte de privações, ou estejamos na Capital, onde a mesma posição, a carestia dos gêneros, e todo o séquito das necessidades morais das cidades, e dos lugares cultos nos cingem de obrigações indeclináveis, a cujo cumprimento sucumbe a deficiência de nossos recursos, não podemos, Excelentíssimos Senhores, passar com o mesquinho ordenado que ora percebemos. Por tanto, se, como é certo, vale diante de Vossa Excelência o merecimento inerente a natureza de nosso mister, e a briosa perseverança com que havemos suportado nossas fadigas, pedimos a Vossa Excelência, que atendam aos educadores da mocidade, que não deixem fenecer nossos brios no desalento da penúria, que sustentem a nossa força moral constituindo-nos de uma posição decente, e que se não querem recompensar generosamente os serviços dos Professores, ao menos não nos derroguem a justiça que pedimos aumentando duzentos mil réis aos nosso atual ordenado.
Assim confiados os suplicantes em que Vossas Excelências, hoje constituídos no alto tribunal da Legislatura não olvidarão de que aos mestres primários devem os primeiros ensaios da razão, os primeiros desvelos da infância e o gênio de vossas inteligências. Pedimos e esperamos de Vossa Excelência um deferimento favorável e de justiça com o qual recebemos mercê.
José Maria da Fonseca, José Nicolau da Silva Pimentel, Bernardino José de Almeida Gouveia, José Martins de Lima e Mello, André Gomes de Britto, Ângelo Fernandes de Lima, Firmo José Alberto, João Gomes da Costa, Hemeterio Martinez de Jesus, José Antonio Pereira, Andrelina Francisca de Castro Rios, Candida Maria e Alvares dos Santos, Cora da Silva e Oliveira, Angelica Maria Gomes Coelho, Ramiro Antonio de Oliveira, Martiniano de Santa Anna, Joaquim Ignacio de Souza Mendes, Gustavo Cesario Moniz, Antonio Alvares da Silva, Antonio Theollindo de Moura Requião, Manoel Florencio do Nascimento, Francisco de Paula Marques de Oliveira, Antonio José de Souza Freire, Germano Firmino Lobato, Emilia Laura da Silva, Manoel Auxilio de Figueiredo, Antonio Luiz de Brito, Clodovio Pereira Rabello, José Lourenço Ferreira Cajaty, Joaquim Gilseno de Mesquita, Auta Themoclea Colonia, Maria Índia do Brasil Moraes, Florinda Laurentina de Barros Gonda, Philippe José Alberto Junior. Reconheço Assinaturas.                      

Fonte: APEB, Seção Legislativa, Livro 983. 

NO DIA DO EXÉRCITO: ÓBITO DE PEDRO LABATUT, NATURAL DA FRANÇA, MARECHAL DE CAMPO DO IMPERIAL EXÉRCITO BRASILEIRO

Aos quatro de Setembro de mil oitocentos e quarenta e nove, faleceu tisico, com os Sacramentos, Pedro Labatut Marechal de Campo do Imperial Exército do Brasil, na idade de setenta anos, natural da França, filho legítimo de Antonio Labatut e Dona Genoveva Alegre, natural da Vila de Cannes Departamento Duvar, Viúvo. Foi amortalhado em sua farda, sepultado no Hospício da Piedade, encomendado com Pluvial, Sachristas, e quatro Padres. Fez testamento. Foi primeiro testamenteiro José Marcellino dos Santos, segundo o Vigário José Maria Bainer, terceiro Antonio Ribeiro da Silva. Do que mandei fazer este, e me assinei. Vigário Lourenço da Silva Magalhães Cardoso.
Colaboradora: Lisa Louise Earl Castillo. 

HISTÓRIA DE SALVADOR NOS NOMES DAS SUAS RUAS



“Outrora, as ruas é que punham em si próprias os seus nomes”. 
Antônio Peixoto.

“E não se faz aqui particular menção de outras ruas da cidade, porque são muitas, e fora um nunca acabar querer citá-las”. 
Gabriel Soares de Sousa.

“Naquele tempo, as ruas não tinham nomes, nem as casas números. Era o povo quem batizava e memorizava os nomes, a partir de referências aos costumes, à flora nativa, às capelas, igrejas e palácios. Ao longo dos anos, os nomes passavam de geração em geração”. Nelson Varón Cadena.


Entre em contato com o autor e adquira seu exemplar: eduardodorea@superig.com.br


Acervo de imagens da antiga cidade de Salvador


Carlos Barbosa Bugia, de 70 anos, trabalha com fotografia há 40 anos. No seu estúdio, em Armação, atende a todos, inclusive a muitos estudantes para trabalhos escolares sobre este acervo de fotos sobre a vida e transformação da cidade de Salvador ao longo dos anos. As fotos são em preto e branco, as mais antigas; e coloridas as mais recentes. A depender do desejo do comprador, poderão ter as cores desejadas. As fotos têm vários tipos de preços, começando a partir de cinco reais (tamanho 15x20), vinte reais (25x38). Os quadros começam a partir de cinquenta reais, com variação de preços a partir do valor das molduras.

BATUCANDO E FLERTANDO NA QUINTA DOS LÁZAROS


Administrador da Quinta e Hospital dos Lázaros 11 de setembro de 1870. 

Ontem á tarde, tinha eu descido á horta deste Estabelecimento a ver aí o serviço, quando vi na estrada, caminho para a quinta um grupo de neguinhas, dessas que infelizmente enchem as ruas desta Capital, ofendendo a moral e dançando ao som de palmas e á modo de africanos. Pouco depois, dirigindo-me a casa, as vi, assentadas umas e outras mãos, em uns paus destinados á obra que se está fazendo nas casas contíguas e existentes defronte delas, havendo entre as mesmas alguns capadócios, adequados companheiros de tal gentalha. Encaminhado-me para minha sala, levantei uma janela, d’onde depois de ter sido visto e pouco me demorando, apenas me retirava, ouvi uma voz que na porta da minha morada chamava por uma escrava do Estabelecimento em serviço na cozinha, que fica  colocada infelizmente, e com comunicação para um quarto com porta lateral para a da entrada da casa. Voltando a janela, disse estas palavras para uma neguinha que estava á porta: pretende alguma cousa? Nada tem aí á fazer, retire-se para onde estava, isto por que entendi que não devia consentir que viesse essa neguinha distrair do serviço em que estava a escrava, gritando por ela para dentro de minha casa, embora no pavimento térreo, mas em muita proximidade pela sua pouca altura, sem respeitar a minha presença, por ali acabava de me verem.  
Ao tempo que assim dizia eu a negrinha me respondia uma pilheria em tom de mofa, um dos capadócios que se achava assentado nos ditos paus, com insolência gritou-me que não se me estava roubando cousa alguma nem se me tirava parte da porta. Disse-lhe que não me tinha dirigido a ele; que a casa era minha e eu a governava como entedia, e nada tinha ele que dizer-me. Em vez de calar-se, continuou a dirigir-se a mim com mais insolência, até que, mandando-o calar, disse-me que não o faria, que eu não era suficiente para o mandar fazer; que era tanto quanto eu [C. C. C].
Não devendo pôr-me em razões com esse insolente, contive-me no ímpeto, que senti, de sair e ir sobre ele, e a esse tempo chegando em direção ao cemitério um  cadáver que vinha a ser sepultado, o qual, pelo que tinha ouvido a sucia, era por ela esperado, para lá se encaminharam todos, e eu expedi um próprio ao Subdelegado em exercício, a fim de que me mandasse o ordenança do juízo. Este viu e, esperando que do cemitério regressasse entre os demais da sua súcia aquele insolente, o fiz prender e recolher a Casa de Correção, onde se acha a disposição de Vossa Senhoria. Seu nome é João Herculano de Oliveira Mendes. Quando intimado a prisão, dizendo que nada tinha feito para ser preso, repetiu as insolências referidas, que a negrinha não me tinha ido roubar, que eu não a podia fazer retirar, nem gritar-lhe, nem lhe mandar calar, por que era tão bom como eu, que nada se lhe podia fazer por que, o que poderia ser era manda-lo para o sul, que de lá já ele tinha vindo, sendo seus ditos acompanhados pelos saídos dentre os companheiros de = vá, amanhasse sai = Ora! O que vale isto? Amanhã se está na rua C. C. É sabido e escusado é repetir aqui o modo pelo que está entre nós atrevida essa gente. Desrespeita-se a qualquer com a maior sem cerimônia, sem se ter em vista que pode se estar tratando com pessoa de consideração. A impunidade e outras circunstancias para isso tem concorrido, e não menos a falta de uma punição correcional para certa ordem de crimes ou falas, que não podem ser sujeitos a um processo que termine pelo julgamento do Tribunal do Juiz, em cujo caso está a de que falo. Estamos mal e para muito pior irmos, por que esses que lograrão voltar da campanha do Paraguai julgam-se com um salvo conduto para tudo quanto quiserem fazer, por que dizem como esse: não me hão de mandar para o Sul! Entretanto, Vossa Senhoria não desconhecerá a necessidade de uma correção para tais casos, e certo estou, esse individuo a encontrará. Releva acrescentar que referiu-me o guarda, que depois de o haver querido subornar com a quantia de cinco mil réis  para o deixar ir para sua casa, tentou fugir, atirando-lhe com o guarda-sol que trazia, e largando a correr, até que, sem poder acompanhar, entrou em uma padaria, onde na carreira que lavava também penetrou ele e de lá o recebeu por  intermédio de um Inspetor de quarteirão do 1º distrito, que compareceu nesse lugar.
                                                                    Deus Guarde Vossa Senhoria.
                           Ilustríssimo Doutor Chefe de Polícia. João da Costa Camacho

Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia, Seção Colonial, Maço: 6421.

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA: SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: 80 ANOS DE RAÍZES DO BRASIL

EDITORIAL

Antonio Luigi Negro

Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda escreve que um "demônio pérfido e pretensioso" ocupa-se em obscurecer "verdades singelas". Nele "Inspirados", "os homens se veem diversos do que são e criam novas preferências e repugnâncias". Cético, arremata: "é raro que sejam das boas" (Holanda, 1995, p.188). Entre as verdades singelas, está a da esfera pública ser uma ruptura com o personalismo de interesses privados, confeccionados e defendidos em facções constituídas na mamata da família patriarcal. Em poucas palavras, a esfera pública é uma ruptura com o particular.

Talvez não pudesse ter sido mais adequada a escolha dos 80 anos de Raízes do Brasil como mote para o Dossiê deste 73º número da RBH. Além dos caminhos percorridos pelo livro e por seu autor desde 1936, a pulsação cordial homem brasileiro, que bate cega de ódio ou ignorância ante a diversidade, também fundamenta nossa escolha.

Nas guinadas da democracia brasileira, revisitar - hoje - Raízes do Brasil e, também, o volume 7 da História Geral da Civilização Brasileira (Do império à república, de autoria de Holanda) é reaproximar-se da situação de seu autor, de sua circunstância: sondando o devir, ansioso de democracia e justiça social, seja nas vésperas do Estado Novo, seja nos anos de chumbo da ditadura militar. Para nossa desgraça, está longe a revolução que chamou "americana". Distinta do golpe instantâneo e violento porque um processo de liquidação das raízes ibéricas de nossa História, a ser transplantada em novo chão, a revolução americana é vivida no dia a dia e com ampla participação. Se durante muito tempo os estudos históricos perceberam a imigração europeia, hoje em dia, índios e negros, mulheres e homens, outros trabalhadores e subalternos e ativismo LGBT são a capilaridade dessas raízes americanas, astuciosas e diversas.

Montado a partir da publicação avançada de artigos, este número veio a lume gradativamente. Ao ser fechado, dez artigos e cinco resenhas compõem o sumário. Sete artigos integram o Dossiê "Sérgio Buarque de Holanda: 80 anos de Raízes do Brasil", organizado por Ângela de Castro Gomes (vide sua Apresentação).

"A criação do Terceiro Corpo do Exército na província do Rio Grande do Sul: conflitos políticos resultantes da administração militar nos anos críticos da Guerra do Paraguai (1866-1867)", de autoria de Vitor Izecksohn e Miquéias Mugge, analisa a mobilização militar a partir da relação entre o poder central, a presidência provincial e as lideranças regionais no Rio Grande do Sul, enfocando a formação do Terceiro Corpo do Exército. A arregimentação expôs as queixas sobre a execução do recrutamento e a intervenção do governo imperial em questões locais.

A produção da invisibilidade intelectual do negro é o tema de Mariléia Cruz, que se debruça sobre José do Nascimento Moraes, professor negro que atuou numa das Atenas que o Brasil tem, São Luís do Maranhão, no início do século XX. O artigo contempla sua trajetória familiar, escolar e profissional, dando ênfase às dificuldades encontradas durante a consolidação da sua vida profissional em razão de sua posição racial, quando esteve envolvido em debates na imprensa. Destacam-se aspectos ligados à polêmica travada com Antonio Francisco Leal Lobo, quando este, ao escrever sobre história literária, omitiu a presença de Nascimento Moraes.

Em "Cândido de Abreu: projetos do primeiro urbanista da cidade de Curitiba do início do século XX", Marcus Bencostta ilumina o relevo de questões relacionadas à importância da arquitetura e do espaço por ela determinado como portadores e transmissores de linguagens e sentidos múltiplos acerca do universo urbano. Procura demonstrar as principais referências arquiteturais do engenheiro como suporte de compreensão de uma cultura urbana e escolar que toma como exemplo o edifício do primeiro grupo escolar do estado do Paraná.

Cinco resenhas completam este número. Livros preparados e escritos em português, aqui resenhados, com mérito reconhecido em premiações, são motivo de satisfação para a RBH.

Consolidam-se diversas mudanças, aqui confirmadas com a periodicidade quadrimestral, certamente um passo ousado em tempos temerários, inspirados em um demônio pérfido. Indício dessa conjuntura se encontra no parecer do CNPq que aprova nosso último pedido de apoio financeiro. Afora a menção a restrições orçamentárias, está dado o recado de que traduções são um encargo das autorias, observação um tanto chocante, além de, em alguma medida, embaraçosa com a meta da internacionalização, propósito seguidamente frisado pelas agências de fomento. Ad nauseam. Será que isso é um sinal para um dia nos dizerem que o artigo é um ônus financeiro de quem o escreve? Haveremos de pagar para publicar?

Com força e vontade, fecha-se 2016 com um número de artigos maior do que o previsto no planejamento anual, publicando-se um total de 27 (no lugar de 25), o que se explica pelo empenho em equilibrar o total de artigos de dossiê e de artigos recebidos espontaneamente. Contudo, problemas financeiros e os preparativos para entrar em 2017 com saldo positivo em caixa nos impediram de publicar traduções, presentes na RBH há anos. (As duas únicas versões para o inglês foram voluntariamente providenciadas com recursos privados.)

A RBH agradece a quem se envolveu com seu labor e engenho, voluntário, gratuito, ou não. Pablo Serrano e Deivison Amaral concorreram positivamente como assistentes editoriais, com vezeiros entusiasmo e afinco. Armando Olivetti, Flavio Peralta e Roberta Accurso prestaram serviços profissionais de grande qualidade.

Gravam-se aqui penhorados agradecimentos ao Programa de Pós-Graduação em História, Cultura e Práticas Sociais da Universidade do Estado da Bahia (PPGHCPS-UNEB), e também ao CNPq.

Antonio Luigi Negro Universidade Federal da Bahia (UFBA). Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.org
REFERÊNCIA


HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. [ Links ]

LANÇAMENTO: ATLÂNTICO DE DOR: FACES DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

Queridos amigos,
Tenho o prazer de convidá-los para o lançamento do livro Atlântico de dor: faces do tráfico de escravos (UFRB/ Fino Traço, 742 p.), organizado por João José Reis e Carlos Silva Jr. É um livro que celebra os 50 anos da revista Afro-Ásia.

O lançamento ocorrerá no dia 16 de março, a partir das 16:30h, no PAF I - campus Ondina, da Universidade Federal da Bahia. O lançamento insere-se no âmbito das atividades da Conferência Internacional "Poder e dinheiro na era do tráfico: escravidão e outros laços econômicos entre África e Brasil". Esperamos todos lá!

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL "DINHEIRO E PODER NA ERA DO TRÁFICO: ESCRAVIDÃO E OUTROS LAÇOS ECONÔMICOS ENTRE ÁFRICA E BRASIL"


Programação completa da conferência internacional "Poder e dinheiro na era do tráfico: escravidão e outros laços econômicos entre África e Brasil", nos dias 15-17 de março de 2017 (próxima semana!) no PAF -I campus Ondina da Universidade Federal da Bahia.
As inscrições podem ser feitas por e-mail conferencia.pdtrafico@gmail.com
Haverá certificado para os ouvintes.
Lembrando que durante o evento - mais exatamente no dia 16 de março, quinta feira, às 16:30h - faremos o lançamento do livro Atlântico de dor: faces do tráfico de escravos, organizado por João José Reis e Carlos Silva Junior.
Segue a programação abaixo (e no cartaz).
Esperamos todos lá!

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL “PODER E DINHEIRO NA ERA DO TRÁFICO: ESCRAVIDÃO E OUTROS LAÇOS ECONÔMICOS ENTRE ÁFRICA E BRASIL”

Data: 15-17 de março de 2017
Local: Salvador, Bahia, Brasil, Universidade Federal da Bahia Pavilhão de Aulas da Federação-PAF I - Campus de Ondina
Organização: King's College London (Departamento de História/Departamento de Português, Espanhol e Línguas Latinas); Universidade Federal da Bahia (Grupo de Pesquisa 'Escravidão e Invenção da Liberdade' do Programa de Pós-Graduação em História-UFBA)
Organizadores: Toby Green e Carlos Silva Jr. (King’s College London); João José Reis (Universidade Federal da Bahia).
Apoio: Reitoria e Pró-Reitoria de Administração da Universidade Federal da Bahia; e Fundação Pedro Calmon da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

PROGRAMA:

15 de março, quarta feira, 18:30h – 21:00h
18:30h: Mesa de Abertura: Professor Reitor João Carlos Salles ou representante da Reitoria; Profa. Wlamyra Albuquerque (Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História/PPGH-UFBA); Prof. Toby Green (King’s College London); Prof. Carlos da Silva Jr. (King’s College London); Prof. João José Reis (Universidade Federal da Bahia).
19:00h: Conferência de abertura: Escravidão e tráfico na formação do Brasil
• Conferencista: Luiz Felipe de Alencastro (Fundação Getúlio Vargas, Brasil).
Coordenador: João José Reis
16 de março, quinta feira, 9:30h – 21:00h
Abertura da sessão, 9:30h – 10:15h: Carlos Cardoso (INEP, Guiné Bissau): “Circulações e Intercessões no Atlântico: imaginando e construindo pontes entre a África Ocidental e o Brasil”.
Coordenador: José Lingna Nafafé (University of Bristol, UK).
10:30h – 12:30h: Painel I: Política, economia e sociedade na era do comércio atlântico de escravos
• José Curto (York University): “Migração forçada e livre no Atlântico Sul: Benguela e Rio de Janeiro, c. 1700-1850”.
• Mariza Soares (Universidade Federal Fluminense): “O lugar do rei: guerra e diplomacia no Daomé em 1810".
• Jaime Rodrigues (Universidade Federal de São Paulo): “‘Portugueses vassalos deste Reino Unido’: interesses lusos no tráfico de africanos para o Brasil, 1818-1828”.
12:30 – 14:30: Intervalo para almoço
14:30h - 16:00h: Painel II: Experiências atlânticas
• Paulo Farias (Universidade de Birmingham): “Expertise levada à África por retornados do Brasil: questões históricas a respeito da tecnologia açucareira no Califado de Sokoto a partir de 1829-1836”.
• José Lingna Nafafé (Universidade de Bristol): “Escravidão e liberdade no mundo atlântico lusófono: forças econômicas contra o discurso de Lourenço da Silva de Mendonça, século XVII”.
• Mariana Candido (Universidade de Notre Dame): “A circulação de mulheres africanas livres no Atlântico Meridional, Século XIX”.
16:30 Lançamento do livro Atlântico de dor: faces do tráfico de escravos, organizado por João José Reis e Carlos da Silva Jr.
18:30h – 21:00h: Painel III: Biografias atlânticas
• Luis Nicolau Parés (Universidade Federal da Bahia): “Africanos, libertos e comerciantes: uma comunidade mercantil atlântica na fronteira da legalidade (1835-1845)”.
• Candido Domingues (Universidade Nova de Lisboa): “Investimentos e riscos de uma viagem negreira na rota Bahia-Costa da Mina: o caso da corveta Nossa Senhora da Esperança e São José, 1767”.
• Kristin Mann (Universidade de Emory): “Salvador, 1800-1850: uma sociedade dependente do tráfico de africanos: duas perspectivas familiares”.
17 de março, sexta feira, 9:30h – 17:30h
9:30h – 12:30h: Painel IV: Salvador e a economia atlântica na era da abolição
• João José Reis (Universidade Federal da Bahia): “O tráfico negreiro e o escravo senhor de escravo: Bahia, 1800-1850”.
• Lisa Castillo (Universidade de Campinas): “Conexões atlânticas no Candomblé da Bahia no século XIX”.
• Mary Hicks (Amherst College): “Panos como línguas: panos da costa, marinheiros libertos e escravos, e quitandeiras africanas em Salvador da Bahia (1797-1850)”.
12:30-14:00: Intervalo/Almoço
14:00h – 16:00h: Painel V: Crédito e dinheiro no tráfico atlântico
• Joseph C. Miller (Universidade de Virginia): Crédito, cativos, colateral, e moeda corrente: Dívida, escravidão, e o financiamento do mundo atlântico”.
• Carlos da Silva Jr. (King’s College London): "Da Índia para a África Ocidental via Bahia: búzios e a economia trans-oceanica na era do tráfico".
• Toby Green (King’s College London): “Prata, cera, panos e trigo: economias de produção e trocas no mundo pan-atlântico antes de 1700”.
16:30h – 17:30h: Encerramento da conferência: Perspectivas para a história econômica e social da África e da diáspora africana.
Mesa redonda com Luiz Felipe de Alencastro, Kristin Mann, Joseph C. Miller, Mariza de Carvalho Soares e Carlos Cardoso.

Coordenador: Paulo de Moraes Farias.