CONVITE À APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS PREPARAÇÃO PARA EMERGÊNCIAS PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL SOB AMEAÇA



O Prince Claus Fund e a Fundação Gerda Henkel anunciam uma Chamada Aberta para propostas voltadas especificamente para a Preparação para Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça. Convidamos profissionais da cultura, instituições e ONGs locais a apresentar suas idéias para medidas de proteção do patrimônio cultural tangível contra o perigo agudo e a perda irreversível. Congratulamo-nos com as aplicações da África, Ásia, América Latina e Caribe.

Quando um desastre natural ou induzido pelo homem ataca, os danos a museus, arquivos, sítios arqueológicos, bibliotecas e prédios históricos são muitas vezes enormes. A herança tangível pode até ser perdida para sempre, quando faltam recursos locais e capacidades de resgate. Embora os desastres nem sempre possam ser previstos, os danos ao patrimônio cultural podem ser mitigados por meio da preparação para emergências.

O Prince Claus Fund, por meio de seu programa de Resposta a Emergências Culturais (CER), e a Fundação Gerda Henkel, por meio de sua iniciativa de financiamento Patrimonies, apoiam a proteção e a preservação do patrimônio cultural em regiões em crise. Ambas as fundações têm uma história de prevenção e minimização da perda de patrimônio cultural. Os projetos apoiados no passado variaram desde a implementação do fortalecimento sísmico na reconstrução dos templos do Nepal após o terremoto de 2015, até o apoio a redes locais para desenvolver planos de emergência para arquivos no Caribe após os furacões de 2017 e o aumento de medidas de segurança para grupos vulneráveis. para saquear na Jordânia.

Este pedido conjunto de candidaturas visa apoiar o desenvolvimento e implementação de mais medidas preparatórias para os edifícios, coleções e locais do patrimônio para os proteger, caso ocorra uma catástrofe. Além disso, incentivamos as organizações a melhorar sua preparação para emergências implementando as lições aprendidas durante incidentes anteriores. O chamado também visa intensificar os esforços de nossas Fundações no campo, conscientizar sobre sua importância e ilustrar como os conceitos preventivos podem salvaguardar o patrimônio. Praticantes culturais, instituições e ONGs locais são encorajados a apresentar suas idéias e planos para a proteção do patrimônio cultural tangível sob ameaça.



Transferências
Elegibilidade e Como Aplicar a Prontidão para Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça. 
O prazo para inscrições é 21 de junho de 2019 às 17:00, horário de Amsterdã . As candidaturas recebidas após o prazo não podem ser consideradas. Recomenda-se não esperar até o prazo final, mas para aplicar o mais rapidamente possível.

Os candidatos receberão um e-mail de confirmação assim que a declaração de necessidade for recebida. Os candidatos mais promissores serão convidados a apresentar pedidos detalhados no início de julho de 2019. O prazo para inscrições completas é 31 de julho de 2019. As inscrições completas receberão as decisões finais até o final de novembro de 2019.
ACESSE: 
https://princeclausfund.org/emergency-preparedness-for-cultural-heritage-under-threat-2019?fbclid=IwAR23gSqiwB0phBNdvikfk2lw5U65o0FjBOpvuNg1ReQxzVsHY39hZkz7-fY

PALESTRA: IDENTIFICAÇÃO FOTOGRÁFICA: TEORIA E PRÁTICA


Palestra gratuita sobre "Identificação fotográfica" na Fundação Fernando Henrique Cardoso, a ser fornecida por Renata Bassetto de Oliveira, dia 7 de junho de 2019, das 18h às 20h .
ACESSE: 

Manual de estilo acadêmico: trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses

A obra tem a autoria de Nídia M. L. Lubisco e Sônia Chagas Vieira, que contaram com o apoio da Edufba para essa versão revista e ampliada. O novo prefácio foi escrito por Flávia Rosa, atual diretora da Editora da Ufba.

Resumo: Com a finalidade de atualizar nossos leitores na aplicação imediata das normas NBR 6022 (artigos ) e 6023 (referências), que dizem respeito diretamente aos trabalhos acadêmicos, procedemos, por iniciativa da EDUFBA, a esta 6ª edição, informando que as alterações feitas se referem às duas normas citadas, à revisão de alguns aspectos gráficos que poderiam interferir na sua interpretação e à atualização de algumas orientações e informações. Considerando que tem sido comum ouvir, no âmbito acadêmico, que a ABNT atualiza as normas com demasiada frequência, vimos informar, a título de exemplo e por oportuno, que a NBR 6023 se encontrava em vigor desde 2002, portanto, há 16 anos. Assim, esperamos que esta 6ª edição seja compreendida como uma atenção especial aos estudantes, técnicos, professores e pesquisadores que, ao tratarem as questões formais em seus estudos, necessitam de pronta atualização e de se sentirem confiantes no uso deste Manual.
Download:  https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29414

PALESTRA: PALENQUES E CIMARRONES


MINICURSO COM O PROFESSOR Dr. ROBERT SLENES



Inscrições abertas para o minicurso (CHK17 – História Social da Escravidão) - Tornando-se Livre na Sociedade Escravista Brasileira: a Arte da Fuga e da Alforria.

Para realizar a inscrição, o discente deverá enviar um e-mail para lucasmeira@ufba.br com nome completo, matrícula, endereço, curso, semestre, número do Rg, CPF, e-mail para contato até o dia 23/05/2019. O assunto do corpo do e-mail deverá ser: Minicurso História Social da Escravidão.

Os discentes do PPGH poderão pedir aproveitamento do minicurso na forma de 01 (um) crédito.

Local – Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), Pça. Inocêncio Galvão 43, Largo 2 de julho, Centro, Salvador.

Datas e horário: 2ª e 4a feira à noite, 18:30-20:30:27 e 29/05; 03 e 05/06 (quatro aulas).
Requisitos para inscrição: cursar programa de pós-graduação ou desenvolver pesquisa de iniciação científica no último ano da graduação
Professor: Robert Slenes. 

Para mais detalhes acesse: 
Att,
Lucas
Secretaria.

Biblioteca Central celebra 208 anos com programação gratuita



No dia 13 de maio, a Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), completa 208 anos. Em pouco mais de dois séculos de serviços prestados à sociedade, a BCEB, primeira biblioteca pública da América 

Latina, comemora o aniversário com programação gratuita.
A abertura dos festejos acontece na próxima segunda-feira (13) com diversas atividades, como bate-papo, homenagens e apresentação do grupo de Cordas Dedilhadas da Neojibá e da Camarata da OSBA.

O destaque da programação é o bate papo A influência da Biblioteca na difusão da cultura em espaços não convencionais. A atividade conta com Maria José Goodwin, pedagoga e professora da Faculdade de Educação da UFBA, Ivanir Mattos, gerente de marketing do Shopping Center Lapa e do fotógrafo Nilton Souza.

A diretora da BCEB, Naiara Malta, destaca a importância da celebração. “Comemorar os 208 anos de existência da biblioteca é demonstrar para a sociedade que a unidade está em consonância com a discussão mundial sobre o papel das bibliotecas públicas contemporâneas na sociedade”, afirma.
Para a diretora, é papel da biblioteca, também, “oferecer à comunidade acesso a diversas manifestações culturais, tornando-se ponto de referência e serviços”, completa Naiara.

Confira abaixo a programação completa:

MANHÃ
9h: Abertura das atividades do aniversário pela Secretaria de Cultura através do Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e pela Diretora do Sistema de Bibliotecas do Estado da Bahia, Carmen Azevedo.

09h30: Abertura da Exposição Fotográfica “O Dia a dia da Biblioteca Central do Estado da Bahia”.

09h40: Apresentação do curta “A contribuição da Biblioteca na formação cultural do indivíduo”.

10h: Apresentação do grupo de Cordas Dedilhadas da Neojibá.
10h30: Bate–papo: “A influência da Biblioteca na difusão da cultura em espaços não convencionais”. Participantes: Maria José Goodwin (Pedagoga, Professora da Faculdade de Educação UFBA); Ivanir Mattos (Gerente de Marketing Center Lapa); Nilton Souza (Fotografo)

11h30: Homenagem a usuários atuantes da Biblioteca, com a entrega de placas de agradecimentos pela participação e presença nas ações e na utilização dos serviços prestados pela BCEB.
TARDE

14h30: Bate–papo: “O consumo da cultura em espaços não convencionais”. Participantes: 

Glaucea Fernandes (Produtora cultural); Dennissena (Artista e educador); Wilson Estavanovic (Fundador do Coletivo Retrô).

15h30: Apresentação do Grupo de Poesias Negritude em Nós. Moisés dos Palmares.

16h: Lançamento do livro “A Educação, o lúdico e a inclusão”, do Professor Doutor Marcos Welby.

16h30: Apresentação da Camerata da OSBA.

A Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), localizada nos Barris, oferece orientação às pessoas com deficiência visual, seminários, palestras, visitas guiadas e técnicas, exposições, orientação à pesquisa, espetáculos musicais, saraus e recitais. Com 207 anos de existência, é a biblioteca mais antiga da América Latina e primeira pública do Brasil. Atualmente conta com um acervo de 600 mil exemplares, distribuídos por setores como Braille, Infantil, Pesquisa/Referência, Obras Raras e Valiosas, Documentação Baiana, Artes e Audiovisual. A biblioteca funciona de segunda a sexta das 8h30 às 19h e aos sábados das 8h30 às 13h.

Serviço:
O que: Aniversário de 208 anos da Biblioteca Central do Estado da Bahia;
Quando: segunda-feira (13), às 9h;
Onde: Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris)
Acesse a fonte: 

Livro revela papel de intelectuais negros contra o racismo e pela cidadania no Brasil oitocentista



O primeiro censo demográfico realizado no Brasil do século 19 apontava para um dado importante: seis em cada dez pessoas pretas e pardas já viviam nas condições de livres e libertas, 16 anos antes do fim da escravidão. Esta maioria de mulheres e homens negros construiu experiências de liberdade na sociedade escravocrata constituindo redes até mesmo transnacionais de escritores, jornalistas e artistas que lutavam pelo abolicionismo e por projetos de cidadania. A história de integrantes dessas redes só não foi completamente negligenciada por força da excepcionalidade. Trajetórias como a de Luiz Gama ou José do Patrocínio, de Machado de Assis ou Chiquinha Gonzaga, são reconhecidas em suspensão, como descreve a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro Escritos da Liberdade: Literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista (Editora da Unicamp), da coleção Várias Histórias, organizada pelo Cecult (Centro de Pesquisa em História Social da Cultura da Unicamp).

A historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro: “Na liberdade, o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por conta do racismo”

“Nossa tendência é a de não reconhecer esses sujeitos no chão da história onde se assenta a dicotomia senhores brancos e escravizados negros. Mas, na liberdade, o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por conta do racismo”, afirma a autora. Ana Flávia é pós-doutora em História pela Unicamp e professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). A tese de doutorado “Fortes laços em linhas rotas: literatos negros, racismo e cidadania na segunda metade do século XIX”, que deu origem ao livro, recebeu menção honrosa do Prêmio Capes de Tese 2015.

Uma figura central para o mapeamento das redes de literatos abolicionistas foi o advogado e jornalista José Ferreira de Menezes, editor da publicação Gazeta da Tarde (1880) no Rio de Janeiro. Nascido na década de 1840 e filho de liberto, Menezes se insere numa rede de pessoas letradas e em 1860 vai cursar direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Ao chegar em São Paulo, Menezes estabelece laços com Luiz Gama. É uma rede que também tem a circulação de Machado de Assis”.

Ana Flávia destaca que, na província de São Paulo, Luiz Gama é quem inspira a geração que produz os primeiros jornais da imprensa negra como A Pátria e O Progresso. Aí são travadas relações que extrapolam os limites nacionais. Conta a autora que na fundação de O Progresso, em 1899, Theophilo Dias de Castro coloca na capa a figura de Luiz Gama. Ele tem um filho, Theophilo Booker Washington, em homenagem a Booker T. Washington, liderança negra nos Estados Unidos que instituiu uma escola para homens e mulheres, a atual Tuskegee University: 
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TJBA SUPERVISIONA TRABALHO DE PRESERVAÇÃO DOCUMENTAL JUDICIÁRIA EM COMARCAS DO INTERIOR



Uma equipe da Diretoria de Documentação e Informação do Tribunal de Justiça da Bahia – formada pelo seu Diretor, Edmundo Hasselmann, e pelo Coordenador de Arquivos, Marcos Bacellar – esteve nas comarcas de Caetité, Guanambi e Vitória da Conquista para acompanhar trabalhos executados nos convênios nº 45/16-C e nº 98/18-C, celebrados respectivamente com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Vigente até 2021, o convênio nº 45/16-C, almeja a transferência e preservação da massa documental judiciária produzida por 28 comarcas baianas, entre elas Caetité e Guanambi. No dia 18/03, o grupo se reuniu no Arquivo Público da Prefeitura de Caetité, com os professores da Uneb, Paulo Duque e Zélia Marques; e com Rosália Aguiar, representante do Arquivo.



Durante o encontro, no edifício onde está acomodado o acervo do TJBA, a equipe acompanhou as atividades desenvolvidas pela Universidade e a apresentação de uma ferramenta on-line que permite consulta à base indexada referente ao Fórum de Caetité (Clique aqui) [www.acervos.uneb.br].

Na ferramenta, estão indexados e digitalizados o Registro Civil (nascimento, casamento, óbito e escrituras) da comarca de Caetité e dos distritos de Maniaçú, Pajeú dos Ventos, Brejinho das Ametistas, Caldeiras e Lagoa Real. No total, são 79 livros de nascimento, 37 livros de casamento, 38 livros de óbito e 73 livros de escrituras. Na ocasião, o arquivo físico, a área de pesquisa e de digitalização de processos foram inspecionadas.

Guanambi –Posteriormente, no dia 19/03, o grupo viajou até a Comarca de Guanambi, para visitar o prédio dos Juizados na companhia de representantes da Uneb e do Juiz Ronaldo Alves Neves Filho, com o objetivo de conhecer o acervo já mapeado pela Universidade. No mesmo dia, foi realizada uma reunião com o Juiz Diretor da Comarca, João Batista Pereira Pinto, e com o Juiz de Direito Ronaldo Alves Neves Filho, nas instalações da 1ª Vara Cível de Guanambi.


O encontro serviu para exibir os resultados do convênio e tratar da transferência do acervo de Palmas de Monte Alto e Guanambi para o Arquivo Municipal de Caetité. O Juiz João Batista concordou com a remoção documental e comprometeu a autorizá-la, assim que certificar-se que o Arquivo tem a estrutura necessária para acolher o acervo. Na Comarca de Guanambi estão indexados cerca de 11 mil processos, cíveis e crime.

Na ocasião, o Juiz Ronaldo Neves autorizou a transferência do acervo de Palmas de Monte Alto para Caetité, e comunicou que aguarda envio de ofício da Uneb para formalizar a movimentação. Em Palmas de Monte Alto estão mapeados aproximadamente mil processos cíveis e 200 criminais.

Vitória da Conquista –Por fim, o grupo chegou em Vitória da Conquista, para um encontro com os professores da Uesb, Ricardo Sousa, Rita de Cássia Pereira e Isnara Pereira Ivo, no dia 20/03. Durante o encontro, houve a apresentação das instalações da universidade e projetos para o acervo coletado na 1ª Vara Cível de Vitória da Conquista.

No mesmo dia, também foi realizada uma visita à 1ª Vara Cível, para apresentação do convênio nº 98/18-C ao Titular da unidade, o Juiz Leonardo Maciel. A Vara possui um acervo de 200 caixas com processos cíveis e crime que contemplam o período entre o início do século XIX e 1993.
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Historiador alemão resgata 5 mil fotopinturas feitas no Nordeste



A primeira coisa que o impressionou foi que os mortos pudessem ressuscitar. Estavam ali no caixão, rodeados por flores, e de repente apareciam em fotografias pintadas com os olhos abertos, para serem pendurados vivos. O historiador alemão Titus Riedl, que em 1994 veio morar no Brasil, mais especificamente no Crato, interior do Ceará, resolveu estudar essas imagens, para mostrar que fotos podem ser mais que verossímeis.

Lembra do caso de uma viúva que recebeu a visita de um desses artistas. A mulher lhe conta que não tem foto junto com o marido, e ele pergunta se não há um 3x4 da identidade que seja, ou da carteira de trabalho. E aí, de repente, está a senhora de 80 anos ao lado de um homem com 19. “Quando você vê a fotopintura, tem 60 anos às vezes no meio deles. Você acha que é o neto. Mas não, era o marido”.

Pressentindo que essas imagens desapareceriam com o tempo, Titus decidiu, mais que pesquisá-las, guardá-las. Essas de mortos-vivos, mas também dos vivos-vivos. É hoje o maior colecionador de fotopinturas no Brasil. Tem “na faixa” de cinco mil delas. Uma pequena parte do acervo foi exposta no final de semana passado em Salvador. Um monte de rostos anônimos, mas tão familiares, mirava quem subia ou descia os degraus da escadaria da Igreja do Passo.

A mostra integrou o Festival Transatlântico de Fotografia, promovido pelo Instituto Mario Cravo. Titus também palestrou no evento, falando sobre a tradição dos retratos pintados do Nordeste. Quem é que nunca viu, numa casinha pelo interior, uma foto dessas penduradas na parede? Meus avós têm umas, os seus também devem ter.

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De grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas.


(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

De grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas. 
Fragmentos foram encontrados durante preparação de terreno para construção de refeitório

Matéria: Clarissa Pacheco / CORREIO 
Fotos: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Quatrocentos anos de vida são suficientes para guardar muitas histórias. A Quinta dos Padres, na Baixa de Quintas, em Salvador, guarda memórias de padres jesuítas que viveram lá por quase dois séculos, até que fossem expulsos pelo Marquês de Pombal. Também tem lembranças do período em que funcionou como leprosário, a partir do final do século XVIII, e como um centro de experimentação agrícola. Nos últimos 39 anos, tem guardado registros que contam milhares de histórias sobre a Bahia e o Brasil, desde que passou a funcionar como o Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb).

Agora, o chão onde foi erguido o prédio do século XVI, tombado como patrimônio histórico e cultural desde 1949, pode dizer ainda mais coisas – e, quem sabe, até trazer novas versões sobre a vida de quem passou por ali ou pela vizinhança. É que, em meio ao entulho retirado de uma parte do terreno, onde está sendo construído um anexo ao Arquivo, operários da obra acharam mais do que terra e pedras: o solo está recheado de fragmentos de peças dos séculos XVII ao XIX.

"São cerâmicas, tem grilhões, moedas de diversos períodos, outros tipos de ferramentas. Acredito que são objetos que datam dos séculos XVII ao XIX, mas a pesquisa é que vai dizer melhor", explica o arquiteto e urbanista Matheus Xavier, chefe de gabinete substituto da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia.

Para não deixar que os achados arqueológicos fossem descartados junto com o entulho, os próprios operários acionaram funcionários do Arquivo Público, que chamaram o Iphan. Nos dias 19 e 20 de fevereiro foram contadas 128 peças, entre elas estruturas metálicas grandes, cadeados, cachimbos, moedas. Depois, os achados se multiplicaram. São tantos fragmentos retirados do terreno que duas mesas do Arquivo não foram suficientes para guardá-los.


O jeito foi empilhar o material em baldes até que uma equipe de Arqueologia inicie os estudos sobre o material. Enquanto isso, os próprios funcionários separaram os vestígios por tipo. Sobre uma mesa, há pedaços de azulejos que, de acordo com a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, se assemelham com alguns que já faziam parte do antigo refeitório dos jesuítas.

Outros vestígios parecem mais recentes: há pedaços de pratos de louça, cachimbos, o que sobrou de uma colher de metal, uma faca de mesa, um prato e uma caneca do mesmo material. “O pessoal da obra passou a ser parceiro, mesmo. Eles separam o que encontram, limpam e só entregam para o pessoal que trabalha lá poder guardar”, disse um dos 500 pesquisadores que frequentam o Arquivo todo mês.

Valor histórico
Mesmo que o significado e a idade dos vestígios ainda sejam desconhecidos, historiadores e arqueólogos já destacam o valor histórico dos fragmentos encontrados. “Aquele prédio, suas paredes e cada cantinho contam histórias inimagináveis”, afirma o professor e historiador Urano Andrade, frequentador assíduo do Arquivo Público. Segundo ele, o Arquivo é o segundo do país em volume de documentação – são 7.360,14 metros lineares de documentos –, perdendo só para o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.


Mas, qualitativamente, é o mais importante, porque guarda documentos do período em que Salvador era a capital da colônia. “Da mesma forma que os documentos, caquinhos que se encontram ali também trazem histórias de vida. Ali teve escravos, africanos livres, muitos foram parar ali, fizeram uma greve. Tem muita coisa ali, grilhões, cacos e a própria vida dos que viviam ali”, afirma Urano. O Padre Antônio Vieira, por exemplo, viveu na Quinta por 17 anos – e foi lá que escreveu muitas de suas cartas e sermões.

O historiador Jaime Nascimento, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), também fala das muitas possibilidades sobre a história das peças. “É justamente através desse material, independente do que seja, louça, prato, garfo, talheres, que vai se ter uma ideia da vida social daquela época, como essas pessoas viviam. Pode até dizer respeito à forma do tratamento médico para os leprosos”, aponta.

Embora o maior volume de fragmentos encontrados durante as escavações seja de cerâmica – 51 vestígios – também há chaves, moedas dos anos de 1768, 1826 e 1970, revestimentos que se assemelham aos da Companhia das Índias, uma espécie de ferrolho ou fecho de janela e até fragmentos de ossos.


“Podem ser ossos humanos, porque o cemitério (Quinta dos Lázaros) só foi aberto depois. Antes, tinha a casa de repouso e os padres tinham o direito de ser enterrados lá. Pode ser também de algum interno do leprosário e pode ser de escravos, porque os jesuítas também tinham escravos”, afirma Nascimento.

Para Matheus Xavier, no Iphan, no entanto, a maior parte das peças é mais recente. "A maior parte das peças são do século XIX, então possivelmente não sejam do período da escravidão, mas vamos primeiro fazer o estudo e datar a questão histórica", explica Xavier, que também é fiscal do convênio para as obras no Apeb.

Para a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, cabe agora à administração cuidar, além do patrimônio documental e arquitetônico, também do acervo arqueológico descoberto: “Para o Arquivo, nós entendemos que a descoberta desses vestígios é extremamente significativa e, inclusive vai ao encontro das referências históricas que nós temos em relação à Quinta do Tanque, que é considerado um dos monumentos civis mais importantes do período colonial.
Preservação
O ideal em situações como essa, em que vestígios arqueológicos são encontrados durante uma obra, é embargá-la – e, no caso de bens tombados, entrar em contato com o Iphan. É o que explica a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba (MAE). No caso do Arquivo Público, as escavações no local foram interrompidas logo depois do Carnaval, a pedido da equipe de Arqueologia do Iphan, liderada por Alex Colfas.


Tainã explica que é importante manter as peças onde estão. “A posição onde esse material está no solo diz muita coisa ao arqueólogo. A gente recebe treinamento, percebe as camadas que dizem se é do século XVII, XVIII, se está misturado. Tudo isso, a gente só consegue dizer com o contexto preservado”, explica.

"Foram achados muito interessantes e a gente entende que é uma coisa muito interessante para se fazer uma pesquisa sobre isso", afirma Matheus. Ele ainda não sabe o que será feito das peças, mas não descartou a possibilidade de que elas sejam encaminhadas a um museu. Esse é o desejo da coordenadora de pesquisa do Apeb, professora Rita Rosado.

A arqueóloga Tainã Moura Alcântara chama a atenção para a possibilidade de que os vestígios até revelem novas histórias. “Esse material arqueológico conta histórias que podem até ser diferentes da história oficial das pessoas que estiveram aqui antes da gente. Preservá-lo é uma questão de respeito às pessoas que viveram antes da gente. Isso nos ajuda como sociedade a ir para a frente, também”, afirma.

De qualquer forma, explica a arqueóloga Tainã, uma destinação só costuma ser dada após o estudo. “Sem o contexto, as peças, por si só, não dizem nada. São simplesmente achados arqueológicos. Nem nos museus de arqueologia a gente faz mais exposições que se mostre só os objetos.  A gente busca compreender aquela sociedade no seu tempo”, explica.


Trilhos, ossada e louças são encontrados na Avenida Sete
O lado esquerdo da centenária Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, tem sido escavado de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O trabalho de prospecção arqueológica, que antecede as obras de requalificação no local, já mostram resultados. No final desta semana, o arqueólogo responsável pela pesquisa, Cláudio César Souza e Silva, anunciou os achados: trilhos de bondes, louças e até uma ossada humana.

"Encontramos também parte de estruturas, como essa argamassa vermelha, datada do século XVIII. Os trilhos são, com certeza, do século XIX", explicou o arqueólogo. As equipes vêm trabalhando na segunda etapa da obra, entre a as Mercês e o São Bento. A primeira fase, já concluída, foi da Casa D’Itália às Mercês. A terceira e última parte do trabalho será feita entre o São Bento e a Praça Castro Alves.

O material coletado será analisado por uma equipe de quatro arqueólogos e dois técnicos no laboratório de Arqueologia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no campus de Senhor do Bonfim, no Centro-Norte da Bahia.
Embora seja naturalmente um campo fértil à pesquisa do tipo, Salvador não possui cursos de Arqueologia – e vai na contramão do restante do Nordeste.

“Salvador tem uma potencialidade arqueológica incrível. Primeiro, porque é a primeira capital do Brasil e ela foi construída para ser a capital. Para além disso, Salvador tem pesquisas de que a Praça da Sé foi uma aldeia indígena anterior à chega dos portugueses”, afirma a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba.

Obras no Arquivo custam R$ 2,3 milhões, mas não incluem climatização. 
As obras de reforma do Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) começaram em dezembro do ano passado. Além da construção de um anexo para funcionar como refeitório, depósito e sanitários – justamente no local onde foram encontrados os fragmentos –, também está prevista a reforma nas instalações elétrica e hidrossanitária, a instalação de um circuito fechado de TV, a pintura geral e a recuperação de todas as janelas, portas e reforma das esquadrias.

A climatização dos depósitos onde ficam os documentos e também das áreas técnicas, no entanto, não está inclusa no pacote, que tem previsão para ser entregue em nove meses, contados a partir de dezembro passado. De acordo com a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, a atual intervenção é considerada uma terceira etapa de obras no Arquivo, mas é necessário mais investimento.
 
“Novos investimentos estão sendo feitos e nós entendemos que são importantíssimos para a preservação do patrimônio, mas também fundamentais para a preservação do patrimônio arquivístico. Contudo, será necessário dar continuidade a outros investimentos e nós já estamos fazendo a gestão”, afirma.

Ao longo dos 39 anos em que o Apeb funciona na Quinta dos Padres – ou Quinta do Tanque –, houve tentativas de retirar a documentação de lá, justamente porque a umidade no local, onde já houve um tanque, não é propícia à preservação dos documentos.

O cuidado com o acervo é cobrado por pesquisadores: “É necessário um cuidado muito especial com a documentação, porque o local não é adequado e também tem a questão da prevenção de incêndios”, afirma o historiador Urano Andrade. O CORREIO encontrou extintores de incêndio no prédio, mas até que haja novos investimentos, a estratégia para manter os documentos será organizar as estantes de modo a aproveitar a ventilação natural.

Na atual etapa da obra também estão inclusas a iluminação externa, comunicação visual, restauração dos elementos arquitetônicos, restauração de bens artísticos móveis e integrados, além da recuperação de toda a estrutura e cobertura e das instalações mecânicas.

Em setembro do ano passado, o CORREIO mostrou a situação em que se encontrava o Apeb: além da parede descascada, havia fios soltos. Incêndios nunca foram registrados, mas de 2011 a 2013 o lugar, que recebe cerca de 500 pessoas por mês, funcionou sem energia elétrica, por conta do risco de curto-circuito.
ACESSE A FONTE: 

MEMÓRIAS DE UMA MERCADORA AFRICANA


Aquarela de Benguela feita na segunda metade do século 19.Arquivo Histórico Ultramarino



Mariana P. Candido
Departamento de História

Universidade de Notre Dame (EUA)

Dona Florinda Joanes Gaspar transitava entre os dois lados do Atlântico traficando cativos e registrando e vendendo terrenos em Benguela, na África, e no Rio de Janeiro.

A melhor parte do meu trabalho é passar horas lendo registros históricos na tentativa de reconstruir a história de africanas que residiam em Benguela, Angola, no litoral da África Ocidental, nos séculos 18 e 19. Surpreendentemente, há muita informação sobre as mulheres livres e de elite; no entanto, também há dados disponíveis nos arquivos angolanos e portugueses sobre libertas e escravizadas – dados que, muitas vezes, passam despercebidos entre mapas populacionais, registros eclesiásticos e correspondência oficial.

As donas, as mercadoras africanas, mulheres poderosas em seu tempo, têm certa preponderância nessa documentação. Entretanto, reconstruir suas vidas requer visitar arquivos em três países (Angola, Portugal e Brasil) e muita paciência para ler centenas de páginas que relatam guerras e apresentam fauna e flora. Em meio a leituras e viagens, percebi que havia localizado uma mercadora excepcional: Dona Florinda Joanes Gaspar. O ‘encontro’ não foi por acaso, mas fruto de horas, dias e meses de investigação, na qual a experiência de africanos é priorizada na pesquisa.
ACESSE: Ciência Hoje 

TRANSATLÂNTICO BASE DE DADOS DO COMÉRCIO DE ESCRAVOS




Este memorial digital levanta questões sobre o maior comércio de escravos da história e oferece acesso à documentação disponível para respondê-las. Os colonizadores europeus voltaram-se para a África para os trabalhadores escravizados para construir as cidades e extrair os recursos das Américas. Eles forçaram milhões de africanos, na sua maioria sem nome, a atravessar o Atlântico para as Américas, e de uma parte das Américas para outra. Analise esses negócios escravos e visualize mapas interativos, cronogramas e animações para ver a dispersão em ação.

O Banco de Dados do Tráfico de Escravos Transatlântico abrange quase 35.000 expedições negreiras ocorridas entre 1514 e 1866. Foram encontrados registros dessas viagens em arquivos e bibliotecas de todo o mundo atlântico. Eles fornecem informações sobre embarcações, povos escravizados, traficantes e proprietários de escravos, e rotas de comércio. A variável Fonte fornece os registros de cada viagem no banco de dados. Outras variáveis permitem aos usuários procurar informações sobre uma viagem específica ou um determinado conjunto de viagens. O website disponibiliza plena interatividade para analisar os dados e relatar os resultados na forma de quadros estatísticos, gráficos, mapas ou linha do tempo.
ACESSE: 
    

CONFERENCE, “ENSLAVED: PEOPLES OF THE HISTORIC SLAVE TRADE.”



Enslaved: Peoples of the Historic Slave Trade
Michigan State University, East Lansing, Michigan
RCAH Theatre (Snyder Hall, Terrace Level)
March 8-9, 2019


More than 50 scholars from around the globe will be in attendance when the Enslaved: Peoples of the Historic Slave Trade conference begins on March 8, 2019 at the RCAH Theater in Snyder-Phillips Hall at Michigan State University. A truly international event, the Enslaved conference brings together scholars based in the United States, Canada, Brazil, the United Kingdom, Benin, the Bahamas, and the Netherlands. The conference encourages collaboration among scholars utilizing databases to document and reconstruct the lives of individuals who were part of historic slave trades. This conference will focus primarily on the enslavement and trade of people of African descent before the twentieth century, but other presentations discuss enslaved indigenous peoples in the Americas. The conference has a broad geographic focus, including presentations on slavery in parts of the U.S., the Caribbean, Spanish, Portuguese, and Dutch parts of the Americas, several different regions of Africa, and Europe. The conference will take place from roughly 8:30-6:00 on both Friday, March 8, and Saturday March 9. A more detailed schedule can be found here.

With support from the Andrew W. Mellon Foundation, the Enslaved project is building a digital hub for students, researchers, and the general public to search over numerous databases to reconstruct the lives of individuals who were part of the historic slave trade. Current digital projects fail to merge the data across the datasets, resulting in isolated projects and databases that do little to aid scholars in analyzing these sources. The Enslaved conference will provide opportunities for researchers across the globe to gain important knowledge about the construction of databases for public consumption, and encourages collaboration between scholars to best make public accurate and easily accessed information about slavery and the slave trade.
If you’d like to register, please email enslavedconference@gmail.com. There is no fee.

ECAS 2019. Africa: Connections and Disruptions - Photo archives: silence and blindness



Long abstract
We will explore parallels in the relationship between an external reality and both archives and photographs. Both have little natural connection and/or directly reflecting external reality. Both show traces of their becoming but must be read beyond the frame of their materiality and the connections between order and meaning must be disentangled in order to gain and reveal significance. However, the archival order always contains several voids - deliberate and unintended - that are due to the process of the archives' emergence in changing contexts. Thus, various types of silences and blindness constitute the archive order. How can these silences be broken or made to resonate? What happens when we are no longer able to grasp them with the simplifying gaze of habit? How can connections and disruptions that emerge from archives' silences and blindness be used fruitfully by scholars working with and in photo archives?
Trouillot talks of archival silence, the Comaroffs of reading across and Stoler along the archival grain. The visual parallel to silence is blindness. How can research on photo archives find a white stick or an archival equivalent to braille? Those with macular degeneration must use peripheral vision, peeking sideways. What sort of archival research might this inspire?
This panel will examine various possibilities of working with photo archives that do not see empty (negative) spaces as a deficit, but on the contrary as an opportunity for alternative viewings of the archive, drawing productive power precisely from the contents, no matter how perceived.

CURSO INTRODUÇÃO A PALEOGRAFIA



IGHB está com inscrições abertas para o curso Introdução a Paleografia, que será realizado de 8 a 10 de abril de 2019, das 14h às 18h. As aulas serão ministradas pelos professores Libania Silva e Savio Queiroz.

Em decorrência da crescente demanda de cursos que exigem a pesquisa e leitura de documentos manuscritos, o curso propõe uma franca e objetiva abordagem interdisciplinar prática e metodológica sobre a escrita e leitura de documentos produzidos entre os séculos XVI e XIX, com enfoque nas practices da ciência histórica.
Carga horária: 20 horas (com certificação)

Conteúdo:
Introdução: História, Conceitos e usos da paleografia e da diplomática;
Escritas Antigas: Especificidades, especialidades e escrita;
Tipologias caligráficas: A escrita na Península Ibérica
O trato com os documentos manuscritos;
Elementos Cruciais: Identificação de abreviaturas, termos, símbolos e sinais gráficos: coleções.
Suportes diversos: fotocópias, microfilmes, imagens digitalizadas;
A transcrição do manuscrito: teorias e métodos;
Exercício de transcrição de textos 1: peculiaridades da escrita à mão, dos
suportes, instrumentos e tintas;
Exercício de transcrição de textos 2: leitura, transcrição e formatação dos documentos;
Exercício de transcrição de textos 3: os tipos documentais;