DETETIVE DO PASSADO: SERVIÇOS DE PESQUISA E INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA

Quem tiver interesse em contratar o Detetive do Passado pode:

- Telefonar para (11) 94837-2278 ou (11) 3361-6279

- Escrever para alberto1992oliveira@gmail.com

Atendo à distância, faço viagens, preços a combinar.

Sou Alberto de Oliveira, o Detetive do Passado.

Pesquisador e escritor, formado em História, sou um detetive diferente.
Não sigo pessoas, não descubro traições, não investigo crimes.
Não no presente.

O meu campo de atuação é o passado.
Encontro documentos, identifico ancestrais, busco notícias em jornais amarelados.
Também localizo pessoas com quem se perdeu o contato.

Eis alguns dos serviços que ofereço:

- Genealogia: árvore genealógica, certidões antigas, documentação para cidadania estrangeira, listas de bordo de navios de imigrantes.

- Busca de notícias em jornais antigos.

- Pesquisas históricas, documentais e iconográficas.

- Busca por pessoas.

Também ofereço serviços de redação e revisão de textos.

Sou autor do livro "Cravo na Carne - Fama e Fome: O Faquirismo Feminino no Brasil", parceria com o pesquisador Alberto Camarero, publicado pela editora Veneta em 2015 e contemplado com o Prêmio Carequinha, da Funarte.

Trata-se de uma pesquisa histórica sobre as faquiresas, mulheres transgressoras que dedicaram-se à arte do Faquirismo no Brasil entre os anos 1920 e 1950, exibindo-se em provas de jejum entre cobras e pregos.

MESA REDONDA: ARQUIVOS PÚBLICOS, ECLESIÁSTICOS E PESSOAIS: FONTES DE INFORMAÇÃO, PONTE PARA A CIDADANIA


GT Nacional Emancipações e Pós-Abolição: Chamada para artigos


A Anpuh-Brasil e a Revista Brasileira de História convidam você a mandar uma colaboração inédita, resultante de pesquisa original.

Chamadas de artigos/ Call for papers:

1 - História dos arquivos e da arquivologia (prazo: 22 de janeiro de 2018)
2 - Por escravos e libertos (prazo: 05 de março de 2018)

1- Dossiê: História dos arquivos e da arquivologia

Organização: Renato Pinto Venancio (ECI-UFMG)

As pesquisas sobre a história dos arquivos e da arquivologia são pouco desenvolvidas no Brasil. Há muito ainda a ser explorado. Como se organizavam, na Época Moderna, os arquivos no reino português, principalmente aqueles que também exerciam funções de controle no ultramar? Como se organizavam e se organizam atualmente os arquivos civis e religiosos, locais e regionais? Quais foram os modelos e as adaptações necessárias no processo de constituição do Arquivo Nacional do Brasil? Como ocorreu a formação da arquivologia no Brasil, enquanto área de conhecimento científico e conjunto de procedimentos técnicos de gestão documental? Quais foram as primeiras iniciativas de educação patrimonial em arquivos e quais são seus atuais desafios? Uma história dos serviços arquivísticos e de suas funções (produção, classificação, avaliação, aquisição, conservação, descrição e difusão) é possível? Quais são os riscos atuais de destruição dos arquivos brasileiros? Quais foram e quais são os usos abusivos da microfilmagem e da digitalização? Enfim, quais são os dilemas da arquivologia brasileira no tempo presente?
Este dossiê se propõe a responder essas perguntas. Trata-se, sem dúvida, de um grande desafio. Entretanto, torna-se necessário enfrentá-lo imediatamente, uma vez que as instituições arquivísticas e o patrimônio documental brasileiro estão ameaçados pela não preservação dos documentos nato-digitais ou por uma compreensão equivocada da reformatação digital dos documentos gerados em suportes tradicionais.


Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 22 de janeiro de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh. Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm.

CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA: “Samba e Saberes na roda de Salvador” 1930-1950

Dando continuidade as palestras do mês de Outubro o Conversando com a sua História receberá no dia 17 de outubro a Historiadora Alessandra Carvalho, que abordará o tema “Samba e Saberes na roda de Salvador” no período entre 1930 a 1950. A palestra versa sobre a força do Samba nas lutas pela afirmação de uma cultura Afro-Brasileira na primeira metade do século XIX.

NÃO PERCAM!

Revista Brasileira de História n° 75. O protagonismo indígena na História


Editorial

Antonio Luigi Negro

Em 1923, livro celebrativo da independência do Brasil traz aquarela de Jurandir Pais Leme. Acompanhados de sugestiva legenda - “últimos representantes de uma raça no estado da Bahia” -, estão três índios em retrato (Coelho, 1923). Inserto entre as páginas 14 e 15, tudo aí é expressivo. Na dita terra mãe do Brasil - a Bahia -, indígenas são, nessa precisa hora, uma raça. (E, em sendo uma raça, são algo à parte: não são assim fruto de feliz enlace, parteiro de povo mestiço, comemorativo de suas virtudes em cívicas cerimônias verde-amarelas.) Não possuem lugar demarcado (estão entre as páginas 14 e 15!) e, todos vestidos, dos pés à cabeça, figuram no início de vultuosa obra nacional da qual irão fatalmente desaparecer, já que seus representantes são os derradeiros.

Com orgulho e oportunamente, este número 75 da Revista Brasileira de História caminha na contramão daqueles que querem aniquilar os índios do Brasil e apoderar-se de suas terras como gananciosos senhores brancos proprietários (a reboque de palavras enganosas, balas e bois). Com toda a clareza, o Dossiê “O protagonismo indígena na História” - responsável por nove artigos (ver Apresentação de Maria Leônia Chaves de Resende) - exprime que os povos nativos existem, resistem e têm futuro, sendo sujeitos de diferença e de autodemarcação de seus territórios. Aqui, pesquisa histórica de fina qualidade o comprova, evidenciando seu relevo e presença na sociedade.

Escravidão e Liberdade: chamada de artigos para a Revista Brasileira de História


A Revista Brasileira de História abriu chamada de artigos para o dossiê temático sobre escravidão e liberdade:

Dossiê: Por escravos e libertos
Organização: Silvia Hunold Lara (Unicamp)

Os estudos sobre a escravidão e a liberdade floresceram nas últimas décadas e há um grande volume de pesquisas sobre o comércio de cativos, as relações entre senhores e escravos, as formas de alforria, a religiosidade, os dilemas do pós-abolição, entre outros temas relevantes. Mas ainda sabemos pouco sobre o que escravos e libertos pensavam a respeito da escravidão e da liberdade e como enfrentavam os desafios que ambas lhes impunham. Como índios, africanos e seus descendentes escravizados e submetidos a outras formas de trabalho compulsório percebiam o mundo em que viviam? A partir de quais valores e ideias agiam para modificar suas vidas e as de seus familiares e companheiros? O que significava ser escravo, forro, aldeado ou administrado? Como agiam os que buscavam a liberdade? Quais os perigos enfrentados quando obtinham a alforria ou passavam a viver como livres? Quais os significados do cativeiro ou da liberdade para eles?

Este dossiê se propõe a enfrentar o desafio de responder a essas perguntas e, ao mesmo tempo, discutir questões teóricas e metodológicas envolvidas na abordagem da história da escravidão e da liberdade no Brasil do ponto de vista dos escravos e dos libertos.

Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 05 de março de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh . Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm


A Revista Brasileira de História estimula a que se submetam resenhas de livros com a temática do dossiê nos mesmos prazo e condições acima.


O historiador como língua do passado. Entrevista a Stuart B. Schwartz



A entrevista com o historiador Stuart B. Schwartz percorre alguns dos principais tópicos da história do Brasil colonial e do Atlântico ibérico, áreas historiográficas em que a sua obra tem tido uma influência indiscutível. Com os impérios ibéricos em mente e num diálogo constante com o trabalho que tem desenvolvido ao longo das últimas décadas, o historiador norte-americano fala-nos sobre temas tão diversos como escravos, resistência, tolerância religiosa, ou história ambiental. A entrevista foi uma oportunidade também para refletir sobre alguns dos principais desafios que hoje se colocam ao historiador, como, por exemplo, o financiamento da investigação, o uso das fontes ou a gestão da informação.

O historiador norte-americano Stuart B. Schwartz (n. 1940), doutorado pela Universidade Columbia (1968), é professor no Departamento de História de Yale desde 1996, tendo sido também professor visitante em muitas outras universidades dos Estados Unidos e de vários outros países. A extensa obra de Stuart Schwartz confunde-se com os próprios caminhos da historiografia internacional das últimas décadas e os seus muitos trabalhos são hoje como que um roteiro que nos conduz pelos principais temas da história do Brasil colonial e do Atlântico ibérico. A formação da sociedade brasileira durante o período colonial, o seu desenvolvimento institucional, a sua economia, o açúcar, o impacto do governo dos Habsburgo, a escravatura e as relações raciais, a dimensão religiosa do espaço atlântico ibérico e, mais recentemente, a história ambiental na região das Caraíbas, são tudo áreas de estudo marcadas pela enorme influência do trabalho de Stuart Schwartz.

FONTES E MÉTODOS NA PESQUISA EM HISTÓRIA


A Universidade do Estado da Bahia convida para o evento: Fontes e Métodos na Pesquisa em História. Que ocorrerá nos dias 10 e 11 de outubro, no Campus IV, Jacobina, Bahia.

O uso das fontes manuscritas na pesquisa histórica.
Professor e Pesquisador Urano Andrade
10/10 – 19h – Local: Auditório UNEB – campus IV.

As fontes orais na pesquisa em história.
Professora Drª. Vânia Nara Pereira Vasconcelos

11/10 – 14h – Local: Auditório UNEB – campus IV.

"I Seminário Internacional Patrimônio, História intelectual e Cultura na África Ocidental e V Jornada do Centro de Estudos Africanos da UFMG".



O Centro de Estudos Africanos da UFMG/CEA, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa/INEP de Guiné-Bissau, abre chamada pública para apresentação de comunicações no I Seminário Internacional Patrimônio, História intelectual e Cultura na África Ocidental.

O evento acontecerá entre os dias 02, 03 e 04 de outubro de 2017, no Centro de Atividades Didáticas 2 (CAD2) da UFMG. O objetivo é reunir investigadores com trabalhos que proponham novas perspectivas sobre dinâmicas culturais e intelectuais e sobre História patrimonial, em diferentes períodos históricos, no espaço compreendido entre o Sahel ocidental, a costa atlântica (do Senegal ao golfo do Benin) e imediações do Lago Chade, recorte compreendido como África Ocidental. Neste evento, buscamos fundar um espaço para diálogos contínuos entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros sobre as particularidades dessa região africana, apontando suas dinâmicas próprias e seus impactos locais, regionais e globais, partindo da perspectiva de indivíduos e sociedades africanas.

Durante o Seminário Internacional ocorrerão duas exposições: “Urbanidades da Guiné-Bissau – Arquiteturas e Sítios Históricos com Futuro” sob curadoria da Arquiteta Ana Milheiro (ISCTE-IUL/Lisboa) e “Os Panos da Guiné” da coleção de Odete Semedo (INEP-Guiné-Bissau), sob curadoria da mesma. 


Gumercindo Dórea: nem vilão, nem herói - Resposta a José Nêumanne, por Laura de Oliveira.



A historiadora Laura de Oliveira, Professora do Departamento e do curso de Pós-Graduação em História da UFBA, nos escreveu solicitando publicar uma resposta à crítica ao seu livro “Guerra Fria e Política Editorial”, publicada no blog do jornalista José Nêumanne, no Estadão. Em defesa do debate intelectual aberto e de alto nível, Laura de Oliveira hoje é a historiadora do blog.

Gumercindo Dórea: nem vilão, nem herói/ Resposta a José Nêumanne por Laura de Oliveira (contato Laura.oliveira@ufba.br)

No dia 03 de setembro, José Nêumanne publicou em seu blog “Direto ao assunto”, vinculado ao jornal O Estado de S.Paulo, matéria intitulada “Herói tratado como um vilão”, em que faz crítica direta ao meu livro “Guerra Fria e Política Editorial” (Maringá, PR: EDUEM, 2015). Entre outros adjetivos, o jornalista o qualifica como “stalinista”, “grotesco” e “sofrível”, que por si só justificam meu direito de resposta.

O livro é resultado de pesquisa de doutoramento que desenvolvi durante quatro anos na Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação da professora Dra. Fabiana de Souza Fredrigo, com período de estágio na Georgetown University, nos Estados Unidos, onde contei com supervisão do professor Dr. Bryan McCann. Ao longo do período, realizei pesquisas em arquivos nos dois países, entre os quais o Arquivo Municipal de Rio Claro (SP), o Arquivo Nacional (RJ), a Mudd Manuscript Library da Princeton University (EUA) e a National Archives and Records Administration, NARA II (EUA). As pesquisas possibilitaram acesso a abundante documentação acerca da história da Edições GRD, fundada pelo Sr. Gumercindo Rocha Dórea em 1956 e objeto da pesquisa.

O rigor na coleta das fontes, a qualidade da análise e os méritos do texto historiográfico produzido a partir delas vêm sendo reconhecidos pela comunidade intelectual brasileira: em 2014, fui finalista do Prêmio de Teses CAPES/MEC e laureada com menção honrosa. No ano seguinte, venci o Prêmio Manoel Salgado de Teses, promovido pela Associação Nacional de História (ANPUH), o mais importante prêmio concedido a teses em História no Brasil. Em seguida, a ANPUH encaminhou o manuscrito à editora da Universidade Estadual de Maringá, filiada à Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) e identificada pela qualidade científica e técnica dos seus títulos.




João José Reis fala sobre escravidão contemporânea



Por Tharsila Prates

Referência para os estudos da história da escravidão e vencedor do prêmio Machado de Assis, escritor falou com o CORREIO
Referência para os estudos da história da escravidão no século XIX e vencedor, este ano, do prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto da obra, o historiador baiano João José Reis, 65 anos, está engajado em dois novos livros.

Um vai tratar de um cativo trazido da África que virou comerciante rico; e o outro, em estágio mais avançado, é sobre o arrocho fiscal a trabalhadores africanos no século XIX, ainda sem data para o lançamento. “Pretendo produzir muito ainda”, disse ele em entrevista ao CORREIO, por e-mail.

Autor de livros como A Morte é uma Festa e Rebelião Escrava no Brasil: a História do Levante dos Malês em 1835 (ambos pela Companhia das Letras), Reis é formado em História pela Universidade Católica do Salvador, tem mestrado e doutorado pela Universidade de Minnesota e diversos pós- doutorados, que incluem a Universidade de Londres, o Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences, da Universidade Stanford, e o National Humanities Center.

Bastante aplaudido durante a última edição, em julho, da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde participou da mesa Fora de Série, com a escritora cearense Ana Miranda, ele afirmou querer sua identidade reconhecida como historiador, e não como romancista.

Com o livro A Morte é uma Festa, João Reis venceu o prêmio Jabuti em 1992. O trabalho trata, de maneira detalhada, sobre o levante que terminou na destruição do recém-inaugurado cemitério do Campo Santo, em Salvador, em 1836. Se você nunca ouviu falar no episódio que ficou conhecido como Revolta da Cemiterada, a leitura do livro é obrigatória.


Nesta entrevista, ele fala sobre a escravidão contemporânea, os novos projetos e sobre a Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde ingressou em 1979 como professor. Confira:


Projeto pioneiro no Brasil cria acervo digital com documentos históricos do Judiciário paraibano

A equipe iniciou o trabalho em 2015

Por Marília Araújo

Cinco livros e mais 1.960 itens individuais, datados dos séculos XVIII e XIX, foi o total de documentos notariais e criminais do Poder Judiciário do Estado da Paraíba, que um grupo de historiadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) digitalizou, para a criação de um acervo eletrônico. O resultado foi de 151.144 imagens produzidas, que serão disponibilizadas posteriormente na internet.

O projeto é uma atividade dentro de um programa de extensão da UFPB, coordenado pelos doutores em História: Marshall Eakin e Courtney Campbell, da Universidade Vanderbilt, e Maria Vitória Lima e Solange Pereira da Rocha, da Universidade Federal da Paraíba. Para executar todo o procedimento, estiveram envolvidas 14 pessoas dos cursos de História, Arquivologia, Matemática Computacional e Engenharia da Computação da UFPB.

A ação recebeu o apoio do Tribunal de Justiça da Paraíba que, por meio da Gerência de Acervos, providenciou um acompanhamento na busca dos documentos e concedeu uma sala na sede do Judiciário estadual para a realização da atividade.

O objetivo é resgatar, por meio de um processo de digitalização, documentos históricos do Judiciário estadual, os mais antigos e mais desgastados pelo tempo. Foi levado em consideração que “esses são registros fundamentais para estudos da escravidão e da abolição, sobre os órfãos e as custódias, atividades comerciais, os crimes e os direitos de propriedade no Nordeste brasileiro”, conforme relata a professora Maria Vitória.

O arquivamento digital teve início em agosto de 2015, com documentos cartoriais das comarcas de João Pessoa, São João do Cariri e Mamanguape. Segundo Maria Vitória, “encontrar todo o acervo fora de organização retardou um pouco o processo. Iniciamos com etapas de higienização, folha a folha, encapilhamento e nomeação, para poder dar início à digitalização e ao resumo. Também era fundamental ter o maior cuidado possível, por ser um material já ameaçado pelo tempo e desgastado”, declarou.

Ao final de todo o processo, cada unidade do Judiciário, que teve seus documentos digitalizados, receberá as cópias completas dos arquivos, assim como a Gerência de Acervos do Tribunal de Justiça da Paraíba, o Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrodescendentes e Indígenas da UFPB (NEABI), o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional da UFPB (NDIHR) e a biblioteca digital internacional The Jean and Alexander Heard Library, da Universidade de Vanderbilt, do Estado do Tennessee, nos Estados Unidos.

A partir do ano de 2018, a galeria também será disponibilizada, online, nos sites: http://www.vanderbilt.edu/esss/about/project-teams.php http://afro.culturadigital.br/neabiafroparaiba/

No entanto, a professora Maria Vitória destaca: “os pesquisadores interessados já podem nos procurar para consultar esses arquivos”. Agora, o trabalho está em fase de revisão final de algumas imagens e elaboração dos últimos resumos.

Casos de destaque

Durante a catalogação, alguns casos se destacaram, despertando interesse, a exemplo de um inventário, datado de 1782, em nome de uma senhora de iniciais C.M.J. que, em vida, foi casada com D.G.N. O marido solicitou o divórcio para se casar com sua ex-escrava. C.M.J. deixou, em seu testamento, a história de seu divórcio e declarou suas vontades, incluindo o que devia ser feito em relação a seus submissos. Entre os bens deixados por ela, estavam alguns escravos e uma saia de xamalote azul.


Outra situação que chamou a atenção dos historiadores, foi um processo do século XIX, uma época em que “a mulher não tinha voz, nem vez” e, quando ficava viúva, o juiz de órfãos colocava como tutor e testamenteiro dos órfãos não a mãe, mas um homem que podia ser da família ou não. Nesse caso, a mulher não aceitou essa decisão. Então enviou uma carta para a rainha de Portugal, de onde o Brasil era colônia, solicitando a tutela das crianças, alegando ter condições de ser responsável pelos bens, pelos filhos órfãos e pelo patrimônio construído junto ao marido. A rainha aceitou o pedido. “Desse período, até agora, não há conhecimento de outro caso dessa natureza”, declarou a historiadora Maria Vitória.
ACESSE A FONTE: 

A HISTÓRIA É LIVRE: POR JOÃO JOSÉ REIS

Foto: Adilton Venegeroles

Acostumada a cerimônias sem solavancos, a Academia Brasileira de Letras (ABL), ao final do dia 20 de julho, experimentou um burburinho que lembrava uma república universitária. Naquela noite chuvosa, o incendiário era também o homenageado e atendia pelo nome de João. “A escravidão é sempre o crime da raça branca”, disse ele para uma plateia de homens brancos. Posicionado no centro do Salão Nobre do palácio Petit Trianon, sede da academia, João bradou sobre chibatadas e cotas raciais; sobre pobreza e educação. Ao fim, o presidente da casa, Domício Proença Filho, resumiu o que acabara de ouvir: “Uma aula dessa encruzilhada chamada Brasil”.

João José Reis, 65, é um homem baixo, muito magro, de fala curta. Ao ouvinte incauto, ele pode soar ríspido. Um pouco fruto de sua criação – “um menino que aprendeu lições nas bandas ásperas da Cidade Baixa”, como ele diz – e muito pelo teor daquilo que fala. Referência mundial no estudo da história da escravidão, João versa há três décadas em livros, artigos e palestras sobre a chaga racial no Brasil. Uma tarefa já reconhecida com o prêmio literário Jabuti, em 1992, e agora com o prêmio Machado de Assis, dado pela ABL ao conjunto da sua obra. O conteúdo sobre o qual João se debruça põe, quase sempre, rudeza e veemência em sua voz.

“Já na minha adolescência eu percebi o apartheid social. E, logo depois, uma questão fez minha cabeça: qual é a relação da raça com a desigualdade? Deixei a militância política para protestar de outra forma. Muito cedo aprendi que tinha uma miríade de coisas que precisavam ser combatidas antes de se pensar numa sociedade completamente igualitária”.
ACESSE NA ÍNTEGRA

O terreiro do Gantois: redes sociais e etnografia histórica no século XIX


O Ilê Iyá Omi Axé Iyamassé, localizado na cidade de Salvador e mais conhecido como o Terreiro do Gantois, é um dos mais antigos candomblés da Bahia, comentado nos estudos afro-brasileiros desde os tempos de Nina Rodrigues e reconhecido como patrimônio histórico do Brasil desde 2002. Contudo, pouco se sabe sobre seus primeiros tempos, além de tradições orais sobre o envolvimento da fundadora no legendário Candomblé da Barroquinha. Este texto cruza dados das tradições orais com pesquisa documental e etnográfica, reconstruindo assim as histórias de vida da fundadora, Maria Júlia da Conceição, e de seu marido, Francisco Nazareth d’Etra, desde o cativeiro até a liberdade. A fundadora era de nação nagô, mas seu marido era jeje e as evidências sobre os primeiros tempos da comunidade religiosa apontam para a importância de influências jejes. O texto ainda traz novas reflexões sobre a antiga relação entre o Gantois e o Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca), sugerindo uma nova cronologia para a cisão entre as duas comunidades.

ÚLTIMAS VONTADES DE UM ESCRAVOCRATA-MOR

APEB, Seção Judiciária, Registro de Testamentos Nº 51-pp.2-8             

Joaquim José de Souza Guimarães solteiro e sem herdeiros forçados, dono de uma fortuna de quase novecentos contos de réis, partilhou entre seus afilhados tudo que construiu e acumulou durante sua vida. Cidadão português, nascido e batizado na Freguesia de São Miguel de Seide, Comarca da Vila Nova de Famelicão, Arcebispado de Braga, Reino de Portugal. Além de agraciar diversos afilhados e afilhadas no Brasil e em Portugal, incumbiu aos seus testamenteiros à missão de alforriar seis meninas alvas de idade de dez a vinte anos, para tanto, deixou a quantia de seis contos de réis, ou quanto fosse preciso para tal fim. Após a morte de Guimarães, em 1876, seus testamenteiros João Soares Chaves e Manoel da Costa Rodrigues Vianna cumprem a verba do moribundo e libertam Bitilina, quase branca, Casimira, quase branca, Capitolina, parda, Corina, semibranca e Ephigenia, não classificada.


Liberdade de Bitilina, quase branca

Pela presente por mim assinada, concedo liberdade a minha escrava Bitilina de cor quase branca, quantia de quinhentos mil réis, que recebi dos testamenteiros do finado Joaquim José de Souza Guimarães, e por verdade passo o presente. Bahia, 30 de junho de 1877. Pedro Rodrigues de Pinho ao Tabelião Rodrigues da Costa. Bahia, 17 de julho de 1877, reconheço a firma supra. Bahia, 17 de julho de 1877. Em testemunho de verdade estava o sinal público. Frederico Augusto Rodrigues da Costa. Registrada aos 17 de julho de 1877.
APEB, Livro de Notas 511 – P. 37v


Liberdade de Casimira, quase branca

Pela presente por mim assinada, concedo liberdade a minha escrava Casimira, de cor quase branca, pela quantia de quinhentos mil réis, que recebi dos testamenteiros do finado Joaquim José de Souza Guimarães, e por verdade passo a presente. Bahia, 30 de junho 1877. Rodrigues de Pinho ao Tabelião Rodrigues da Costa. Bahia, 17 de julho de 1877. Custas. Reconheço a firma supra. Bahia, 17 de julho de 1877. Em testemunho de verdade. Estava o sinal público Frederico Augusto Rodrigues da Costa. Registrada aos 17 de julho de 1877. Eu.
APEB, Livro de Notas 511 – P. 37v


Liberdade de Capitolina

Pela presente por mim tão somente assinada concedo liberdade a minha escrava capitolina parda de dois anos mais ou menos, mediante a quantia de setecentos mil réis (700$000) que recebi dos testamenteiros do finado Joaquim José de Souza Guimarães, podendo gozar de sua liberdade, como se de ventre livre nascesse. Bahia, 22 de setembro de 1877. Maria da Gloria Sofia dos Reis. Como testemunhas José Joaquim de Moraes, Francisco Marques Porto. Reconheço as firmas supra. Bahia, 1º de outubro de 1877. Em testemunho de verdade estava o sinal público. Frederico Augusto Rodrigues da Costa. Tabelião Rodrigues da Costa. Bahia, 1º de outubro de 1877. Seixas, Registrada ao 1º de outubro de 1877. Eu Frederico Augusto Rodrigues da Costa. Tabelião a escrevi.
APEB, Livro de Notas 511 - P.43


Liberdade de Corina

Pela presente por mim feita e assinada dou liberdade a minha escrava Corina, de cor semi branca, pela quantia de seiscentos mil réis que recebi dos Ilustres Senhores Manoel da Costa Rodrigues Vianna e João Soares Chaves, testamenteiros do finado Joaquim José de Souza Guimarães em virtude da cláusula 27 do respectivo testamento; pudendo a dita minha escrava gozar de todas as regalias e direitos que lhe concedem as leis do país, como si de ventre livre nascera. Bahia, 23 de dezembro de 1876. Cincinato Pinto da Silva. Testemunhas Manoel Gomes Costa, Eduardo Dias de Moraes. Reconheço as firmas supra. Bahia, 23 de dezembro de 1876. Em testemunho de verdade estava o sinal público. Álvaro Lopes da Silva. Ao Tabelião Álvaro. Bahia, 23 de dezembro de 1876. Seixas. Registrada conferi, e subscrevi na Bahia. Eu Álvaro Lopes da Silva Tabelião subscrevi.
APEB, Livro de Notas 513 – P. 5


Liberdade de Ephigenia

Pelo presente título confiro a liberdade a minha escrava de nome Ephigenia matriculada sob nº 3455 no Município de Nazareth, mediante a quantia de seiscentos mil réis, que recebi dos senhores testamenteiros do finado Joaquim José de Souza Guimarães, em virtude do disposto na verba 27ª de testamento do dito finado. Bahia, 24 de dezembro de 1876. Joana Maria Monteiro. Reconheço a firma supra. Bahia, 9 de janeiro de 1877. Em testemunho de verdade sinal público. Álvaro Lopes da Silva. Ao Tabelião Álvaro. Bahia, 9 de janeiro de 1877. Seixas. Registrada conferi e subscrevi na Bahia. Eu Álvaro Lopes da Silva Tabelião subscrevi.
APEB, Livro de Notas 513 - P. 7         


ALFORRIA DE DOMINGOS VAQUEIRO


Liberdade do crioulo de nome Domingos.

Digo eu Dionisio Vieira Lima Factum e minha consorte Julianna Maria Pereira Factum, que possuímos um escravo crioulo por nome Domingos, vaqueiro da Fazenda do Ribeiro, o qual escravo nós propomos a libertar, com a condição de ser nosso vaqueiro enquanto nós sermos vivos, e observando ele sempre impreterivelmente esta obrigação, desde já o forramos, e o havemos por forro e liberto, e por receber dele a modica quantia de quatrocentos oitenta e oito mil réis em gados vacuns, e cavalares de criar, que tudo vem a ser trinta e quatro cabeças, e juntamente quarenta mil réis, que lhe devemos, quando o dito crioulo tem em considerável valor pela sua comportação, em todo o sentido lhe fazemos este beneficio. Cabussú, trinta de outubro de mil oitocentos trinta e um anos. Dionisio Vieira Lima Factum. Assino a rogo de minha Mãe a Senhora Dona Julianna Maria Pereira Factum, Manoel da Silva Factum. Como testemunha Joaquim Feliciano de Santa Anna. Reconheço próprias as letras e assinaturas retros. Vila de Inhambupe, vinte de julho de mil oitocentos e quarenta e sete. Estava o sinal Público em testemunho de verdade. O Tabelião Maximiano Hippolito dos Santos. Lançada a folhas cento e sete verso do [único] quarto Livro de Notas. Vila de Inhambupe dezesseis de novembro de mil oitocentos trinta e um. Santos. Número cento e vinte sete. Cento sessenta réis. Pagou cento sessenta réis. Bahia, vinte oito de julho de mil oitocentos quarenta e sete. Seixas. Câmara. Ao Tabelião Lopes. Bahia, trinta de julho de mil oitocentos quarenta e sete. Filgueiras. E trasladada da própria conferi, concertei, subscrevi e assinei com outro Companheiro aos trinta e um de julho de mil oitocentos quarenta e sete. Eu Manoel Lopes da Costa Tabelião a subscrevi e assinei.  

FONTE: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 285-p.58. 

FLIPELÔ - FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DO PELOURINHO


Salvador entra no cenário nacional de eventos literários com a primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho – FLIPELÔ, que acontece de 09 a 13 de agosto, ocupando ruas e espaços culturais do Centro Histórico de Salvador.

Em sua primeira edição, a festa comemora os 30 anos da Fundação Casa de Jorge Amado e homenageia o escritor que dá nome ao espaço, além de Zélia Gattai e Myriam Fraga, duas das mais relevantes personalidades culturais diretamente interligadas à trajetória de vida de Amado.

Serão mais de 50 atividades, entre mesas de debates, lançamentos de livros, oficinas literárias, saraus, apresentações teatrais, exibição de vídeos e shows musicais, que reunirão autores, pesquisadores, críticos, estudantes e apaixonados pelo mundo das palavras. Tudo isso cercado pela arquitetura histórica, com fachadas de casas, igrejas e paralelepípedos do Pelourinho.

A FLIPELÔ é apresentada pelo Ministério da Cultura e Instituto CCR, através da Lei Rouanet, com apoio da CCR Metrô Bahia e em parceria com o Governo da Bahia. O festival conta ainda com o apoio do Shopping da Bahia, co-realização do SESC, produção da Maré Produções Culturais e realização da Fundação Casa de Jorge Amado.

ACESSE A PROGRAMAÇÃO: http://www.flipelo.com.br/ 

BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ: REVOLTA DOS BÚZIOS ONLINE


A Revolta dos Búzios (1798-1799), considerada o primeiro “movimento revolucionário” social brasileiro, é também conhecida na historiografia brasileira pelas seguintes denominações: “Revolução dos Alfaiates”; “Revolução de 1798-1799”; “Conjuração Baiana”; “Conspiração dos Búzios”; “Conspiração dos Alfaiates”; “Conspiração Republicana”; “Conspiração de João de Deus”; “Sedição de 1798”; “Sedição de Mulatos”; e “Levante de 1798”.  Em alusão a data de celebração da Revolta -12 de agosto de 1798-, A biblioteca Virtual Consuelo Pondé elenca uma série de conteúdos, que versam sobre as mais diferentes facetas deste evento histórico; documentos da época, vídeos, livros, jogos, pesquisas e entrevistas com estudiosos.  Esperando contribuir para a memória histórica e cultural baiana.


UMA PADARIA E SEU PANFLETO COMUNISTA NA BAHIA DE 1950

Em 1950 a Bahia encontrava-se no roteiro da repressão ao comunismo, com o acidente que vitimou Lauro Freitas, assume governo o candidato Régis Pacheco, que iria liderar a perseguição aos vermelhos na Bahia. Em Salvador, no Bairro de Itapuã, uma padaria ostentava em seu platibanda cartazes comunistas. Construída em 1933, a casa foi adquirida pela família dos atuais proprietários em 1948, e encontra-se em plena atividade nos dias atuais.


   

Resistência marcou trajetórias de mulheres escravas do Recôncavo Baiano

Historiadora mostra como essas mulheres conseguiram sobreviver na fronteira entre escravidão e liberdade. 

Praça do Porto – destaque para o Prédio dos Arcos, s/d – Fonte: FALCÃO, Edgard de Cerqueira. Relíquias da Bahia. 1940, p. 498

Por Antonio Carlos Quinto - Editorias: Ciências Humanas
Virgínia conta que seu interesse pela pesquisa se deu quando ela participou do projeto Guia de Fontes do Recôncavo. Ela desenvolveu a atividade como docente da Universidade do Estado da Bahia, com monitores da graduação. “Foi aí que pude ter contato com uma rica documentação, como documentos manuscritos e fontes impressas”, lembra. Os documentos estavam armazenados em caixas e esquecidos em prédios públicos. “Hoje estão sob a guarda das cidades de Nazaré, Santo Antonio de Jesus, Aratuípe e Jaguaripe”, ressalta a historiadora, lembrando que “os papéis, que estavam armazenados em caixas pelos cantos de repartições públicas, foram lidos atentamente e com bastante cautela para que não fossemos induzidos ao discurso ‘homogeneizador’ das autoridades da época”.

Maria da Conceição

Em meio a personagens que surgiam durante suas pesquisas, uma delas chamou a atenção de Virgínia: Maria da Conceição. A pesquisadora deparou-se com um processo de ação de liberdade daquela mulher negra. Segundo a historiadora, os fragmentos deixados naquele documento foram o fio condutor que levou a muitas outras histórias que “guardavam informações que mereciam ser contadas”.

Africanas, crioulas, pardas ou cabras na condição de escravas, libertas e pobres livres foram as personagens que iam aparecendo naquela garimpagem; nas leituras das entrelinhas e fragmentos daqueles papeis. Virgínia também acessou documentos localizados no Arquivo Público do Estado da Bahia. Formou-se então um “corpo documental” composto de processos judiciais (crime e civil), registros eclesiásticos (batismos, óbitos e casamentos), registros notariais (testamentos, inventários, livros de notas do tabelião), além de jornais da época. “Os caminhos trilhados por essas pessoas, no pós-abolição, foram muitas vezes externados nas mensagens por elas deixadas em seus testamentos de últimas vontades, nos processos criminais e em apontamentos produzidos pelas autoridades da época.” Nos testamentos, constavam as lembranças de raras passagens daquelas vidas, diferente dos apontamentos produzidos pelas autoridades. “Encontramos uma visão mais aproximada sobre a vida que levaram e a determinação com que lutaram para alcançar a liberdade, a audácia e a astúcia em rearticular seus meios de sobrevivência, contatos sociais adquiridos no tempo da escravidão e outros que foram firmados já nos tempos de liberdade”, destaca Virgínia.
ACESSE NA ÍNTEGRA: 

POSTO DE SARGENTO MOR DAS ORDENANÇAS DA VILA NOVA DO PRÍNCIPE DE SANTA ANA DO CAETITÉ


Passe Patente ao Primeiro Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor.
Proposta. Bahia, 20 de Maio de 1811.
Próximo Passado em 24 de Maio de 1811.  

Inclusa achará Vossa Excelência a certidão da proposta a que se procedeu em Câmara para o Posto de Sargento Mor das Ordenanças desta Vila Nova do Príncipe de Santa Anna do Caetité, que foi desmembrada do território da Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio das Contas, que por isso o Terço da Ordenança dela ocupava todo o termo que hoje é desta Vila, em o qual existem quatro Capitães daquela ordenança, cada um deles em seus Distritos, e bem assim, mais dois Capitães de companhias de homens Pardos.
Na dita certidão vai declarada a qualidade dos prepostos para esse posto criado de novo. Eles são bem morigerados, revestidos de valor, capacidade, nobreza, desinteresse e cristandade, com o que tem adquirido o com conceito e geral estimação que deles fazem os povos deste continente.

E sendo da nossa intenção propor mais Capitães para a mesma Ordenança e contemplar os que eram da dita Vila do Rio das Contas, na forma que Vossa Excelência determinou na carta que sobre este objeto, e com data  de 13 de fevereiro do corrente ano dirigiu ao Capitão Mor, contudo, não foi possível por em execução, por que para Sargento Mor também vão propostos dos ditos Capitães; e no caso de não serem atendidos, viriam a ficar excluídos da companhia em que existem, se nós tivéssemos proposto outros em seus lugares.

Representamos a Vossa Excelência que as ditas quatro companhias são muito dilatadas na estação do terreno que ocupam, o que dificulta a pronta execução do serviço de sua Alteza Real; e a população no crescimento tem muita diferença do tempo que foram criadas.
Estas circunstâncias nos persuade que é necessário criar mais companhias dentro dos limites dessas que existem ainda em outros lugares que em outro tempo eram inabitados; e que da mesma forma se faz preciso criar-se mais companhias de homens pardos, porque há muita abundância deles, o que tudo poremos em execução se Vossa Excelência o mandar.

Deus Guarde a Vossa Excelência, Vila Nova do Príncipe em Câmara de 25 de Abril de 1811.
Deus Guarde Vossa Excelência, súbditos muito obedientes.
O Capitão Mor Bento Garcia Leal, Vereador José Antonio de Carvalho, Vereador  Antonio Angelo de Carvalho Cotrim, o Vereador Luiz de França Ferreira de Souza, o Procurador Manoel José da Silva Leão.



João Germano da Mata Escrivão da câmara nesta Vila Nova do Príncipe de Santa Anna do Caetité, e seu termo. Aos Senhores que a presente certidão virem certifico que a folhas cinquenta e três verso do Livro das Vereações que atualmente serve, se acha o termo de Vereação do teor seguinte: Aos vinte quatro dias do mês de Abril de mil oitocentos e onze anos, nesta Vila Nova do Príncipe de Santa Anna do Caetité, e casas de morada do Juiz ordinário Capitão Antonio Pinheiro Pinto, onde por falta de casa de Câmara se fazem as vereações, e sendo aí se ajuntaram o Capitão Mor das Ordenanças desta Vila Bento Garcia Leal, e os Vereadores, Capitão José Antonio de Carvalho, Tenente Antonio Angelo de Carvalho Cotrim, o Alferes Luiz de França Ferreira de Souza, e o Procurador Manoel José da Silva Leão, para fazerem a presente Vereação e nela proporem oficiais para a Ordenança de que para constar fiz este termo. João Germano da Mata Escrivão da Câmara que o escrevi. E logo pelo dito Capitão Mor foi apresentada a carta que o Excelentíssimo Senhor General desta Capitania lhe dirigiu com data de treze de Fevereiro do corrente ano em que autoriza a ele dito Capitão Mor, para na proposta que vem fazer contemplar os oficiais que eram da Ordenança do Rio das Contas, ainda que tenha Patentes confirmadas. 

Os ditos Vereadores todos concordes nomearam para o posto de Sargento Mor, em primeiro lugar a João Gomes Cardozo, que é Capitão da Ordenança da Vila do Rio das Contas, e desta Vila no tempo que era o Arraial do Caetité e pertencia o território à aquela Vila, e tem Patente de um Excelentíssimo General da Capitânia, cujo posto tem exercitado a mais de vinte e cinco anos, é natural desta Freguesia, casado, tem a necessária possibilidade para se tratar decentemente no posto de Sargento Mor; e é descendente das principais famílias desse continente.

O Procurador da Câmara e o Vereador Capitão José Antonio de Carvalho, em segundo lugar nomearam para o dito posto de Sargento Mor ao Capitão Francisco de Souza Lima, que tem Patente confirmada de Capitão de Milícias da Vila da Cachoeira, é morador no termo desta Vila, casado, natural da Europa e Reino de Portugal, e tem a necessária possibilidade para se tratar no dito posto. Os ditos Procurador e Vereador nomearam em terceiro lugar para o posto de Sargento Mor a Francisco de Souza Meira, que tem Patente confirmada do posto de Capitão das ordenanças da Vila do Rio das Contas, no lugar denominado Campo Seco, que era do termo daquela Vila, e hoje é do território desta Vila, é natural desta Vila, casado, e tem a necessária capacidade para se tratar no referido posto de Sargento Mor, e descendente das principais famílias deste continente. 

Os Vereadores Tenente Antonio Angelo de Carvalho Cotrim, e o Alferes Luiz de França Ferreira de Souza, nomearam em segundo lugar para o dito posto de Sargento Mor ao dito Capitão Francisco de Souza Meira, cujas qualidades ficam acima declaradas. Os ditos Vereadores em terceiro lugar, nomearam para o dito posto de Sargento Mor a Francisco de Brito Gondim, natural desta Vila, casado, procede das principais famílias deste continente, e tem a necessária possibilidade para se tratar no dito posto. E nesta forma houveram a presente proposta por finda, e declararam que não podiam propor homens para os postos de capitães, por que na que fica feita para Sargento Mor vão nomeados dois capitães existentes em seus distritos; e que além disso ocorre a circunstância de haver quatro companhias que todas eram da Ordenança da Vila do Rio das Contas, e que são muito dilatados, tanto nas suas extensões, como na população que tem tido muito crescimento; e que para haver mais pronta execução no que toca ao serviço de Sua Alteza Real é necessário dividi-las, e criar novos capitães, se assim o determinar o Excelentíssimo Senhor General a quem remetem a presente proposta por certidão e carta com a competente informação. 

E nesta forma houveram a Vereação por acabada de que para constar fiz este termo em que assinaram, João Germano da Mata Escrivão da Câmara Escrevi. O Capitão Mor Bento Garcia Leal, José Antonio de Carvalho, o Vereador Antonio Angelo de Carvalho Cotrim, o Vereador Luiz de França Ferreira de Souza. O Procurador Manoel José da Silva Leão. Não se continha mais no dito termo de vereação, que eu dito Escrivão aqui copiei bem e fielmente; e com ele a que me reporto, e outro oficial de banca comigo ao concerto abaixo assinado, esta certidão conferi, concertei, escrevi e assinei nesta dita Vila, aos vinte e quatro dias do mês de Abril de mil oitocentos e onze anos. João Germano da Mata Escrivão da Câmara que a escrevi. Concertada por mim Escrivão. João Germano da Mata. Também comigo Nicolau de Soiza Costa. Pagou 8º réis do selo, e fica em carga ao Tesoureiro Vila Nova do Príncipe, 25 de Abril de 1811. Pinheiro, Mata, Braga.    
FONTE: 
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção Colonial, Maço: 227