CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA - AGOSTO 2017



CRUZAR HISTÓRIAS: E-BOOK DAS OFICINAS LUSO-AFRO-BRASILEIRAS


A concretização das I Oficinas Luso-Afro-Brasileiras no Porto em outubro de 2016 constituiu a primeira iniciativa conjunta do Programa de Pós-graduação em História da Universidade do Estado da Bahia e o CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória) decorrente do protocolo de intercâmbio e parceria científica entre as duas instituições. Conforme está espelhado na cláusula segunda desse protocolo, o objetivo é o desenvolvimento de projetos conjuntos, tendo em vista a realização de pesquisas em campos específicos, o intercâmbio de estudantes e docentes, a candidatura a programas internacionais, a organização de seminários e outros eventos, a permuta de trabalhos e resultados científicos.

A afinação desta parceria levou-nos à identificação de temáticas científicas sobre as quais valia a pena investirmos, face à existência de investigadores que de um e outro lado do Atlântico sobre elas trabalhavam, quer para facilitar e realização de encontros temáticos onde fosse possível concretizar “pontos de situação” ou responder a problemas sobre os quais interessava trocar experiências. Foram assim identificados quatro temas em que irão centrar-se os encontros científicos anuais a realizar na Bahia e no Porto: História, Memória e Património luso-afro-brasileiros; História da Educação e Ensino da História; História e Cinema; Redes Comerciais Atlânticas.

Transformando o I Encontro num espaço aberto onde as várias temáticas pudessem ser abordadas, e neste aspeto diferente da estrutura monotemática que se pretende para os seguintes, procurou-se encontrar intervenientes que partilhassem alguns dos seus trabalhos ou perspectivas sobre as temáticas que tinham sido identificadas como aproximativas dos interesses científicos de ambas as partes.


A Educação Histórica é uma linha de investigação que tem focado a sua atenção nos princípios, fontes, tipologias e estratégias de aprendizagem em História, seguindo o pressuposto de que a qualidade das aprendizagens exige um conhecimento estruturado e sistemático das ideias dos alunos, por parte de quem ensina. Eu acrescentaria o interesse em conhecer as competências de literacia histórica dos professores para se compreender a forma como estes desenvolvem nos alunos um conjunto de competências de interpretação e compreensão do passado relevantes para a formação da consciência histórica.

Professor of African history elected to the British Academy



Posted on 21 Jul 2017

Professor Paulo Fernando de Moraes Farias, Honorary Professor at the University of Birmingham has been named among sixty-six of the world’s leading minds elected as Fellows of the British Academy yesterday, Thursday 20 July.
Fellows of the British Academy represent the very best of humanities and social sciences research, in the UK and globally. This year’s new Fellows are experts in subjects ranging from feminist theory to the economic development of Africa; medieval history to Indian philosophy and face perception.

As part of the Department of African Studies and Anthropology at the University of Birmingham, Professor Moraes Farias works on epigraphic sources for the medieval history of West Africa and has developed new approaches to West African oral traditions and the 17th-century Timbuktu Chronicles.

He is one of the rare historians in Britain whose range of interests includes the early pre-colonial history of Africa. His Arabic Medieval Inscriptions from the Republic of Mali (2003) was a finalist for the Herskovits Award (2004) and won the Paul Hair Prize (2005) conferred by the USA African Studies Association together with the Association for the Preservation and Publication of African Historical Sources.

Professor Moraes Farias said: “I am delighted by this honour. It reflects recognition of the importance of the historical study of Africa”.

The British Academy’s newest cohort of Fellows reflects the growing diversity of research in the UK. The 42 UK Fellows of the British Academy span a wide geographic range, elected from 23 institutions.

The proportion of women elected to the Fellowship has doubled in the last five years. This year, 38% of the new Fellows are women, exceeding the 24% share of female Professors in UK universities, according to HESA data.

Today also marks the start of Professor Sir David Cannadine’s four-year term as President of the British Academy, as he takes over from Lord (Nicholas) Stern of Brentford, who has held the post since 2013.

New President of the British Academy, Professor Sir David Cannadine: “As I take on the role of the thirtieth President of the British Academy, I am aware that I am the latest in a long line of succession, dating back to the Academy’s foundation in 1902.

“Then as now, the times in which we live present us with many challenges. Yet we also have great opportunities to engage with them.

“At a time when institutions are distrusted and derided, and expertise is mocked and scorned, the British Academy stands for truth, reason, evidence-based learning, intellectual distinction, academic expertise, and quality and power of mind. In a world where parochialism, nativism, nationalism, xenophobia and populism seem in too many places to be on the march, it is our job to provide light and learning and hope.

“This is by no means an easy task, but I am looking forward to it, and eager to be getting on with it.”

Notes to editors


The British Academy is the UK's national body for the humanities and social sciences – the study of peoples, cultures and societies, past, present and future. We have three principal roles: as an independent Fellowship of world-leading scholars and researchers; a Funding Body that supports new research, nationally and internationally; and a Forum for debate and engagement – a voice that champions the humanities and social sciences. For more information, please visit http://www.britishacademy.ac.uk/. Follow the British Academy on Twitter @britac_news.

JOÃO JOSÉ REIS RECEBE PRÊMIO MACHADO DE ASSIS

João José Reis, referência mundial no estudo da escravidão no Brasil - Guito Moreto / Agência O Globo. 

João José Reis: ‘Poder público e setor privado têm dívida com a escravidão’
Historiador baiano, que recebe hoje Prêmio Machado de Assis, considera ‘tímidas’ as iniciativas pela preservação da memória da herança africana.  

POR BOLÍVAR TORRES

RIO - Nesta tarde, a partir das 17h, o baiano João José Reis, referência mundial para o estudo da história da escravidão no século XIX, professor da Universidade Federal da Bahia e Doutor pela Universidade de Minnesota, recebe o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, uma das principais honrarias do país, em cerimônia no Salão Nobre do Petit Trianon. A recompensa ao autor de livros como “Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês” (Companhia das Letras) acontece em um momento especialmente turbulento nas discussões em torno da memória da escravidão.

Localizado na Zona Portuária e recém-reconhecido pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, o Cais do Valongo, cujas ruínas compõem os únicos vestígios materiais de desembarque de africanos escravizados nas Américas, chama a atenção pelo abandono e pela deterioração. Ao mesmo tempo em que os planos da construção de um museu da escravidão no local dividem ativistas, outro ícone da preservação da memória da região, o Instituto Pretos Novos, reclama da falta de recursos e ameaça fechar.

O historiador, que também é convidado da próxima Flip (participa no sábado, dia 29, às 12h, de uma mesa com a escritora Ana Miranda), conversou com O GLOBO por e-mail.

A história da escravidão é hoje um dos assuntos mais estudados da historiografia brasileira. Isso tem levado a um melhor entendimento das desigualdades contemporâneas?

Isso merecia uma pesquisa à parte. Não é somente a historiografia que tem tratado da escravidão com muita intensidade nos últimos anos. Além da produção acadêmica, e muitas vezes por ela informada, hoje se fala muito sobre o assunto, em filmes, minisséries, novelas etc. Isso deveria criar um elo positivo entre História e atualidade, resultando numa visão crítica e mesmo no declínio tanto do racismo episódico dos ataques pessoais quanto do racismo estrutural das desigualdades. Não vejo acontecer. Talvez seja preciso ainda mais informação, ao lado de mais políticas públicas, além das cotas raciais nas universidades e em setores do serviço público.

Houve alguma iniciativa pública positiva nos últimos anos?

Uma boa medida recentemente terminada pelo governo federal foi a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afro-brasileiras. Poderia ter se tornado um poderoso antídoto ao racismo, pelo esclarecimento de crianças e jovens em formação, e não apenas focando o passado escravista, mas no presente da discriminação. Nunca esse tipo de informação foi mais necessária, porque a internet e as redes sociais, pelo anonimato que possibilitam, incentivam os racistas de plantão a saírem do armário.

Recentemente, um restaurante chamado Senzala foi vandalizado por manifestantes em São Paulo. Como vê a utilização de palavras como “senzala” e “casa grande” para batizar restaurantes, condomínios e motéis pelo país?

Indica a desinformação que leva à naturalização do racismo através da manipulação de elementos da História. Os militantes negros e antirracistas estão certos em ver isso como um escárnio. Daqui a pouco teremos boate chamada tumbeiro, se é que isso já não existe. Se quem bota esses nomes em seus negócios não aprender do que se trata, é preciso ir à porta dos estabelecimentos protestar e perturbar a clientela, que também devia saber por onde anda. Isso também é método de educar.

O senhor defende a construção de um museu da escravidão no Pelourinho. A proposta de um museu semelhante no Rio vem sendo criticada. Muitos preferem um museu da herança africana, por exemplo...

Um museu da escravidão trataria da herança africana se for concebido sob inspiração da produção historiográfica recente. Os historiadores têm estudado aspectos essenciais da vida dos escravos com um olho na cultura trazida pelos africanos, no que diz respeito à família, a resistência cotidiana, a revolta e a formação de quilombos, a religiosidade etc. Por outro lado, um museu da herança africana terá que tratar de como os aportes culturais africanos se transformaram no Brasil escravista. Então não importa qual nome será dado a um museu que contemple, vamos dizer, a história do negro no Brasil em suas várias dimensões. Seu sucesso como instrumento de formação e transformação vai depender de como será concebido. Ultimamente penso mesmo que um museu da história afro-brasileira ou um museu da história do negro pudesse ser ainda mais interessante.

Algum outro museu poderia servir de referência?

O monumental museu recentemente inaugurado em Washington, nos EUA. Um museu dessa espécie no Brasil representaria superar a impressão de que a história do negro que interessa encerra com a escravidão e que a herança africana é a única forma cultural de expressão dos negros. Um museu dessa espécie seria uma oportunidade para esclarecer o visitante sobre as desigualdades raciais, a discriminação sutil e o racismo explícito, a repressão social e cultural no período pósabolição, e ao mesmo evidenciar a vida cotidiana dos trabalhadores negros e a formação de suas comunidades e manifestações culturais no campo e na cidade, suas organizações identitárias e políticas. Um museu que não represente o negro apenas como vítima, mas como pessoa inteira e complexa, que reage, luta, conquista espaços na sociedade. O Museu Afro Brasil em São Paulo, aliás, já faz muito disso.

Como vê o Cais do Valongo ser eleito Patrimônio da Humanidade pela Unesco ao mesmo tempo em que um dos poucos espaços dedicados à memória da escravidão no local, o Instituto Pretos Novos, corre o risco de fechar?

Conheço o Instituto dos Pretos Novos e o Cais do Valongo. Acho ambos tímidos para representar a magnitude do mal representado pelo tráfico de escravos, ainda mais considerando que o Rio foi o porto negreiro nas Américas onde mais desembarcaram cativos africanos. O reconhecimento do Valongo deveria servir de incentivo para a construção de algo mais significativo nos arredores, talvez o museu que antes discutimos. É uma dívida do poder público e mesmo do setor privado, pois muitas fortunas no Brasil devem sua origem ao dinheiro ganho com o tráfico e a escravidão. Aliás, essa é uma pesquisa específica a ser feita.

A escravidão no Brasil foi democrática, já que negros e pardos podiam ser donos de escravos. Uma de suas descobertas curiosas é que houve também escravos donos de escravos. Como isso era possível?

Embora existisse no meio rural, na Bahia, em Pernambuco (onde existem estudos específicos de outros pesquisadores), no Rio de Janeiro etc, o fenômeno era mais comum na cidade. Minha pesquisa por enquanto se limita a Salvador. Aqui, a posse de escravo por outro escravo estava ligada ao sistema de ganho, no qual o ganhador, ou a ganhadeira, saía às ruas em busca de trabalho remunerado e o resultado era dividido com o senhor, que naturalmente ficava com a maior parte. Muitos ganhavam o suficiente para poupar e, depois de alguns anos, usavam essa poupança para comprar bens, inclusive escravos, ou se alforriar; às vezes fazer as duas coisas. Acontecia amiúde o escravo usar seu escravo para comprar a alforria. O sistema funcionava como uma forma de controle senhorial, pois se o direito costumeiro permitia tais arranjos, caso o escravo saísse da linha o senhor podia a qualquer hora revindicar, segundo o direito positivo, tudo que pertencesse ao escravo. Ressalve-se, no entanto, que no conjunto da população escrava, a possibilidade a compra de um escravo ou da alforria não era generalizada. Na sua grande maioria os escravos morriam escravos sem escravos.

Hoje, mais de 60 % dos presos no Brasil são negros. A OAB chegou a comparar as prisões atuais com as senzalas, no sentido de que a política de encarceramento atual remete às condições vividas pelos negros na época da escravidão. Concorda com essa comparação?


Eu acho que, na média, as prisões brasileiras são piores do que foram, na média, as senzalas. Pense bem, os escravos eram propriedade, tinham valor monetário, precisavam ser preservados. Os presos pobres são descartáveis, essa é a impressão que fica. Não falo dos presos brancos de colarinho branco, que são alojados em celas especiais. Aliás, você conhece quantos pretos de colarinho branco presos? Tem algum nos cárceres da Lava Jato? Eis mais um índice, embora enviesado, da desigualdade racial no Brasil.

ACESSE A FONTE: O GLOBO 

Fechamento do Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro


Por Victor Luiz Alvares Oliveira

A história do Rio de Janeiro confunde-se com a história da Igreja Católica no Brasil. Os diversos registros de sacramentos como o batismo e o matrimônio que temos para o bispado do Rio de Janeiro desde o século XVII são fundamentais para se entender a história da liturgia romana ocidental em terras americanas assim como para a compreensão da sociedade fluminense no tempo. O Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro reúne documentos que percorrem um vasto período que vai do século XVII até o XX, nele a Igreja Católica não guarda somente a sua memória enquanto instituição, mas também a memória da sociedade brasileira. O seu acervo constituí um dos mais importantes conjuntos documentais do Rio de Janeiro e do Brasil, englobando registros paroquiais de batismo, matrimônio, óbitos e testamentos de pessoas livres e escravizadas; processos de banhos para casamentos, de divórcio e nulidade de matrimônios; visitas pastorais para diversas localidades da região sudeste do Brasil; documentação de irmandades e associações religiosas e entre outras que ainda servem aos pesquisadores, historiadores, genealogistas e demais interessados na história do Brasil como fonte principal de seus estudos. Com estes documentos foram e estão sendo elaborados vários estudos que vêm contribuindo para o melhor entendimento das relações familiares e de compadrio na sociedade, da escravidão e suas repercussões socioeconômicas na modelação da cidade do Rio de Janeiro e do seu antigo perímetro rural, da relação entre Igreja e Estado no Brasil e entre outros temas que resultam em inúmeros artigos, livros e eventos de discussão científica.
Cientes da importância ímpar deste acervo é com grande preocupação que toda a comunidade acadêmica, pesquisadores, genealogistas e interessados pela história do Brasil e da Igreja Católica em geral recebem a notícia do encerramento das atividades do arquivo e da demissão dos três profissionais que há anos vêm exercendo de forma exemplar a organização e o atendimento aos consulentes. Tendo em vista ainda o acordo firmando em 2008 entre a Santa Sé e o Governo da República Federativa do Brasil relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no país, onde se lê no artigo sexto e no parágrafo segundo deste o seguinte:
As Altas Partes reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico.   
§ 2º. A Igreja Católica, ciente do valor do seu patrimônio cultural, compromete-se a facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram conhecer e estudar, salvaguardadas as suas finalidades religiosas e as exigências de sua proteção e da tutela dos arquivos.

Casa Civil da Presidência da República. Decreto 7.107 de 11 de fevereiro de 2010 que promulga o acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, firmado na Cidade do Vaticano, em 13 de novembro de 2008. Subchefia para Assuntos Jurídicos, 2010. Visualizado em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7107.htm, acesso em 14 de jul de 2017.

Portanto, nós abaixo assinados, viemos por meio desta nota expressar nossa frustração com as medidas tomadas pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, pedindo que estas decisões sejam revertidas e o arquivo continue aberto ao público, tendo em vista que o seu fechamento implica em um grave prejuízo para o desenvolvimento da história do Rio de Janeiro e do Brasil.  

1 – Victor Luiz Alvares Oliveira, doutorando em História pelo PPGHIS – UFRJ

LANÇAMENTO: AFRICANOS LIVRES DE BEATRIZ G. MAMIGONIAN


A história integrada dos africanos trazidos após a proibição do tráfico e das mudanças sociais e políticas que incidiram sobre suas vidas.

Apresentação

Em 7 de novembro de 1831, foi promulgada a lei que proibia a importação de escravos para o país e punia todos os envolvidos na atividade. O avanço legal se devia, ao menos em parte, à pressão exercida pela Coroa britânica. Como se sabe, o Estado brasileiro acabou se mostrando conivente com o tráfico ilegal de africanos e a escravização de suas vítimas nos anos seguintes. Apesar de ter tido impacto importante no avanço do movimento abolicionista, a imposição sancionada seria, no fim das contas, "para inglês ver". Em Africanos livres, Beatriz G. Mamigonian toma a lei de 1831 como o eixo narrativo, ao qual se imbricam a análise da experiência dos ex-escravos, de sua administração pelo governo imperial e dos efeitos do contrabando. Baseado em pesquisa inédita, o livro avança até a campanha abolicionista na década de 1880, quando os militantes mais radicais forçavam o reconhecimento de todos os africanos ilegalmente escravizados como "africanos livres".

Ficha Técnica
Título original: AFRICANOS LIVRES
Capa: Victor Burton
Páginas: 608
Formato: 14.00 x 21.00 cm
Acabamento: Brochura
Lançamento: 31/07/2017
ISBN: 9788535929331

Selo: Companhia das Letras

Historiador baiano João José Reis vence o Prêmio Machado de Assis

Academia Brasileira de Letras anunciou o prêmio para o historiador, que é referência no estudo da escravidão do século 19, nesta quinta-feira, 29.

Foto: Arquivo CORREIO 

O historiador baiano João José Reis, considerado referência mundial para o estudo da História e da escravidão no século 19 no Brasil, é o vencedor do Prêmio Machado de Assis, concedido anualmente pela Academia Brasileira de Letras a um intelectual pelo conjunto da obra. Reis ganhou R$ 100 mil.

A entrega será feita no Salão Nobre do Petit Trianon, no dia 20 de julho, durante as comemorações pelos 12 anos da fundação da ABL.

Formado em História pela Universidade Católica de Salvador, João José Reis tem mestrado e doutorado pela Universidade de Minnesota e diversos pós-doutorados, que incluem a Universidade de Londres, o Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences, da Universidade de Stanford, e o National Humanities Center. Também foi professor visitante das seguintes universidades: Universidade de Michigan, Universidade Brandeis, Universidade de Princeton, Universidade do Texas e Universidade de Harvard.
ACESSE A FONTE: Correio 

Domingos Dias da Silva, o último contratador de Angola: a trajetória de um grande traficante de Lisboa

“Prespectiva da Cidade de S. Paulo de Loanda no Reino de Angola”, 1825
AHU, Iconografia Impressa
 
RESUMO:

O artigo analisa a trajetória de um grande traficante de escravos de Lisboa no terceiro quartel do século XVIII. Por meio de sua biografia, procura-se entender suas atividades no tráfico de escravos em Angola como capitão de navio e contratador e discutir a formação da fortuna de um negociante que tinha no comércio de pessoas uma de suas atividades principais. Além disso, pretendo discutir o papel do contrato real do direito sobre a exportação de escravos na organização do comércio de Luanda e as mudanças institucionais que ocorreram no período, contribuindo para compreender melhor os laços econômicos que conectavam Portugal, Angola e Brasil.
Palavras-chave: tráfico de escravos; Contrato de Angola; capitães de navio.

O ano 1765 parecia promissor para Domingos Dias da Silva. Depois de passar a década de 1750 em viagens entre Portugal, Angola e Brasil, onde acumulou grossos cabedais, finalmente ele poderia descansar um pouco das longas e perigosas travessias no Atlântico. Afinal, associado a mais dois homens de negócios da praça de Lisboa, Domingos havia adquirido junto à Coroa portuguesa o direito de cobrar os impostos sobre as exportações dos escravos em Luanda e em Benguela, o assim chamado “Contrato de Escravos de Angola”, o que lhe prometia ganhos chorudos e supostamente permitiria estabelecer-se confortavelmente em Lisboa para apenas administrar de longe a cobrança de impostos. Um ano depois, esse poderoso negociante poderia gozar da fama e fortuna adquiridas no ultramar: agraciado com um hábito de Cristo, era tido por pessoa nobre por seus vizinhos, deslocando-se pelas ruas da freguesia de Santos-o-Velho em carruagem própria.
ACESSE NA ÍNTEGRA: Revista Tempo 




Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia



Programação:

Segunda-feira, 03 de julho de 2017:
19h - Conferência de Abertura
Prof. Dr. Hendrik Kraay (University of Calgary/Canadá)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

Terça-feira, 04 de julho de 2017:
14h – Mesa-Redonda I: 2 de Julho: Permanências e atualidades
Prof. Dr. Jocelio Teles dos Santos (Universidade Federal da Bahia)
Prof. Dr. Wlamyra Ribeiro de Albuquerque (Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

19h - Mesa-Redonda II: Os caminhos da Independência: sujeitos e instituições
Prof. Dr. Igor Gomes (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia)
Prof. Ms. Moisés Amado Frutuoso (Doutorando – Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

Quarta-feira, 05 de julho de 2017:
8h – Rota Histórica da Independência por Salvador
Passeio guiado pelo Prof. Ms. Marcelo Siquara (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) pelos pontos históricos da cidade de Salvador relacionados à Guerra de Independência e as celebrações do Dois de Julho.
Saída da Biblioteca Central do Estado da Bahia (Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)
VAGAS LIMITADAS

14h – Mesa-Redonda III: Tensões e Conflitos
Prof. Ms. Marcelo Renato Siquara Silva (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) Prof. Ms. Lucas Faria Junqueira (Universidade Federal do Oeste Baiano)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

18h - Indicação de Atividade: Volta da Cabocla
Atividade que marca o encerramento oficial das celebrações do Dois de Julho, quando a Cabocla – símbolo da vitória -, é levada de volta do Largo do Campo Grande à Lapinha, onde repousará até o dois de julho do próximo ano.
Saída do Campo Grande (Praça Dois de Julho, Campo Grande, Salvador-Ba)

Quinta-feira, 06 de julho de 2017:
9h – Rota Histórica da Independência por Itaparica
Passeio guiado pelo Prof. Ms. Marcelo Siquara (Doutorando – Universidade Federal da Bahia) pelos pontos históricos da cidade de Itaparica relacionados à Guerra de Independência.
Saída da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior (Rua Ruy Barbosa, S/N, Centro, Itaparica/Ba)
VAGAS LIMITADAS

14h – Mesa-Redonda IV: Brasileiros Independentes, e agora? Reorganização social pós-conflitos de Independência
Profª. Msª. Elisa de Moura Ribeiro (Secretaria de Educação do Estado da Bahia)
Prof. Dr. Dilton Oliveira Araújo (Universidade Federal da Bahia)
Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)

19h - Conferência de Encerramento
Prof. Dr. Sérgio Guerra Filho (Universidade Federal do Recôncavo Baiano)

Sala Kátia Mattoso (Biblioteca Central do Estado da Bahia, Rua Gal. Labatut, 27, Barris, Salvador/Ba)


Equipe avaliará quais peças devem ser descartadas de acervo da Ufba


Foto Marina Silva/Correio 

Ainda não foi possível quantificar o enorme acervoda Biblioteca Gonçalo Moniz, fundada em 1832, na Faculdade de Medicina (Fameb)da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus. A maior parte de suas obras estão deterioradas e, por causa disso, é avaliado se é necessário fazer o descarte de algumas delas - as que já não tenham possibilidade de serem recuperadas. Segundo o diretor da Fameb, Luis Fernando Adan, uma equipe multidisciplinar será formada para fazer a avaliação das obras.
Foto Marina Silva/Correio 

“A gente tem o projeto de criar uma comissão de profissionais de diferentes saberes para poder avaliar as peças. Existem algumas coisas que são passíveis de descarte, mas precisam passar por avaliação”, explica o diretor.

A ideia é que esses pesquisadores de diferentes áreas possam indicar quais peças, que mesmo em estado ruim de conservação, ainda devem ser guardadas pela biblioteca e passem por um outro processo de recuperação.
Segundo a coordenadora da biblioteca, Ana Lúcia Albano, um projeto está sendo elaborado para garantir materiais de consumo e melhorar as condições de trabalho dos funcionários.

O projeto tem custo de R$ 200 mil, para bancar materiais como papel com PH neutro - o mais adequado para acondicionar as obras recuperadas.
Acesse matéria na íntegra: Correio 24 horas 

                 

PROJETO MEMÓRIAS DE LEITURA


A Fundação Pedro Calmon (FPC), através da Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), levou essa afirmativa ao pé da letra e criou o projeto Memórias de Leitura, com o objetivo de estimular a leitura. Quinze vídeos foram publicados, com pessoas falando sobre as suas primeiras experiências com a prática de ler. O resultado pode ser visto na programação da TV Educativa da Bahia (TVE-Bahia), nos sites e mídias sociais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e da própria FPC.


A fim de saber um pouco mais sobre o projeto e discutir o papel da escola nesse estímulo à leitura, a equipe do Blog do Professor Web e da Professora Online conversou com Mariângela Nogueira, 58 anos, diretora da DLL. Veja, no vídeo a seguir, o que ela disse:

Revista Brasileira de História n° 74. Contra os preconceitos. História e democracia.



Antonio Luigi Negro 

O livro Cidadania e Direitos do Trabalho, de Angela de Castro Gomes, começa pelo caso de uma operária que, grávida, compareceu à justiça do Trabalho em busca de seus direitos. Em réplica à sentença proferida, seu patrão atestou estar seguro de não ser “o pai da criança” e, por isso, ser livre para demiti-la (Gomes, 2002, p.8). Sua posição, além da prática do assédio, evidencia a recusa patronal diante do direito da classe trabalhadora a ter direitos perante seus empregadores.

ACESSE NA ÍNTEGRA: RevistaBrasileira de História

Encontro "Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões"


O Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL/UNEB) e o Grupo de Pesquisa Escravidão e Invenção da Liberdade (PPGH/UFBA) realizam a segunda etapa do Encontro "Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões", nos dias 6 a 8 de junho de 2017, no Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), cidade de Caetité (BA). As inscrições iniciam em 29/05, no site www.gruposertoes.uneb.br


A segunda etapa do Encontro “Escravidão na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões” objetiva reunir estudiosos da escravidão da Bahia e do Brasil para debater temas relacionados às lutas pela liberdade, formação de famílias de escravizados e de forros, e tratar das condições de vida de populações quilombolas/sertanejas do alto sertão da Bahia. Pretende promover debates temáticos por meio de mesas-redondas e rodas de conversa, que integram docentes e discentes de diversas partes da Bahia e do Rio de Janeiro com moradores de comunidades locais. A escravidão na Bahia será abordada tendo em vista as suas diversas regiões, hoje mais integradas por novos estudos desenvolvidos em diversos Programas de Pós-Graduação do Brasil e do exterior. A organização do evento contempla a necessidade de atualização de agendas de debates sobre a escravidão na Bahia, de modo a articulá-las à vida cotidiana de comunidades quilombolas reunidas no entorno do município de Caetité, especialmente entre moradores das comunidades do distrito de Maniaçú, e comunidades quilombolas do Rio das Rãs, Araçá-Cariacá, Tomé Nunes, Nova Batalhinha, Lagoa do Peixe, Quilombo Pau D'arco e Parateca, do Território Velho Chico.


           


NÃO QUEIMEM A NOSSA HISTÓRIA: QUEIMA DE ARQUIVO NÃO!


PL 146/2007 será votada em regime de urgência no Senado. A lei permitirá o descarte dos documentos públicos originais (em papel) impedindo sua futura autenticação. Confira abaixo as restrições dos especialistas e as implicações deletérias q a medida terá no futuro próximo. Ela significará, muito provavelmente, a perda da documentação pós-1950, que ainda não foi recolhida aos arquivos públicos (cf. Renato Venâncio)
Texto de Daniel Flores (via Renato Venancio e byebyepaper) ajuda a compreender os efeitos dessa proposta.


"Total irresponsabilidade. O projeto é AMADOR, tem crítica da unanimidade dos especialistas renomados em DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS DIGITAIS, não garante a Autenticidade. Basta ler o que é AUTENTICIDADE de Documentos Arquivísticos (Res. 37/Conarq e InterPARES). São 2 componentes, Identidade e Integridade. Este último componente, morre ao ter o original de produção eliminado, a Ciência que estuda a Autenticidade, a Diplomática preconiza estes elementos JURÍDICOS, estamos falando de DOCUMENTOS FONTE de PROVA, não só de Informação, de Acesso, estamos falando num Documento que MEXE, IMPUTA algo na vida das pessoas, do cidadão, do estado, CONFERINDO ou RETIRANDO DIREITOS. Digitalização não é Modernização, é VELHO, é ULTRAPASSADO. Modernizar é Produzir NATO DIGITAIS, e não dar a mensagem pra Sociedade de seguir produzindo ANALÓGICOS para depois DIGITALIZAR e BOTAR FORA o Original FONTE DE PROVA. Ainda, segundo o Código do Processo Civil, o CPC, o Cidadão quando arguir a Falsidade de um Documento Digitalizado Apresentado como PROVA, tem o direito de que a outra parte apresente o Original para sua Análise Forense. Imagem o que vai acontecer. Poderão haver apresentações de documentos APÓCRIFOS, haverá uma INSEGURANÇA JURÍDICA sem precedentes. Uma lástima a serviço da Falta de Leitura e de ouvir os ESPECIALISTAS, e principalmente, visando um LUCRO FÁCIL em Consultorias que devem ter pensado num Lobby Caro para Destruir o Patrimônio Documental Arquivístico e a AUTENTICIDADE destes Documentos."
ACESSE: QUEIMA DE ARQUIVO NÃO! 
OPINE: NÃO AO PLS 146! 

QUE FIM LEVOU A IGREJA DE GUADALUPE

Em 3 de Abril de 1850
Ilustríssimos e Excelentíssimos Senhores Deputados Assembleia Provincial
O Juiz e Mesários da Irmandade de Nossa Senhora do Guadalupe, conhecendo o grande mal que há, em deixar-se arruinar a Capela, que de certo terá esse fim, se senão acudir de pronto aos concertos de que necessita; e por outro lado, não podendo por si concorrer para suas despesas, se não com uma parte muito diminuta, em atenção a suas fracas forças, vem pedir a Vossas Excelências que à vista do orçamento e exame juntos, lhes concedam trinta Loterias pequenas, e segundo o plano que oferecem, ou outro que Vossas Excelências terem servidos dar, dispensando o Direito Provincial, a fim de com esses rendimentos, possam ir concertando a Igreja, que quando não fique inteiramente reparada, ao menos deixará de desabar, como está prestes, se não for acudido. Graça esta que esperam da Filantropia de Vossas Excelências. Assinaturas: Francisco das Chagas Solto, Tertuliano Cândido Rodrigues, José Antonio de Carvalho e Araújo, Simplicio da Silva Reis Jorge Gomes, Raimundo Victorio Pereira, João Nunes da Matta, Anselmo José da Cruz, José Antonio Xavier, José Joaquim Lucio Magalhães, André Lucio de Medeiros, Francisco de Abreu Faria, Francisco Bruno Pereira. Reconheço as assinaturas supra por verdadeiras. Bahia, 20 de Abril de 1850. Em testemunho de verdade. José Joaquim da Costa Amado.
Fonte: APEB, Seção Legislativa, Livro 983.

Ilustração de 1873 da Praça dos Veteranos, no sentido da Barroquinha. A rua, à esquerda, é um acesso à Ladeira da Palma. O casarão, ao centro, ainda existe. Era o antigo Largo de Guadalupe, devido à Igreja de Guadalupe, demolida em 1858. No centro vê-se o chafariz do Guadalupe, instalado no lugar da Igreja, por volta de 1860, e que fazia parte do Sistema do Queimado. 
Comunico a Vossa Excelência que, em virtude da ordem dessa Presidência por oficio de 16 de março último, ordena o recolhimento ao armazém por baixo da sala da casa da Câmara, em que funciona o Júri, dos materiais provenientes do desmancho da Igreja do Guadalupe; e que, principiando-se a recebe-los, tem-se reconhecido que, de envolta com alguns que podem ser aproveitados, há uma grande quantidade de objetos, e muitos, estragados, ou podres que estão à vista de todos, e que, só podendo servir para o fogo, tem de encher o armazém sem a menor utilidade. Parecendo, pois, mais conveniente que, mediante exame e orçamento de pessoa competente, se ponham em hasta pública tais objetos, recolhendo-se seu produto à caixa de cauções, Vossa Excelência tira-se de resolver a respeito como julgar mais acertado. Deus Guarde a Vossa Excelência. Tesouraria Provincial da Bahia, 8 de Junho de 1857. Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Presidente da Província. O Inspetor, José Joaquim de Mello Paulino.
Fonte: APEB, Seção de Arquivos Colonial/Provincial, Correspondência Recebida do Inspetor da Tesouraria da Bahia, Maço 4247.

Nesta ilustração, em carvão, do médico e artista plástico baiano Octavio Torres, de 1946, está representada a Ladeira da Praça, no século 19. Em frente ao solar, em primeiro plano, estão carregadores de cadeira, um meio de transporte comum, na época. Nesse solar funcionou a primeira sede da Academia de Letras da Bahia, fundada em 1917.  


      

PROFESSORES: REIVINDICAÇÕES OITOCENTISTAS


Em 23 de março de 1854.
As comissões de Instrução Pública, Justiça e Secretária da Fazenda.
Pedem aumento de ordenado.
Nós os Professores primários desta Província abaixo assinados, convencidos da paternal justiça, com que Vossa Excelência se dignam de atender as reclamações justas, vimos respeitosamente representar a Vossa Excelência que o ordenado que percebem não é correspondente ao nosso trabalho de natureza afanoso, não está de acordo com os aumentos que tem tido outras repartições, nem ao menos nos proporciona uma subsistência decente para nós e para nossas famílias. Os suplicantes, Excelentíssimos Senhores, não carecem recorrer nem ao relatório do Governo da Província, no qual vos recomendou que nos recompensásseis, nem no do Diretor dos Estudos, que com o mais próximo conhecedor de nossas precisões, doeu-se delas e mais de uma vez tem pedido que se nos aumentem os ordenados; basta, porém, recorrer ao senso comum de Vossa Excelência para mostrar que não é possível que nós, que outro meio de vida não temos, nem podemos ter, diariamente ocupados em nosso magistério, ou estejamos remoídos de nossos lares para exercer o magistério lá nessas terras remotas, internados no coração do deserto, longe dos pais, dos filhos, dos amigos e parentes, destituídos de recursos e de meios até de haver os nossos ordenados, lutando com as secas, com as fomes, as penúrias e toda a sorte de privações, ou estejamos na Capital, onde a mesma posição, a carestia dos gêneros, e todo o séquito das necessidades morais das cidades, e dos lugares cultos nos cingem de obrigações indeclináveis, a cujo cumprimento sucumbe a deficiência de nossos recursos, não podemos, Excelentíssimos Senhores, passar com o mesquinho ordenado que ora percebemos. Por tanto, se, como é certo, vale diante de Vossa Excelência o merecimento inerente a natureza de nosso mister, e a briosa perseverança com que havemos suportado nossas fadigas, pedimos a Vossa Excelência, que atendam aos educadores da mocidade, que não deixem fenecer nossos brios no desalento da penúria, que sustentem a nossa força moral constituindo-nos de uma posição decente, e que se não querem recompensar generosamente os serviços dos Professores, ao menos não nos derroguem a justiça que pedimos aumentando duzentos mil réis aos nosso atual ordenado.
Assim confiados os suplicantes em que Vossas Excelências, hoje constituídos no alto tribunal da Legislatura não olvidarão de que aos mestres primários devem os primeiros ensaios da razão, os primeiros desvelos da infância e o gênio de vossas inteligências. Pedimos e esperamos de Vossa Excelência um deferimento favorável e de justiça com o qual recebemos mercê.
José Maria da Fonseca, José Nicolau da Silva Pimentel, Bernardino José de Almeida Gouveia, José Martins de Lima e Mello, André Gomes de Britto, Ângelo Fernandes de Lima, Firmo José Alberto, João Gomes da Costa, Hemeterio Martinez de Jesus, José Antonio Pereira, Andrelina Francisca de Castro Rios, Candida Maria e Alvares dos Santos, Cora da Silva e Oliveira, Angelica Maria Gomes Coelho, Ramiro Antonio de Oliveira, Martiniano de Santa Anna, Joaquim Ignacio de Souza Mendes, Gustavo Cesario Moniz, Antonio Alvares da Silva, Antonio Theollindo de Moura Requião, Manoel Florencio do Nascimento, Francisco de Paula Marques de Oliveira, Antonio José de Souza Freire, Germano Firmino Lobato, Emilia Laura da Silva, Manoel Auxilio de Figueiredo, Antonio Luiz de Brito, Clodovio Pereira Rabello, José Lourenço Ferreira Cajaty, Joaquim Gilseno de Mesquita, Auta Themoclea Colonia, Maria Índia do Brasil Moraes, Florinda Laurentina de Barros Gonda, Philippe José Alberto Junior. Reconheço Assinaturas.                      

Fonte: APEB, Seção Legislativa, Livro 983.