CONFERÊNCIA INTERNACIONAL "DINHEIRO E PODER NA ERA DO TRÁFICO: ESCRAVIDÃO E OUTROS LAÇOS ECONÔMICOS ENTRE ÁFRICA E BRASIL"

Nos dias 15 a 17 de março de 2017, o Pavilhão de Aulas da Federação, em Ondina, será o local da conferência internacional "Dinheiro e poder na era do tráfico: escravidão e outros laços econômicos entre África e Brasil", organizada por este que vos fala, juntamente com dois grandes historiadores da África e da diáspora africana/escravidão (Toby Green [King's College London] e João José Reis [Universidade Federal da Bahia]) . A proposta do evento é discutir, como aparece no título, os debates atuais sobre as relações África-Brasil no período do tráfico transatlântico de escravos, no nível social e particularmente no âmbito das dinâmicas econômicas entre as duas margens do Atlântico. Serão abordados aspectos estruturais das relações entre as duas áreas do Atlântico, tanto de uma perspetiva macro quanto micro-histórica. Especialistas nacionais e internacionais como Luiz Felipe de Alencastro (LF de Alencastro), Mariana Candido (University of Notre Dame, USA), Paulo Farias (University of Birmingham), Jose Lingna Nafafe (University of Bristol, Reino Unido), José C. Curto (York University, Canada), Lisa Earl Castillo (Unicamp), Cândido Domingues (UNEB/UNL, Portugal), Mariza Soares (UFF), Jaime Rodrigues (UNIFESP), Joseph Miller (University of Virginia, USA), Luis Nicolau Parés (UFBA), Mary Hicks (Armhest College, USA), Carlos Cardoso (INEP, Guiné Bissau), Kristin Mann (Emory University, USA) estarão nas mesas ao longo dos três dias de evento. Segue abaixo a programação completa, com todos os horários. O evento é organizado pelo King's College London, do Reino Unido, juntamente com o Grupo de Pesquisa "Escravidão e Invenção da Liberdade", do Programa de Pós-Graduação em História da UFBA. Contamos com a presença dos interessados, acadêmicos e estudantes, daqui (da Bahia) e d'alhures.
Conferência internacional “Poder e dinheiro na era do tráfico: escravidão e outros laços econômicos entre África e Brasil”
15-17 de março de 2017, PAF I- Ondina, Universidade Federal da Bahia, Brasil
Organização: King's College London (departamento de História/Departamento de Português, Espanhol e Linguas Latinas); Universidade Federal da Bahia (Grupo de Pesquisa Escravidão e Invenção da Liberdade, PPGH-UFBA)
Organizadores: Toby Green (King’s College London, UK), Carlos Silva Jr. (King’s College London, UK), João José Reis (Universidade Federal da Bahia, Brasil)

PROGRAMAÇÃO:
Quarta feira, 18:30h – 21:00h
18:30h: Mesa de Abertura do evento.
19:00h: Conferência de abertura: Escravidão e tráfico na formação do Brasil
• Conferencista: Luiz Felipe de Alencastro (Université Paris-Sorbonne, France/ Fundação Getúlio Vargas, Brasil).
Chair:
Quinta feira, 9:30h – 21:00h
Abertura da sessão, 9:30h – 10:15h: Carlos Cardoso (INEP, Guiné Bissau): “Circulações e Intercessões no Atlântico: imaginando e construindo pontes entre a África Ocidental e o Brasil”.
Chair: Jose Lingna Nafafe (University of Bristol, UK).
10:30h – 12:30h: Painel I: Política, economia e sociedade na era do comércio atlântico de escravos
• José Curto (York University, Canadá): “Migração forçada e livre no Atlântico Sul: Benguela e Rio de Janeiro, c. 1700-1850”;
• Mariza Soares (Universidade Federal Fluminense, Brasil): “O comércio de escravos e mercadorias na costa do Loango no século XVII”;
• Jaime Rodrigues (Unifesp, Brasil): “‘Portugueses vassalos deste Reino Unido’: interesses lusos no tráfico de africanos para o Brasil, 1818-1828”.
12:30 – 14:30: Break/Lunch
14:30h - 16:00h: Painel II: Experiências atlânticas
• Paulo Farias (University of Birmingham, UK): “Expertise levada à África por retornados do Brasil: questões históricas a respeito da tecnologia açucareira no Califado de Sokoto a partir de 1829-1836”;
• José Lingna Nafafe (University of Bristol, UK): “Escravidão e liberdade no mundo atlântico lusófono: forças econômicas contra o discurso de Lourenço da Silva de Mendonça, século XVII”;
• Mariana Candido (University of Notre Dame, USA): “A circulação de mulheres africanas livres no Atlântico Meridional, Século XIX”.
Break
18:30h – 21:00h: Painel III: Biografias atlânticas
• Luis Nicolau Parés (Universidade Federal da Bahia, Brasil): “Africanos, libertos e comerciantes: uma comunidade mercantil atlântica na fronteira da legalidade (1835-1845)”;
• Candido Domingues (Universidade Nova de Lisboa, Portugal): “Investimentos e riscos de uma viagem negreira na rota Bahia-Costa da Mina: o caso da corveta Nossa Senhora da Esperança e São José, 1767”;
• Kristin Mann (Emory University, USA): “Foi Salvador uma sociedade escravista na era do comércio ilegal? Duas perspectivas familiares”.
Sexta feira, 9:30h – 17:30h
9:30h – 12:30h: Painel IV: Salvador e a economia atlântica na era da abolição
• João José Reis (Universidade Federal da Bahia, Brasil): “O tráfico negreiro e o escravo senhor de escravo: Bahia, 1800-1850”;
• Lisa Castillo (Universidade de Campinas, Brasil): “Conexões atlânticas no Candomblé da Bahia no século XIX”;
• Mary Hicks (Amherst College, USA): “Panos como línguas: panos de costa, marinheiros libertos e escravos, e quitandeiras africanas em Salvador da Bahia (1797-1850)”.
12:30-14:00: Break/Lunch
14:00h – 16:00h: Painel V: Crédito e dinheiro no tráfico atlântico
• Joseph C. Miller (University of Virginia, USA): Crédito, cativos, colateral, e moeda corrente: Dívida, escravidão, e o financiamento do mundo atlântico”;
• Carlos Silva Jr. (King’s College London), UK: "Da Índia para a África Ocidental via Bahia: búzios e a economia trans-oceanica na era do tráfico";
• Toby Green (King’s College London, UK): “Prata, cera, panos e trigo: economias de produção e trocas no mundo pan-atlântico antes de 1700”.
16:30h – 17:30h: Encerramento da conferência: Perspectivas para a história econômica e social da África e da diáspora africana.
Roundtable com Luiz Felipe de Alencastro, Kristin Mann, Joseph C. Miller, Mariza de Carvalho Soares, Carlos Cardoso.

Chair: Paulo de Moraes Farias.

LIBERDADE E CASTIGO


Liberdade do pardo Joaquim

Entre os bens de que sou senhor e legítimo possuidor, livre e desembargado é um escravo pardo de nome Joaquim, o qual com a condição de me servir e acompanhar, sujeitando-se aos castigos domésticos e ao que eu lhe mandar fazer, ainda em serviço de terceiras pessoas, como seja a meus filhos, cumprindo assim como é do meu gosto, depois da minha morte ficará gozando da sua liberdade desde então em diante como se de ventre livre nascesse, para que este título lhe fique servindo de sua carta de liberdade, pedi a meu Compadre e Genro que este por mim fizesse, e a meu rogo assinasse como testemunha. Cachoeira, 29 de novembro de 1828. Manoel Fernandes Pereira. Como testemunha que este fiz a rogo do Benfeitor. Fructuozo Gomes Machado, Luiz Fernandes Pereira. Ao Tabelião Amado. Bahia, 22 de fevereiro 1832. Simões. Nós abaixo assinados juramos e o fazemos em Juízo, se preciso for, em como a letra do passador é própria, sua assinatura por se comparecer com outras do mesmo Manoel Fernandes Pereira e por verdade vai por um de nós feito, e por ambos assinado. Bahia, 6 de outubro de 1835. Joaquim José de Santa Ana Gesteira, Antonio Pereira. Cajado. Reconheço as firmas de nós abaixo supra por verdadeiras. Bahia, 7 de outubro de 1835. Em testemunho de verdade estava o sinal público José Joaquim da Costa Amado. E trasladada própria; conferi, concertei, subscrevi e assinei na Bahia em 7 de outubro de 1835. Eu José Joaquim da Costa Amado, subscrevi.          

Fonte: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 257, p.40 

BUSCA DE INFORMAÇÕES ANTIGO GINÁSIO DOM MACEDO COSTA


Car@s, amigos, curiosos e colaboradores, um grande amigo e pesquisador baiano está em busca de informações sobre o antigo ginásio Dom Macedo Costa, hoje, Colégio Estadual Abílio César Borges, localizado na Avenida Luiz Tarquínio, nº 6, Bairro de Roma, Salvador, BA. Por favor, caso alguém possua imagens antigas da região ou mesmo do antigo casarão onde funcionou o ginásio, entrar em contato através do E-mail: pesquisando.historia@gmail.com 
Grato. 

MEMÓRIA E ARTE: RECUPERANDO O PASSADO E FAZENDO HISTÓRIA


Notícia Geral, de toda esta Capitania da Bahia, desde o seu descobrimento, até o presente ano de 1759 é uma obra baseada nos primeiros documentos da história brasileira e uma apresentação de grande número de documentos coligidos e oferecidos à luz, no ano de 1759, por José Antônio Caldas, um dos grandes vultos da engenharia colonial. O documento em questão descreve Salvador em meados do século XVIII como a “Potentisima Capitania da Bahia” através da descrição minuciosa dos três poderes: Eclesiástico, Civil e Militar.

Em função das características do documento trabalhado, e considerando a diversidade de públicos a que poderá interessar, optou-se por realizar uma edição de semidiplomática, na qual se conservam as principais características textuais do documento. As plantas e mapas que acompanham o documento foram inseridas na presente edição em facsímiles em grandes formatos.


Manuscritos do Antigo Recolhimento dos Humildes: documentos de uma história apresenta documentos referentes à fundação do Recolhimento dos Humildes (hoje Congregação de Nossa Senhora dos Humildes) no séc. XVIII, em Santo Amaro da Purificação. Reconhecendo a importância do acervo documental da instituição e a importância desta para a história do desenvolvimento da região, foi preparada uma edição semidiplomática de 104 documentos datados entre 1792 e 1940, todos manuscritos, originais e autógrafos, testemunhos únicos da história e fontes primárias que poderão subsidiar diversos estudos. Neles se podem ver doações feitas por importantes personalidades da região para criar o patrimônio do Recolhimento; querelas judiciais referentes ao patrimônio da instituição, documentos referentes à história pessoal de algumas recolhidas, documentação de trâmites da burocracia eclesiástica para fundação de casas religiosas dessa natureza, etc.
Os interessados em adquirir exemplares poderão solicitá-los através do e-mail memoriaearte@gmail.com  


IRMÃOS REBOUÇAS DÃO LIBERDADE A SUA ESCRAVA ANTONIA EM HOMENAGEM A LIBERTAÇÃO DA PÁTRIA


Carta de Liberdade da Cabra Antonia

Nós, Antonio, José, e Manoel Maurício Rebouças desejando darmos um testemunho verdadeiro do jubilo, que temos pela Restauração da nossa Pátria, e [comum] reunião da nossa Família, e persuadidos de que nenhum outro nosso parente que a restauração que de uma criatura a liberdade, que a Natureza lhe deve ter conferido de agora em diante libertamos e havemos por liberto a nossa cria Antonia cabrinha, que ficará em nossa companhia enquanto não tiver idade para se reger e ao depois ficará a sua escolha a acompanhar a um de nós. Bahia, 27 de Dezembro de 1833 = Antonio Pereira Rebouças, José Pereira Rebouças e Manoel Maurício Rebouças = Reconheço verdadeiras a Letra e firmas retro. Bahia, 25 de Janeiro de 1830, Em testemunho de verdade estava o sinal público. Antonio Lopes de Miranda. Ao Tabelião Miranda. Bahia, 25 de Janeiro de 1830. Simões. Fica Lançada a folhas 33 do Livro atual de Notas. Bahia, 25 de Janeiro 1830. Miranda. Está conforme confere subscrevi, concertei e assinei na Bahia, 11 de Maio de 1835. Eu Antonio Lopes de Miranda, Tabelião que a subscrevi.
Antonio Lopes de Miranda.    


FONTE: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 245, pp. 210v-211. 

8º Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional


Estão abertas as inscrições para o próximo 8º Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional. Ele ocorrerá dias 24, 25, 26 e 27 de maio de 2017 em Porto Alegre. Acesse a página e faça sua inscrição:

A inscrição de trabalhos terá duas modalidades:

Comunicação oral de resultados de pesquisa realizados, no mínimo, em nível de mestrado, estando o proponente cursando o segundo ano. Inscrição mediante envio de resumo ampliado (400 palavras) e de currículo resumido. O texto completo dos trabalhos selecionados deverá ser enviado trinta dias após o aceite da inscrição para inclusão no programa e circulação prévia. Apenas a entrega do texto garante a inscrição final sendo, portanto, obrigatória.

Apresentação de poster de resultados de pesquisa de IC ou graduação ou, ainda, projetos em andamento. Inscrição mediante envio de resumo ampliado (400 palavras) e de currículo resumido.

Inscrições para apresentação de trabalhos e de pôsteres através do envio de resumo e currículo. Acesse na pagina: sobre/submissões online.
Os conferencistas serão Jean Hébrard e Roquinaldo Ferreira. A programação completa do evento será divulgada posteriormente.

Cronograma:

Envio de propostas de comunicação ou Posters: até dia 20/01/2017
Divulgação dos trabalhos aceitos: 05/02/2017.
Envio dos textos completos e pagamento da taxa de inscrição pelos apresentadores de comunicação com trabalhos aceitos: até dia 05/03/2017
Pagamento da taxa de inscrição pelos apresentadores de banners que tiveram seus trabalhos aceitos: até dia 05/03/2017.

Inscrição de ouvintes: 24/04 a 24/05/2017 ou até que se esgotem as vagas.

Após 181 anos da Revolta dos Malês, Luiza Mahin será a primeira a ser julgada em júri popular


Resgate de direitos, releitura de histórias e reflexão sobre o presente. Depois de 181 anos da Revolta dos Malês, a Defensoria Pública do Estado da Bahia - DPE/BA lança a série Júri simulado - releitura do Direito na História, com a proposta de garantir o resgate dos direitos de personagens da história popular que, à época, não puderam exercer a prerrogativa de todo acusado: o contraditório e a ampla defesa efetiva. O primeiro evento terá como destaque Luiza Mahin, que será levada a júri popular, precedendo uma série de julgamentos de personagens históricos tanto para a Bahia e quanto para o Brasil. O júri acontecerá no auditório da Uneb, bairro do Cabula, Salvador, no dia 23 de novembro, às 8h30. Os jurados serão sorteados entre os presentes.

O Brasil, em especial o movimento negro brasileiro, sabe que Luiza Mahin - mãe do poeta e abolicionista Luiz Gama - conseguiu comprar a própria liberdade e lutou contra a escravidão. Se a história tradicional não conta detalhes da repressão sofrida por Luíza Mahin, a Defensoria Pública do Estado da Bahia - DPE/BA decidiu destacar a sua história e garantir a sua defesa. Através dos júris simulados, que começarão julgando Luíza Mahin por seu envolvimento na Revolta dos Malês, 18 décadas depois do levante dos escravos muçulmanos, a Defensoria Pública quer promover a educação em direitos, fazer uma releitura de histórias e estimular a reflexão sobre o Direito e a Democracia no presente.

O julgamento simulado de Luiza Mahin acontecerá três dias após o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), como parte das atividades desenvolvidas pela Defensoria em homenagem ao Novembro Negro. Na ocasião, defensores públicos irão representar os papéis do juiz (Maurício Saporito), da acusação (Soraia Ramos) e da defesa (Raul Palmeira). Já Luiza Mahin terá sua voz representada pela atriz Valdineia Soriano, do Bando de Teatro Olodum. Os jurados serão o povo baiano. Ao final do julgamento, palestra da educadora, militante do movimento negro e secretária de política para as mulheres, Olívia Santana, contextualizará a história de Luíza Mahin e da Revolta dos Malês.

A série Júri simulado - releitura do Direito na História é um projeto dos defensores públicos Rafson Ximenes - subdefensor público geral do Estado, Raul Palmeira - que durante muitos anos atuou no Júri, e Eva Rodrigues - subcoordenadora da Especializada de Direitos Humanos.
ACESSE: 
SERVIÇO
O QUE - Júri simulado - releitura do Direito na História, com Julgamento de Luíza Mahin pelo envolvimento na Revolta dos Malês.
QUANDO - 23 DE NOVEMBRO DE 2016 - 8h30
ONDE - Auditório da Uneb - Cabula
QUEM - DEFENSORIA PÚBLICA

O Brasil deveria mudar o modo como lida com a memória da escravidão?


João Fellet - @joaofellet
Da BBC Brasil em Washington (EUA)

Uma sala com peças de um navio que levava para o Brasil 500 mulheres, crianças e homens escravizados é a principal atração do novo museu sobre a história dos americanos negros, em Washington.
Numa segunda-feira de outubro, era preciso passar 15 minutos na fila para entrar na sala com objetos do São José - Paquete de África, no subsolo do Museu de História e Cultura Afroamericana.
Inaugurado em setembro pelo Smithsonian Institution, o museu custou o equivalente a R$ 1,7 bilhão se tornou o mais concorrido da capital americana: os ingressos estão esgotados até março de 2017.
Em 1794, o São José deixou a Ilha de Moçambique, no leste africano, carregado de pessoas que seriam vendidas como escravas em São Luís do Maranhão. A embarcação portuguesa naufragou na costa da África do Sul, e 223 cativos morreram.
Visitantes - em sua maioria negros americanos - caminhavam em silêncio pela sala que simula o porão de um navio negreiro, entre lastros de ferro do São José e algemas usadas em outras embarcações (um dos pares, com circunferência menor, era destinado a mulheres ou crianças).
"Tivemos 12 negros que se afogaram voluntariamente e outros que jejuaram até a morte, porque acreditam que quando morrem retornam a seu país e a seus amigos", diz o capitão de outro navio, em relato afixado na parede.

Prova de existência

Expor peças de um navio negreiro era uma obsessão do diretor do museu, Lonnie Bunch. Em entrevista ao The Washington Post, ele disse ter rodado o mundo atrás dos objetos, "a única prova tangível de que essas pessoas realmente existiram".
Destroços do São José foram descobertos em 1980, mas só entre 2010 e 2011 pesquisadores localizaram em Lisboa documentos que permitiram identificá-lo. Um acordo entre arqueólogos marinhos sul-africanos e o Smithsonian selou a vinda das peças para Washington.
Que o destino do São José fosse o Brasil não era coincidência, diz Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade de Paris Sorbonne e um dos maiores especialistas na história da escravidão transatlântica.
Ele afirma à BBC Brasil que fomos o paradeiro de 43% dos africanos escravizados enviados às Américas, enquanto os Estados Unidos acolheram apenas 0,5%.
Segundo um estudo da Universidade de Emory (EUA), ao longo da escravidão ingressaram nos portos brasileiros 4,8 milhões de africanos, a maior marca entre todos os países do hemisfério.
Esse contingente, oito vezes maior que o número de portugueses que entraram no Brasil até 1850, faz com que Alencastro costume dizer que o Brasil "não é um país de colonização europeia, mas africana e europeia".
O fluxo de africanos também explica porque o Brasil é o país com mais afrodescendentes fora da África (segundo o IBGE, 53% dos brasileiros se consideram pretos ou pardos).
Por que, então, o Brasil não tem museus ou monumentos sobre a escravidão comparáveis ao novo museu afroamericano de Washington?

Apartheid e pilhagem da África

Para Alencastro, é preciso considerar as diferenças nas formas como Brasil e EUA lidaram com a escravidão e seus desdobramentos.
Ele diz que, nos EUA, houve uma maior exploração de negros nascidos no país, o que acabaria resultando numa "forma radical de racismo legal, de apartheid".
Até a década de 1960, em partes do EUA, vigoravam leis que segregavam negros e brancos em espaços públicos, ônibus, banheiros e restaurantes. Até 1967, casamentos inter-raciais eram ilegais em alguns Estados americanos.
No Brasil, Alencastro diz que a escravidão "se concentrou muito mais na exploração dos africanos e na pilhagem da África", embora os brasileiros evitem assumir responsabilidade por esses processos.
Ele afirma que muitos no país culpam os portugueses pela escravidão, mas que brasileiros tiveram um papel central na expansão do tráfico de escravos no Atlântico.
Alencastro conta que o reino do Congo, no oeste da África, foi derrubado em 1665 em batalha ordenada pelo governo da então capitania da Paraíba.
"O pelotão de frente das tropas era formado por mulatos pernambucanos que foram barbarizar na África e derrubar um reino independente", ele diz.
Vizinha ao Congo, Angola também foi invadida por milicianos do Brasil e passou vários anos sob o domínio de brasileiros, que a tornaram o principal ponto de partida de escravos destinados ao país.
"Essas histórias são muito ocultadas e não aparecem no Brasil", ele afirma.

Reparações históricas

Para a brasileira Ana Lucia Araújo, professora da Howard University, em Washington, "o Brasil ainda está muito atrás dos EUA" na forma como trata a história da escravidão.
"Aqui (nos EUA) se reconhece que o dinheiro feito nas costas dos escravos ajudou a construir o país, enquanto, no Brasil, há uma negação disso", ela diz.
Autora de vários estudos sobre a escravidão nas Américas, Araújo afirma que até a ditadura (1964-1985) era forte no Brasil a "ideologia da democracia racial", segundo a qual brancos e negros conviviam harmonicamente no país.
São recentes no Brasil políticas para atenuar os efeitos da escravidão, como cotas para negros em universidades públicas e a demarcação de territórios quilombolas.
Ela diz que ainda poucos museus no Brasil abordam a escravidão, "e, quando o fazem, se referem à população afrobrasileira de maneira negativa, inferiorizante".
Segundo a professora, um dos poucos espaços a celebrar a cultura e a história afrobrasileira é o Museu Afro Brasil, em São Paulo, mas a instituição deve sua existência principalmente à iniciativa pessoal de seu fundador, o artista plástico Emanoel Araújo.
E só nos últimos anos o Rio de Janeiro passou a discutir o que fazer com o Cais do Valongo, maior porto receptor de escravos do mundo. Mantido por voluntários por vários anos, o local se tornou neste ano candidato ao posto de Patrimônio da Humanidade na Unesco.
Para a professora, museus e monumentos sobre a escravidão "não melhoram as vidas das pessoas, mas promovem um tipo de reparação simbólica ao fazer com que a história dessas populações seja reconhecida no espaço público".

Visibilidade e representação

Para o jornalista e pesquisador moçambicano Rogério Ba-Senga, a escravidão e outros pontos da história entre Brasil a África têm pouca visibilidade no país, porque "no Brasil os brancos ainda têm o monopólio da representação social dos negros".
"Há muitos negros pensando e pesquisando a cultura negra no Brasil, mas o centro decisório ainda é branco", diz Ba-Senga, que mora em São Paulo desde 2003.
Para ele, o cenário mudará quando negros forem mais numerosos na mídia brasileira - "para que ponham esses assuntos em pauta" - e nos órgãos públicos.
Para Alencastro, mesmo que o Estado brasileiro evite tratar da escravidão, o tema virá à tona por iniciativa de outros grupos.
"Nações africanas que foram pilhadas se tornaram independentes. Há nesses países pessoas estudando o tema e uma imigração potencialmente crescente de africanos para o Brasil", ele diz.
Em outra frente, o professor afirma que movimentos brasileiros em periferias e grupos quilombolas pressionam para que os assuntos ganhem espaço.

"Há hoje uma desconexão entre a academia e o debate no movimento popular, mas logo, logo tudo vai se juntar, até porque a maioria da população brasileira é afrodescentente. Os negros são maioria aqui."
ACESSE: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37771180 

PRISÃO DE CYPRIANO JOSÉ BARATA DE ALMEIDA




















Pública forma de Cypriano José Barata de Almeida

Pública forma, Petição. Diz o Cidadão Cypriano José Barata de Almeida por seu bastante Procurador Antonio Lopes Benevides, que para bem de sua justiça e defesa, precisa que Vossa Senhoria lhe ateste os quesitos seguintes: Primeiro = Se a prisão do Suplicante feita pelo ex-Comandante das Armas Visconde de Pirajá foi a requisição de Vossa Senhoria ou a seu arbítrio, Segundo = Se Vossa Senhoria lhe pediu socorro Militar para executar esta prisão, ou se a ignorava, 3º Se quando Vossa Senhoria chegou a casa do Suplicante, ela já se achava cercada, 4º Onde se achava Vossa Senhoria quando soube deste procedimento, e quem o avisou, se foi algum Oficial do seu distrito, ou o mesmo Comandante das Armas. E como o Suplicante conheça que Vossa Senhoria não lhe deva negar a mencionada atestação; por isso que hei pedida para defesa de um Cidadão caluniado. Pede a Vossa Senhoria se digne atestar o que menciona. E receberá mercê. Como Procurador Antonio Lopes Benevides. Atestada = Lazaro José Jambeiro, Juiz de Paz da Freguesia de Santo Antonio Além do Carmo. Atesto, quanto ao primeiro quesito do Suplicante retro, que a prisão do Suplicante não foi a requisição minha, nem dela tive a menor ciência anterior ao valor dela. Quanto ao segundo, que como a ignorasse, nem me fosse ordenada, não podia pedir socorro Militar para a executar. Quanto ao 3º que quando cheguei a casa da morada do Suplicante achei a Rua e frente a Tropa postada, e alguns paisanas armados. Quanto ao quarto, que estando na casa da minha residência, sita ao Largo da Soledade, seriam cinco horas da manhã do dia 28 de Abril do corrente ano, fui acordado por pessoa de minha família dizendo-me, que um indivíduo a cavalo batera a porta exigindo que lhe falasse; e chegando eu a janela conheço ser José Pedro de Alcântara, Escriturário da Junta da Fazenda, o qual disse-me que o Comandante das Armas Visconde de Pirajá me avisava, que tendo de fazer uma diligência na mesma Freguesia, cumpria que eu comparecesse na Cruz do Pascoal, e perguntando-lhe que diligência era, respondeu-me que não sabia; principiando a vestir-me para sair, ouvi pronunciar na Rua o meu nome, e chegando de frente a janela, conheci ser o mesmo Visconde, que acompanhado do dito José Pedro, e perguntando-lhe o que queria, e convidando-o que subisse, disse que o acompanha-se para presenciar uma diligência que ele faria em minha Freguesia, sem, contudo, dizer-me qual era, e só vi que tinha Tropa no meu distrito acompanhei-o até o Barbalho, lugar em que me declarou então ter vindo para persuadir ao Suplicante, que se retirasse para bordo de alguma Embarcação de Guerra; e como nesse lugar visse ajuntamento de Tropa, e paisanos, respondi-lhe, que em virtude do Código [...] conhecer daquele ajuntamento, com a Bandeira do meu cargo, e meu Escrivão, sem o que nada podia obrar; e que portanto eu a ia buscar, e passando para esse fim pela Rua do Pascoal vi a frente da casa do Suplicante com Tropa, como já mencionei, e chegando a Fortaleza de Santo Antonio, que serve de Casa de Correção, e onde faço audiência, tomei a Bandeira, voltando com ela achei o mesmo Comandante das Armas já na casa do Suplicante onde subi e presenciei que o Comandante das Armas lhe declarava, que convinha, ele se retirasse para bordo de alguma Embarcação de Guerra, o que convinha para sua segurança, dizendo eu ao Comandante que fizesse retirar a Tropa e paisana, e ele me respondeu que o faria; e logo que o Suplicante saiu e o acompanhou tornando eu a repetir, que retirasse a Tropa ele Comandante a mandou tirar, oferecendo-me então ao Suplicante para o acompanhar como seu amigo, ele aceitou, e me deu o seu braço, e assim me acompanhou até a Baixa dos Sapateiros, onde o Suplicante tomou uma Cadeirinha, e nós o seguimos até o Arsenal onde embarcamos para bordo da Curveta = Defensora = E como seja pura verdade o que acabo de expender, não posso deixar de o atestar logo que me foi pedido. Bahia, 7 de Julho de 1831. Lazaro José Jambeiro. Reconhecimento = Reconheço a firma supra. Bahia, 11 de Julho de 1831. Em testemunho de verdade estava o sinal público. Manoel de Góes Tourinho = Verba do Selo = Nº 9448. Pagou 80 réis do selo. Bahia 11 de Julho de 1831 = Andrade, Ribeiro, Índia e Mina. O Doutor Joaquim José da Silva e Azevedo Cavaleiro da Ordem de Cristo e Imperial do Cruzeiro do Desembargo de Sua Majestade Imperial, I e C, seu Desembargador e Ouvidor Geral do Cível da Relação da Bahia Juiz de Índia e Mina Fronteira. Faço saber, que me constou por fé do Escrivão que esta subscreveu, ser o sinal público retro do próprio Tabelião, o que hei por justificado. Bahia, 11 de Julho de 1831. Eu Francisco Jorge Monteiro, Escrivão a subscrevi, Joaquim José da Silva e Azevedo, o qual instrumento eu Tabelião abaixo assinado, bem e fielmente, sem coisa que dúvida faça, fiz passar em pública forma do meu oficio com os teores da própria, petição, atestação, reconhecimento, selo, e Índia e Mina que tudo assim me foi apresentado e que reconheço por verdadeiro, e de como entreguei a quem me apresentou, abaixo assinou, e com outro Oficial de Justiça companheiro comigo ao concerto abaixo assinado esta conferi, concertei, subscrevi e assinei nesta Leal e Valorosa Cidade de São Salvador Bahia de Todos os Santos aos doze dias do mês de Julho do corrente ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1831. Pagou-se desta contada na forma do Regimento a forma e quantia a margem. Eu José Joaquim da Costa Amado a subscrevi. Estava o sinal público em testemunho de verdade. Concertada por mim Tabelião José Joaquim da Costa Amado. Com o mesmo Escrivão Verissimo Ferreira da Silva. Recebi o original. Antonio Lopes Benevides. Certifico que tem 4 folhas para o selo. Bahia, 12 de Julho de 1831. Amado = Nº 9679. Pagou 160 réis do Selo. Bahia, 18 de Julho de 1831. Simões. E trasladada da própria pública forma que me foi apresentada e que reconheço verdadeira, conferi, concertei, subscrevi e assinei na Bahia, 19 de Julho de 1831. Eu José Joaquim da Costa Amado a subscrevi.
Fonte: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 236, páginas 186v a 187v. 
Veja também: 

         

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O Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) / Fundação Pedro Calmon (FPC) disponibiliza, por meio de acesso online, a consulta aos fundos documentais custodiados, descritos e organizados em conformidade com as normas de descrição arquivística internacionais (ISAD(G), ISAAR(CPF), ISDF e ISDIAH) e nacional (Nobrade).

O AtoM, acrônimo de “Acesso à Memória”, é um software de fonte aberta, gratuito, criado por iniciativa do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), e recomendado pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Visa disponibilizar e promover o intercâmbio na web de acervos de entidades custodiadoras em âmbito nacional e internacional.

Concebido a partir de uma estrutura multilíngue, isto é, os elementos de interface e o conteúdo da base de dados podem ser traduzidos para vários idiomas. Também, multinível, porque, o AtoM possibilita a pesquisa do geral ao particular nos fundos documentais sob custódia, articulando diferentes níveis de descrição e destinado a intensificar o intercâmbio de informações, em ambiente web, entre instituições arquivísticas nacionais e internacionais. As normas de descrição arquivística objetivam estruturar a informação a partir de elementos de descrição comuns.

O APEB/FPC e o Núcleo de Tecnologia da Informação/FPC, em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), preparou o ambiente tecnológico necessário à concepção do AtoM no âmbito da FPC. Esta versão utilizada se constitui a 2.3.0.

As descrições dos documentos que integram os fundos e coleções cadastrados no AtoM do APEB/FPC encontram-se em conformidade com a Nobrade, aprovada pelo Conarq. A Nobrade considera 06 (seis) níveis de descrição, a saber: acervo da entidade custodiadora (nível 0); fundo ou coleção (nível 1); seção (nível 2); série (nível 3); dossiê ou processo (nível 4) e item documental (nível 5). Como a definição dos níveis se dá a partir de uma estrutura hierárquica, deve-se entender o item documental como um nível e não como um documento.


O primeiro nível atua como Guia de Fundos, apresenta uma visão panorâmica do acervo e fornece informações gerais sobre os fundos tais como: título, nome e história de seu(s) produtor(es), datas-limite, dimensões, gêneros documentais, conteúdo dos documentos, sistema de organização e condições de acesso.

NO MAR E EM TERRA: HISTÓRIA E CULTURA DE TRABALHADORES ESCRAVOS E LIVRES

Resumo

Este livro conecta histórias de escravos e homens livres à vida material e à cultura profissional experimentada no mar e em terra firme, entre os séculos XV e XX. O enfoque é o mundo do trabalho, a condição dos trabalhadores e a agência deles. Entre outros assuntos, são analisados aqui: o ritual de passagem do equador e suas transformações ao longo do tempo; os problemas relativos à alimentação e à saúde dos marinheiros; a atuação de escravos e libertos como trabalhadores do mar e as perspectivas de liberdade de marinheiros escravos navegando entre os domínios portugueses; as discussões sobre a liberdade no parlamento brasileiro e em um ambiente fabril a partir das petições de escravos; as primeiras discussões sobre o uso da mão de obra de indígenas como substitutos de escravos africanos; e as conexões entre os discursos médicos do século XIX e o racismo (re)construído continuamente até o século XXI. Entre as fontes, destacam-se os debates parlamentares, documentação administrativa do período colonial e imperial brasileiro, narrativas de viajantes, crônicas coloniais, matrículas de marinheiros, dicionários de marinha e processos judiciais envolvendo os homens do mar.

Arquivo Público do Estado celebra Dia do Arquivista

São 126 anos de Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB/FPC), resguardando a memória do estado desde 16 de janeiro de 1890. Atributo essencial à soberania de um Estado, o Arquivo Público se apresenta como uma “instituição imprescritível e inalienável”, pois custodia parte significativa da memória nacional, é patrimônio documental da Bahia, sendo também um dos mais importantes do Brasil. No dia 20 de outubro, arquivistas de todo o país celebram o Dia do Arquivista, que será registrado com atividades que tem o APEB como parceiro.

No dia 25 (terça-feira), a partir das 13h, será realizado evento comemorativo no Auditório Arquivo Público do Estado da Bahia (Baixa de Quintas), em parceria com a Universidade Federal da Bahia, por meio do curso de Arquivologia, a Associação dos Arquivistas da Bahia (AABA) e a Editora da UFBA. Às 14h, a atividade contará com a palestra “Arquivologia e tecnologias em enfoque”, que será ministrada pelos convidados: Gillian Queiroga (“Novas perspectivas para a Arquivologia do século XXI”), Aurora Freixo (“Gestão de documentos arquivísticos digitais: aspectos técnicos e legais”) e Ricardo Sodré (“Inovação e apropriação de tecnologias em gestão e representação arquivística: mobile, mídias sociais e fronteiras permeáveis”).

Às 16h, será abordado o tema 
“Arquivística contemporânea: perspectivas e desafios profissionais”, com Fabrício Vasconcelos (“Perspectiva e experiência em consultoria documental no mercado baiano”), Ana Cláudia Cupertino (“Assistência técnica aos Arquivos Públicos Municipais”), Eduardo Motta Witzel e Ulle Viviane Barbosa Xavier (“Relatos sobre a construção da TTD-atividade fim do APEB”). No evento também terá atração musical e sorteio de livros.
Nova tecnologia de gestão

Na ocasião, também será lançado o software ICA AtoM, que passará a ser utilizado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia para gestão de seu acervo arquivístico documental de valor permanente. O software propicia o auxílio nesta atividade, especialmente no que se refere à descrição arquivística, com o objetivo de facilitar o acesso e rapidez ao conteúdo digital. O uso da nova tecnologia evitará o manuseio dos documentos originais, uma vez que produz instrumentos digitais de pesquisas, disponibilizados em sistemas que geram informações de forma estruturada e dinâmica.

APEB na História e Hoje

Criado pelo reconhecimento da necessidade de haver uma organização dos documentos da Bahia e ofertar uma possibilidade do seu acesso aos cidadãos, o Arquivo Público reúne documentos textuais, manuscritos e impressos, produzidos no período Colonial, Monárquico e Republicano. Por ter sido capital do país e ainda estar estrategicamente bem localizada, foram tramitados por Salvador diversos documentos oficiais da Coroa Portuguesa. Alguns se perderem completa ou parcialmente, enquanto outros continuam conservados até hoje, formando um vasto acervo. Situado em uma construção secular, erguida pelos jesuítas no século XVI, o Arquivo Público sofreu restauração emergencial de parte de sua estrutura em 2014. Com renovados telhado, forro e o assoalho, o APEB garantiu melhor preservação dos documentos e estrutura para realização de ações de formação, como seminários, palestras. A reforma continua em 2017, quando serão investidos mais recursos para recuperação de outros espaços.

Segundo a diretora do Arquivo, Teresa Matos, é possível afirmar que o crescimento do APEB resultou da intensificação do recolhimento e da aquisição de acervos documentais. “Estudiosos consideram que a história de todo Arquivo se confunde com o lento processo de formação e sedimentação do seu acervo”, complementou. O Arquivo passou a acolher, também, a arte contemporânea como forma de ampliar a difusão dos arquivos e abrangê-lo a um público diverso, além de criar uma maior visibilidade. “Os arquivos passaram a assegurar a capacidade não apenas de provar, de testemunhar e de informar, mas, também, de emocionar, pois eles têm a capacidade de rememorar as coisas esquecidas, tornando-as presentes ao espírito”, explica Teresa.

Serviços gratuitos


O APEB apresenta um conjunto de serviços que tem o objetivo de apoiar as decisões governamentais de caráter político-administrativo, o cidadão na defesa de seus direitos e à produção científica e cultural. São oferecidos atendimentos presenciais, com as salas de Consulta de Manuscrito e Impressos, Consulta de Microfilmes e Biblioteca Francisco Vicente Vianna e a Biblioteca Francisco Vicente Vianna, o Atendimento à Distância, Emissão de Certidões, Visitas Guiadas e Assistência Técnica. O Arquivo Público fica localizado em Salvador na Ladeira de Quintas, número 50, na Baixa de Quintas.
FONTE: 

VOCABULARIES AND NOTES BASED ON MATERIAL FROM ENSLAVED AFRICAN-BRAZILIANS


About the Project
The United States Exploring Expedition, led by Lt. Charles Wilkes, was a scientific expedition that circumnavigated the globe from 1838 to 1842, making observations and collecting specimens that formed the historical nucleus of Smithsonian collections. Expedition members collected many things that suggest the level of global exchange already taking place, but nothing that speaks so poignantly to the darkest side of that exchange - the trade in human lives that brought Africans to Brazil. Transcribe Horatio Hale's handwritten notes on West and Central African vocabulary and facial scarification that he collected from enslaved Africans in Brazil during the expedition.


Horatio Hale served as philologist and ethnologist for United States Exploring Expedition. While in Rio de Janeiro, Hale interviewed "natives of Africa" and obtained notes on more than a dozen languages. He also made drawings of facial scarification marks (cicatrixes) and indicated the particular places associated with each type of mark.

ENCONTRO SOBRE A HISTÓRIA DE MORRO DO CHAPÉU - BA


A Comissão Organizadora do Encontro convida V.Sª para participar do Encontro sobre pinturas rupestres, colonização, personalidades, pecuária, estrada Real e a proposta de Geoparque em Morro do Chapéu

Dia 24 de outubro/2016, segunda-feira, 8h30 às 12h e das 14h às 18h

No Museu Geológico da Bahia, Av. Sete de Setembro, 2195 Corredor da Vitória Salvador


Contato:  ljcfigueiredo@uol.com.br

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA - EDITORIAL



EDITORIAL 

Antonio Luigi Negro 

Universidade Federal da Bahia (UFBA). 
Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.br

Assim como a Anpuh, a Revista Brasileira de História (RBH) apoia a rejeição da escola sem partido. Os motivos são simples e remetem à nossa História.

Em seu livro Machado de Assis, Historiador, Sidney Chalhoub analisa a ideologia senhorial da escravatura detendo-se na personagem de Estácio, criada pelo brilhante escritor negro. Herdeiro de seu pai morto, cabe a Estácio cumprir a vontade patriarcal expressa em testamento. Operando com a hegemonia cultural de homens livres brancos - proprietários membros de boas famílias, em geral donos de escravos e escravas -, Estácio é incapaz de relativizar valores e perceber diferenças. Toda diferença perante sua vontade senhorial é, pois, entendida como provocação, desobediência, indisciplina, desvio, doença ou rebeldia. Ao repicar o bordão "minha família, minhas regras", a escola sem partido vem, em nome de sábios homens brancos, afirmar a primazia do particular, do doméstico, o domínio do arbítrio privado, onde abuso e violência campeiam impunes e soltos, dada sua proximidade com a prática do estupro, da agressão, da mentira e da tortura. Em nome da defesa de sua cultura - que lhes é específica mas afirmam ser válida para todos -, põem em risco a igualdade da cidadania, difícil e histórica conquista numa sociedade, como a nossa, de desigualdades duráveis, desigualdades seculares.

Por sua vez, em O Estado Novo, Maria Celina Soares D'Araujo disseca o motivo pelo qual é autoritária uma proposta que afirma o apolítico - o apartidário - como adequado. Desdenhando a sociedade civil (vista como praça de desentendimentos, de diferenças aberrantes, de confusão permanente), o Estado Novo, ao decretar um Brasil sem partido como solução para o bem-estar e o desenvolvimento, recorreu à força para suprimir outras formas de pensar e agir. O fim da diversidade foi a extinção da política, da sociedade civil. A lei e a mordaça, a perseguição e a polícia calaram - prenderam e arrebentaram - a pluralidade social. Congregando a egrégia escola da família com Deus pela liberdade e a propriedade (vide editorial de O Globo em favor do término do ensino público superior gratuito), projeta-se uma efetiva ameaça à igualdade e à democracia. Tanto a sinopse quanto a trama do filme são notórias e sinistras.

A RBH é um periódico de acesso livre domiciliado na SciELO e no DOAJ. Aberta a autorias e às leituras as mais variadas, não postula uma História contada a partir de uma versão consagradora do Estado nacional, por ser a cidadania quem constitui a pátria (e não o contrário).

Montado a partir da publicação avançada de artigos, este número 72 veio a lume gradativamente. Ao ser fechado, sua pauta tem nove artigos e três resenhas. Quatro artigos compõem o dossiê "Perspectivas recentes da História Medieval no Brasil", organizado por Marcelo Cândido da Silva e Néri de Barros Almeida (vide sua Apresentação).
O "Crime da miscigenação", de Luciana Brito, discute como o caso brasileiro foi apropriado pela elite branca estadunidense, interessada, no pós-abolição, em dar vida durável a ideologias de supremacia branca e segregação racial. Não por acaso, o Brasil vira exemplo de atraso e degeneração, o que aviva as políticas segregacionistas nos Estados Unidos.

No artigo sobre a política externa equatoriana durante a Guerra do Pacífico (1879-1884), Claudio Figueroa analisa o papel de reivindicações territoriais no conflito, as quais declaravam defender o interesse nacional. O autor mostra como o Equador, que não foi um país beligerante, buscou redefinir sua fronteira com o Peru.

Com "Sou escravo de oficiais da Marinha", álvaro Nascimento situa a Revolta da Chibata no contexto do pós-abolição. O autor descreve os problemas enfrentados pela marujada, mormente negra (enquanto o oficialato era branco), nas décadas seguintes a 1888, detendo-se na insurgência contra castigos corporais que, em 1910, eram usados em nome do disciplinamento.

No seu esboço biográfico sobre "Miranda", codinome de Antônio Bonfim, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro de 1934 a 1936, Raimundo Moreira, com base em pesquisa de fontes inéditas, discute sua trajetória e formação como militante e sugere uma reavaliação de sua biografia.

Em "Sou ainda uma Brazilianist" Barbara Weinstein questiona essa categoria. Nos anos 1970, o termo "brasilianista" rotulou o estrangeiro que estudava o Brasil. Nascido no contexto da Guerra Fria e do nosso regime militar, invocava uma figura com orientação política específica. Mudanças no mundo acadêmico, lá ou aqui, complicam esse indicador de "lugar" de quem faz pesquisa.

Nas três resenhas deste número, está mais uma vez indiciado o fato de não ser a RBH uma revista paroquial. Uma autora atua na Inglaterra, um livro resenhado foi publicado fora do Brasil e outro resulta de uma tradução. Isso significa circulação e comunicação através de fronteiras estabelecidas. Lamentavelmente, até onde a vista alcança, nada disso é levado em conta quando se faz uma avaliação. Mantém-se aqui o pioneirismo do número 69, que publicou simultaneamente em português e inglês todos os seus artigos. Não são todos os periódicos que fazem isso. Também vale a pena notar que três autorias de artigos atuam fora do Brasil.

A RBH agradece a quem se envolveu com seu labor e engenho, voluntário, gratuito, ou não. Pablo Serrano e Deivison Amaral concorreram positivamente como assistentes editoriais, com entusiasmo e afinco diários. Armando Olivetti, Eoin O'Neill, Flavio Peralta e Roberta 

Accurso prestaram serviços profissionais de grande qualidade.

Deplora-se a queda, via golpe, da presidenta Dilma Rousseff.


Gravam-se aqui penhorados agradecimentos ao Programa de Pós-Graduação em História, Cultura e Práticas Sociais da Universidade do Estado da Bahia (PPGHCPS-UNEB), e também ao CNPq.