IRMÃOS REBOUÇAS DÃO LIBERDADE A SUA ESCRAVA ANTONIA EM HOMENAGEM A LIBERTAÇÃO DA PÁTRIA


Carta de Liberdade da Cabra Antonia

Nós, Antonio, José, e Manoel Maurício Rebouças desejando darmos um testemunho verdadeiro do jubilo, que temos pela Restauração da nossa Pátria, e [comum] reunião da nossa Família, e persuadidos de que nenhum outro nosso parente que a restauração que de uma criatura a liberdade, que a Natureza lhe deve ter conferido de agora em diante libertamos e havemos por liberto a nossa cria Antonia cabrinha, que ficará em nossa companhia enquanto não tiver idade para se reger e ao depois ficará a sua escolha a acompanhar a um de nós. Bahia, 27 de Dezembro de 1833 = Antonio Pereira Rebouças, José Pereira Rebouças e Manoel Maurício Rebouças = Reconheço verdadeiras a Letra e firmas retro. Bahia, 25 de Janeiro de 1830, Em testemunho de verdade estava o sinal público. Antonio Lopes de Miranda. Ao Tabelião Miranda. Bahia, 25 de Janeiro de 1830. Simões. Fica Lançada a folhas 33 do Livro atual de Notas. Bahia, 25 de Janeiro 1830. Miranda. Está conforme confere subscrevi, concertei e assinei na Bahia, 11 de Maio de 1835. Eu Antonio Lopes de Miranda, Tabelião que a subscrevi.
Antonio Lopes de Miranda.    


FONTE: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 245, pp. 210v-211. 

8º Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional


Estão abertas as inscrições para o próximo 8º Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional. Ele ocorrerá dias 24, 25, 26 e 27 de maio de 2017 em Porto Alegre. Acesse a página e faça sua inscrição:

A inscrição de trabalhos terá duas modalidades:

Comunicação oral de resultados de pesquisa realizados, no mínimo, em nível de mestrado, estando o proponente cursando o segundo ano. Inscrição mediante envio de resumo ampliado (400 palavras) e de currículo resumido. O texto completo dos trabalhos selecionados deverá ser enviado trinta dias após o aceite da inscrição para inclusão no programa e circulação prévia. Apenas a entrega do texto garante a inscrição final sendo, portanto, obrigatória.

Apresentação de poster de resultados de pesquisa de IC ou graduação ou, ainda, projetos em andamento. Inscrição mediante envio de resumo ampliado (400 palavras) e de currículo resumido.

Inscrições para apresentação de trabalhos e de pôsteres através do envio de resumo e currículo. Acesse na pagina: sobre/submissões online.
Os conferencistas serão Jean Hébrard e Roquinaldo Ferreira. A programação completa do evento será divulgada posteriormente.

Cronograma:

Envio de propostas de comunicação ou Posters: até dia 20/01/2017
Divulgação dos trabalhos aceitos: 05/02/2017.
Envio dos textos completos e pagamento da taxa de inscrição pelos apresentadores de comunicação com trabalhos aceitos: até dia 05/03/2017
Pagamento da taxa de inscrição pelos apresentadores de banners que tiveram seus trabalhos aceitos: até dia 05/03/2017.

Inscrição de ouvintes: 24/04 a 24/05/2017 ou até que se esgotem as vagas.

Após 181 anos da Revolta dos Malês, Luiza Mahin será a primeira a ser julgada em júri popular


Resgate de direitos, releitura de histórias e reflexão sobre o presente. Depois de 181 anos da Revolta dos Malês, a Defensoria Pública do Estado da Bahia - DPE/BA lança a série Júri simulado - releitura do Direito na História, com a proposta de garantir o resgate dos direitos de personagens da história popular que, à época, não puderam exercer a prerrogativa de todo acusado: o contraditório e a ampla defesa efetiva. O primeiro evento terá como destaque Luiza Mahin, que será levada a júri popular, precedendo uma série de julgamentos de personagens históricos tanto para a Bahia e quanto para o Brasil. O júri acontecerá no auditório da Uneb, bairro do Cabula, Salvador, no dia 23 de novembro, às 8h30. Os jurados serão sorteados entre os presentes.

O Brasil, em especial o movimento negro brasileiro, sabe que Luiza Mahin - mãe do poeta e abolicionista Luiz Gama - conseguiu comprar a própria liberdade e lutou contra a escravidão. Se a história tradicional não conta detalhes da repressão sofrida por Luíza Mahin, a Defensoria Pública do Estado da Bahia - DPE/BA decidiu destacar a sua história e garantir a sua defesa. Através dos júris simulados, que começarão julgando Luíza Mahin por seu envolvimento na Revolta dos Malês, 18 décadas depois do levante dos escravos muçulmanos, a Defensoria Pública quer promover a educação em direitos, fazer uma releitura de histórias e estimular a reflexão sobre o Direito e a Democracia no presente.

O julgamento simulado de Luiza Mahin acontecerá três dias após o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), como parte das atividades desenvolvidas pela Defensoria em homenagem ao Novembro Negro. Na ocasião, defensores públicos irão representar os papéis do juiz (Maurício Saporito), da acusação (Soraia Ramos) e da defesa (Raul Palmeira). Já Luiza Mahin terá sua voz representada pela atriz Valdineia Soriano, do Bando de Teatro Olodum. Os jurados serão o povo baiano. Ao final do julgamento, palestra da educadora, militante do movimento negro e secretária de política para as mulheres, Olívia Santana, contextualizará a história de Luíza Mahin e da Revolta dos Malês.

A série Júri simulado - releitura do Direito na História é um projeto dos defensores públicos Rafson Ximenes - subdefensor público geral do Estado, Raul Palmeira - que durante muitos anos atuou no Júri, e Eva Rodrigues - subcoordenadora da Especializada de Direitos Humanos.
ACESSE: 
SERVIÇO
O QUE - Júri simulado - releitura do Direito na História, com Julgamento de Luíza Mahin pelo envolvimento na Revolta dos Malês.
QUANDO - 23 DE NOVEMBRO DE 2016 - 8h30
ONDE - Auditório da Uneb - Cabula
QUEM - DEFENSORIA PÚBLICA

O Brasil deveria mudar o modo como lida com a memória da escravidão?


João Fellet - @joaofellet
Da BBC Brasil em Washington (EUA)

Uma sala com peças de um navio que levava para o Brasil 500 mulheres, crianças e homens escravizados é a principal atração do novo museu sobre a história dos americanos negros, em Washington.
Numa segunda-feira de outubro, era preciso passar 15 minutos na fila para entrar na sala com objetos do São José - Paquete de África, no subsolo do Museu de História e Cultura Afroamericana.
Inaugurado em setembro pelo Smithsonian Institution, o museu custou o equivalente a R$ 1,7 bilhão se tornou o mais concorrido da capital americana: os ingressos estão esgotados até março de 2017.
Em 1794, o São José deixou a Ilha de Moçambique, no leste africano, carregado de pessoas que seriam vendidas como escravas em São Luís do Maranhão. A embarcação portuguesa naufragou na costa da África do Sul, e 223 cativos morreram.
Visitantes - em sua maioria negros americanos - caminhavam em silêncio pela sala que simula o porão de um navio negreiro, entre lastros de ferro do São José e algemas usadas em outras embarcações (um dos pares, com circunferência menor, era destinado a mulheres ou crianças).
"Tivemos 12 negros que se afogaram voluntariamente e outros que jejuaram até a morte, porque acreditam que quando morrem retornam a seu país e a seus amigos", diz o capitão de outro navio, em relato afixado na parede.

Prova de existência

Expor peças de um navio negreiro era uma obsessão do diretor do museu, Lonnie Bunch. Em entrevista ao The Washington Post, ele disse ter rodado o mundo atrás dos objetos, "a única prova tangível de que essas pessoas realmente existiram".
Destroços do São José foram descobertos em 1980, mas só entre 2010 e 2011 pesquisadores localizaram em Lisboa documentos que permitiram identificá-lo. Um acordo entre arqueólogos marinhos sul-africanos e o Smithsonian selou a vinda das peças para Washington.
Que o destino do São José fosse o Brasil não era coincidência, diz Luiz Felipe de Alencastro, professor emérito da Universidade de Paris Sorbonne e um dos maiores especialistas na história da escravidão transatlântica.
Ele afirma à BBC Brasil que fomos o paradeiro de 43% dos africanos escravizados enviados às Américas, enquanto os Estados Unidos acolheram apenas 0,5%.
Segundo um estudo da Universidade de Emory (EUA), ao longo da escravidão ingressaram nos portos brasileiros 4,8 milhões de africanos, a maior marca entre todos os países do hemisfério.
Esse contingente, oito vezes maior que o número de portugueses que entraram no Brasil até 1850, faz com que Alencastro costume dizer que o Brasil "não é um país de colonização europeia, mas africana e europeia".
O fluxo de africanos também explica porque o Brasil é o país com mais afrodescendentes fora da África (segundo o IBGE, 53% dos brasileiros se consideram pretos ou pardos).
Por que, então, o Brasil não tem museus ou monumentos sobre a escravidão comparáveis ao novo museu afroamericano de Washington?

Apartheid e pilhagem da África

Para Alencastro, é preciso considerar as diferenças nas formas como Brasil e EUA lidaram com a escravidão e seus desdobramentos.
Ele diz que, nos EUA, houve uma maior exploração de negros nascidos no país, o que acabaria resultando numa "forma radical de racismo legal, de apartheid".
Até a década de 1960, em partes do EUA, vigoravam leis que segregavam negros e brancos em espaços públicos, ônibus, banheiros e restaurantes. Até 1967, casamentos inter-raciais eram ilegais em alguns Estados americanos.
No Brasil, Alencastro diz que a escravidão "se concentrou muito mais na exploração dos africanos e na pilhagem da África", embora os brasileiros evitem assumir responsabilidade por esses processos.
Ele afirma que muitos no país culpam os portugueses pela escravidão, mas que brasileiros tiveram um papel central na expansão do tráfico de escravos no Atlântico.
Alencastro conta que o reino do Congo, no oeste da África, foi derrubado em 1665 em batalha ordenada pelo governo da então capitania da Paraíba.
"O pelotão de frente das tropas era formado por mulatos pernambucanos que foram barbarizar na África e derrubar um reino independente", ele diz.
Vizinha ao Congo, Angola também foi invadida por milicianos do Brasil e passou vários anos sob o domínio de brasileiros, que a tornaram o principal ponto de partida de escravos destinados ao país.
"Essas histórias são muito ocultadas e não aparecem no Brasil", ele afirma.

Reparações históricas

Para a brasileira Ana Lucia Araújo, professora da Howard University, em Washington, "o Brasil ainda está muito atrás dos EUA" na forma como trata a história da escravidão.
"Aqui (nos EUA) se reconhece que o dinheiro feito nas costas dos escravos ajudou a construir o país, enquanto, no Brasil, há uma negação disso", ela diz.
Autora de vários estudos sobre a escravidão nas Américas, Araújo afirma que até a ditadura (1964-1985) era forte no Brasil a "ideologia da democracia racial", segundo a qual brancos e negros conviviam harmonicamente no país.
São recentes no Brasil políticas para atenuar os efeitos da escravidão, como cotas para negros em universidades públicas e a demarcação de territórios quilombolas.
Ela diz que ainda poucos museus no Brasil abordam a escravidão, "e, quando o fazem, se referem à população afrobrasileira de maneira negativa, inferiorizante".
Segundo a professora, um dos poucos espaços a celebrar a cultura e a história afrobrasileira é o Museu Afro Brasil, em São Paulo, mas a instituição deve sua existência principalmente à iniciativa pessoal de seu fundador, o artista plástico Emanoel Araújo.
E só nos últimos anos o Rio de Janeiro passou a discutir o que fazer com o Cais do Valongo, maior porto receptor de escravos do mundo. Mantido por voluntários por vários anos, o local se tornou neste ano candidato ao posto de Patrimônio da Humanidade na Unesco.
Para a professora, museus e monumentos sobre a escravidão "não melhoram as vidas das pessoas, mas promovem um tipo de reparação simbólica ao fazer com que a história dessas populações seja reconhecida no espaço público".

Visibilidade e representação

Para o jornalista e pesquisador moçambicano Rogério Ba-Senga, a escravidão e outros pontos da história entre Brasil a África têm pouca visibilidade no país, porque "no Brasil os brancos ainda têm o monopólio da representação social dos negros".
"Há muitos negros pensando e pesquisando a cultura negra no Brasil, mas o centro decisório ainda é branco", diz Ba-Senga, que mora em São Paulo desde 2003.
Para ele, o cenário mudará quando negros forem mais numerosos na mídia brasileira - "para que ponham esses assuntos em pauta" - e nos órgãos públicos.
Para Alencastro, mesmo que o Estado brasileiro evite tratar da escravidão, o tema virá à tona por iniciativa de outros grupos.
"Nações africanas que foram pilhadas se tornaram independentes. Há nesses países pessoas estudando o tema e uma imigração potencialmente crescente de africanos para o Brasil", ele diz.
Em outra frente, o professor afirma que movimentos brasileiros em periferias e grupos quilombolas pressionam para que os assuntos ganhem espaço.

"Há hoje uma desconexão entre a academia e o debate no movimento popular, mas logo, logo tudo vai se juntar, até porque a maioria da população brasileira é afrodescentente. Os negros são maioria aqui."
ACESSE: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37771180 

PRISÃO DE CYPRIANO JOSÉ BARATA DE ALMEIDA




















Pública forma de Cypriano José Barata de Almeida

Pública forma, Petição. Diz o Cidadão Cypriano José Barata de Almeida por seu bastante Procurador Antonio Lopes Benevides, que para bem de sua justiça e defesa, precisa que Vossa Senhoria lhe ateste os quesitos seguintes: Primeiro = Se a prisão do Suplicante feita pelo ex-Comandante das Armas Visconde de Pirajá foi a requisição de Vossa Senhoria ou a seu arbítrio, Segundo = Se Vossa Senhoria lhe pediu socorro Militar para executar esta prisão, ou se a ignorava, 3º Se quando Vossa Senhoria chegou a casa do Suplicante, ela já se achava cercada, 4º Onde se achava Vossa Senhoria quando soube deste procedimento, e quem o avisou, se foi algum Oficial do seu distrito, ou o mesmo Comandante das Armas. E como o Suplicante conheça que Vossa Senhoria não lhe deva negar a mencionada atestação; por isso que hei pedida para defesa de um Cidadão caluniado. Pede a Vossa Senhoria se digne atestar o que menciona. E receberá mercê. Como Procurador Antonio Lopes Benevides. Atestada = Lazaro José Jambeiro, Juiz de Paz da Freguesia de Santo Antonio Além do Carmo. Atesto, quanto ao primeiro quesito do Suplicante retro, que a prisão do Suplicante não foi a requisição minha, nem dela tive a menor ciência anterior ao valor dela. Quanto ao segundo, que como a ignorasse, nem me fosse ordenada, não podia pedir socorro Militar para a executar. Quanto ao 3º que quando cheguei a casa da morada do Suplicante achei a Rua e frente a Tropa postada, e alguns paisanas armados. Quanto ao quarto, que estando na casa da minha residência, sita ao Largo da Soledade, seriam cinco horas da manhã do dia 28 de Abril do corrente ano, fui acordado por pessoa de minha família dizendo-me, que um indivíduo a cavalo batera a porta exigindo que lhe falasse; e chegando eu a janela conheço ser José Pedro de Alcântara, Escriturário da Junta da Fazenda, o qual disse-me que o Comandante das Armas Visconde de Pirajá me avisava, que tendo de fazer uma diligência na mesma Freguesia, cumpria que eu comparecesse na Cruz do Pascoal, e perguntando-lhe que diligência era, respondeu-me que não sabia; principiando a vestir-me para sair, ouvi pronunciar na Rua o meu nome, e chegando de frente a janela, conheci ser o mesmo Visconde, que acompanhado do dito José Pedro, e perguntando-lhe o que queria, e convidando-o que subisse, disse que o acompanha-se para presenciar uma diligência que ele faria em minha Freguesia, sem, contudo, dizer-me qual era, e só vi que tinha Tropa no meu distrito acompanhei-o até o Barbalho, lugar em que me declarou então ter vindo para persuadir ao Suplicante, que se retirasse para bordo de alguma Embarcação de Guerra; e como nesse lugar visse ajuntamento de Tropa, e paisanos, respondi-lhe, que em virtude do Código [...] conhecer daquele ajuntamento, com a Bandeira do meu cargo, e meu Escrivão, sem o que nada podia obrar; e que portanto eu a ia buscar, e passando para esse fim pela Rua do Pascoal vi a frente da casa do Suplicante com Tropa, como já mencionei, e chegando a Fortaleza de Santo Antonio, que serve de Casa de Correção, e onde faço audiência, tomei a Bandeira, voltando com ela achei o mesmo Comandante das Armas já na casa do Suplicante onde subi e presenciei que o Comandante das Armas lhe declarava, que convinha, ele se retirasse para bordo de alguma Embarcação de Guerra, o que convinha para sua segurança, dizendo eu ao Comandante que fizesse retirar a Tropa e paisana, e ele me respondeu que o faria; e logo que o Suplicante saiu e o acompanhou tornando eu a repetir, que retirasse a Tropa ele Comandante a mandou tirar, oferecendo-me então ao Suplicante para o acompanhar como seu amigo, ele aceitou, e me deu o seu braço, e assim me acompanhou até a Baixa dos Sapateiros, onde o Suplicante tomou uma Cadeirinha, e nós o seguimos até o Arsenal onde embarcamos para bordo da Curveta = Defensora = E como seja pura verdade o que acabo de expender, não posso deixar de o atestar logo que me foi pedido. Bahia, 7 de Julho de 1831. Lazaro José Jambeiro. Reconhecimento = Reconheço a firma supra. Bahia, 11 de Julho de 1831. Em testemunho de verdade estava o sinal público. Manoel de Góes Tourinho = Verba do Selo = Nº 9448. Pagou 80 réis do selo. Bahia 11 de Julho de 1831 = Andrade, Ribeiro, Índia e Mina. O Doutor Joaquim José da Silva e Azevedo Cavaleiro da Ordem de Cristo e Imperial do Cruzeiro do Desembargo de Sua Majestade Imperial, I e C, seu Desembargador e Ouvidor Geral do Cível da Relação da Bahia Juiz de Índia e Mina Fronteira. Faço saber, que me constou por fé do Escrivão que esta subscreveu, ser o sinal público retro do próprio Tabelião, o que hei por justificado. Bahia, 11 de Julho de 1831. Eu Francisco Jorge Monteiro, Escrivão a subscrevi, Joaquim José da Silva e Azevedo, o qual instrumento eu Tabelião abaixo assinado, bem e fielmente, sem coisa que dúvida faça, fiz passar em pública forma do meu oficio com os teores da própria, petição, atestação, reconhecimento, selo, e Índia e Mina que tudo assim me foi apresentado e que reconheço por verdadeiro, e de como entreguei a quem me apresentou, abaixo assinou, e com outro Oficial de Justiça companheiro comigo ao concerto abaixo assinado esta conferi, concertei, subscrevi e assinei nesta Leal e Valorosa Cidade de São Salvador Bahia de Todos os Santos aos doze dias do mês de Julho do corrente ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1831. Pagou-se desta contada na forma do Regimento a forma e quantia a margem. Eu José Joaquim da Costa Amado a subscrevi. Estava o sinal público em testemunho de verdade. Concertada por mim Tabelião José Joaquim da Costa Amado. Com o mesmo Escrivão Verissimo Ferreira da Silva. Recebi o original. Antonio Lopes Benevides. Certifico que tem 4 folhas para o selo. Bahia, 12 de Julho de 1831. Amado = Nº 9679. Pagou 160 réis do Selo. Bahia, 18 de Julho de 1831. Simões. E trasladada da própria pública forma que me foi apresentada e que reconheço verdadeira, conferi, concertei, subscrevi e assinei na Bahia, 19 de Julho de 1831. Eu José Joaquim da Costa Amado a subscrevi.
Fonte: APEB, Seção Judiciária, Livro de Notas 236, páginas 186v a 187v. 
Veja também: 

         

Arquivo Público do Estado da Bahia disponibiliza, por meio de acesso online, a consulta aos fundos documentais


O Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) / Fundação Pedro Calmon (FPC) disponibiliza, por meio de acesso online, a consulta aos fundos documentais custodiados, descritos e organizados em conformidade com as normas de descrição arquivística internacionais (ISAD(G), ISAAR(CPF), ISDF e ISDIAH) e nacional (Nobrade).

O AtoM, acrônimo de “Acesso à Memória”, é um software de fonte aberta, gratuito, criado por iniciativa do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), e recomendado pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Visa disponibilizar e promover o intercâmbio na web de acervos de entidades custodiadoras em âmbito nacional e internacional.

Concebido a partir de uma estrutura multilíngue, isto é, os elementos de interface e o conteúdo da base de dados podem ser traduzidos para vários idiomas. Também, multinível, porque, o AtoM possibilita a pesquisa do geral ao particular nos fundos documentais sob custódia, articulando diferentes níveis de descrição e destinado a intensificar o intercâmbio de informações, em ambiente web, entre instituições arquivísticas nacionais e internacionais. As normas de descrição arquivística objetivam estruturar a informação a partir de elementos de descrição comuns.

O APEB/FPC e o Núcleo de Tecnologia da Informação/FPC, em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), preparou o ambiente tecnológico necessário à concepção do AtoM no âmbito da FPC. Esta versão utilizada se constitui a 2.3.0.

As descrições dos documentos que integram os fundos e coleções cadastrados no AtoM do APEB/FPC encontram-se em conformidade com a Nobrade, aprovada pelo Conarq. A Nobrade considera 06 (seis) níveis de descrição, a saber: acervo da entidade custodiadora (nível 0); fundo ou coleção (nível 1); seção (nível 2); série (nível 3); dossiê ou processo (nível 4) e item documental (nível 5). Como a definição dos níveis se dá a partir de uma estrutura hierárquica, deve-se entender o item documental como um nível e não como um documento.


O primeiro nível atua como Guia de Fundos, apresenta uma visão panorâmica do acervo e fornece informações gerais sobre os fundos tais como: título, nome e história de seu(s) produtor(es), datas-limite, dimensões, gêneros documentais, conteúdo dos documentos, sistema de organização e condições de acesso.

NO MAR E EM TERRA: HISTÓRIA E CULTURA DE TRABALHADORES ESCRAVOS E LIVRES

Resumo

Este livro conecta histórias de escravos e homens livres à vida material e à cultura profissional experimentada no mar e em terra firme, entre os séculos XV e XX. O enfoque é o mundo do trabalho, a condição dos trabalhadores e a agência deles. Entre outros assuntos, são analisados aqui: o ritual de passagem do equador e suas transformações ao longo do tempo; os problemas relativos à alimentação e à saúde dos marinheiros; a atuação de escravos e libertos como trabalhadores do mar e as perspectivas de liberdade de marinheiros escravos navegando entre os domínios portugueses; as discussões sobre a liberdade no parlamento brasileiro e em um ambiente fabril a partir das petições de escravos; as primeiras discussões sobre o uso da mão de obra de indígenas como substitutos de escravos africanos; e as conexões entre os discursos médicos do século XIX e o racismo (re)construído continuamente até o século XXI. Entre as fontes, destacam-se os debates parlamentares, documentação administrativa do período colonial e imperial brasileiro, narrativas de viajantes, crônicas coloniais, matrículas de marinheiros, dicionários de marinha e processos judiciais envolvendo os homens do mar.

Arquivo Público do Estado celebra Dia do Arquivista

São 126 anos de Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB/FPC), resguardando a memória do estado desde 16 de janeiro de 1890. Atributo essencial à soberania de um Estado, o Arquivo Público se apresenta como uma “instituição imprescritível e inalienável”, pois custodia parte significativa da memória nacional, é patrimônio documental da Bahia, sendo também um dos mais importantes do Brasil. No dia 20 de outubro, arquivistas de todo o país celebram o Dia do Arquivista, que será registrado com atividades que tem o APEB como parceiro.

No dia 25 (terça-feira), a partir das 13h, será realizado evento comemorativo no Auditório Arquivo Público do Estado da Bahia (Baixa de Quintas), em parceria com a Universidade Federal da Bahia, por meio do curso de Arquivologia, a Associação dos Arquivistas da Bahia (AABA) e a Editora da UFBA. Às 14h, a atividade contará com a palestra “Arquivologia e tecnologias em enfoque”, que será ministrada pelos convidados: Gillian Queiroga (“Novas perspectivas para a Arquivologia do século XXI”), Aurora Freixo (“Gestão de documentos arquivísticos digitais: aspectos técnicos e legais”) e Ricardo Sodré (“Inovação e apropriação de tecnologias em gestão e representação arquivística: mobile, mídias sociais e fronteiras permeáveis”).

Às 16h, será abordado o tema 
“Arquivística contemporânea: perspectivas e desafios profissionais”, com Fabrício Vasconcelos (“Perspectiva e experiência em consultoria documental no mercado baiano”), Ana Cláudia Cupertino (“Assistência técnica aos Arquivos Públicos Municipais”), Eduardo Motta Witzel e Ulle Viviane Barbosa Xavier (“Relatos sobre a construção da TTD-atividade fim do APEB”). No evento também terá atração musical e sorteio de livros.
Nova tecnologia de gestão

Na ocasião, também será lançado o software ICA AtoM, que passará a ser utilizado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia para gestão de seu acervo arquivístico documental de valor permanente. O software propicia o auxílio nesta atividade, especialmente no que se refere à descrição arquivística, com o objetivo de facilitar o acesso e rapidez ao conteúdo digital. O uso da nova tecnologia evitará o manuseio dos documentos originais, uma vez que produz instrumentos digitais de pesquisas, disponibilizados em sistemas que geram informações de forma estruturada e dinâmica.

APEB na História e Hoje

Criado pelo reconhecimento da necessidade de haver uma organização dos documentos da Bahia e ofertar uma possibilidade do seu acesso aos cidadãos, o Arquivo Público reúne documentos textuais, manuscritos e impressos, produzidos no período Colonial, Monárquico e Republicano. Por ter sido capital do país e ainda estar estrategicamente bem localizada, foram tramitados por Salvador diversos documentos oficiais da Coroa Portuguesa. Alguns se perderem completa ou parcialmente, enquanto outros continuam conservados até hoje, formando um vasto acervo. Situado em uma construção secular, erguida pelos jesuítas no século XVI, o Arquivo Público sofreu restauração emergencial de parte de sua estrutura em 2014. Com renovados telhado, forro e o assoalho, o APEB garantiu melhor preservação dos documentos e estrutura para realização de ações de formação, como seminários, palestras. A reforma continua em 2017, quando serão investidos mais recursos para recuperação de outros espaços.

Segundo a diretora do Arquivo, Teresa Matos, é possível afirmar que o crescimento do APEB resultou da intensificação do recolhimento e da aquisição de acervos documentais. “Estudiosos consideram que a história de todo Arquivo se confunde com o lento processo de formação e sedimentação do seu acervo”, complementou. O Arquivo passou a acolher, também, a arte contemporânea como forma de ampliar a difusão dos arquivos e abrangê-lo a um público diverso, além de criar uma maior visibilidade. “Os arquivos passaram a assegurar a capacidade não apenas de provar, de testemunhar e de informar, mas, também, de emocionar, pois eles têm a capacidade de rememorar as coisas esquecidas, tornando-as presentes ao espírito”, explica Teresa.

Serviços gratuitos


O APEB apresenta um conjunto de serviços que tem o objetivo de apoiar as decisões governamentais de caráter político-administrativo, o cidadão na defesa de seus direitos e à produção científica e cultural. São oferecidos atendimentos presenciais, com as salas de Consulta de Manuscrito e Impressos, Consulta de Microfilmes e Biblioteca Francisco Vicente Vianna e a Biblioteca Francisco Vicente Vianna, o Atendimento à Distância, Emissão de Certidões, Visitas Guiadas e Assistência Técnica. O Arquivo Público fica localizado em Salvador na Ladeira de Quintas, número 50, na Baixa de Quintas.
FONTE: 

VOCABULARIES AND NOTES BASED ON MATERIAL FROM ENSLAVED AFRICAN-BRAZILIANS


About the Project
The United States Exploring Expedition, led by Lt. Charles Wilkes, was a scientific expedition that circumnavigated the globe from 1838 to 1842, making observations and collecting specimens that formed the historical nucleus of Smithsonian collections. Expedition members collected many things that suggest the level of global exchange already taking place, but nothing that speaks so poignantly to the darkest side of that exchange - the trade in human lives that brought Africans to Brazil. Transcribe Horatio Hale's handwritten notes on West and Central African vocabulary and facial scarification that he collected from enslaved Africans in Brazil during the expedition.


Horatio Hale served as philologist and ethnologist for United States Exploring Expedition. While in Rio de Janeiro, Hale interviewed "natives of Africa" and obtained notes on more than a dozen languages. He also made drawings of facial scarification marks (cicatrixes) and indicated the particular places associated with each type of mark.

ENCONTRO SOBRE A HISTÓRIA DE MORRO DO CHAPÉU - BA


A Comissão Organizadora do Encontro convida V.Sª para participar do Encontro sobre pinturas rupestres, colonização, personalidades, pecuária, estrada Real e a proposta de Geoparque em Morro do Chapéu

Dia 24 de outubro/2016, segunda-feira, 8h30 às 12h e das 14h às 18h

No Museu Geológico da Bahia, Av. Sete de Setembro, 2195 Corredor da Vitória Salvador


Contato:  ljcfigueiredo@uol.com.br

REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA - EDITORIAL



EDITORIAL 

Antonio Luigi Negro 

Universidade Federal da Bahia (UFBA). 
Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.br

Assim como a Anpuh, a Revista Brasileira de História (RBH) apoia a rejeição da escola sem partido. Os motivos são simples e remetem à nossa História.

Em seu livro Machado de Assis, Historiador, Sidney Chalhoub analisa a ideologia senhorial da escravatura detendo-se na personagem de Estácio, criada pelo brilhante escritor negro. Herdeiro de seu pai morto, cabe a Estácio cumprir a vontade patriarcal expressa em testamento. Operando com a hegemonia cultural de homens livres brancos - proprietários membros de boas famílias, em geral donos de escravos e escravas -, Estácio é incapaz de relativizar valores e perceber diferenças. Toda diferença perante sua vontade senhorial é, pois, entendida como provocação, desobediência, indisciplina, desvio, doença ou rebeldia. Ao repicar o bordão "minha família, minhas regras", a escola sem partido vem, em nome de sábios homens brancos, afirmar a primazia do particular, do doméstico, o domínio do arbítrio privado, onde abuso e violência campeiam impunes e soltos, dada sua proximidade com a prática do estupro, da agressão, da mentira e da tortura. Em nome da defesa de sua cultura - que lhes é específica mas afirmam ser válida para todos -, põem em risco a igualdade da cidadania, difícil e histórica conquista numa sociedade, como a nossa, de desigualdades duráveis, desigualdades seculares.

Por sua vez, em O Estado Novo, Maria Celina Soares D'Araujo disseca o motivo pelo qual é autoritária uma proposta que afirma o apolítico - o apartidário - como adequado. Desdenhando a sociedade civil (vista como praça de desentendimentos, de diferenças aberrantes, de confusão permanente), o Estado Novo, ao decretar um Brasil sem partido como solução para o bem-estar e o desenvolvimento, recorreu à força para suprimir outras formas de pensar e agir. O fim da diversidade foi a extinção da política, da sociedade civil. A lei e a mordaça, a perseguição e a polícia calaram - prenderam e arrebentaram - a pluralidade social. Congregando a egrégia escola da família com Deus pela liberdade e a propriedade (vide editorial de O Globo em favor do término do ensino público superior gratuito), projeta-se uma efetiva ameaça à igualdade e à democracia. Tanto a sinopse quanto a trama do filme são notórias e sinistras.

A RBH é um periódico de acesso livre domiciliado na SciELO e no DOAJ. Aberta a autorias e às leituras as mais variadas, não postula uma História contada a partir de uma versão consagradora do Estado nacional, por ser a cidadania quem constitui a pátria (e não o contrário).

Montado a partir da publicação avançada de artigos, este número 72 veio a lume gradativamente. Ao ser fechado, sua pauta tem nove artigos e três resenhas. Quatro artigos compõem o dossiê "Perspectivas recentes da História Medieval no Brasil", organizado por Marcelo Cândido da Silva e Néri de Barros Almeida (vide sua Apresentação).
O "Crime da miscigenação", de Luciana Brito, discute como o caso brasileiro foi apropriado pela elite branca estadunidense, interessada, no pós-abolição, em dar vida durável a ideologias de supremacia branca e segregação racial. Não por acaso, o Brasil vira exemplo de atraso e degeneração, o que aviva as políticas segregacionistas nos Estados Unidos.

No artigo sobre a política externa equatoriana durante a Guerra do Pacífico (1879-1884), Claudio Figueroa analisa o papel de reivindicações territoriais no conflito, as quais declaravam defender o interesse nacional. O autor mostra como o Equador, que não foi um país beligerante, buscou redefinir sua fronteira com o Peru.

Com "Sou escravo de oficiais da Marinha", álvaro Nascimento situa a Revolta da Chibata no contexto do pós-abolição. O autor descreve os problemas enfrentados pela marujada, mormente negra (enquanto o oficialato era branco), nas décadas seguintes a 1888, detendo-se na insurgência contra castigos corporais que, em 1910, eram usados em nome do disciplinamento.

No seu esboço biográfico sobre "Miranda", codinome de Antônio Bonfim, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro de 1934 a 1936, Raimundo Moreira, com base em pesquisa de fontes inéditas, discute sua trajetória e formação como militante e sugere uma reavaliação de sua biografia.

Em "Sou ainda uma Brazilianist" Barbara Weinstein questiona essa categoria. Nos anos 1970, o termo "brasilianista" rotulou o estrangeiro que estudava o Brasil. Nascido no contexto da Guerra Fria e do nosso regime militar, invocava uma figura com orientação política específica. Mudanças no mundo acadêmico, lá ou aqui, complicam esse indicador de "lugar" de quem faz pesquisa.

Nas três resenhas deste número, está mais uma vez indiciado o fato de não ser a RBH uma revista paroquial. Uma autora atua na Inglaterra, um livro resenhado foi publicado fora do Brasil e outro resulta de uma tradução. Isso significa circulação e comunicação através de fronteiras estabelecidas. Lamentavelmente, até onde a vista alcança, nada disso é levado em conta quando se faz uma avaliação. Mantém-se aqui o pioneirismo do número 69, que publicou simultaneamente em português e inglês todos os seus artigos. Não são todos os periódicos que fazem isso. Também vale a pena notar que três autorias de artigos atuam fora do Brasil.

A RBH agradece a quem se envolveu com seu labor e engenho, voluntário, gratuito, ou não. Pablo Serrano e Deivison Amaral concorreram positivamente como assistentes editoriais, com entusiasmo e afinco diários. Armando Olivetti, Eoin O'Neill, Flavio Peralta e Roberta 

Accurso prestaram serviços profissionais de grande qualidade.

Deplora-se a queda, via golpe, da presidenta Dilma Rousseff.


Gravam-se aqui penhorados agradecimentos ao Programa de Pós-Graduação em História, Cultura e Práticas Sociais da Universidade do Estado da Bahia (PPGHCPS-UNEB), e também ao CNPq.

PALESTRA: PESQUISA E PESQUISADORES NO CENTRO DE MEMÓRIA DA BAHIA


Fortalecendo as celebrações das três décadas de existência, durante todas se segundas do mês de setembro, o Centro de Memória da Bahia realiza o tradicional encontro do Conversando com a sua História. Nesta segunda-feira (26), às 17h, o Conversando Especial 30 anos CMB abordará “Pesquisa e Pesquisadores no Centro de Memória da Bahia”. A atividade terá participação do professor de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antônio Luigi Negro; e do professor de História da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Paulo Santos Silva. A atividade oferece certificado de atividades complementares para os participantes do bate-papo, com a carga horária de duas horas por palestra.

Há 30 anos o Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, é responsável pelo recolhimento, salvaguarda e preservação de acervos documentais de valor histórico, apoia e desenvolve pesquisas sobre a história da Bahia e incentiva a montagem de espaços de memória do estado. Através do Conversando com a sua História (CSH), atividade que acontece periodicamente na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, conhecida como Biblioteca dos Barris, o CMB promove a difusão do
conhecimento histórico sobre o estado e a sua memória.

Memórias contemporâneas – Em outubro e novembro, no Conversando com a sua História, serão debatidas as memórias contemporâneas sobre a cultura e a política na Bahia. Personagens que vivenciaram os processos e pesquisadores abordarão a influência de instituições educacionais e culturais na formação do campo cultural e artístico baiano da segunda metade do século XX, a relação de organizações e movimentos sociais com o campo da cultura, e como as linguagens artísticas refletiram e foram protagonistas das disputas identitárias.


VI EIHC - ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL

DIA 14 DE SETEMBRO ÀS 18:00h 
NO ESPAÇO CULTURAL - UCSAL - CAMPUS DA FEDERAÇÃO
ACESSE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA: 

LANÇAMENTO: COLEÇÃO LIVROS DO TOMBO DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA BAHIA

Os Livros do Tombo formam uma coleção de 6 volumes, todos em grande formato e de beleza inigualável. Juntos, alcançam um período de cerca de 400 anos, relativos aos séc. XVI, XVII, XVIII e XIX. Nesses documentos está registrada a história da Cidade de Salvador desde o início da história do Brasil, pois os referidos livros contém alguns dos primeiros registros da formação da sociedade brasileira. Ademais, os Livros do Tombo trazem registros do patrimônio territorial do Mosteiro de São Bento da Bahia nas principais capitanias dos primeiros séculos brasileiros: Bahia e Pernambuco. Contém, ainda, documentos notariais referentes aos testamentos de grandes personalidades para a história da formação do Brasil, como Catarina Paraguaçu, Gabriel Soares, Duarte Coelho da Costa, Garcia d’Ávila e toda sua linhagem. São documentos arquivísticos, de caráter diplomático, manuscritos autênticos e únicos. Todos os volumes pouco variam em dimensão, e têm, basicamente, as mesmas características: encadernação sem ornamentos ostensivos, com capa em couro de porco marrom, com o brasão da ordem e a data de fundação do Mosteiro pintados à mão. Os fólios são numerados e rubricados no anverso à direita superior e todos os livros possuem Termo de Abertura e de Encerramento e abarcam um período de 1552 a 1913. A escrita é em tinta ferro-gálica e está em delicado estado de conservação, em especial no primeiro volume: o papel está bastante escurecido pela oxidação da tinta em diversas partes, o que prejudica sensivelmente a leitura em alguns trechos.

A Coleção dos Livros do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia poderá

também ser acessada gratuitamente através do site: www.saobento.org/livrosdotombo 

Biblioteca Virtual lança 4ª edição da Revista Bahia com História


Repleta de reflexões sobre a Bahia, sua arte, história e identidade, a quarta edição da Revista Virtual Bahia com História será lançada terça-feira (16). A publicação - de autoria da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé – vinculada à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA - traz artigos, entrevistas e homenagens, e poderá ser acessada diretamente no site da Biblioteca http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/
São seis artigos produzidos sobre a história da Bahia, entrevista com o doutor em Antropologia da Religião pela School Of Oriental & African Studies University Of London, e professor de Antropologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Nicolau Parés; além de uma homenagem do mestre em História, Daniel Rebouças ao historiador e notável contador de histórias e memórias da Bahia, Cid Teixeira. Na capa da revista está a arte de Miguel Cordeiro, artista plástico reconhecido como um dos pioneiros do grafite e da arte urbana.

Articulistas - O doutorando em História na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Marcelo Siquara, escreveu o artigo “A Independência na Bahia (1823): Algumas reflexões importantes”, no qual retrata as condições de vida dos baianos no momento posterior ao 7 de setembro de 1822, e anterior ao 2 de julho de 1823. Já a historiadora e pós-graduada em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminista, Claudia Andrade Vieira, escreveu o artigo “Educação e casamento: uma análise feminista na década de 1930”, no qual analisa a primeira obra da escritora Edith Mendes da Gama e Abreu – Problemas do Coração – a qual expõe algumas ideias sobre normas de comportamento, casamento e educação feminina.

O artigo que fala da “Baianidade e arquitetura moderna: da integração das artes à busca por uma arquitetura regionalista”, escrito pelo doutor em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, Nivaldo Vieira, também está na seção de artigos da Bahia com História. No texto, Nivaldo, que é professor do Núcleo de Teoria, História, Projeto e Planejamento; do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e do Mestrado Profissional em Conservação e Restauração de Monumentos e Núcleos Históricos, ambos da UFBA, demonstra a integração entre as artes de caráter regionalista e a arquitetura da Bahia, em diálogos sobre tradição, identidade e modernidade.

Artes - A partir do romance de Jorge Amado – Jubiabá - a doutora em Cultura e Sociedade pela UFBA, Juciara Maria Barbosa, escreveu o artigo “A busca pela Lanterna dos Afogados na cidade da Bahia”, contando como intelectuais e artistas modernos, como o pintor Carybé e o fotógrafo Pierre Verger, se empenharam na tarefa de capturar os traços, trejeitos e nuances da Bahia, herdeira do período colonial, exuberante, tropical, mística e miscigenada, buscando retratar o cenário e seus mais peculiares tipos.
Já a jornalista, especializada em Patrimônio Material e Imaterial, Mary Weinstein, no artigo “Centro da cidade: questões de demolições e construções”, falou sobre a perda recorrente de casas do século passado, que deixam de compor a memória urbana da cidade de Vitória da Conquista, ao mesmo tempo em que ocorre a construção de um novo Shopping Center, que ocupará 67 mil metros quadrados em uma das avenidas que mais se valorizam na cidade.

A história dos deslocamentos dos chineses pelo mundo até sua instalação em Salvador nos dias de hoje foi descrita pela doutora em antropologia pela UFBA, Ana Claudia Minnaert no artigo “A migração chinesa para Salvador: os novos rumos da diáspora”. No texto, a autora analisa a vida cotidiana e a participação desse grupo no centro da cidade, com suas lojas e restaurantes misturando-se ao comércio local.

Seções - “Um acervo para se dançar: a arte de Lia Robatto”, que estará na seção Documento da revista, é o resultado da primeira etapa do projeto de criação do Fundo Lia Robatto, primeiro acervo digital em Dança produzido na Bahia. No texto, a pesquisadora, educadora e artista de dança, Suki Guimarães, conta o desenvolvimento do projeto, coordenado por ela, viabilizado pelo Edital de Restauração e Digitalização de Acervos Arquivísticos Privados, de 2014, da FPC/SecultBA.


Na seção “Singular”, da Revista Bahia com História, a historiadora Maria Fernanda Marques escreveu “Casarões do Vale: história, memória e patrimônio”, no qual percorre municípios do Vale do Jiquiriçá, cujos sobrados, casas de fazenda e estações ferroviárias revelam a história dessas comunidades através do seu patrimônio histórico e arquitetônico edificado entre a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20.