II Seminário Nacional de Paleografia


O II Seminário Nacional de Paleografia acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2019. Ele é um evento de caráter interdisciplinar, que coloca em diálogo as diversas áreas que têm a Paleografia como forma de compreensão do passado e, certamente, irá oportunizar o estreitamento das relações entre profissionais das áreas de interseção com a paleografia – filólogos, arquivistas, historiadores, restauradores, professores de disciplinas de paleografia nas universidades do país ou nos núcleos, oficinas e laboratórios paleográficos –, assim como permitirá contatos e trocas de experiências com pesquisadores e profissionais das instituições nacionais e estrangeiras com grande relevância na atuação e na formação paleográfica.

A programação do II Seminário Nacional de Paleografia terá, minicursos, conferências, palestras, mesas-redondas, seções de comunicação,  lançamento de livros e exposição de painéis das atividades paleográficas realizadas nas diversas instituições dos participantes.


ACESSE: 
https://www.even3.com.br/snp2019/?fbclid=IwAR2YqZF0jf9nEAqAuvFKGfjnH9B8Klh-d1_cblxx9tA2YflIdUf8MAmtzq8

Encontro Sertões da Bahia: pesquisa e prática



O Encontro Sertões da Bahia: pesquisa e prática tem por tema História e Literatura Latino-Americana e reúne estudiosos e pesquisadores baianos para debate da literatura dos sertões da Bahia e latino-americana. O Encontro proporciona debates temáticos por meio de mesa-redonda, palestras, roda de conversa, exposições e lançamentos de livros, que integram docentes da Bahia com estudantes de graduação, pós-graduação e do ensino básico. A pesquisa histórica na Bahia é abordada tendo em vista as suas diversas regiões, hoje mais integradas por novos estudos, desenvolvidos em diversos programas de pós-graduação do Brasil e do exterior. O Encontro acontece na UNEB, campus de Caetité, nos dias 31/10 e 01/11/2019. As inscrições devem ser realizadas em sge.uneb.br/sb, até às 18h de 31/10/2019.

O Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL/CNPq) e o Centro de Estudos Literários Latino-Americanos Floriano Martins (CEL-FM) realizam o evento Sertões da Bahia: pesquisa e prática, com o tema História e Literatura Latino-Americana.

Dias 31/10 e 01/11/2019
Na UNEB, Campus de Caetité (BA)

Inscrições gratuitas em sge.uneb.br/sb até às 18h de 31/10/2019
Apoio: DCH I-Campus Salvador, DCH VI-Campus Caetité e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX)
ACESSE: 

I Encontro de Pesquisadores do Memorial da Medicina Brasileira





O Encontro busca memorar os 10 anos de reabertura da Biblioteca da Faculdade de Medicina da Bahia aos pesquisadores (2009-2019) e tem por objetivo compartilhar reflexões sobre objetos de pesquisas desenvolvidas a partir do acervo histórico do Memorial da Medicina Brasileira nesses últimos 10 anos.
Local:
Salão Nobre da Faculdade de Medicina da Bahia - UFBA
Largo do Terreiro de Jesus – Pelourinho, Salvador, BA.. 

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA CONTINUARÁ FECHADO



REPASSANDO:  
“Bom dia, como podem observar na imagem acima, a Fundação Pedro Calmon solicitou a prorrogação do prazo para as obras do APEB (Arquivo Público do Estado da Bahia) por mais 180 dias, ou seja, Arquivo só no próximo ano... e se não ficarmos atentos, é bem possível que o prazo seja ampliado. Diante disso, gostaria de convidar vocês para unirmos forças e entramos em contato com a Ouvidoria Geral do Estado. Se nós não reclamamos, fica subentendido que não precisamos dos serviços prestados pelo Arquivo. A reclamação pode ser feita por telefone (0800 284 0011), Zap (71- 9911-7631) ou pessoalmente (Edifício Brasilgás na Avenida Carlos Gomes ). Obrigada”!

Entrevista com Sueann Caulfield, autora de Jesus versus Jesus: Inheritance Disputes, Patronage Networks, and a Nineteenth-Century African Bahian Family


Sueann Caulfield é professora associada de história e professora associada no Residential College da Universidade de Michigan. Suas publicações incluem Emdefesa da honra: moralidade sexual, modernidade e nação no Brasil do início doséculo XX (Duke University Press, 2000), o volume co-nomeando Honra, status edireito na América Latina moderna (Duke University Press, 2005), e vários artigos sobre gênero e historiografia, direito da família, raça e sexualidade no Brasil. Você pode ler o artigo “Jesus versus Jesus: disputas de herança, redes de patrocínios e uma família baiana africana do século XIX ” na  HAHR 99.2. 



1. Como você se focou no Brasil como área de pesquisa?

Interessei-me pela América Latina em 1979 através de um projeto de história do ensino médio sobre a revolução sandinista. Em meados da década de 1980, enquanto estava na faculdade em Berkeley, estudei no exterior na Costa Rica e passei um tempo na Nicarágua. Voltando a Berkeley, decidi estudar a história da América Latina e me tornei ativo nos movimentos estudantis contra o imperialismo dos EUA. Tomei aulas de Tulio Halperín Donghi e Linda Lewin, incluindo o último ano da aula de História do Brasil de Lewin, que mudou minha vida! Lembro-me claramente de suas palestras sobre estratégias de casamento e nomeação entre famílias brasileiras de elite. Após a formatura, trabalhei como intérprete espanhol-inglês para economizar em uma viagem ao Brasil. Acabei ficando em São Paulo por oito ou nove meses, onde, entre outras atividades, trabalhei em um bar na Bixiga. Enquanto eu estava em São Paulo, alguém recomendou o livro  Rio Claro: um sistema brasileiro de plantio , de Warren Dean, e depois de lê-lo, decidi me inscrever no programa de mestrado em estudos latino-americanos da NYU, onde ele lecionava. Warren Dean foi um historiador, mentor e ser humano verdadeiramente notável, com uma paixão contagiosa pelo Brasil e sua história. Eu queria continuar aprendendo com ele, e queria uma chance de voltar ao Brasil, então me inscrevi para continuar o doutorado em história do Brasil.

2. Seu novo artigo da HAHR gira em torno de litígios sobre herança entre um filho ilegítimo e um ex-escravo. Como você descobriu esse caso único?

Eu encontrei esse caso há muitos anos, enquanto fazia pesquisas exploratórias no arquivo do estado da Bahia sobre disputas familiares sobre herança e apoio à criança. Não é de surpreender que existam centenas desses casos nos arquivos; na Bahia, li várias dezenas do início e meados do século XX. Este primeiro foi trazido à minha atenção por um colega pesquisador que estava sentado ao meu lado um dia. Infelizmente, eu não gravei o nome dela, então não posso agradecê-la adequadamente! Na época, eu não achava que o caso fosse relevante para o meu projeto, pois estava trabalhando no século XX. Mais tarde, descobri através de uma pesquisa no Google que grande parte do caso havia sido publicada em um jornal de direito da Bahia e procurei o original novamente. Destacou-se porque foi o último de uma série de casos da Suprema Corte que foram discutidos em jurisprudência sobre o processo de “legitimação”, que tinha sido uma dispensação real antes da independência e foi vista pelos principais juristas do século XIX como um anátema para os liberais. princípios. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior.

Um ex-escravo não identificado, Bahia, Brasil, 1910. Fotografia de Harry Hamilton Johnston. Da Biblioteca Pública de Nova York .

3. Seu artigo faz um trabalho incrível ao rastrear as histórias de vida e o mundo cultural das figuras envolvidas nesse litígio. Que desafios você enfrentou para reconstruí-los e como os enfrentou?

Um dos primeiros desafios foi a enorme quantidade e densidade de documentos manuscritos, incluindo vários processos judiciais e inventários post-mortem com centenas de páginas cada. Eu não havia trabalhado anteriormente com o roteiro do século XIX, e a curva de aprendizado era íngreme! Depois de passar por esse primeiro monte de documentos, o próximo grande desafio foi que eu era capaz de passar apenas curtos períodos de tempo na Bahia. Esse tipo de pesquisa não é possível fazer tudo de uma vez; com frequência, recebia um palpite, encontrava uma pista ou percebia que queria procurar novas informações somente depois de voltar a Michigan e reler documentos, ou depois de concluir um rascunho do artigo. Passo muitas horas examinando recursos on-line, como o FamilySearch.org, onde encontrei cópias digitalizadas de muitos registros eclesiásticos e a hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, onde pude encontrar vários artigos e entradas de jornais relevantes nos almanaques do estado, procurando nomes de várias pessoas que apareceram, mesmo como caracteres secundários, em outros documentos. Parte do que descobri sobre personagens menores me levou a entender, por exemplo, que a política do Partido Conservador desempenhava um papel cada vez mais importante nas redes sociais de Brotas (a paróquia afro-brasileira onde o homem no centro do artigo construiu sua fortuna). Esse tipo de pesquisa geralmente se assemelhava à procura de uma agulha no palheiro e era um desafio reconhecer quando era hora de desistir! Depois de reunir uma coleção considerável de agulhas, foi um desafio resistir ao impulso de descrever cada uma delas no artigo. Eu aprendi muito sobre várias pessoas que acabei tendo que recortar da história. Era difícil abandoná-los, mas necessário para a coerência narrativa.

Mais importantes que os recursos eletrônicos eram os pessoais. Tive muita sorte de poder contar com o apoio e a pesquisa anterior de vários historiadores da Bahia. O primeiro foi Jacira Primo , uma fenomenal assistente de pesquisa, estudante de graduação na Universidade Federal da Bahia, trabalhando com o professor Gino Negro. Mais tarde, descobri (através de uma pesquisa no Google) o blog do historiador e arquivista Urano Andrade , que estava trabalhando com o professor João Reis em 2018, para digitalizar várias coleções no Arquivo do Estado da Bahia. Urano foi crucial no final do processo, quando eu queria acompanhar alguns palpites que surgiram depois de terminar de escrever o que achava ser o rascunho final. Urano me enviou por e-mail documentos digitalizados recentemente que me ajudaram a preencher o período da década de 1820 e até me ajudou a transcrever alguns dos mais difíceis. Um exemplo é um acordo pré-nupcial que me permitiu dar alguma textura à história de vida de um dos personagens secundários da história, enquanto ilustra um tema subjacente: as preocupações econômicas que acompanharam o casamento entre parceiros desiguais e o desejo de proprietários de imóveis relativamente jovens para manter o controle de seus bens após sua morte. Entre os documentos que eu procurava, estava a correspondência de uma justiça de paz usada por João Reis trinta anos atrás, em um maravilhoso artigo sobre a repressão ao candomblé. Quando Urano não conseguiu encontrar algumas das cartas com as antigas anotações de arquivo, entrei em contato com João, que me enviou fotografias de suas anotações manuscritas, feitas há mais de três décadas! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia.

Como é evidente nas notas de rodapé, o trabalho de dois volumes de Linda Lewin sobre lei de legitimidade também foi crítico, e seus comentários generosos sobre um rascunho inicial me ajudaram a repensar a análise jurídica. Outros colegas que leram e comentaram o manuscrito também me ajudaram com desafios específicos, bem como com a tarefa maior de contar uma história coerente de uma família e usá-la para revelar uma dinâmica histórica mais ampla. As limitações de espaço me impedem de mencionar todos esses colegas aqui, mas cada pessoa que agradeço nos agradecimentos me ajudou a enfrentar os desafios de maneira substantiva.

Funeral para um homem negro não identificado, Bahia, Brasil, por Johann Moritz Rugendas, 1835. Da Biblioteca Pública de Nova York.


4. Que ressonâncias a dinâmica de gênero e racial exposta neste litígio do século XIX tem no Brasil hoje, se houver?

A dinâmica que surgiu neste caso reflete as formas complexas pelas quais a dupla lógica do patriarcado e da escravidão infligiu relações sociais e financeiras nas famílias, famílias e comunidades no Brasil do século XIX. Hoje, a lei não sustenta mais a escravidão ou o patriarcado, mas ambas as instituições deixaram poderosos legados. As lutas para combater esses legados desempenharam um papel central na definição da cidadania e da família ao longo do século XX. Em um exemplo especialmente relevante para o litígio que analiso neste artigo, movimentos para eliminar a discriminação contra crianças nascidas fora do casamento formal tornaram-se parte de uma campanha feminista claramente articulada para combater o patriarcado na lei brasileira na década de 1970. O discurso antipatriarcado das feministas brasileiras surgiu em diálogo com movimentos feministas em todo o mundo, mas também convergiu com processos de longa data nos tribunais brasileiros. A partir da década de 1920, os direitos das mães solteiras e de seus filhos expandiram-se por meio de jurisprudência e políticas públicas, um processo que se desenrolava de vez em quando nos tribunais trabalhista e familiar. Juntamente com o movimento feminista, essa expansão de direitos desempenhou um papel fundamental na reconceitualização da família legalmente constituída pela Constituição de 1988 como uma instituição que promove a igualdade e a dignidade humana. A ilegitimidade tornou-se obsoleta quando a constituição reconheceu formalmente uma pluralidade de formas familiares e exigia a igualdade entre cônjuges e filhos. Trinta anos depois, no entanto,

5. A micro-história contida neste artigo faz parte de um projeto mais amplo? Em caso afirmativo, você se importaria de discutir brevemente esse projeto mais amplo?

Estou trabalhando em um livro sobre a história da legitimidade no direito da família brasileiro desde o século XIX até o presente. O primeiro capítulo discute como a ideologia do paternalismo dos senhores de escravos foi usada para disfarçar um padrão pelo qual os pais criavam seus filhos ilegítimos por mulheres escravizadas para ocupar uma posição indeterminada na hierarquia social, acima da dos escravos, mas abaixo da dos filhos legítimos. Utilizo então o caso analisado neste artigo para ilustrar como os debates dos juristas do século XIX sobre o direito da legitimidade influenciaram a construção de princípios liberais que justificaram a perpetuação da desigualdade (entre maridos e esposas e entre filhos) no direito de família do século XX.

Imagem superior: Fotografia de Salvador, Bahia, entre 1912 e 1919. Reutilização de imagem, cortesia do  BNDigital . (Encontre o original aqui .)


PARA ASSOCIAÇÃO DE ARQUIVISTAS DE SP, ARQUIVO NACIONAL SOFRE DESMONTE



Diretora rebate as críticas e diz que “as mudanças em curso visam aperfeiçoar os serviços oferecidos pelo Arquivo Nacional”

Circula na internet um abaixo-assinado encabeçado pela Associação de Arquivistas de SãoPaulo (ARQ-SP) contra o “desmonte do Arquivo Nacional”. De acordo com a petição, as medidas em curso na instituição “denotam objetivos claros e coerentes, pois contrariam as boas práticas da área de arquivo, as pesquisas realizadas pelas áreas técnicas e as recomendações e orientações emanadas da própria instituição, muitas das quais adotadas pelo Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ)”.

Uma das ações negativas em curso no AN apontadas pela Associação de Arquivistas seria a transferência do Rio de Janeiro para Brasília da Coordenação Geral de Gestão de Documentos e da coordenação do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo (SIGA) da administração pública federal que “acarretará a dissociação entre as atividades de gestão e as atividades de arquivo permanente, fragilizando a instituição ao restringir a atribuição de sua sede, no Rio de Janeiro, à guarda de arquivos históricos”.

Ainda de acordo com a petição, a diretora-geral do Arquivo Nacional, a bibliotecária Neide de Sordi, que assumiu o cargo em fevereiro deste ano, informou aos servidores da instituição que o órgão está sob a intervenção do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a quem está subordinado desde 2011.

“A par disso, vêm sendo anunciadas medidas que representam um retrocesso nas conquistas alcançadas nas últimas décadas e que, uma vez concretizadas, comprometerão de forma irreversível o cumprimento da missão institucional. Cabe ressaltar que o anúncio das medidas se dá num ambiente de ausência de diálogo com o corpo técnico e de justificativas embasadas em critérios técnicos, legais e administrativos”, diz a petição.

O Arquivo Nacional, que em 2018 completou 180, é um órgão central do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo (SIGA), da administração pública federal, e tem por competência orientar os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal na implementação de programas de gestão de documentos, bem como fiscalizar a aplicação dos procedimentos e das operações técnicas referentes à produção, ao registro, à classificação, ao controle da tramitação, ao uso e à avaliação de documentos, entre outros.

Envolvido no clima político que culminou com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o Arquivo Nacional passou por uma série de reveses com seguidas trocas de diretores a partir de 2016. Os servidores da instituição também reivindicam um plano de carreira, a realização de eleições para o cargo de diretor e de concurso público, bem como a volta da entidade para a Casa Civil, onde o Arquivo estava subordinado antes de ir para o Ministério da Justiça.

Em contato com a Biblioo, Neide de Sordi rebateu as críticas e disse que “as mudanças em curso visam aperfeiçoar os serviços oferecidos pelo Arquivo Nacional em face dos desafios do tempo presente e, ainda, criar condições para que ele, de fato, exerça sua missão institucional com efetividade”. Segundo ela, “em lugar de ‘desmonte’, o que se busca é fortalecer a instituição”.

Acesse a fonte e leia na íntegra:

CONVITE À APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS PREPARAÇÃO PARA EMERGÊNCIAS PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL SOB AMEAÇA



O Prince Claus Fund e a Fundação Gerda Henkel anunciam uma Chamada Aberta para propostas voltadas especificamente para a Preparação para Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça. Convidamos profissionais da cultura, instituições e ONGs locais a apresentar suas idéias para medidas de proteção do patrimônio cultural tangível contra o perigo agudo e a perda irreversível. Congratulamo-nos com as aplicações da África, Ásia, América Latina e Caribe.

Quando um desastre natural ou induzido pelo homem ataca, os danos a museus, arquivos, sítios arqueológicos, bibliotecas e prédios históricos são muitas vezes enormes. A herança tangível pode até ser perdida para sempre, quando faltam recursos locais e capacidades de resgate. Embora os desastres nem sempre possam ser previstos, os danos ao patrimônio cultural podem ser mitigados por meio da preparação para emergências.

O Prince Claus Fund, por meio de seu programa de Resposta a Emergências Culturais (CER), e a Fundação Gerda Henkel, por meio de sua iniciativa de financiamento Patrimonies, apoiam a proteção e a preservação do patrimônio cultural em regiões em crise. Ambas as fundações têm uma história de prevenção e minimização da perda de patrimônio cultural. Os projetos apoiados no passado variaram desde a implementação do fortalecimento sísmico na reconstrução dos templos do Nepal após o terremoto de 2015, até o apoio a redes locais para desenvolver planos de emergência para arquivos no Caribe após os furacões de 2017 e o aumento de medidas de segurança para grupos vulneráveis. para saquear na Jordânia.

Este pedido conjunto de candidaturas visa apoiar o desenvolvimento e implementação de mais medidas preparatórias para os edifícios, coleções e locais do patrimônio para os proteger, caso ocorra uma catástrofe. Além disso, incentivamos as organizações a melhorar sua preparação para emergências implementando as lições aprendidas durante incidentes anteriores. O chamado também visa intensificar os esforços de nossas Fundações no campo, conscientizar sobre sua importância e ilustrar como os conceitos preventivos podem salvaguardar o patrimônio. Praticantes culturais, instituições e ONGs locais são encorajados a apresentar suas idéias e planos para a proteção do patrimônio cultural tangível sob ameaça.



Transferências
Elegibilidade e Como Aplicar a Prontidão para Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça. 
O prazo para inscrições é 21 de junho de 2019 às 17:00, horário de Amsterdã . As candidaturas recebidas após o prazo não podem ser consideradas. Recomenda-se não esperar até o prazo final, mas para aplicar o mais rapidamente possível.

Os candidatos receberão um e-mail de confirmação assim que a declaração de necessidade for recebida. Os candidatos mais promissores serão convidados a apresentar pedidos detalhados no início de julho de 2019. O prazo para inscrições completas é 31 de julho de 2019. As inscrições completas receberão as decisões finais até o final de novembro de 2019.
ACESSE: 
https://princeclausfund.org/emergency-preparedness-for-cultural-heritage-under-threat-2019?fbclid=IwAR23gSqiwB0phBNdvikfk2lw5U65o0FjBOpvuNg1ReQxzVsHY39hZkz7-fY

PALESTRA: IDENTIFICAÇÃO FOTOGRÁFICA: TEORIA E PRÁTICA


Palestra gratuita sobre "Identificação fotográfica" na Fundação Fernando Henrique Cardoso, a ser fornecida por Renata Bassetto de Oliveira, dia 7 de junho de 2019, das 18h às 20h .
ACESSE: 

Manual de estilo acadêmico: trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses

A obra tem a autoria de Nídia M. L. Lubisco e Sônia Chagas Vieira, que contaram com o apoio da Edufba para essa versão revista e ampliada. O novo prefácio foi escrito por Flávia Rosa, atual diretora da Editora da Ufba.

Resumo: Com a finalidade de atualizar nossos leitores na aplicação imediata das normas NBR 6022 (artigos ) e 6023 (referências), que dizem respeito diretamente aos trabalhos acadêmicos, procedemos, por iniciativa da EDUFBA, a esta 6ª edição, informando que as alterações feitas se referem às duas normas citadas, à revisão de alguns aspectos gráficos que poderiam interferir na sua interpretação e à atualização de algumas orientações e informações. Considerando que tem sido comum ouvir, no âmbito acadêmico, que a ABNT atualiza as normas com demasiada frequência, vimos informar, a título de exemplo e por oportuno, que a NBR 6023 se encontrava em vigor desde 2002, portanto, há 16 anos. Assim, esperamos que esta 6ª edição seja compreendida como uma atenção especial aos estudantes, técnicos, professores e pesquisadores que, ao tratarem as questões formais em seus estudos, necessitam de pronta atualização e de se sentirem confiantes no uso deste Manual.
Download:  https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29414

PALESTRA: PALENQUES E CIMARRONES


MINICURSO COM O PROFESSOR Dr. ROBERT SLENES



Inscrições abertas para o minicurso (CHK17 – História Social da Escravidão) - Tornando-se Livre na Sociedade Escravista Brasileira: a Arte da Fuga e da Alforria.

Para realizar a inscrição, o discente deverá enviar um e-mail para lucasmeira@ufba.br com nome completo, matrícula, endereço, curso, semestre, número do Rg, CPF, e-mail para contato até o dia 23/05/2019. O assunto do corpo do e-mail deverá ser: Minicurso História Social da Escravidão.

Os discentes do PPGH poderão pedir aproveitamento do minicurso na forma de 01 (um) crédito.

Local – Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), Pça. Inocêncio Galvão 43, Largo 2 de julho, Centro, Salvador.

Datas e horário: 2ª e 4a feira à noite, 18:30-20:30:27 e 29/05; 03 e 05/06 (quatro aulas).
Requisitos para inscrição: cursar programa de pós-graduação ou desenvolver pesquisa de iniciação científica no último ano da graduação
Professor: Robert Slenes. 

Para mais detalhes acesse: 
Att,
Lucas
Secretaria.

Biblioteca Central celebra 208 anos com programação gratuita



No dia 13 de maio, a Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), completa 208 anos. Em pouco mais de dois séculos de serviços prestados à sociedade, a BCEB, primeira biblioteca pública da América 

Latina, comemora o aniversário com programação gratuita.
A abertura dos festejos acontece na próxima segunda-feira (13) com diversas atividades, como bate-papo, homenagens e apresentação do grupo de Cordas Dedilhadas da Neojibá e da Camarata da OSBA.

O destaque da programação é o bate papo A influência da Biblioteca na difusão da cultura em espaços não convencionais. A atividade conta com Maria José Goodwin, pedagoga e professora da Faculdade de Educação da UFBA, Ivanir Mattos, gerente de marketing do Shopping Center Lapa e do fotógrafo Nilton Souza.

A diretora da BCEB, Naiara Malta, destaca a importância da celebração. “Comemorar os 208 anos de existência da biblioteca é demonstrar para a sociedade que a unidade está em consonância com a discussão mundial sobre o papel das bibliotecas públicas contemporâneas na sociedade”, afirma.
Para a diretora, é papel da biblioteca, também, “oferecer à comunidade acesso a diversas manifestações culturais, tornando-se ponto de referência e serviços”, completa Naiara.

Confira abaixo a programação completa:

MANHÃ
9h: Abertura das atividades do aniversário pela Secretaria de Cultura através do Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e pela Diretora do Sistema de Bibliotecas do Estado da Bahia, Carmen Azevedo.

09h30: Abertura da Exposição Fotográfica “O Dia a dia da Biblioteca Central do Estado da Bahia”.

09h40: Apresentação do curta “A contribuição da Biblioteca na formação cultural do indivíduo”.

10h: Apresentação do grupo de Cordas Dedilhadas da Neojibá.
10h30: Bate–papo: “A influência da Biblioteca na difusão da cultura em espaços não convencionais”. Participantes: Maria José Goodwin (Pedagoga, Professora da Faculdade de Educação UFBA); Ivanir Mattos (Gerente de Marketing Center Lapa); Nilton Souza (Fotografo)

11h30: Homenagem a usuários atuantes da Biblioteca, com a entrega de placas de agradecimentos pela participação e presença nas ações e na utilização dos serviços prestados pela BCEB.
TARDE

14h30: Bate–papo: “O consumo da cultura em espaços não convencionais”. Participantes: 

Glaucea Fernandes (Produtora cultural); Dennissena (Artista e educador); Wilson Estavanovic (Fundador do Coletivo Retrô).

15h30: Apresentação do Grupo de Poesias Negritude em Nós. Moisés dos Palmares.

16h: Lançamento do livro “A Educação, o lúdico e a inclusão”, do Professor Doutor Marcos Welby.

16h30: Apresentação da Camerata da OSBA.

A Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), localizada nos Barris, oferece orientação às pessoas com deficiência visual, seminários, palestras, visitas guiadas e técnicas, exposições, orientação à pesquisa, espetáculos musicais, saraus e recitais. Com 207 anos de existência, é a biblioteca mais antiga da América Latina e primeira pública do Brasil. Atualmente conta com um acervo de 600 mil exemplares, distribuídos por setores como Braille, Infantil, Pesquisa/Referência, Obras Raras e Valiosas, Documentação Baiana, Artes e Audiovisual. A biblioteca funciona de segunda a sexta das 8h30 às 19h e aos sábados das 8h30 às 13h.

Serviço:
O que: Aniversário de 208 anos da Biblioteca Central do Estado da Bahia;
Quando: segunda-feira (13), às 9h;
Onde: Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris)
Acesse a fonte: 

Livro revela papel de intelectuais negros contra o racismo e pela cidadania no Brasil oitocentista



O primeiro censo demográfico realizado no Brasil do século 19 apontava para um dado importante: seis em cada dez pessoas pretas e pardas já viviam nas condições de livres e libertas, 16 anos antes do fim da escravidão. Esta maioria de mulheres e homens negros construiu experiências de liberdade na sociedade escravocrata constituindo redes até mesmo transnacionais de escritores, jornalistas e artistas que lutavam pelo abolicionismo e por projetos de cidadania. A história de integrantes dessas redes só não foi completamente negligenciada por força da excepcionalidade. Trajetórias como a de Luiz Gama ou José do Patrocínio, de Machado de Assis ou Chiquinha Gonzaga, são reconhecidas em suspensão, como descreve a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro Escritos da Liberdade: Literatos negros, racismo e cidadania no Brasil oitocentista (Editora da Unicamp), da coleção Várias Histórias, organizada pelo Cecult (Centro de Pesquisa em História Social da Cultura da Unicamp).

A historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro: “Na liberdade, o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por conta do racismo”

“Nossa tendência é a de não reconhecer esses sujeitos no chão da história onde se assenta a dicotomia senhores brancos e escravizados negros. Mas, na liberdade, o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por conta do racismo”, afirma a autora. Ana Flávia é pós-doutora em História pela Unicamp e professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). A tese de doutorado “Fortes laços em linhas rotas: literatos negros, racismo e cidadania na segunda metade do século XIX”, que deu origem ao livro, recebeu menção honrosa do Prêmio Capes de Tese 2015.

Uma figura central para o mapeamento das redes de literatos abolicionistas foi o advogado e jornalista José Ferreira de Menezes, editor da publicação Gazeta da Tarde (1880) no Rio de Janeiro. Nascido na década de 1840 e filho de liberto, Menezes se insere numa rede de pessoas letradas e em 1860 vai cursar direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Ao chegar em São Paulo, Menezes estabelece laços com Luiz Gama. É uma rede que também tem a circulação de Machado de Assis”.

Ana Flávia destaca que, na província de São Paulo, Luiz Gama é quem inspira a geração que produz os primeiros jornais da imprensa negra como A Pátria e O Progresso. Aí são travadas relações que extrapolam os limites nacionais. Conta a autora que na fundação de O Progresso, em 1899, Theophilo Dias de Castro coloca na capa a figura de Luiz Gama. Ele tem um filho, Theophilo Booker Washington, em homenagem a Booker T. Washington, liderança negra nos Estados Unidos que instituiu uma escola para homens e mulheres, a atual Tuskegee University: 
ACESSE NA ÍNTEGRA: 



TJBA SUPERVISIONA TRABALHO DE PRESERVAÇÃO DOCUMENTAL JUDICIÁRIA EM COMARCAS DO INTERIOR



Uma equipe da Diretoria de Documentação e Informação do Tribunal de Justiça da Bahia – formada pelo seu Diretor, Edmundo Hasselmann, e pelo Coordenador de Arquivos, Marcos Bacellar – esteve nas comarcas de Caetité, Guanambi e Vitória da Conquista para acompanhar trabalhos executados nos convênios nº 45/16-C e nº 98/18-C, celebrados respectivamente com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

Vigente até 2021, o convênio nº 45/16-C, almeja a transferência e preservação da massa documental judiciária produzida por 28 comarcas baianas, entre elas Caetité e Guanambi. No dia 18/03, o grupo se reuniu no Arquivo Público da Prefeitura de Caetité, com os professores da Uneb, Paulo Duque e Zélia Marques; e com Rosália Aguiar, representante do Arquivo.



Durante o encontro, no edifício onde está acomodado o acervo do TJBA, a equipe acompanhou as atividades desenvolvidas pela Universidade e a apresentação de uma ferramenta on-line que permite consulta à base indexada referente ao Fórum de Caetité (Clique aqui) [www.acervos.uneb.br].

Na ferramenta, estão indexados e digitalizados o Registro Civil (nascimento, casamento, óbito e escrituras) da comarca de Caetité e dos distritos de Maniaçú, Pajeú dos Ventos, Brejinho das Ametistas, Caldeiras e Lagoa Real. No total, são 79 livros de nascimento, 37 livros de casamento, 38 livros de óbito e 73 livros de escrituras. Na ocasião, o arquivo físico, a área de pesquisa e de digitalização de processos foram inspecionadas.

Guanambi –Posteriormente, no dia 19/03, o grupo viajou até a Comarca de Guanambi, para visitar o prédio dos Juizados na companhia de representantes da Uneb e do Juiz Ronaldo Alves Neves Filho, com o objetivo de conhecer o acervo já mapeado pela Universidade. No mesmo dia, foi realizada uma reunião com o Juiz Diretor da Comarca, João Batista Pereira Pinto, e com o Juiz de Direito Ronaldo Alves Neves Filho, nas instalações da 1ª Vara Cível de Guanambi.


O encontro serviu para exibir os resultados do convênio e tratar da transferência do acervo de Palmas de Monte Alto e Guanambi para o Arquivo Municipal de Caetité. O Juiz João Batista concordou com a remoção documental e comprometeu a autorizá-la, assim que certificar-se que o Arquivo tem a estrutura necessária para acolher o acervo. Na Comarca de Guanambi estão indexados cerca de 11 mil processos, cíveis e crime.

Na ocasião, o Juiz Ronaldo Neves autorizou a transferência do acervo de Palmas de Monte Alto para Caetité, e comunicou que aguarda envio de ofício da Uneb para formalizar a movimentação. Em Palmas de Monte Alto estão mapeados aproximadamente mil processos cíveis e 200 criminais.

Vitória da Conquista –Por fim, o grupo chegou em Vitória da Conquista, para um encontro com os professores da Uesb, Ricardo Sousa, Rita de Cássia Pereira e Isnara Pereira Ivo, no dia 20/03. Durante o encontro, houve a apresentação das instalações da universidade e projetos para o acervo coletado na 1ª Vara Cível de Vitória da Conquista.

No mesmo dia, também foi realizada uma visita à 1ª Vara Cível, para apresentação do convênio nº 98/18-C ao Titular da unidade, o Juiz Leonardo Maciel. A Vara possui um acervo de 200 caixas com processos cíveis e crime que contemplam o período entre o início do século XIX e 1993.
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Historiador alemão resgata 5 mil fotopinturas feitas no Nordeste



A primeira coisa que o impressionou foi que os mortos pudessem ressuscitar. Estavam ali no caixão, rodeados por flores, e de repente apareciam em fotografias pintadas com os olhos abertos, para serem pendurados vivos. O historiador alemão Titus Riedl, que em 1994 veio morar no Brasil, mais especificamente no Crato, interior do Ceará, resolveu estudar essas imagens, para mostrar que fotos podem ser mais que verossímeis.

Lembra do caso de uma viúva que recebeu a visita de um desses artistas. A mulher lhe conta que não tem foto junto com o marido, e ele pergunta se não há um 3x4 da identidade que seja, ou da carteira de trabalho. E aí, de repente, está a senhora de 80 anos ao lado de um homem com 19. “Quando você vê a fotopintura, tem 60 anos às vezes no meio deles. Você acha que é o neto. Mas não, era o marido”.

Pressentindo que essas imagens desapareceriam com o tempo, Titus decidiu, mais que pesquisá-las, guardá-las. Essas de mortos-vivos, mas também dos vivos-vivos. É hoje o maior colecionador de fotopinturas no Brasil. Tem “na faixa” de cinco mil delas. Uma pequena parte do acervo foi exposta no final de semana passado em Salvador. Um monte de rostos anônimos, mas tão familiares, mirava quem subia ou descia os degraus da escadaria da Igreja do Passo.

A mostra integrou o Festival Transatlântico de Fotografia, promovido pelo Instituto Mario Cravo. Titus também palestrou no evento, falando sobre a tradição dos retratos pintados do Nordeste. Quem é que nunca viu, numa casinha pelo interior, uma foto dessas penduradas na parede? Meus avós têm umas, os seus também devem ter.

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De grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas.


(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

De grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas. 
Fragmentos foram encontrados durante preparação de terreno para construção de refeitório

Matéria: Clarissa Pacheco / CORREIO 
Fotos: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Quatrocentos anos de vida são suficientes para guardar muitas histórias. A Quinta dos Padres, na Baixa de Quintas, em Salvador, guarda memórias de padres jesuítas que viveram lá por quase dois séculos, até que fossem expulsos pelo Marquês de Pombal. Também tem lembranças do período em que funcionou como leprosário, a partir do final do século XVIII, e como um centro de experimentação agrícola. Nos últimos 39 anos, tem guardado registros que contam milhares de histórias sobre a Bahia e o Brasil, desde que passou a funcionar como o Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb).

Agora, o chão onde foi erguido o prédio do século XVI, tombado como patrimônio histórico e cultural desde 1949, pode dizer ainda mais coisas – e, quem sabe, até trazer novas versões sobre a vida de quem passou por ali ou pela vizinhança. É que, em meio ao entulho retirado de uma parte do terreno, onde está sendo construído um anexo ao Arquivo, operários da obra acharam mais do que terra e pedras: o solo está recheado de fragmentos de peças dos séculos XVII ao XIX.

"São cerâmicas, tem grilhões, moedas de diversos períodos, outros tipos de ferramentas. Acredito que são objetos que datam dos séculos XVII ao XIX, mas a pesquisa é que vai dizer melhor", explica o arquiteto e urbanista Matheus Xavier, chefe de gabinete substituto da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia.

Para não deixar que os achados arqueológicos fossem descartados junto com o entulho, os próprios operários acionaram funcionários do Arquivo Público, que chamaram o Iphan. Nos dias 19 e 20 de fevereiro foram contadas 128 peças, entre elas estruturas metálicas grandes, cadeados, cachimbos, moedas. Depois, os achados se multiplicaram. São tantos fragmentos retirados do terreno que duas mesas do Arquivo não foram suficientes para guardá-los.


O jeito foi empilhar o material em baldes até que uma equipe de Arqueologia inicie os estudos sobre o material. Enquanto isso, os próprios funcionários separaram os vestígios por tipo. Sobre uma mesa, há pedaços de azulejos que, de acordo com a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, se assemelham com alguns que já faziam parte do antigo refeitório dos jesuítas.

Outros vestígios parecem mais recentes: há pedaços de pratos de louça, cachimbos, o que sobrou de uma colher de metal, uma faca de mesa, um prato e uma caneca do mesmo material. “O pessoal da obra passou a ser parceiro, mesmo. Eles separam o que encontram, limpam e só entregam para o pessoal que trabalha lá poder guardar”, disse um dos 500 pesquisadores que frequentam o Arquivo todo mês.

Valor histórico
Mesmo que o significado e a idade dos vestígios ainda sejam desconhecidos, historiadores e arqueólogos já destacam o valor histórico dos fragmentos encontrados. “Aquele prédio, suas paredes e cada cantinho contam histórias inimagináveis”, afirma o professor e historiador Urano Andrade, frequentador assíduo do Arquivo Público. Segundo ele, o Arquivo é o segundo do país em volume de documentação – são 7.360,14 metros lineares de documentos –, perdendo só para o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.


Mas, qualitativamente, é o mais importante, porque guarda documentos do período em que Salvador era a capital da colônia. “Da mesma forma que os documentos, caquinhos que se encontram ali também trazem histórias de vida. Ali teve escravos, africanos livres, muitos foram parar ali, fizeram uma greve. Tem muita coisa ali, grilhões, cacos e a própria vida dos que viviam ali”, afirma Urano. O Padre Antônio Vieira, por exemplo, viveu na Quinta por 17 anos – e foi lá que escreveu muitas de suas cartas e sermões.

O historiador Jaime Nascimento, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), também fala das muitas possibilidades sobre a história das peças. “É justamente através desse material, independente do que seja, louça, prato, garfo, talheres, que vai se ter uma ideia da vida social daquela época, como essas pessoas viviam. Pode até dizer respeito à forma do tratamento médico para os leprosos”, aponta.

Embora o maior volume de fragmentos encontrados durante as escavações seja de cerâmica – 51 vestígios – também há chaves, moedas dos anos de 1768, 1826 e 1970, revestimentos que se assemelham aos da Companhia das Índias, uma espécie de ferrolho ou fecho de janela e até fragmentos de ossos.


“Podem ser ossos humanos, porque o cemitério (Quinta dos Lázaros) só foi aberto depois. Antes, tinha a casa de repouso e os padres tinham o direito de ser enterrados lá. Pode ser também de algum interno do leprosário e pode ser de escravos, porque os jesuítas também tinham escravos”, afirma Nascimento.

Para Matheus Xavier, no Iphan, no entanto, a maior parte das peças é mais recente. "A maior parte das peças são do século XIX, então possivelmente não sejam do período da escravidão, mas vamos primeiro fazer o estudo e datar a questão histórica", explica Xavier, que também é fiscal do convênio para as obras no Apeb.

Para a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, cabe agora à administração cuidar, além do patrimônio documental e arquitetônico, também do acervo arqueológico descoberto: “Para o Arquivo, nós entendemos que a descoberta desses vestígios é extremamente significativa e, inclusive vai ao encontro das referências históricas que nós temos em relação à Quinta do Tanque, que é considerado um dos monumentos civis mais importantes do período colonial.
Preservação
O ideal em situações como essa, em que vestígios arqueológicos são encontrados durante uma obra, é embargá-la – e, no caso de bens tombados, entrar em contato com o Iphan. É o que explica a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba (MAE). No caso do Arquivo Público, as escavações no local foram interrompidas logo depois do Carnaval, a pedido da equipe de Arqueologia do Iphan, liderada por Alex Colfas.


Tainã explica que é importante manter as peças onde estão. “A posição onde esse material está no solo diz muita coisa ao arqueólogo. A gente recebe treinamento, percebe as camadas que dizem se é do século XVII, XVIII, se está misturado. Tudo isso, a gente só consegue dizer com o contexto preservado”, explica.

"Foram achados muito interessantes e a gente entende que é uma coisa muito interessante para se fazer uma pesquisa sobre isso", afirma Matheus. Ele ainda não sabe o que será feito das peças, mas não descartou a possibilidade de que elas sejam encaminhadas a um museu. Esse é o desejo da coordenadora de pesquisa do Apeb, professora Rita Rosado.

A arqueóloga Tainã Moura Alcântara chama a atenção para a possibilidade de que os vestígios até revelem novas histórias. “Esse material arqueológico conta histórias que podem até ser diferentes da história oficial das pessoas que estiveram aqui antes da gente. Preservá-lo é uma questão de respeito às pessoas que viveram antes da gente. Isso nos ajuda como sociedade a ir para a frente, também”, afirma.

De qualquer forma, explica a arqueóloga Tainã, uma destinação só costuma ser dada após o estudo. “Sem o contexto, as peças, por si só, não dizem nada. São simplesmente achados arqueológicos. Nem nos museus de arqueologia a gente faz mais exposições que se mostre só os objetos.  A gente busca compreender aquela sociedade no seu tempo”, explica.


Trilhos, ossada e louças são encontrados na Avenida Sete
O lado esquerdo da centenária Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, tem sido escavado de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O trabalho de prospecção arqueológica, que antecede as obras de requalificação no local, já mostram resultados. No final desta semana, o arqueólogo responsável pela pesquisa, Cláudio César Souza e Silva, anunciou os achados: trilhos de bondes, louças e até uma ossada humana.

"Encontramos também parte de estruturas, como essa argamassa vermelha, datada do século XVIII. Os trilhos são, com certeza, do século XIX", explicou o arqueólogo. As equipes vêm trabalhando na segunda etapa da obra, entre a as Mercês e o São Bento. A primeira fase, já concluída, foi da Casa D’Itália às Mercês. A terceira e última parte do trabalho será feita entre o São Bento e a Praça Castro Alves.

O material coletado será analisado por uma equipe de quatro arqueólogos e dois técnicos no laboratório de Arqueologia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no campus de Senhor do Bonfim, no Centro-Norte da Bahia.
Embora seja naturalmente um campo fértil à pesquisa do tipo, Salvador não possui cursos de Arqueologia – e vai na contramão do restante do Nordeste.

“Salvador tem uma potencialidade arqueológica incrível. Primeiro, porque é a primeira capital do Brasil e ela foi construída para ser a capital. Para além disso, Salvador tem pesquisas de que a Praça da Sé foi uma aldeia indígena anterior à chega dos portugueses”, afirma a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba.

Obras no Arquivo custam R$ 2,3 milhões, mas não incluem climatização. 
As obras de reforma do Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) começaram em dezembro do ano passado. Além da construção de um anexo para funcionar como refeitório, depósito e sanitários – justamente no local onde foram encontrados os fragmentos –, também está prevista a reforma nas instalações elétrica e hidrossanitária, a instalação de um circuito fechado de TV, a pintura geral e a recuperação de todas as janelas, portas e reforma das esquadrias.

A climatização dos depósitos onde ficam os documentos e também das áreas técnicas, no entanto, não está inclusa no pacote, que tem previsão para ser entregue em nove meses, contados a partir de dezembro passado. De acordo com a diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, a atual intervenção é considerada uma terceira etapa de obras no Arquivo, mas é necessário mais investimento.
 
“Novos investimentos estão sendo feitos e nós entendemos que são importantíssimos para a preservação do patrimônio, mas também fundamentais para a preservação do patrimônio arquivístico. Contudo, será necessário dar continuidade a outros investimentos e nós já estamos fazendo a gestão”, afirma.

Ao longo dos 39 anos em que o Apeb funciona na Quinta dos Padres – ou Quinta do Tanque –, houve tentativas de retirar a documentação de lá, justamente porque a umidade no local, onde já houve um tanque, não é propícia à preservação dos documentos.

O cuidado com o acervo é cobrado por pesquisadores: “É necessário um cuidado muito especial com a documentação, porque o local não é adequado e também tem a questão da prevenção de incêndios”, afirma o historiador Urano Andrade. O CORREIO encontrou extintores de incêndio no prédio, mas até que haja novos investimentos, a estratégia para manter os documentos será organizar as estantes de modo a aproveitar a ventilação natural.

Na atual etapa da obra também estão inclusas a iluminação externa, comunicação visual, restauração dos elementos arquitetônicos, restauração de bens artísticos móveis e integrados, além da recuperação de toda a estrutura e cobertura e das instalações mecânicas.

Em setembro do ano passado, o CORREIO mostrou a situação em que se encontrava o Apeb: além da parede descascada, havia fios soltos. Incêndios nunca foram registrados, mas de 2011 a 2013 o lugar, que recebe cerca de 500 pessoas por mês, funcionou sem energia elétrica, por conta do risco de curto-circuito.
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