FONTE: Jornal Tribuna da Bahia, 13 de outubro de 1971.
Entrevista com Sueann Caulfield, autora de Jesus versus Jesus: Inheritance Disputes, Patronage Networks, and a Nineteenth-Century African Bahian Family
Sueann
Caulfield é professora associada de história e professora associada no
Residential College da Universidade de Michigan. Suas publicações incluem Emdefesa da honra: moralidade sexual, modernidade e nação no Brasil do início doséculo XX (Duke University Press, 2000), o volume co-nomeando Honra, status edireito na América Latina moderna (Duke University Press, 2005), e vários
artigos sobre gênero e historiografia, direito da família, raça e sexualidade
no Brasil. Você pode ler o artigo “Jesus versus Jesus: disputas de herança,
redes de patrocínios e uma família baiana africana do século XIX ” na HAHR 99.2.
1. Como
você se focou no Brasil como área de pesquisa?
Interessei-me
pela América Latina em 1979 através de um projeto de história do ensino médio
sobre a revolução sandinista. Em meados da década de 1980, enquanto estava na
faculdade em Berkeley, estudei no exterior na Costa Rica e passei um tempo na
Nicarágua. Voltando a Berkeley, decidi estudar a história da América Latina e
me tornei ativo nos movimentos estudantis contra o imperialismo dos EUA. Tomei
aulas de Tulio Halperín Donghi e Linda Lewin, incluindo o último ano da aula de
História do Brasil de Lewin, que mudou minha vida! Lembro-me claramente de suas
palestras sobre estratégias de casamento e nomeação entre famílias brasileiras
de elite. Após a formatura, trabalhei como intérprete espanhol-inglês para
economizar em uma viagem ao Brasil. Acabei ficando em São Paulo por oito ou
nove meses, onde, entre outras atividades, trabalhei em um bar na Bixiga.
Enquanto eu estava em São Paulo, alguém recomendou o livro Rio Claro: um sistema brasileiro de plantio ,
de Warren Dean, e depois de lê-lo, decidi me inscrever no programa de mestrado
em estudos latino-americanos da NYU, onde ele lecionava. Warren Dean foi um
historiador, mentor e ser humano verdadeiramente notável, com uma paixão
contagiosa pelo Brasil e sua história. Eu queria continuar aprendendo com ele,
e queria uma chance de voltar ao Brasil, então me inscrevi para continuar o
doutorado em história do Brasil.
2. Seu
novo artigo da HAHR gira em torno de litígios sobre herança entre um filho
ilegítimo e um ex-escravo. Como você descobriu esse caso único?
Eu
encontrei esse caso há muitos anos, enquanto fazia pesquisas exploratórias no
arquivo do estado da Bahia sobre disputas familiares sobre herança e apoio à
criança. Não é de surpreender que existam centenas desses casos nos arquivos;
na Bahia, li várias dezenas do início e meados do século XX. Este primeiro foi
trazido à minha atenção por um colega pesquisador que estava sentado ao meu
lado um dia. Infelizmente, eu não gravei o nome dela, então não posso
agradecê-la adequadamente! Na época, eu não achava que o caso fosse relevante
para o meu projeto, pois estava trabalhando no século XX. Mais tarde, descobri
através de uma pesquisa no Google que grande parte do caso havia sido publicada
em um jornal de direito da Bahia e procurei o original novamente. Destacou-se
porque foi o último de uma série de casos da Suprema Corte que foram discutidos
em jurisprudência sobre o processo de “legitimação”, que tinha sido uma
dispensação real antes da independência e foi vista pelos principais juristas
do século XIX como um anátema para os liberais. princípios. O caso também é
único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso
me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas
significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um
capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único
porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me
levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas
significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um
capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único
porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me
levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas
significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um
capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior.
Um
ex-escravo não identificado, Bahia, Brasil, 1910. Fotografia de Harry Hamilton
Johnston. Da Biblioteca Pública de Nova York .
3. Seu
artigo faz um trabalho incrível ao rastrear as histórias de vida e o mundo
cultural das figuras envolvidas nesse litígio. Que desafios você enfrentou para
reconstruí-los e como os enfrentou?
Um dos
primeiros desafios foi a enorme quantidade e densidade de documentos
manuscritos, incluindo vários processos judiciais e inventários post-mortem com
centenas de páginas cada. Eu não havia trabalhado anteriormente com o roteiro
do século XIX, e a curva de aprendizado era íngreme! Depois de passar por esse
primeiro monte de documentos, o próximo grande desafio foi que eu era capaz de
passar apenas curtos períodos de tempo na Bahia. Esse tipo de pesquisa não é
possível fazer tudo de uma vez; com frequência, recebia um palpite, encontrava
uma pista ou percebia que queria procurar novas informações somente depois de voltar
a Michigan e reler documentos, ou depois de concluir um rascunho do artigo.
Passo muitas horas examinando recursos on-line, como o FamilySearch.org, onde
encontrei cópias digitalizadas de muitos registros eclesiásticos e a hemeroteca
digital da Biblioteca Nacional, onde pude encontrar vários artigos e entradas
de jornais relevantes nos almanaques do estado, procurando nomes de várias
pessoas que apareceram, mesmo como caracteres secundários, em outros
documentos. Parte do que descobri sobre personagens menores me levou a
entender, por exemplo, que a política do Partido Conservador desempenhava um
papel cada vez mais importante nas redes sociais de Brotas (a paróquia
afro-brasileira onde o homem no centro do artigo construiu sua fortuna). Esse
tipo de pesquisa geralmente se assemelhava à procura de uma agulha no palheiro
e era um desafio reconhecer quando era hora de desistir! Depois de reunir uma
coleção considerável de agulhas, foi um desafio resistir ao impulso de
descrever cada uma delas no artigo. Eu aprendi muito sobre várias pessoas que
acabei tendo que recortar da história. Era difícil abandoná-los, mas necessário
para a coerência narrativa.
Mais
importantes que os recursos eletrônicos eram os pessoais. Tive muita sorte de
poder contar com o apoio e a pesquisa anterior de vários historiadores da
Bahia. O primeiro foi Jacira Primo , uma fenomenal assistente de pesquisa,
estudante de graduação na Universidade Federal da Bahia, trabalhando com o
professor Gino Negro. Mais tarde, descobri (através de uma pesquisa no Google)
o blog do historiador e arquivista Urano Andrade , que estava trabalhando com o
professor João Reis em 2018, para digitalizar várias coleções no Arquivo do
Estado da Bahia. Urano foi crucial no final do processo, quando eu queria acompanhar
alguns palpites que surgiram depois de terminar de escrever o que achava ser o
rascunho final. Urano me enviou por e-mail documentos digitalizados
recentemente que me ajudaram a preencher o período da década de 1820 e até me
ajudou a transcrever alguns dos mais difíceis. Um exemplo é um acordo
pré-nupcial que me permitiu dar alguma textura à história de vida de um dos
personagens secundários da história, enquanto ilustra um tema subjacente: as
preocupações econômicas que acompanharam o casamento entre parceiros desiguais
e o desejo de proprietários de imóveis relativamente jovens para manter o
controle de seus bens após sua morte. Entre os documentos que eu procurava,
estava a correspondência de uma justiça de paz usada por João Reis trinta anos
atrás, em um maravilhoso artigo sobre a repressão ao candomblé. Quando Urano
não conseguiu encontrar algumas das cartas com as antigas anotações de arquivo,
entrei em contato com João, que me enviou fotografias de suas anotações
manuscritas, feitas há mais de três décadas! João já havia lido um rascunho
inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei
bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a
história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia lido um
rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também
confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou
sobre a história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia
lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu
também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele
publicou sobre a história da Bahia.
Como é
evidente nas notas de rodapé, o trabalho de dois volumes de Linda Lewin sobre
lei de legitimidade também foi crítico, e seus comentários generosos sobre um
rascunho inicial me ajudaram a repensar a análise jurídica. Outros colegas que
leram e comentaram o manuscrito também me ajudaram com desafios específicos,
bem como com a tarefa maior de contar uma história coerente de uma família e
usá-la para revelar uma dinâmica histórica mais ampla. As limitações de espaço
me impedem de mencionar todos esses colegas aqui, mas cada pessoa que agradeço
nos agradecimentos me ajudou a enfrentar os desafios de maneira substantiva.
Funeral
para um homem negro não identificado, Bahia, Brasil, por Johann Moritz
Rugendas, 1835. Da Biblioteca Pública de Nova York.
4. Que
ressonâncias a dinâmica de gênero e racial exposta neste litígio do século XIX
tem no Brasil hoje, se houver?
A
dinâmica que surgiu neste caso reflete as formas complexas pelas quais a dupla
lógica do patriarcado e da escravidão infligiu relações sociais e financeiras
nas famílias, famílias e comunidades no Brasil do século XIX. Hoje, a lei não
sustenta mais a escravidão ou o patriarcado, mas ambas as instituições deixaram
poderosos legados. As lutas para combater esses legados desempenharam um papel
central na definição da cidadania e da família ao longo do século XX. Em um
exemplo especialmente relevante para o litígio que analiso neste artigo,
movimentos para eliminar a discriminação contra crianças nascidas fora do
casamento formal tornaram-se parte de uma campanha feminista claramente
articulada para combater o patriarcado na lei brasileira na década de 1970. O
discurso antipatriarcado das feministas brasileiras surgiu em diálogo com
movimentos feministas em todo o mundo, mas também convergiu com processos de
longa data nos tribunais brasileiros. A partir da década de 1920, os direitos
das mães solteiras e de seus filhos expandiram-se por meio de jurisprudência e
políticas públicas, um processo que se desenrolava de vez em quando nos
tribunais trabalhista e familiar. Juntamente com o movimento feminista, essa
expansão de direitos desempenhou um papel fundamental na reconceitualização da
família legalmente constituída pela Constituição de 1988 como uma instituição que
promove a igualdade e a dignidade humana. A ilegitimidade tornou-se obsoleta
quando a constituição reconheceu formalmente uma pluralidade de formas
familiares e exigia a igualdade entre cônjuges e filhos. Trinta anos depois, no
entanto,
5. A
micro-história contida neste artigo faz parte de um projeto mais amplo? Em caso
afirmativo, você se importaria de discutir brevemente esse projeto mais amplo?
Estou
trabalhando em um livro sobre a história da legitimidade no direito da família
brasileiro desde o século XIX até o presente. O primeiro capítulo discute como
a ideologia do paternalismo dos senhores de escravos foi usada para disfarçar
um padrão pelo qual os pais criavam seus filhos ilegítimos por mulheres
escravizadas para ocupar uma posição indeterminada na hierarquia social, acima
da dos escravos, mas abaixo da dos filhos legítimos. Utilizo então o caso
analisado neste artigo para ilustrar como os debates dos juristas do século XIX
sobre o direito da legitimidade influenciaram a construção de princípios
liberais que justificaram a perpetuação da desigualdade (entre maridos e
esposas e entre filhos) no direito de família do século XX.
Imagem
superior: Fotografia de Salvador, Bahia, entre 1912 e 1919. Reutilização de
imagem, cortesia do BNDigital . (Encontre
o original aqui .)
PARA ASSOCIAÇÃO DE ARQUIVISTAS DE SP, ARQUIVO NACIONAL SOFRE DESMONTE
Diretora
rebate as críticas e diz que “as mudanças em curso visam aperfeiçoar os
serviços oferecidos pelo Arquivo Nacional”
Circula
na internet um abaixo-assinado encabeçado pela Associação de Arquivistas de SãoPaulo (ARQ-SP) contra o “desmonte do Arquivo Nacional”. De acordo com a
petição, as medidas em curso na instituição “denotam objetivos claros e
coerentes, pois contrariam as boas práticas da área de arquivo, as pesquisas
realizadas pelas áreas técnicas e as recomendações e orientações emanadas da
própria instituição, muitas das quais adotadas pelo Conselho Nacional de
Arquivos (CONARQ)”.
Uma das
ações negativas em curso no AN apontadas pela Associação de Arquivistas seria a
transferência do Rio de Janeiro para Brasília da Coordenação Geral de Gestão de
Documentos e da coordenação do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo
(SIGA) da administração pública federal que “acarretará a dissociação entre as
atividades de gestão e as atividades de arquivo permanente, fragilizando a
instituição ao restringir a atribuição de sua sede, no Rio de Janeiro, à guarda
de arquivos históricos”.
Ainda de
acordo com a petição, a diretora-geral do Arquivo Nacional, a bibliotecária
Neide de Sordi, que assumiu o cargo em fevereiro deste ano, informou aos
servidores da instituição que o órgão está sob a intervenção do Ministério da
Justiça e Segurança Pública, a quem está subordinado desde 2011.
“A par
disso, vêm sendo anunciadas medidas que representam um retrocesso nas
conquistas alcançadas nas últimas décadas e que, uma vez concretizadas,
comprometerão de forma irreversível o cumprimento da missão institucional. Cabe
ressaltar que o anúncio das medidas se dá num ambiente de ausência de diálogo
com o corpo técnico e de justificativas embasadas em critérios técnicos, legais
e administrativos”, diz a petição.
O Arquivo
Nacional, que em 2018 completou 180, é um órgão central do Sistema de Gestão de
Documentos de Arquivo (SIGA), da administração pública federal, e tem por
competência orientar os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal na
implementação de programas de gestão de documentos, bem como fiscalizar a
aplicação dos procedimentos e das operações técnicas referentes à produção, ao
registro, à classificação, ao controle da tramitação, ao uso e à avaliação de
documentos, entre outros.
Envolvido
no clima político que culminou com o impeachment da ex-presidenta Dilma
Rousseff, o Arquivo Nacional passou por uma série de reveses com seguidas
trocas de diretores a partir de 2016. Os servidores da instituição também
reivindicam um plano de carreira, a realização de eleições para o cargo de
diretor e de concurso público, bem como a volta da entidade para a Casa Civil,
onde o Arquivo estava subordinado antes de ir para o Ministério da Justiça.
Em
contato com a Biblioo, Neide de Sordi rebateu as críticas e disse que “as
mudanças em curso visam aperfeiçoar os serviços oferecidos pelo Arquivo Nacional
em face dos desafios do tempo presente e, ainda, criar condições para que ele,
de fato, exerça sua missão institucional com efetividade”. Segundo ela, “em
lugar de ‘desmonte’, o que se busca é fortalecer a instituição”.
Acesse a fonte e leia na
íntegra:
CONVITE À APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS PREPARAÇÃO PARA EMERGÊNCIAS PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL SOB AMEAÇA
O Prince Claus Fund e a Fundação Gerda Henkel
anunciam uma Chamada Aberta para propostas voltadas especificamente para a
Preparação para Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça. Convidamos
profissionais da cultura, instituições e ONGs locais a apresentar suas idéias
para medidas de proteção do patrimônio cultural tangível contra o perigo agudo
e a perda irreversível. Congratulamo-nos com as aplicações da África, Ásia,
América Latina e Caribe.
Quando um desastre natural ou induzido pelo homem
ataca, os danos a museus, arquivos, sítios arqueológicos, bibliotecas e prédios
históricos são muitas vezes enormes. A herança tangível pode até ser perdida
para sempre, quando faltam recursos locais e capacidades de resgate. Embora os
desastres nem sempre possam ser previstos, os danos ao patrimônio cultural
podem ser mitigados por meio da preparação para emergências.
O Prince Claus Fund, por meio de seu programa de
Resposta a Emergências Culturais (CER), e a Fundação Gerda Henkel, por meio de
sua iniciativa de financiamento Patrimonies, apoiam a proteção e a preservação
do patrimônio cultural em regiões em crise. Ambas as fundações têm uma história
de prevenção e minimização da perda de patrimônio cultural. Os projetos
apoiados no passado variaram desde a implementação do fortalecimento sísmico na
reconstrução dos templos do Nepal após o terremoto de 2015, até o apoio a redes
locais para desenvolver planos de emergência para arquivos no Caribe após os
furacões de 2017 e o aumento de medidas de segurança para grupos vulneráveis.
para saquear na Jordânia.
Este pedido conjunto de candidaturas visa apoiar o
desenvolvimento e implementação de mais medidas preparatórias para os
edifícios, coleções e locais do patrimônio para os proteger, caso ocorra uma
catástrofe. Além disso, incentivamos as organizações a melhorar sua preparação
para emergências implementando as lições aprendidas durante incidentes
anteriores. O chamado também visa intensificar os esforços de nossas Fundações
no campo, conscientizar sobre sua importância e ilustrar como os conceitos
preventivos podem salvaguardar o patrimônio. Praticantes culturais,
instituições e ONGs locais são encorajados a apresentar suas idéias e planos
para a proteção do patrimônio cultural tangível sob ameaça.
Transferências
Elegibilidade e Como Aplicar a Prontidão para
Emergências para o Patrimônio Cultural sob Ameaça.
O prazo para inscrições é 21 de junho de 2019 às
17:00, horário de Amsterdã . As candidaturas recebidas após o prazo não podem
ser consideradas. Recomenda-se não esperar até o prazo final, mas para aplicar
o mais rapidamente possível.
Os candidatos receberão um e-mail de confirmação
assim que a declaração de necessidade for recebida. Os candidatos mais
promissores serão convidados a apresentar pedidos detalhados no início de julho
de 2019. O prazo para inscrições completas é 31 de julho de 2019. As inscrições
completas receberão as decisões finais até o final de novembro de 2019.
ACESSE:
https://princeclausfund.org/emergency-preparedness-for-cultural-heritage-under-threat-2019?fbclid=IwAR23gSqiwB0phBNdvikfk2lw5U65o0FjBOpvuNg1ReQxzVsHY39hZkz7-fY
PALESTRA: IDENTIFICAÇÃO FOTOGRÁFICA: TEORIA E PRÁTICA
Palestra
gratuita sobre "Identificação fotográfica" na Fundação Fernando
Henrique Cardoso, a ser fornecida por Renata Bassetto de Oliveira, dia 7 de
junho de 2019, das 18h às 20h .
ACESSE:
Manual de estilo acadêmico: trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses
A obra
tem a autoria de Nídia M. L. Lubisco e Sônia Chagas Vieira, que contaram com o
apoio da Edufba para essa versão revista e ampliada. O novo prefácio foi
escrito por Flávia Rosa, atual diretora da Editora da Ufba.
Resumo: Com
a finalidade de atualizar nossos leitores na aplicação imediata das normas NBR
6022 (artigos ) e 6023 (referências), que dizem respeito diretamente aos
trabalhos acadêmicos, procedemos, por iniciativa da EDUFBA, a esta 6ª edição,
informando que as alterações feitas se referem às duas normas citadas, à
revisão de alguns aspectos gráficos que poderiam interferir na sua
interpretação e à atualização de algumas orientações e informações.
Considerando que tem sido comum ouvir, no âmbito acadêmico, que a ABNT atualiza
as normas com demasiada frequência, vimos informar, a título de exemplo e por
oportuno, que a NBR 6023 se encontrava em vigor desde 2002, portanto, há 16
anos. Assim, esperamos que esta 6ª edição seja compreendida como uma atenção
especial aos estudantes, técnicos, professores e pesquisadores que, ao tratarem
as questões formais em seus estudos, necessitam de pronta atualização e de se
sentirem confiantes no uso deste Manual.
Download: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29414
MINICURSO COM O PROFESSOR Dr. ROBERT SLENES
Inscrições
abertas para o minicurso (CHK17 – História Social da Escravidão) - Tornando-se
Livre na Sociedade Escravista Brasileira: a Arte da Fuga e da Alforria.
Para
realizar a inscrição, o discente deverá enviar um e-mail para
lucasmeira@ufba.br com nome completo, matrícula, endereço, curso, semestre,
número do Rg, CPF, e-mail para contato até o dia 23/05/2019. O assunto do corpo
do e-mail deverá ser: Minicurso História Social da Escravidão.
Os
discentes do PPGH poderão pedir aproveitamento do minicurso na forma de 01 (um)
crédito.
Local –
Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), Pça. Inocêncio Galvão 43, Largo 2 de
julho, Centro, Salvador.
Datas e
horário: 2ª e 4a feira à noite, 18:30-20:30:27 e 29/05; 03 e 05/06 (quatro
aulas).
Requisitos
para inscrição: cursar programa de pós-graduação ou desenvolver pesquisa de
iniciação científica no último ano da graduação
Professor:
Robert Slenes.
Para mais
detalhes acesse:
Att,
Lucas
Secretaria.
Biblioteca Central celebra 208 anos com programação gratuita
No dia 13
de maio, a Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), unidade da
Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBa), completa 208 anos. Em pouco mais de dois
séculos de serviços prestados à sociedade, a BCEB, primeira biblioteca pública
da América
Latina, comemora o aniversário com programação gratuita.
A
abertura dos festejos acontece na próxima segunda-feira (13) com diversas
atividades, como bate-papo, homenagens e apresentação do grupo de Cordas
Dedilhadas da Neojibá e da Camarata da OSBA.
O destaque
da programação é o bate papo A influência da Biblioteca na difusão da cultura
em espaços não convencionais. A atividade conta com Maria José Goodwin,
pedagoga e professora da Faculdade de Educação da UFBA, Ivanir Mattos, gerente
de marketing do Shopping Center Lapa e do fotógrafo Nilton Souza.
A
diretora da BCEB, Naiara Malta, destaca a importância da celebração. “Comemorar
os 208 anos de existência da biblioteca é demonstrar para a sociedade que a
unidade está em consonância com a discussão mundial sobre o papel das
bibliotecas públicas contemporâneas na sociedade”, afirma.
Para a
diretora, é papel da biblioteca, também, “oferecer à comunidade acesso a
diversas manifestações culturais, tornando-se ponto de referência e serviços”,
completa Naiara.
Confira
abaixo a programação completa:
MANHÃ
9h:
Abertura das atividades do aniversário pela Secretaria de Cultura através do
Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, e pela Diretora do Sistema
de Bibliotecas do Estado da Bahia, Carmen Azevedo.
09h30:
Abertura da Exposição Fotográfica “O Dia a dia da Biblioteca Central do Estado
da Bahia”.
09h40:
Apresentação do curta “A contribuição da Biblioteca na formação cultural do
indivíduo”.
10h:
Apresentação do grupo de Cordas Dedilhadas da Neojibá.
10h30:
Bate–papo: “A influência da Biblioteca na difusão da cultura em espaços não
convencionais”. Participantes: Maria José Goodwin (Pedagoga, Professora da
Faculdade de Educação UFBA); Ivanir Mattos (Gerente de Marketing Center Lapa);
Nilton Souza (Fotografo)
11h30:
Homenagem a usuários atuantes da Biblioteca, com a entrega de placas de
agradecimentos pela participação e presença nas ações e na utilização dos
serviços prestados pela BCEB.
TARDE
14h30:
Bate–papo: “O consumo da cultura em espaços não convencionais”. Participantes:
Glaucea Fernandes (Produtora cultural); Dennissena (Artista e educador); Wilson
Estavanovic (Fundador do Coletivo Retrô).
15h30:
Apresentação do Grupo de Poesias Negritude em Nós. Moisés dos Palmares.
16h:
Lançamento do livro “A Educação, o lúdico e a inclusão”, do Professor Doutor
Marcos Welby.
16h30:
Apresentação da Camerata da OSBA.
A
Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), localizada nos Barris, oferece
orientação às pessoas com deficiência visual, seminários, palestras, visitas
guiadas e técnicas, exposições, orientação à pesquisa, espetáculos musicais,
saraus e recitais. Com 207 anos de existência, é a biblioteca mais antiga da
América Latina e primeira pública do Brasil. Atualmente conta com um acervo de
600 mil exemplares, distribuídos por setores como Braille, Infantil,
Pesquisa/Referência, Obras Raras e Valiosas, Documentação Baiana, Artes e
Audiovisual. A biblioteca funciona de segunda a sexta das 8h30 às 19h e aos
sábados das 8h30 às 13h.
Serviço:
O que:
Aniversário de 208 anos da Biblioteca Central do Estado da Bahia;
Quando:
segunda-feira (13), às 9h;
Onde:
Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris)
Acesse a fonte:
Livro revela papel de intelectuais negros contra o racismo e pela cidadania no Brasil oitocentista
O
primeiro censo demográfico realizado no Brasil do século 19 apontava para um
dado importante: seis em cada dez pessoas pretas e pardas já viviam nas
condições de livres e libertas, 16 anos antes do fim da escravidão. Esta
maioria de mulheres e homens negros construiu experiências de liberdade na
sociedade escravocrata constituindo redes até mesmo transnacionais de
escritores, jornalistas e artistas que lutavam pelo abolicionismo e por
projetos de cidadania. A história de integrantes dessas redes só não foi
completamente negligenciada por força da excepcionalidade. Trajetórias como a
de Luiz Gama ou José do Patrocínio, de Machado de Assis ou Chiquinha Gonzaga,
são reconhecidas em suspensão, como descreve a historiadora Ana Flávia
Magalhães Pinto, autora do livro Escritos da Liberdade: Literatos negros,
racismo e cidadania no Brasil oitocentista (Editora da Unicamp), da coleção
Várias Histórias, organizada pelo Cecult (Centro de Pesquisa em História Social
da Cultura da Unicamp).
A
historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto, autora do livro: “Na liberdade, o
exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por
conta do racismo”
“Nossa
tendência é a de não reconhecer esses sujeitos no chão da história onde se
assenta a dicotomia senhores brancos e escravizados negros. Mas, na liberdade,
o exercício da cidadania era interditado cotidianamente a pessoas negras por
conta do racismo”, afirma a autora. Ana Flávia é pós-doutora em História pela
Unicamp e professora do Departamento de História da Universidade de Brasília
(UnB). A tese de doutorado “Fortes laços em linhas rotas: literatos negros,
racismo e cidadania na segunda metade do século XIX”, que deu origem ao livro,
recebeu menção honrosa do Prêmio Capes de Tese 2015.
Uma
figura central para o mapeamento das redes de literatos abolicionistas foi o
advogado e jornalista José Ferreira de Menezes, editor da publicação Gazeta da
Tarde (1880) no Rio de Janeiro. Nascido na década de 1840 e filho de liberto,
Menezes se insere numa rede de pessoas letradas e em 1860 vai cursar direito na
Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Ao chegar em São Paulo,
Menezes estabelece laços com Luiz Gama. É uma rede que também tem a circulação
de Machado de Assis”.
Ana
Flávia destaca que, na província de São Paulo, Luiz Gama é quem inspira a
geração que produz os primeiros jornais da imprensa negra como A Pátria e O
Progresso. Aí são travadas relações que extrapolam os limites nacionais. Conta
a autora que na fundação de O Progresso, em 1899, Theophilo Dias de Castro
coloca na capa a figura de Luiz Gama. Ele tem um filho, Theophilo Booker
Washington, em homenagem a Booker T. Washington, liderança negra nos Estados
Unidos que instituiu uma escola para homens e mulheres, a atual Tuskegee
University:
ACESSE NA ÍNTEGRA:
TJBA SUPERVISIONA TRABALHO DE PRESERVAÇÃO DOCUMENTAL JUDICIÁRIA EM COMARCAS DO INTERIOR
Uma
equipe da Diretoria de Documentação e Informação do Tribunal de Justiça da
Bahia – formada pelo seu Diretor, Edmundo Hasselmann, e pelo Coordenador de
Arquivos, Marcos Bacellar – esteve nas comarcas de Caetité, Guanambi e Vitória
da Conquista para acompanhar trabalhos executados nos convênios nº 45/16-C e nº
98/18-C, celebrados respectivamente com a Universidade do Estado da Bahia
(Uneb) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).
Vigente
até 2021, o convênio nº 45/16-C, almeja a transferência e preservação da massa
documental judiciária produzida por 28 comarcas baianas, entre elas Caetité e
Guanambi. No dia 18/03, o grupo se reuniu no Arquivo Público da Prefeitura de
Caetité, com os professores da Uneb, Paulo Duque e Zélia Marques; e com Rosália
Aguiar, representante do Arquivo.
Durante o
encontro, no edifício onde está acomodado o acervo do TJBA, a equipe acompanhou
as atividades desenvolvidas pela Universidade e a apresentação de uma
ferramenta on-line que permite consulta à base indexada referente ao Fórum de
Caetité (Clique aqui) [www.acervos.uneb.br].
Na
ferramenta, estão indexados e digitalizados o Registro Civil (nascimento,
casamento, óbito e escrituras) da comarca de Caetité e dos distritos de
Maniaçú, Pajeú dos Ventos, Brejinho das Ametistas, Caldeiras e Lagoa Real. No
total, são 79 livros de nascimento, 37 livros de casamento, 38 livros de óbito
e 73 livros de escrituras. Na ocasião, o arquivo físico, a área de pesquisa e
de digitalização de processos foram inspecionadas.
Guanambi
–Posteriormente, no dia 19/03, o grupo viajou até a Comarca de Guanambi, para
visitar o prédio dos Juizados na companhia de representantes da Uneb e do Juiz
Ronaldo Alves Neves Filho, com o objetivo de conhecer o acervo já mapeado pela
Universidade. No mesmo dia, foi realizada uma reunião com o Juiz Diretor da
Comarca, João Batista Pereira Pinto, e com o Juiz de Direito Ronaldo Alves
Neves Filho, nas instalações da 1ª Vara Cível de Guanambi.
O
encontro serviu para exibir os resultados do convênio e tratar da transferência
do acervo de Palmas de Monte Alto e Guanambi para o Arquivo Municipal de
Caetité. O Juiz João Batista concordou com a remoção documental e comprometeu a
autorizá-la, assim que certificar-se que o Arquivo tem a estrutura necessária
para acolher o acervo. Na Comarca de Guanambi estão indexados cerca de 11 mil
processos, cíveis e crime.
Na
ocasião, o Juiz Ronaldo Neves autorizou a transferência do acervo de Palmas de
Monte Alto para Caetité, e comunicou que aguarda envio de ofício da Uneb para
formalizar a movimentação. Em Palmas de Monte Alto estão mapeados
aproximadamente mil processos cíveis e 200 criminais.
Vitória
da Conquista –Por fim, o grupo chegou em Vitória da Conquista, para um encontro
com os professores da Uesb, Ricardo Sousa, Rita de Cássia Pereira e Isnara
Pereira Ivo, no dia 20/03. Durante o encontro, houve a apresentação das
instalações da universidade e projetos para o acervo coletado na 1ª Vara Cível
de Vitória da Conquista.
No mesmo
dia, também foi realizada uma visita à 1ª Vara Cível, para apresentação do
convênio nº 98/18-C ao Titular da unidade, o Juiz Leonardo Maciel. A Vara
possui um acervo de 200 caixas com processos cíveis e crime que contemplam o
período entre o início do século XIX e 1993.
Historiador alemão resgata 5 mil fotopinturas feitas no Nordeste
A
primeira coisa que o impressionou foi que os mortos pudessem ressuscitar.
Estavam ali no caixão, rodeados por flores, e de repente apareciam em
fotografias pintadas com os olhos abertos, para serem pendurados vivos. O
historiador alemão Titus Riedl, que em 1994 veio morar no Brasil, mais
especificamente no Crato, interior do Ceará, resolveu estudar essas imagens,
para mostrar que fotos podem ser mais que verossímeis.
Lembra do
caso de uma viúva que recebeu a visita de um desses artistas. A mulher lhe
conta que não tem foto junto com o marido, e ele pergunta se não há um 3x4 da
identidade que seja, ou da carteira de trabalho. E aí, de repente, está a
senhora de 80 anos ao lado de um homem com 19. “Quando você vê a fotopintura,
tem 60 anos às vezes no meio deles. Você acha que é o neto. Mas não, era o
marido”.
Pressentindo
que essas imagens desapareceriam com o tempo, Titus decidiu, mais que
pesquisá-las, guardá-las. Essas de mortos-vivos, mas também dos vivos-vivos. É
hoje o maior colecionador de fotopinturas no Brasil. Tem “na faixa” de cinco
mil delas. Uma pequena parte do acervo foi exposta no final de semana passado
em Salvador. Um monte de rostos anônimos, mas tão familiares, mirava quem subia
ou descia os degraus da escadaria da Igreja do Passo.
A mostra
integrou o Festival Transatlântico de Fotografia, promovido pelo Instituto
Mario Cravo. Titus também palestrou no evento, falando sobre a tradição dos
retratos pintados do Nordeste. Quem é que nunca viu, numa casinha pelo
interior, uma foto dessas penduradas na parede? Meus avós têm umas, os seus
também devem ter.
ACESSE NA
ÍNTEGRA:
De grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas.
(Foto:
Mauro Akin Nassor/CORREIO)
De
grilhões a cerâmicas: escavações no Arquivo Público revelam peças históricas.
Fragmentos
foram encontrados durante preparação de terreno para construção de refeitório
Matéria: Clarissa
Pacheco / CORREIO
Fotos: Mauro Akin Nassor/CORREIO
Quatrocentos
anos de vida são suficientes para guardar muitas histórias. A Quinta dos
Padres, na Baixa de Quintas, em Salvador, guarda memórias de padres jesuítas
que viveram lá por quase dois séculos, até que fossem expulsos pelo Marquês de
Pombal. Também tem lembranças do período em que funcionou como leprosário, a
partir do final do século XVIII, e como um centro de experimentação agrícola.
Nos últimos 39 anos, tem guardado registros que contam milhares de histórias sobre
a Bahia e o Brasil, desde que passou a funcionar como o Arquivo Público do
Estado da Bahia (Apeb).
Agora, o
chão onde foi erguido o prédio do século XVI, tombado como patrimônio histórico
e cultural desde 1949, pode dizer ainda mais coisas – e, quem sabe, até trazer
novas versões sobre a vida de quem passou por ali ou pela vizinhança. É que, em
meio ao entulho retirado de uma parte do terreno, onde está sendo construído um
anexo ao Arquivo, operários da obra acharam mais do que terra e pedras: o solo
está recheado de fragmentos de peças dos séculos XVII ao XIX.
"São
cerâmicas, tem grilhões, moedas de diversos períodos, outros tipos de
ferramentas. Acredito que são objetos que datam dos séculos XVII ao XIX, mas a
pesquisa é que vai dizer melhor", explica o arquiteto e urbanista Matheus
Xavier, chefe de gabinete substituto da Superintendência do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia.
Para não
deixar que os achados arqueológicos fossem descartados junto com o entulho, os
próprios operários acionaram funcionários do Arquivo Público, que chamaram o
Iphan. Nos dias 19 e 20 de fevereiro foram contadas 128 peças, entre elas
estruturas metálicas grandes, cadeados, cachimbos, moedas. Depois, os achados
se multiplicaram. São tantos fragmentos retirados do terreno que duas mesas do
Arquivo não foram suficientes para guardá-los.
O jeito
foi empilhar o material em baldes até que uma equipe de Arqueologia inicie os
estudos sobre o material. Enquanto isso, os próprios funcionários separaram os
vestígios por tipo. Sobre uma mesa, há pedaços de azulejos que, de acordo com a
diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, se assemelham com alguns que já faziam
parte do antigo refeitório dos jesuítas.
Outros
vestígios parecem mais recentes: há pedaços de pratos de louça, cachimbos, o
que sobrou de uma colher de metal, uma faca de mesa, um prato e uma caneca do
mesmo material. “O pessoal da obra passou a ser parceiro, mesmo. Eles separam o
que encontram, limpam e só entregam para o pessoal que trabalha lá poder
guardar”, disse um dos 500 pesquisadores que frequentam o Arquivo todo mês.
Valor
histórico
Mesmo que
o significado e a idade dos vestígios ainda sejam desconhecidos, historiadores
e arqueólogos já destacam o valor histórico dos fragmentos encontrados. “Aquele
prédio, suas paredes e cada cantinho contam histórias inimagináveis”, afirma o
professor e historiador Urano Andrade, frequentador assíduo do Arquivo Público.
Segundo ele, o Arquivo é o segundo do país em volume de documentação – são
7.360,14 metros lineares de documentos –, perdendo só para o Arquivo Nacional,
no Rio de Janeiro.
Mas,
qualitativamente, é o mais importante, porque guarda documentos do período em
que Salvador era a capital da colônia. “Da mesma forma que os documentos,
caquinhos que se encontram ali também trazem histórias de vida. Ali teve
escravos, africanos livres, muitos foram parar ali, fizeram uma greve. Tem
muita coisa ali, grilhões, cacos e a própria vida dos que viviam ali”, afirma
Urano. O Padre Antônio Vieira, por exemplo, viveu na Quinta por 17 anos – e foi
lá que escreveu muitas de suas cartas e sermões.
O
historiador Jaime Nascimento, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia
(IGHB), também fala das muitas possibilidades sobre a história das peças. “É
justamente através desse material, independente do que seja, louça, prato,
garfo, talheres, que vai se ter uma ideia da vida social daquela época, como
essas pessoas viviam. Pode até dizer respeito à forma do tratamento médico para
os leprosos”, aponta.
Embora o
maior volume de fragmentos encontrados durante as escavações seja de cerâmica –
51 vestígios – também há chaves, moedas dos anos de 1768, 1826 e 1970,
revestimentos que se assemelham aos da Companhia das Índias, uma espécie de
ferrolho ou fecho de janela e até fragmentos de ossos.
“Podem
ser ossos humanos, porque o cemitério (Quinta dos Lázaros) só foi aberto
depois. Antes, tinha a casa de repouso e os padres tinham o direito de ser
enterrados lá. Pode ser também de algum interno do leprosário e pode ser de
escravos, porque os jesuítas também tinham escravos”, afirma Nascimento.
Para
Matheus Xavier, no Iphan, no entanto, a maior parte das peças é mais recente.
"A maior parte das peças são do século XIX, então possivelmente não sejam
do período da escravidão, mas vamos primeiro fazer o estudo e datar a questão
histórica", explica Xavier, que também é fiscal do convênio para as obras
no Apeb.
Para a
diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, cabe agora à administração cuidar, além
do patrimônio documental e arquitetônico, também do acervo arqueológico
descoberto: “Para o Arquivo, nós entendemos que a descoberta desses vestígios é
extremamente significativa e, inclusive vai ao encontro das referências
históricas que nós temos em relação à Quinta do Tanque, que é considerado um
dos monumentos civis mais importantes do período colonial.
Preservação
O ideal
em situações como essa, em que vestígios arqueológicos são encontrados durante
uma obra, é embargá-la – e, no caso de bens tombados, entrar em contato com o
Iphan. É o que explica a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de
Arqueologia e Etnologia da Ufba (MAE). No caso do Arquivo Público, as
escavações no local foram interrompidas logo depois do Carnaval, a pedido da
equipe de Arqueologia do Iphan, liderada por Alex Colfas.
Tainã
explica que é importante manter as peças onde estão. “A posição onde esse
material está no solo diz muita coisa ao arqueólogo. A gente recebe
treinamento, percebe as camadas que dizem se é do século XVII, XVIII, se está
misturado. Tudo isso, a gente só consegue dizer com o contexto preservado”, explica.
"Foram
achados muito interessantes e a gente entende que é uma coisa muito
interessante para se fazer uma pesquisa sobre isso", afirma Matheus. Ele
ainda não sabe o que será feito das peças, mas não descartou a possibilidade de
que elas sejam encaminhadas a um museu. Esse é o desejo da coordenadora de
pesquisa do Apeb, professora Rita Rosado.
A
arqueóloga Tainã Moura Alcântara chama a atenção para a possibilidade de que os
vestígios até revelem novas histórias. “Esse material arqueológico conta histórias
que podem até ser diferentes da história oficial das pessoas que estiveram aqui
antes da gente. Preservá-lo é uma questão de respeito às pessoas que viveram
antes da gente. Isso nos ajuda como sociedade a ir para a frente, também”,
afirma.
De
qualquer forma, explica a arqueóloga Tainã, uma destinação só costuma ser dada
após o estudo. “Sem o contexto, as peças, por si só, não dizem nada. São
simplesmente achados arqueológicos. Nem nos museus de arqueologia a gente faz
mais exposições que se mostre só os objetos.
A gente busca compreender aquela sociedade no seu tempo”, explica.
Trilhos,
ossada e louças são encontrados na Avenida Sete
O lado
esquerdo da centenária Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, tem
sido escavado de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O trabalho de prospecção
arqueológica, que antecede as obras de requalificação no local, já mostram
resultados. No final desta semana, o arqueólogo responsável pela pesquisa,
Cláudio César Souza e Silva, anunciou os achados: trilhos de bondes, louças e
até uma ossada humana.
"Encontramos
também parte de estruturas, como essa argamassa vermelha, datada do século
XVIII. Os trilhos são, com certeza, do século XIX", explicou o arqueólogo.
As equipes vêm trabalhando na segunda etapa da obra, entre a as Mercês e o São
Bento. A primeira fase, já concluída, foi da Casa D’Itália às Mercês. A
terceira e última parte do trabalho será feita entre o São Bento e a Praça
Castro Alves.
O
material coletado será analisado por uma equipe de quatro arqueólogos e dois
técnicos no laboratório de Arqueologia da Universidade do Estado da Bahia
(Uneb), no campus de Senhor do Bonfim, no Centro-Norte da Bahia.
Embora
seja naturalmente um campo fértil à pesquisa do tipo, Salvador não possui
cursos de Arqueologia – e vai na contramão do restante do Nordeste.
“Salvador
tem uma potencialidade arqueológica incrível. Primeiro, porque é a primeira
capital do Brasil e ela foi construída para ser a capital. Para além disso,
Salvador tem pesquisas de que a Praça da Sé foi uma aldeia indígena anterior à
chega dos portugueses”, afirma a arqueóloga Tainã Moura Alcântara, do Museu de
Arqueologia e Etnologia da Ufba.
Obras no
Arquivo custam R$ 2,3 milhões, mas não incluem climatização.
As obras
de reforma do Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb) começaram em dezembro
do ano passado. Além da construção de um anexo para funcionar como refeitório,
depósito e sanitários – justamente no local onde foram encontrados os
fragmentos –, também está prevista a reforma nas instalações elétrica e
hidrossanitária, a instalação de um circuito fechado de TV, a pintura geral e a
recuperação de todas as janelas, portas e reforma das esquadrias.
A
climatização dos depósitos onde ficam os documentos e também das áreas
técnicas, no entanto, não está inclusa no pacote, que tem previsão para ser
entregue em nove meses, contados a partir de dezembro passado. De acordo com a
diretora do Apeb, Maria Teresa Matos, a atual intervenção é considerada uma
terceira etapa de obras no Arquivo, mas é necessário mais investimento.
“Novos
investimentos estão sendo feitos e nós entendemos que são importantíssimos para
a preservação do patrimônio, mas também fundamentais para a preservação do
patrimônio arquivístico. Contudo, será necessário dar continuidade a outros
investimentos e nós já estamos fazendo a gestão”, afirma.
Ao longo
dos 39 anos em que o Apeb funciona na Quinta dos Padres – ou Quinta do Tanque
–, houve tentativas de retirar a documentação de lá, justamente porque a
umidade no local, onde já houve um tanque, não é propícia à preservação dos
documentos.
O cuidado
com o acervo é cobrado por pesquisadores: “É necessário um cuidado muito
especial com a documentação, porque o local não é adequado e também tem a
questão da prevenção de incêndios”, afirma o historiador Urano Andrade. O
CORREIO encontrou extintores de incêndio no prédio, mas até que haja novos
investimentos, a estratégia para manter os documentos será organizar as
estantes de modo a aproveitar a ventilação natural.
Na atual
etapa da obra também estão inclusas a iluminação externa, comunicação visual,
restauração dos elementos arquitetônicos, restauração de bens artísticos móveis
e integrados, além da recuperação de toda a estrutura e cobertura e das
instalações mecânicas.
Em
setembro do ano passado, o CORREIO mostrou a situação em que se encontrava o
Apeb: além da parede descascada, havia fios soltos. Incêndios nunca foram
registrados, mas de 2011 a 2013 o lugar, que recebe cerca de 500 pessoas por
mês, funcionou sem energia elétrica, por conta do risco de curto-circuito.
ACESSE A FONTE:
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