CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA, HOMENAGEM A PROFESSORA CONSUELO NOVAIS SAMPAIO



O Centrode Memória da Bahia (CMB) realiza nos dias 11 e 12, o projeto Conversando com a sua história, em homenagem a historiadora Consuelo Novais Sampaio, falecida em outubro de 2013. O evento é aberto ao público e acontece na Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB/Barris), local onde Consuelo trabalhou de 2003 a 2011, enquanto diretora do mesmo CMB - órgão vinculado a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA).

A atividade será realizada na quarta e na quinta da próxima semana. No primeiro dia (11), às 19h, Paulo Novais Quadros, Zulu Araújo, Nelson Leal, Fabíola Mansur, João Carlos Salles, Joaci Góes e Eduardo Moraes de Castro rendem homenagem à professora. Já na quinta-feira (12), às 17h, é a vez de Gino Negro, Paulo Santos Silva e Vinícius Jacob apresentarem a vida e as obras nesta edição especial do Conversando - projeto criado em 2003, pela própria Consuelo Novais Sampaio. Ela também foi responsável pela criação do Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia, localizado no Palácio Rio Branco, centro de Salvador.

Walter Silva é o atual diretor do CMB e trabalhou com a "professora Consuelo" (como com carinho é referenciada) no Centro de Memória por anos. Ele ressalta a contribuição que as pesquisas da homenageada deram à história da Bahia. "Consuelo se constitui um verdadeiro bastião da preservação da memória e difusão da história do nosso estado. Homenageá-la é celebrar as pessoas que doaram suas vidas em prol da história e da memória da Bahia", acrescenta Walter.

Consuelo Novais Sampaio foi formada em história pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), conclui mestrado em 1973 (Ufba) e na The Johns Hopkins University (1979); doutorado na The Johns Hopkins University (1979) e foi pós-doutorado em História do Brasil República pela Universidade da Califórnia.
Acumulou ao longo de sua trajetória acadêmica uma série de prêmios em reconhecimento aos trabalhos desenvolvidos. Consuelo também é autora dos livros "Canudos: Cartas para o Barão", "Pinto de Aguiar - Audacioso Inovador", "O Poder Legislativo da Bahia - Primeira República 1889-1930" e "50 Anos de Urbanização: Salvador da Bahia no Século XIX".

Centro de Memória da Bahia (CMB), localizado na Avenida Sete de Setembro, tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. O Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia, localizado no Palácio Rio Branco, e a Casa de Cultura Afrânio Peixoto, em Lençóis, são espaços sob a supervisão da unidade. O CMB funciona de segunda a sexta das 8h30 às 17h30.


Serviço
Quando: 11/12, 19h e 12/12, 17h.
Onde: Biblioteca Central do Estado da Bahia

A conturbada vida de João Cândido, líder da Revolta da Chibata preso, expulso da Marinha e internado como louco


ARQUIVO GERAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Até hoje, quase 110 anos depois, não se sabe ao certo o que levou o comandante do Minas Gerais, João Batista das Neves, a ordenar que o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes levasse 250 chibatadas: a suspeita de ter embarcado, às escondidas, com duas garrafas de cachaça; a acusação de ter agredido um cabo com uma navalha; ou um pouco dos dois.

Em 1910, faltas leves eram punidas pelos oficiais da Marinha com a prisão em solitária, a pão e água, por um período de três a seis dias. Já as ofensas mais graves, como desrespeito à hierarquia, recebiam como castigo 25 chibatadas, na frente de toda a tripulação e ao som do rufar de tambores.

O fato é que, no dia 21 de novembro daquele ano, a sentença imposta a Marcelino, amarrado a um mastro do convés e nu da cintura para cima, revoltou um grupo de marinheiros negros que, cansado de sofrer castigos físicos de seus oficiais brancos, resolveu organizar um motim.

No dia seguinte, às 22h, o clarim não pediu silêncio. Chamou para o combate. Sob a liderança de João Cândido, 2.379 marinheiros — em sua maioria, negros e pardos — assumiram o comando de quatro navios de guerra — Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro —, que estavam ancorados na Baía de Guanabara.

Aos gritos de "Viva a liberdade!" e "Abaixo a chibata!", a marujada içou bandeiras vermelhas de insurreição, apontou 80 canhões na direção do Rio de Janeiro e ameaçou bombardear a então capital da República, caso suas exigências não fossem cumpridas: melhores salários, anistia aos revoltosos e, principalmente, o fim dos castigos.
ACESSE NA ÍNTEGRA: 

JANE LANDERS: FONTES PARA O ESTUDO DA ESCRAVIDÃO AFRICANA NO ATLÂNTICO, XV-XIX


MANIFESTAÇÃO DA ANPUH – BA SOBRE O ATRASO DAS OBRAS E O NÃO FUNCIONAMENTO DO ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA - APEB



A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – SEÇÃO BAHIA (ANPUH/BA) recebeu com grande preocupação a notícia sobre a prorrogação do prazo de finalização das Obras do APEB. A ANPUH/BA reconhece a importância das obras na busca por melhor tratamento da memória histórica brasileira.

A ANPUH/BA identifica que a APEB se constitui em espaço estratégico de formação e exercício profissional dos historiadores, sobretudo da Bahia. Nesse sentido, os historiadores reconhecem a APEB não apenas como um patrimônio dos baianos, mas o principal centro de memória histórica da Bahia e um dos principais do país. Pela importância da documentação e das atuais pesquisas sobre a História da Bahia e do Brasil, consideramos a questão grave e preocupa-nos os impactos causados aos profissionais da História quanto ao não acesso às fontes históricas. 

Por essa razão, muitas pesquisas acadêmicas encontram-se prejudicadas pelas dificuldades enfrentadas por pesquisadores (as) que necessitam da consulta à documentação para desenvolvimento de seus estudos. Desta forma, apelamos para a Fundação Pedro Calmon, mantenedora do APEB, no sentido de envidar esforços para acelerar o cronograma das obras e abrir, o mais rapidamente possível, as consultas às fontes históricas.

Por fim, solicitamos à Fundação Pedro Calmon, uma resposta concreta aos problemas causados pela execução das obras e nos colocamos a disposição para ampliar o diálogo entre a FPC e a ANPUH/BA.



ILHÉUS/BA, 25 DE NOVEMBRO DE 2019 
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – SEÇÃO BAHIA.

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DIRETORIA GESTÃO 2018/2020

Presidente -  Denilson Lessa dos Santos (UNEB) 

Vice-Presidente - Cleide de Lima Chaves (UESB) 

Secretário Geral -  Lina Maria Brandão de Aras (UFBA) 

1ª Secretária -  Maria Sandra da Gama (UNEB) 

2ª Secretária -  Flaviane Nascimento Ribeiro (IFBA) 

1º Tesoureiro -  Laila Brichta (UESC) 

2º Tesoureiro - Henrique Sena dos Santos (UFRB

“O arquivo tem que se tornar imprescindível”



“O arquivo tem que se tornar imprescindível”diz Fernando Padula sobre os desafios na preservação de acervos documentais.

A UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, realizou no dia 21 de novembro o Encontro Patrimônio Documental de São Paulo. O evento tratou dos principais desafios para a preservação dos acervos documentais com a participação de representantes do Arquivo Público do Estado de São Paulo, da Biblioteca Nacional Digital, do Centro Cultural São Paulo, da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), do Departamento de Cultura da Câmara do Comércio Árabe-Brasileira, da  TV Cultura, entre outros.

“Esse é um passo fundamental na gestão dos arquivos históricos, tanto para preservação como para garantir o acesso da população a esse patrimônio. O evento contribui para avançarmos na troca de conhecimento e experiências”, destaca o coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, Adauto Cândido Soares.

Fernando Padula, coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo, acredita que a política de gestão documental é fundamental para preservar os arquivos, principalmente os natos digitais. “O arquivo tem que se tornar imprescindível para a administração pública”.

O coordenador da Biblioteca Nacional Digital, Joaquim Marçal, ressalta que a questão dos repositórios digitais são de extrema importância neste processo. Aponta como caminho o trabalho em redes e cita o projeto “Brasiliana” [Brasiliana Fotográfica e Brasiliana Iconográfica] desenvolvido em conjunto com o Instituto Moreira Salles, integrando outras instituições.

A imprensa, pela sua natureza fiscalizadora e informativa, é uma das grandes interessadas na utilização destes acervos, e tem a função de sensibilizar a sociedade e os poderes para a importância da preservação e ao acesso público a estes arquivos.
ACESSE A FONTE: 
http://portalimprensa.com.br/imprensa+educa/conteudo/82903/o+arquivo+tem+que+se+tornar+imprescindivel+diz+fernando+padula+sobre+os+desafios+na+preservacao+de+acervos+documentais?fbclid=IwAR12hEYRgvGAAgtLK0p0EyX6RYaV2tn9D2Qe0NWAwyA2L5b9H5ws5U8gWd4

Arquivo Público da Bahia continuará fechado até abril de 2020


Prédio está em obras desde dezembro do ano passado; intervenções pararam após serem achadas peças dos séculos XVII ao XIX.
Obras deveriam ter terminado em setembro; novo prazo é abril de 2020
(Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)

O Arquivo Públcio do Estado da Bahia (Apeb) vai continuar fechado para o público pelo menos até abril do ano que vem. O prédio do século XVI passa por uma terceira fase de obras desde dezembro do ano passado e a previsão era de que as intervenções fossem concluídas em nove meses - ou seja, em setembro passado.

Dois meses após o prazo ter vencido, a Fundação Pedro Calmon (FPC), instituição responsável pelo Arquivo, informou nesta quinta-feira (21) que, por conta de uma paralisação nas obras no mês de fevereiro, a nova estimativa de término é abril de 2020.

As obras foram paralisadas por ordem do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacioal (Iphan) porque, durante as escavações numa parte do terreno para a construção de um refeitório, foram encontrados fragmentos de peças que datam dos séculos XVII ao XIX.

Em março, o CORREIO mostrou, com exclusividade, as peças encontradas no terreno: foram desde cerâmicas, grilhões, moedas, cachimbos e até fragmentos de ossos.

Na época, um dos 500 pesquisadores que frequentam o Arquivo Público todo mês, Urano Andrade, falou sobre o valor histórico dos achados.

"Aquele prédio, suas paredes e cada cantinho contam histórias inimagináveis”, afirmou Urano.
Fragmentos foram achados durante escavações para construção de um refeitório
(Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)

O Arquivo Público da Bahia, que foi construído na antiga Quinta dos Padres - um local de repouso dos padres jesuítas até a expulsão deles, em 1759, e onde também funcionou um leprosário - é o segundo do país em volume de documentação – são 7.360,14 metros lineares de documentos –, perdendo só para o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

Além dos pesquisadores, cidadãos comuns frequentam o arquivo para ter acesso a documentos como testamentos, registros civis, entre outros.

Aditivo
Segundo a Fundação Pedro Calmon, a paralisação impediu que a empresa Marsou Engenharia, responsável pela obra, ficasse impedida de trabalhar no solo "por meses".
"Isso motivou a necessidade de firmar mais um aditivo no prazo de vigência da obra, por mais 180 dias, a partir de 15 de dezembro desse ano. A estimativa de término encontra-se prevista para abril de 2020", diz a Fundação, em nota publicada em seu site.

A obra da sede do Arquivo, segundo a FPC, representa um investimento de R$ 3 milhões, que abrangem a requalificação do sistema elétrico e hidrossanitário, além da restauração do telhado, forro, assoalho, piso, escadas, janelas, portas e pintura predial externa. Prevê, também, a reforma dos toaletes, a instalação de circuito fechado de TV, de elevador de acessibilidade e monta carga.

Segundo a diretora, Teresa Matos, “trata-se de um investimento necessário para qualificar a preservação e o acesso a dois patrimônios de imensurável significado e importância – o documental e o arquitetônico”.
ACESSE A FONTE: 

CHAMADA PARA SOCORRO AO PATRIMÔNIO DOCUMENTAL SOB AMEAÇA



Os convites à apresentação de propostas anteriores em 2017 e 2018 deram uma resposta retumbante. Agora, o Prince Claus Fund, através de seu programa de Resposta de Emergência Cultural (CER) e a Whiting Foundation, anunciam uma terceira rodada da Chamada Aberta de Primeiros Socorros ao Patrimônio Documentário sob ameaça. Convidamos propostas de projetos na África, Ásia, América Latina e Caribe para salvaguardar o patrimônio documental que é agudamente ameaçado por conflitos recentes ou outros desastres, naturais ou provocados pelo homem.

O que está em jogo

Manuscritos, livros raros, arquivos, tablets, inscrições e ­­­­­­outros tipos de registros escritos às vezes são a única forma na qual o passado sobrevive. Seja em mosteiros, bibliotecas particulares ou túmulos esquecidos, eles são objetos de importância histórica e profundo significado local. Eles também são especialmente frágeis, suscetíveis ao fogo, insetos, água e umidade - e às vezes são apontados para destruição deliberada por quem tem medo de seu poder simbólico. Quando há um terremoto, uma enchente ou um ataque armado, a herança pode ser perdida para sempre.

O que estamos fazendo

Nas duas rodadas anteriores desta convocatória, o Prince Claus Fund e a Whiting Foundation apoiaram administradores de todo o mundo para evitar e minimizar a perda de patrimônio documental, financiando 26 projetos. Eles responderam a diferentes tipos de ameaças, salvaguardando urgentemente uma grande variedade de coleções e inscrições. Nas Ilhas Marshall, apoiamos o Museu Alele para digitalizar e melhorar as condições de armazenamento de um arquivo importante e ajudamos a nos preparar para as consequências das mudanças climáticas. Na Palestina, onde os manuscritos antigos da Grande Mesquita de Omari foram ameaçados pelo conflito em andamento, a equipe foi treinada na preservação e digitalização da coleção e em como realizar resgate urgente. No Equador, onde a coleção da biblioteca do mosteiro de Santo Domingo sofreu danos e umidade do terremoto, fortalecemos os esforços locais para a limpeza e preservação de emergência da coleção e a recuperação da biblioteca. E na Colômbia, financiamos a documentação visual e a divulgação de inscrições pré-hispânicas ameaçadas pela mineração ativa.

Recebemos um número impressionante de solicitações de mais de 70 países diferentes nos últimos dois anos, ilustrando uma necessidade premente de suporte. No entanto, ainda existem países que não alcançamos nos ciclos anteriores. Portanto, encorajamos vivamente os candidatos do Sudeste Asiático, Ásia Central, África Central, América do Sul e Caribe. No entanto, consideramos solicitações de toda a África, Ásia, América Latina, Caribe e Europa Oriental.

Esta terceira rodada continuará a expandir o escopo desta iniciativa e facilitar o trabalho vital de salvaguardar objetos físicos e tornar as informações que eles carregam acessíveis a um público mais amplo nas próximas gerações. Ao fazer isso, esperamos contribuir para a valorização das realizações culturais e da diversidade histórica e promover a disseminação mundial de histórias esquecidas ou ameaçadas.

Para obter detalhes sobre Elegibilidade, Critérios de Seleção e como se inscrever, consulte o documento abaixo . Para outras dúvidas, entre em contato com cer@princeclausfund.nl 

Para se inscrever, faça o download e preencha o formulário de Declaração de Necessidade abaixo . O formulário pode ser preenchido em inglês, francês ou espanhol. Envie o formulário com materiais de apoio para  cer@princeclausfund.nl 

O prazo final para inscrições é 31 de janeiro de 2020 às 17:00, horário de Amsterdã (CET) . As solicitações recebidas após o prazo não podem ser consideradas.

Observe que as propostas serão aceitas durante toda a chamada . O orçamento para esta chamada é limitado e as aplicações mais urgentes têm prioridade. Recomendamos que os candidatos não esperem até o prazo final, mas se inscrevam o mais rápido possível após o patrimônio documental ser afetado por conflitos, desastres naturais e / ou causados ​​pelo homem.­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

REVISTA MUNDOS DO TRABALHO V. 11 (2019)



Artigos:








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Escravidão no Brasil tem descoberta rara em Ouro Preto


        Obra revela ''cenas africanas'' em porão de Ouro Preto; escravo pode ser o autor. 
(foto: FOTOS: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)
Gustavo Werneck 
Desenhos foram encontrados durante reformas em sobrado. Cachimbo achado na possível área de senzala reforça tese de que o painel foi feito por vítima da escravidão. 

Ouro Preto – Lembranças da terra africana, da cultura do seu povo e da travessia oceânica marcadas no barro com uma ponta de saudade, o banzo dos negros, foram encontradas no porão de um sobrado de mais de 200 anos no Centro Histórico de Ouro Preto, na Região Central do estado. O empresário Philipe Passos, da família proprietária do imóvel, não esconde a emoção ao falar das cenas descobertas na parede e que, tudo indica, foram deixadas por uma vítima da escravidão, o regime só extinto no Brasil em 1888 pela Lei Áurea. “É como se fosse uma mensagem numa garrafa jogada no mar e no tempo, para que, um dia, fosse achada por alguém”, compara Philipe sobre o encantamento do achado.

Rodrigo Passos no local do achado, que será submetido a exames
Localizado na Rua Conde de Bobadela, mais conhecida como Rua Direita, a poucos metros da Praça Tiradentes, o casarão se encontra em fase final de primoroso restauro que trouxe de volta a beleza da arquitetura e valorizou ainda mais a paisagem urbana da antiga Vila Rica. Foi durante a obra que um funcionário localizou os desenhos no porão, onde pode ter sido a senzala e se tornou necessário fazer um desaterro – ao lado, ficará a cozinha do restaurante a ser inaugurado no ano que vem. Estão lá duas mulheres trabalhando no pilão, um animal de grandes proporções, que pode ser um guepardo ou chita, parecidos com a onça, duas aves pernaltas, pessoas dançando e um navio. 
ACESSE NA ÍNTEGRA: 


CONGRESSO PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO 2019



O Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão constitui-se como um espaço de reflexão ampliada e aprofundada sobre a Universidade, sobre suas heranças e perspectivas e seu papel social, favorecendo o estabelecimento de políticas mais bem definidas para as diversas dimensões da UFBA, enquanto instituição pública, gratuita, de qualidade e marcada por forte compromisso com a sociedade. O evento propõe um espaço de interlocução entre os mais diversos saberes produzidos nos programas de assistência estudantil e de fomento à pesquisa, extensão e ensino na UFBA, associando-se ao movimento que reverberou na UFBA durante os Congressos realizados em 2016, 2017 e 2018.

II Seminário Nacional de Paleografia


O II Seminário Nacional de Paleografia acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de novembro de 2019. Ele é um evento de caráter interdisciplinar, que coloca em diálogo as diversas áreas que têm a Paleografia como forma de compreensão do passado e, certamente, irá oportunizar o estreitamento das relações entre profissionais das áreas de interseção com a paleografia – filólogos, arquivistas, historiadores, restauradores, professores de disciplinas de paleografia nas universidades do país ou nos núcleos, oficinas e laboratórios paleográficos –, assim como permitirá contatos e trocas de experiências com pesquisadores e profissionais das instituições nacionais e estrangeiras com grande relevância na atuação e na formação paleográfica.

A programação do II Seminário Nacional de Paleografia terá, minicursos, conferências, palestras, mesas-redondas, seções de comunicação,  lançamento de livros e exposição de painéis das atividades paleográficas realizadas nas diversas instituições dos participantes.


ACESSE: 
https://www.even3.com.br/snp2019/?fbclid=IwAR2YqZF0jf9nEAqAuvFKGfjnH9B8Klh-d1_cblxx9tA2YflIdUf8MAmtzq8

Encontro Sertões da Bahia: pesquisa e prática



O Encontro Sertões da Bahia: pesquisa e prática tem por tema História e Literatura Latino-Americana e reúne estudiosos e pesquisadores baianos para debate da literatura dos sertões da Bahia e latino-americana. O Encontro proporciona debates temáticos por meio de mesa-redonda, palestras, roda de conversa, exposições e lançamentos de livros, que integram docentes da Bahia com estudantes de graduação, pós-graduação e do ensino básico. A pesquisa histórica na Bahia é abordada tendo em vista as suas diversas regiões, hoje mais integradas por novos estudos, desenvolvidos em diversos programas de pós-graduação do Brasil e do exterior. O Encontro acontece na UNEB, campus de Caetité, nos dias 31/10 e 01/11/2019. As inscrições devem ser realizadas em sge.uneb.br/sb, até às 18h de 31/10/2019.

O Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL/CNPq) e o Centro de Estudos Literários Latino-Americanos Floriano Martins (CEL-FM) realizam o evento Sertões da Bahia: pesquisa e prática, com o tema História e Literatura Latino-Americana.

Dias 31/10 e 01/11/2019
Na UNEB, Campus de Caetité (BA)

Inscrições gratuitas em sge.uneb.br/sb até às 18h de 31/10/2019
Apoio: DCH I-Campus Salvador, DCH VI-Campus Caetité e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX)
ACESSE: 

I Encontro de Pesquisadores do Memorial da Medicina Brasileira





O Encontro busca memorar os 10 anos de reabertura da Biblioteca da Faculdade de Medicina da Bahia aos pesquisadores (2009-2019) e tem por objetivo compartilhar reflexões sobre objetos de pesquisas desenvolvidas a partir do acervo histórico do Memorial da Medicina Brasileira nesses últimos 10 anos.
Local:
Salão Nobre da Faculdade de Medicina da Bahia - UFBA
Largo do Terreiro de Jesus – Pelourinho, Salvador, BA.. 

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA CONTINUARÁ FECHADO



REPASSANDO:  
“Bom dia, como podem observar na imagem acima, a Fundação Pedro Calmon solicitou a prorrogação do prazo para as obras do APEB (Arquivo Público do Estado da Bahia) por mais 180 dias, ou seja, Arquivo só no próximo ano... e se não ficarmos atentos, é bem possível que o prazo seja ampliado. Diante disso, gostaria de convidar vocês para unirmos forças e entramos em contato com a Ouvidoria Geral do Estado. Se nós não reclamamos, fica subentendido que não precisamos dos serviços prestados pelo Arquivo. A reclamação pode ser feita por telefone (0800 284 0011), Zap (71- 9911-7631) ou pessoalmente (Edifício Brasilgás na Avenida Carlos Gomes ). Obrigada”!

Entrevista com Sueann Caulfield, autora de Jesus versus Jesus: Inheritance Disputes, Patronage Networks, and a Nineteenth-Century African Bahian Family


Sueann Caulfield é professora associada de história e professora associada no Residential College da Universidade de Michigan. Suas publicações incluem Emdefesa da honra: moralidade sexual, modernidade e nação no Brasil do início doséculo XX (Duke University Press, 2000), o volume co-nomeando Honra, status edireito na América Latina moderna (Duke University Press, 2005), e vários artigos sobre gênero e historiografia, direito da família, raça e sexualidade no Brasil. Você pode ler o artigo “Jesus versus Jesus: disputas de herança, redes de patrocínios e uma família baiana africana do século XIX ” na  HAHR 99.2. 



1. Como você se focou no Brasil como área de pesquisa?

Interessei-me pela América Latina em 1979 através de um projeto de história do ensino médio sobre a revolução sandinista. Em meados da década de 1980, enquanto estava na faculdade em Berkeley, estudei no exterior na Costa Rica e passei um tempo na Nicarágua. Voltando a Berkeley, decidi estudar a história da América Latina e me tornei ativo nos movimentos estudantis contra o imperialismo dos EUA. Tomei aulas de Tulio Halperín Donghi e Linda Lewin, incluindo o último ano da aula de História do Brasil de Lewin, que mudou minha vida! Lembro-me claramente de suas palestras sobre estratégias de casamento e nomeação entre famílias brasileiras de elite. Após a formatura, trabalhei como intérprete espanhol-inglês para economizar em uma viagem ao Brasil. Acabei ficando em São Paulo por oito ou nove meses, onde, entre outras atividades, trabalhei em um bar na Bixiga. Enquanto eu estava em São Paulo, alguém recomendou o livro  Rio Claro: um sistema brasileiro de plantio , de Warren Dean, e depois de lê-lo, decidi me inscrever no programa de mestrado em estudos latino-americanos da NYU, onde ele lecionava. Warren Dean foi um historiador, mentor e ser humano verdadeiramente notável, com uma paixão contagiosa pelo Brasil e sua história. Eu queria continuar aprendendo com ele, e queria uma chance de voltar ao Brasil, então me inscrevi para continuar o doutorado em história do Brasil.

2. Seu novo artigo da HAHR gira em torno de litígios sobre herança entre um filho ilegítimo e um ex-escravo. Como você descobriu esse caso único?

Eu encontrei esse caso há muitos anos, enquanto fazia pesquisas exploratórias no arquivo do estado da Bahia sobre disputas familiares sobre herança e apoio à criança. Não é de surpreender que existam centenas desses casos nos arquivos; na Bahia, li várias dezenas do início e meados do século XX. Este primeiro foi trazido à minha atenção por um colega pesquisador que estava sentado ao meu lado um dia. Infelizmente, eu não gravei o nome dela, então não posso agradecê-la adequadamente! Na época, eu não achava que o caso fosse relevante para o meu projeto, pois estava trabalhando no século XX. Mais tarde, descobri através de uma pesquisa no Google que grande parte do caso havia sido publicada em um jornal de direito da Bahia e procurei o original novamente. Destacou-se porque foi o último de uma série de casos da Suprema Corte que foram discutidos em jurisprudência sobre o processo de “legitimação”, que tinha sido uma dispensação real antes da independência e foi vista pelos principais juristas do século XIX como um anátema para os liberais. princípios. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior. O caso também é único porque envolveu uma grande propriedade de um homem afro-brasileiro. Isso me levou a analisá-lo no contexto da literatura histórica sobre a pequena mas significativa elite negra do século XIX. O caso também me levou a incluir um capítulo no século XIX em meu projeto de pesquisa maior.

Um ex-escravo não identificado, Bahia, Brasil, 1910. Fotografia de Harry Hamilton Johnston. Da Biblioteca Pública de Nova York .

3. Seu artigo faz um trabalho incrível ao rastrear as histórias de vida e o mundo cultural das figuras envolvidas nesse litígio. Que desafios você enfrentou para reconstruí-los e como os enfrentou?

Um dos primeiros desafios foi a enorme quantidade e densidade de documentos manuscritos, incluindo vários processos judiciais e inventários post-mortem com centenas de páginas cada. Eu não havia trabalhado anteriormente com o roteiro do século XIX, e a curva de aprendizado era íngreme! Depois de passar por esse primeiro monte de documentos, o próximo grande desafio foi que eu era capaz de passar apenas curtos períodos de tempo na Bahia. Esse tipo de pesquisa não é possível fazer tudo de uma vez; com frequência, recebia um palpite, encontrava uma pista ou percebia que queria procurar novas informações somente depois de voltar a Michigan e reler documentos, ou depois de concluir um rascunho do artigo. Passo muitas horas examinando recursos on-line, como o FamilySearch.org, onde encontrei cópias digitalizadas de muitos registros eclesiásticos e a hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, onde pude encontrar vários artigos e entradas de jornais relevantes nos almanaques do estado, procurando nomes de várias pessoas que apareceram, mesmo como caracteres secundários, em outros documentos. Parte do que descobri sobre personagens menores me levou a entender, por exemplo, que a política do Partido Conservador desempenhava um papel cada vez mais importante nas redes sociais de Brotas (a paróquia afro-brasileira onde o homem no centro do artigo construiu sua fortuna). Esse tipo de pesquisa geralmente se assemelhava à procura de uma agulha no palheiro e era um desafio reconhecer quando era hora de desistir! Depois de reunir uma coleção considerável de agulhas, foi um desafio resistir ao impulso de descrever cada uma delas no artigo. Eu aprendi muito sobre várias pessoas que acabei tendo que recortar da história. Era difícil abandoná-los, mas necessário para a coerência narrativa.

Mais importantes que os recursos eletrônicos eram os pessoais. Tive muita sorte de poder contar com o apoio e a pesquisa anterior de vários historiadores da Bahia. O primeiro foi Jacira Primo , uma fenomenal assistente de pesquisa, estudante de graduação na Universidade Federal da Bahia, trabalhando com o professor Gino Negro. Mais tarde, descobri (através de uma pesquisa no Google) o blog do historiador e arquivista Urano Andrade , que estava trabalhando com o professor João Reis em 2018, para digitalizar várias coleções no Arquivo do Estado da Bahia. Urano foi crucial no final do processo, quando eu queria acompanhar alguns palpites que surgiram depois de terminar de escrever o que achava ser o rascunho final. Urano me enviou por e-mail documentos digitalizados recentemente que me ajudaram a preencher o período da década de 1820 e até me ajudou a transcrever alguns dos mais difíceis. Um exemplo é um acordo pré-nupcial que me permitiu dar alguma textura à história de vida de um dos personagens secundários da história, enquanto ilustra um tema subjacente: as preocupações econômicas que acompanharam o casamento entre parceiros desiguais e o desejo de proprietários de imóveis relativamente jovens para manter o controle de seus bens após sua morte. Entre os documentos que eu procurava, estava a correspondência de uma justiça de paz usada por João Reis trinta anos atrás, em um maravilhoso artigo sobre a repressão ao candomblé. Quando Urano não conseguiu encontrar algumas das cartas com as antigas anotações de arquivo, entrei em contato com João, que me enviou fotografias de suas anotações manuscritas, feitas há mais de três décadas! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia. tomada mais de três décadas antes! João já havia lido um rascunho inicial do artigo e oferecido sugestões muito úteis, e eu também confiei bastante em seu artigo e em muitos outros trabalhos que ele publicou sobre a história da Bahia.

Como é evidente nas notas de rodapé, o trabalho de dois volumes de Linda Lewin sobre lei de legitimidade também foi crítico, e seus comentários generosos sobre um rascunho inicial me ajudaram a repensar a análise jurídica. Outros colegas que leram e comentaram o manuscrito também me ajudaram com desafios específicos, bem como com a tarefa maior de contar uma história coerente de uma família e usá-la para revelar uma dinâmica histórica mais ampla. As limitações de espaço me impedem de mencionar todos esses colegas aqui, mas cada pessoa que agradeço nos agradecimentos me ajudou a enfrentar os desafios de maneira substantiva.

Funeral para um homem negro não identificado, Bahia, Brasil, por Johann Moritz Rugendas, 1835. Da Biblioteca Pública de Nova York.


4. Que ressonâncias a dinâmica de gênero e racial exposta neste litígio do século XIX tem no Brasil hoje, se houver?

A dinâmica que surgiu neste caso reflete as formas complexas pelas quais a dupla lógica do patriarcado e da escravidão infligiu relações sociais e financeiras nas famílias, famílias e comunidades no Brasil do século XIX. Hoje, a lei não sustenta mais a escravidão ou o patriarcado, mas ambas as instituições deixaram poderosos legados. As lutas para combater esses legados desempenharam um papel central na definição da cidadania e da família ao longo do século XX. Em um exemplo especialmente relevante para o litígio que analiso neste artigo, movimentos para eliminar a discriminação contra crianças nascidas fora do casamento formal tornaram-se parte de uma campanha feminista claramente articulada para combater o patriarcado na lei brasileira na década de 1970. O discurso antipatriarcado das feministas brasileiras surgiu em diálogo com movimentos feministas em todo o mundo, mas também convergiu com processos de longa data nos tribunais brasileiros. A partir da década de 1920, os direitos das mães solteiras e de seus filhos expandiram-se por meio de jurisprudência e políticas públicas, um processo que se desenrolava de vez em quando nos tribunais trabalhista e familiar. Juntamente com o movimento feminista, essa expansão de direitos desempenhou um papel fundamental na reconceitualização da família legalmente constituída pela Constituição de 1988 como uma instituição que promove a igualdade e a dignidade humana. A ilegitimidade tornou-se obsoleta quando a constituição reconheceu formalmente uma pluralidade de formas familiares e exigia a igualdade entre cônjuges e filhos. Trinta anos depois, no entanto,

5. A micro-história contida neste artigo faz parte de um projeto mais amplo? Em caso afirmativo, você se importaria de discutir brevemente esse projeto mais amplo?

Estou trabalhando em um livro sobre a história da legitimidade no direito da família brasileiro desde o século XIX até o presente. O primeiro capítulo discute como a ideologia do paternalismo dos senhores de escravos foi usada para disfarçar um padrão pelo qual os pais criavam seus filhos ilegítimos por mulheres escravizadas para ocupar uma posição indeterminada na hierarquia social, acima da dos escravos, mas abaixo da dos filhos legítimos. Utilizo então o caso analisado neste artigo para ilustrar como os debates dos juristas do século XIX sobre o direito da legitimidade influenciaram a construção de princípios liberais que justificaram a perpetuação da desigualdade (entre maridos e esposas e entre filhos) no direito de família do século XX.

Imagem superior: Fotografia de Salvador, Bahia, entre 1912 e 1919. Reutilização de imagem, cortesia do  BNDigital . (Encontre o original aqui .)