O
Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC) sediará o Encontro "Escravidão
na Bahia: Salvador, Recôncavos e Sertões" entre os dias 30 e 31 de agosto
de 2016. Nesta primeira fase do evento, contaremos com mesas de
historiadores/autores do projeto Trezena da Liberdade, da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé/Fundação Pedro
Calmon. O Encontro é uma
iniciativa do Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem-UNEB/DCH VI, em
parceria com o Grupo de Pesquisa Escravidão e
Invenção da Liberdade-UFBA/PPGH, realizado
pelo projeto "Arquivo Vivo: Quinta Cultural e Sarau Literário", com
apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX/UNEB). As mesas serão realizadas no
APMC e no auditório da UNEB/DCH VI, em dois períodos distintos, agosto e
novembro deste ano. Também está prevista uma roda de conversa entre professores
de universidades (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) e moradores de comunidades
quilombolas do alto sertão.
Resgate do passado: Iniciativa dos mórmons recupera antigos registros de cartórios de municípios paulistas
Uma
parceria entre os mórmons e um órgão do governo paulista que preserva
documentos públicos vai disponibilizar para cidadãos e pesquisadores um
conjunto de 25 milhões de imagens digitalizadas de registros de nascimento,
casamento e morte anteriores a 1940. Um convênio celebrado em abril entre o
FamilySearch, organização de pesquisa genealógica ligada à Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e o Arquivo Público do Estado de São Paulo
prevê a limpeza, digitalização e indexação de 199.664 livros cartorários de
dezenas de municípios paulistas. Quarenta e dois técnicos foram contratados
para a empreitada, prevista para terminar em abril de 2018. O custo, bancado
integralmente pelo FamilySearch, deve chegar a R$ 20 milhões. Depois de
digitalizados, os documentos ficarão disponíveis gratuitamente para consulta na
internet no site da organização. O arquivo paulista também poderá oferecê-los
em seu site, a exemplo do que faz com cerca de 400 mil imagens de vários de
seus acervos, como as fichas e prontuários produzidos pelo Departamento
Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), a polícia política
paulista, entre 1924 e 1983.
O
acordo garante outros benefícios para o arquivo e seus usuários. Além da
digitalização de registros civis, o Family-Search se comprometeu a limpar e
catalogar centenas de livros de registros de imóveis, que ficarão disponíveis
para consulta na sede do Arquivo Público – esse material não será, contudo,
digitalizado, porque não interessa à organização. “A higienização mecânica é
muito importante, pois são livros antigos, anteriores a 1940, que por isso se
tornaram de guarda permanente”, diz o historiador Wilson Ricardo Mingorance,
diretor do Centro de Arquivo Administrativo do órgão paulista. Os livros
estavam guardados sem catalogação. À medida que o trabalho de limpeza e
indexação avançar, será possível ter uma ideia de quantos municípios são
abrangidos pelo material.
A
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias especializou-se em reunir e
disponibilizar documentos para pesquisa genealógica desde o século XIX. “Na
doutrina mórmon, as relações familiares são eternas. Acreditamos que, no
momento da ressurreição, todos nos reencontraremos com nossos antepassados.
Então incentivamos nossos fiéis a saberem quem eles foram”, diz Mario Silva,
gerente de relacionamentos do FamilySearch, organização fundada em 1894. Até
cerca de 10 anos atrás, o trabalho se concentrava na produção de microfilmes em
diversos países, que estão armazenados na cidade norte-americana da Salt Lake
City, Utah, onde fica a sede da igreja. A partir dos anos 2000, os microfilmes
cederam espaço às imagens digitais, mais fáceis e baratas de registrar.
Atualmente, a organização dispõe, somente no Brasil, de 41 câmeras digitais
reproduzindo documentos em diversas localidades – 20 delas estão dedicadas à
parceria celebrada em São Paulo. Esse trabalho já atingiu cidades de 17 dos 27
estados brasileiros. Parte do acervo do FamilySearch pode ser consultada de
forma gratuita. Quando a informação requerida está em microfilmes, paga-se
apenas o custo do transporte ou a reprodução de documentos. A consulta aos
microfilmes pode ser feita em capelas mórmons.
A expectativa
de Ieda Pimenta Bernardes, diretora do Departamento de Gestão do Sistema de
Arquivos do Estado de São Paulo, é de que o acervo dos livros de cartórios seja
aproveitado por pesquisadores de várias áreas. “Os registros de imóveis podem
ser úteis em estudos sobre a história da urbanização em São Paulo. Os de
nascimento, em pesquisas sobre a imigração e até em filologia. Os de óbito, em
estudos sobre saúde pública”, exemplifica. A maior parte das consultas, porém,
deve partir de cidadãos em busca de dados sobre sua genealogia. “Esses
documentos têm efeito probatório e podem comprovar direitos, podendo ser
usados, por exemplo, por pessoas interessadas em obter a cidadania
estrangeira”, diz Ieda.
Fichas
consulares
Não é a
primeira vez que o Arquivo do Estado e a organização vinculada aos mórmons
fazem um convênio. Em 2014, o FamilySearch digitalizou 4 milhões de imagens,
como os cartões de imigração de estrangeiros que chegaram a São Paulo entre
1902 e 1980. Esse material está disponível na internet, assim como parte de um
acervo de 2 milhões de fichas consulares de qualificação que o FamilySearch
digitalizou no Rio de Janeiro, por meio de um convênio com o Arquivo Nacional.
A
historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, vem consultando as
fichas consulares sob a guarda do Arquivo Nacional com o objetivo de completar
as pesquisas para o Arquivo Virtual sobre Holocausto (arqshoah.com). Sua equipe
continua em busca de judeus sobreviventes da perseguição nazista desde 1933
para gravar testemunhos sobre suas trajetórias de vida. “As fichas consulares
digitalizadas fornecem informações valiosas para estas pesquisas, que
extrapolam a memória individual, pois são parte da história de um genocídio
único na história da humanidade. Por meio delas, é possível reconstruir as
rotas de fuga, a chegada desses imigrantes no Brasil, saber se ingressaram no
país como apátridas e que cônsul chancelou sua entrada, além de recuperar a
data ou o navio que os trouxeram”, diz a pesquisadora. Ela prevê usos nobres
para os documentos de cartórios que começam a ser digitalizados em São Paulo.
“Em pesquisas sobre imigrantes, esses documentos vão permitir dizer que bens
eles adquiriram no Brasil, com quem casaram, por exemplo, oferecendo dados
significativos para os estudos acerca da integração e ascensão na sociedade
brasileira”, afirma.
O
FamilySearch atesta que seus documentos têm tido vários tipos de serventia. “Há
alguns anos, fomos procurados por pesquisadores do Centro de Documentação e
Pesquisa dos Domínios Portugueses da Universidade Federal do Paraná. Eles
estavam interessados nos livros de nascimento de dioceses católicas do estado
que havíamos digitalizado e que eram mais fáceis de consultar do que
presencialmente. Perguntamos à arquidiocese se poderíamos repassar os dados e
ela autorizou”, diz Mario Silva. Em outras situações, documentos perdidos foram
resgatados. “Havíamos microfilmado livros de um cartório de São Luís do
Paraitinga, que se perderam na enchente de 2010. Recuperamos os registros em
Salt Lake City e os devolvemos para o cartório”, conta.
ROBÉRIO S. SOUZA: TRABALHADORES DOS TRILHOS
Contrariando
a historiografia brasileira, que geralmente caracterizava as últimas décadas do
século XIX como um período de “transição do trabalho escravo para o trabalho
livre e assalariado” e também normalmente compreendia o trabalho escravo como
antagônico ao trabalho livre e assalariado no século XIX, este livro ressalta
que as fronteiras entre a escravidão e a liberdade muitas vezes podiam ser
tênues na sociedade escravista oitocentista, tornando as experiências de
trabalhadores escravos, libertos e livres pobres ambíguas no Brasil. Ao
considerar as diferenças de condição entre esses trabalhadores, o autor
argumenta ainda que as experiências comuns de exploração bem como as
ambiguidades e a precariedade da vida em liberdade forjaram, naquele contexto, uma
identidade social entre os livres e os escravizados.
Robério
S. Souza é doutor em História Social da Cultura pela Unicamp e professor de
História do Brasil da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). É autor de Tudo
pelo trabalho livre! Trabalhadores e conflitos no pós-abolição, 1892-1909
(Edufba, 2011), além de artigos publicados em coletâneas, revistas e
periódicos. Integra o grupo de pesquisa “Escravidão e Invenção da Liberdade”,
vinculado ao PPGH/UFBA.
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO REVISTA MUNDOS DO TRABALHO
Prezados(as)
colegas,
Gostaríamos
de lembrá-los(as) que a Revista Mundos do Trabalho (RMT), publicação semestral
do GT Mundos do Trabalho da Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil),
está com chamada pública de trabalhos aberta para a edição do segundo semestre
de 2016. A submissão de artigos (dossiê e seção livre), resenhas críticas,
transcrições comentadas, traduções, entrevistas e comentários sobre acervos e
fontes documentais deverá obedecer ao cronograma seguinte:
De
27/06/2016 até 27/07/2016
Edição
vol. 08, n. 16 (2016/2): Dossiê Biografia e História do Trabalho – organização:
Benito Schmidt (UFRGS) e Aldrin Castellucci (UNEB).
O
dossiê abrigará artigos que enfoquem trajetórias de indivíduos ligados, de
diferentes formas, ao mundo do trabalho, em variados recortes temporais e
espaciais. A preocupação subjacente à proposta diz respeito às possibilidades
analíticas/interpretativas que um estudo focado em um indivíduo pode trazer à
história do trabalho. Entre outros recortes, os artigos poderão tratar de
experiências de trabalhadores (escravos, libertos e livres, ou que
experimentaram diversas condições ao longo de sua vida) e de militantes
vinculados a variadas correntes de pensamento que buscaram interpelar os
trabalhadores (abolicionismo, socialismo, anarquismo, comunismo, trabalhismo,
integralismo, catolicismo...), bem como de outros indivíduos ligados ao
universo laboral (senhores, patrões, advogados, intelectuais, familiares...).
Serão bem vindos ainda artigos de caráter teórico, historiográfico ou que
tratem de fontes e arquivos relacionados ao tema central do dossiê “Biografia e
história do trabalho”.
Pesquisadores(as)
interessados(as) em submeter colaborações deverão fazê-lo pelo site http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho. Os trabalhos recebidos serão apreciados pela Equipe Editorial e por
pareceristas ad hoc.
REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA: LEMBRAI-VOS DE 1964
Editorial
Antonio
Luigi Negro
Universidade Federal da Bahia (UFBA). Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.br
Neste
primeiro exemplar de 2016, assumindo a sua nova periodicidade (agora
quadrimestral), a Revista Brasileira de História (RBH) vem a público em
conjuntura grave e delicada. Não por acaso, este número 71 intitula-se "Lembrai-vos
de 1964". Em primeiro lugar, como se verá, os artigos aqui reunidos
justificam-no. E, claro, o afastamento da presidenta Dilma do exercício do
poder para o qual foi eleita conecta-se, inevitavelmente, ao Congresso Nacional
votando a vacância da Presidência, em 1964 (sob, aliás, os protestos de
Tancredo Neves). Em editorial a 31 de março de 1964, o Correio da Manhã afirmou
existir apenas uma palavra a dizer ao presidente João Goulart: um sonoro
"saia!". Roberto Marinho, assim como outros barões da imprensa,
engrossaram o coro. Militares e civis tomaram o poder, disseram que iam debelar
a crise econômica e deter a inflação. Prometeram respeitar as eleições
presidenciais previstas para 1965 (nunca acontecidas). O restabelecimento da
ordem traria de volta os investimentos externos, garantiram. Já o governador da
Guanabara Carlos Lacerda foi festejado como virtual futuro presidente eleito,
nas ruas de Copacabana. Se alguém duvidava sobre o consórcio entre civis e
militares no Golpe de 64, terá visto no Brasil de hoje, assim como nas nuvens
da internet, que civis e militares são uma aliança possível e recorrente. Esse
debate historiográfico, que a RBH já publicou, está na ordem do dia.
Da
intolerância ao elogio do torturador, vimos uma fila de centenas de homens (e
mulheres) pronunciar-se em nome da - própria - família como esteio para o voto
a favor do impeachment da presidenta Dilma. Oitenta anos depois da primeira
edição de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, os congressistas
elegeram seus familiares como pressuposto central para tomar decisões
políticas. Dada a mentalidade patriarcal que, até hoje, vigora em suas
atitudes, ignoram ativamente que há, por definição, descontinuidade e inclusive
oposição entre família (privado) e o Estado (público). O Estado, ensina o
autor, é a transgressão da ordem doméstica, e é por esse modo que a cidadania
se constitui. Gilberto Freyre, talvez, será autor talvez banido pela escola sem
partido. Foi no escravo negro, escreveu ele em Sobrados e Mocambos, que mais
ostensivamente desabrochou o sentido de solidariedade mais largo que o de
família sob a forma de sentimento de raça e, ao mesmo tempo, de classe, na
defesa, não de uma raça aparteada, mas dos direitos do trabalhador. Em seu
desprezo por tudo que lhes é diverso (gente honesta, trabalhadores, mulheres
donas do seu nariz, índios e negros, LGBT), jamais irão entender que o escravo
tem importância histórica máxima.
A RBH,
por sua vez, ao somar o sistema em rede de submissões de textos à publicação
avançada de artigos, sendo também um periódico aberto (ou seja, é livre o ato
de ler ou baixar artigos), vem para alimentar o fluxo contínuo da socialização
e avaliação do conhecimento científico. Em acréscimo, dado o número de
colaborações espontâneas a nós enviadas para avaliação às cegas por pares, a
RBH não pautou novos dossiês após decidir-se pela periodicidade quadrimestral.
Ao mesmo tempo, tem sido nosso cotidiano a atitude de agilizar o procedimento
de receber textos, distribuir a pares, comunicar resultados, revisar, traduzir
para o inglês, diagramar e converter artigos para a plataforma XML. E é só aí
que podem ser remetidos à Scielo para publicação.
Montado
a partir da publicação avançada de artigos, este número se compôs
gradativamente. Ao ser fechado, formou-se com oito artigos e cinco resenhas.
Seu primeiro artigo, de Matheus Figuinha, sobre o monasticismo de Martinho de
Tours e as aristocracias na Gália, é um refinado exercício que examina a
confiabilidade de fontes para a interpretação do seu objeto. Sem encontrar
indícios claros para corroborá-la, o autor recomenda cautela no seu manuseio;
lição preciosa da pesquisa histórica.
De
autoria de Fernanda Pandolfi, o segundo artigo, sobre viagem de Pedro I à
província de Minas Gerais em 1831, focaliza as interações entre as elites
políticas locais e o poder central. O trabalho sugere que o aumento da
impopularidade de D. Pedro I, após tal viagem, e sua subsequente abdicação,
resultaram muito mais de circunstâncias advindas do aprofundamento da
implementação da monarquia constitucional do que propriamente de seu suposto
caráter absolutista e antinacional.
"'É
o doutor que vem aí!': guardas sanitários, relações de trabalho e formação de
identidade", de José Roberto F. Reis, se debruça sobre os trabalhadores da
saúde atuantes nas décadas de 1930 e 1940 com o propósito de problematizar e
investigar aspectos relevantes relacionados à sua identidade e à sua experiência
profissional.
A
rigor, os artigos de Clifford Welch, Carlos Esteve, Marcus Dezemone e Felipe
Loureiro poderiam constituir um dossiê sobre o trabalhismo ou o governo
Goulart. Fundamentam o título deste número da RBH e constituem, somados ou
individualmente, contribuição inédita e original sobre os trabalhadores e a
questão agrária, abordando a relação de Getúlio Vargas com a vida rural, sobre
posseiros em Goiás, sobre a polêmica lei de remessa de lucros e, por fim, sobre
a questão agrária e a derrubada de Jango. São artigos de grande atualidade:
direitos trabalhistas no campo, conflitos de terra, empresariado nacional e
estrangeiro e complô político.
"Heróis
e cultura histórica entre estudantes no Chile" é outro artigo de visível
atualidade para qualquer país em cujas escolas e universidades estudam jovens
formados em tempos democráticos e distantes do culto a sábios homens brancos.
Fabián Calderón, Luis Cerri e Ademir Rosso analisam como estudantes das escolas
básicas percebem as imagens dos próceres que personificam a identidade
nacional. Se O'Higgins aparece no núcleo central, modificações no significado
de herói apontam para Violeta Parra.
Concluindo,
a RBH deseja agradecer a todo o pessoal envolvido com seu trabalho,
profissional ou voluntário, sua energia e boa vontade. Pablo Serrano e Deivison
Amaral concorreram positivamente como assistentes editoriais; com entusiasmo e
afinco diários. Armando Olivetti, Eoin O'Neill, Flavio Peralta e Roberta
Accurso prestaram serviços profissionais de grande qualidade.
Ficam
aqui gravados os agradecimentos ao CNPq e ao Programa de Pós-Graduação em
História, Cultura e Práticas Sociais da Universidade do Estado da Bahia
(PPGHCPS-UNEB).
ACESSE A FONTE:
ACESSE A REVISTA:
O REI, O PAI E A MORTE - A RELIGIÃO VODUM NA ANTIGA COSTA DOS ESCRAVOS NA ÁFRICA OCIDENTAL. Luis Nicolau Parés
O REI,
O PAI E A MORTE - A religião vodum na antiga Costa dos Escravos na África
Ocidental. Luis
Nicolau Parés.
Este
livro examina as práticas religiosas na antiga Costa dos Escravos, na África
Ocidental, correspondente à extensão onde hoje está a República do Benim. Nesse
pequeno trecho de litoral, embarcou-se parte significativa dos africanos que
chegaram escravizados ao Brasil, em particular à Bahia. A obra privilegia os
dois séculos que vão de 1650 a 1850, quando o tráfico transatlântico de
escravos foi mais intenso.
Os
principais reinos que dominaram a região nessa época foram Aladá, depois Uidá,
e a partir da década de 1720, Daomé. Em razão das várias línguas faladas nessas
sociedades, os deuses eram chamados de diversas formas, mas o termo mais comum
era, e ainda é, vodum. Assim, o livro analisa o dinamismo e a historicidade da
prática associada aos voduns, destacando sua imbricação com a vida política e
econômica desses reinos. Em função da ligação histórica do Brasil com o lugar,
a última parte da obra aborda questões relativas às repercussões que esses
costumes tiveram na Bahia e no Maranhão.
As
formas de religiosidade desenvolvidas no período do tráfico de escravos
constituíram um dos principais motores para a recriação dos rituais
afro-atlânticos. No entanto, além de um simples movimento unidirecional da
África para o Brasil, as forças da economia do tráfico afetaram de forma
dramática as práticas religiosas em ambos os lados do Atlântico. O sistema
escravagista, marcado por assimetrias de poder extremas, violência,
racialização, instabilidade social e migrações generalizadas, intensificou uma
forma ritualística baseada na troca sacrificial, na hierarquização, na
possessão e no imaginário da feitiçaria.
Inextricavelmente
ligados à prática política e econômica dessas sociedades, os rituais religiosos
desses povos são uma tradição de pluralismo e tolerância que precisa ser
valorizada,
sobretudo em tempos sombrios como os atuais, tomados por intransigência e
fundamentalismo.
LANÇAMENTO: '2 DE JULHO, INDEPENDÊNCIA DA BAHIA E DO BRASIL' NO IGHB
Nesta
segunda-feira (20 de junho), às 8h30, com a presença do governador da Bahia,
Rui Costa, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e a Casa de Cultura
Carolina Taboada promovem o lançamento do livro '2 DE JULHO, INDEPENDÊNCIA DA
BAHIA E DO BRASIL', de autoria dos escritores Álvaro Pinto Dantas de Carvalho
Júnior e Ubaldo Marques Porto Filho.
O livro
será distribuído gratuitamente no dia no dia do lançamento. Mais informações no
Fundado em 13 de maio de 1894, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia é a entidade cultural mais antiga do Estado, com 122 anos de funcionamento ininterrupto, e uma das 15 instituições apoiadas pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).
SERVIÇO
20 de
junho de 2016, às 8h30
Lançamento
do livro
'2 DE
JULHO, INDEPENDÊNCIA DA BAHIA E DO BRASIL'
IGHB –
Avenida Joana Angélica, 43 – Piedade
Assessoria:
71 3329 4463/99745858 – Cleide Nunes
Distribuição
gratuita da publicação
DE ESCRAVO A RICO LIBERTO: A TRAJETÓRIA DO AFRICANO MANOEL JOAQUIM RICARDO NA BAHIA OITOCENTISTA
Resumo
O artigo discute a biografia de Manoel Joaquim Ricardo, africano haussá que desembarcou na Bahia no início do século XIX como cativo e morreu em 1865 como forro e rico. Sua vida no Brasil permite perceber as possibilidades e limitações à ascensão social dos africanos sob a escravidão e em liberdade. Entre os mecanismos de mobilidade, como era de praxe na época, Ricardo investiu em escravos desde a época em que, ele próprio, ainda era escravo, um fenômeno raramente abordado pela historiografia. Mas também adquiriu e alugou imóveis, negociou (fez mesmo o tráfico transatlântico e interno de escravos), emprestou a juros, entre outras atividades. Outras dimensões de sua trajetória aqui abordadas são, a vida familiar e religiosa, incluindo sua rede de compadrio e relações com gente do Candomblé. O artigo propõe o conceito de ladinização para entender a experiência de africanos como Ricardo, mesmo que não tão bem sucedidos como ele no mundo material.
BANCO DE DADOS ONLINE DE PESQUISADORES SOBRE A BAHIA
Novidade
na Biblioteca Virtual Consuelo Pondé – unidade vinculada à Fundação Pedro
Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado: a seção “Quem Escreve a História”, que
será lançada no dia 31 de maio. A seção será voltada para pesquisadores que
elegeram a Bahia como temática de suas investigações históricas.
O
espaço será de construção permanente e totalmente colaborativo, tendo como
objetivo gerar um banco de dados que possibilite conhecer os pesquisadores que
estão escrevendo sobre a história da Bahia, divulgar a produção historiográfica
sobre estado nas mais variadas temáticas e criar um canal de comunicação com os
pesquisadores e professores, tanto para inserções no site, quanto para divulgar
amplamente as pesquisas.
O
diretor da Biblioteca Virtual, Clíssio Santana, fala sobre o projeto: “É uma
tentativa de criar um banco de dados com historiadores baianos ou historiadores
que escolheram a Bahia como objetivo de pesquisa e estudo em suas diversas
formas, política, cultural, sociológica. O objetivo é facilitar o contato e
saber onde estes pesquisadores estão, utilizando a Biblioteca Virtual como um
vetor de intermediação entre o pesquisador e a produção acadêmica”, explica.
Na
seção, haverá informações como o local onde a graduação foi concluída, as áreas
de interesse e links de trabalhos publicados online. O próprio historiador
poderá fazer cadastro online, onde colocará suas informações profissionais e
obras já publicadas. A condição principal, além de o historiador ser baiano ou
escrever sobre a Bahia, é que o pesquisador já seja graduado. O cadastro passará
por uma avaliação da Biblioteca.
Sistema
- As bibliotecas públicas integram o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas,
gerido pela Fundação Pedro Calmon – Secretaria de Cultura do Estado
(FPC/SecultBA). O Sistema é composto por seis bibliotecas públicas estaduais
localizadas em Salvador, sendo uma delas a Biblioteca de Extensão com duas
unidades móveis, uma no município de Itaparica e uma biblioteca virtual
especializada na história da Bahia (Biblioteca Virtual Consuelo Pondé). O
Sistema também presta assistência técnica para mais de 450 bibliotecas
municipais, comunitárias e pontos de leitura, além de cursos de capacitação
para os funcionários destas unidades.
Em homenagem ao dia 25 de maio, dia da África: Algumas histórias de lá e de cá.
Há 170 anos, Antonio Godinho
estava de viagem para lá.
Diz Antonio Godinho, Africano,
que vivendo de negócio volante desta Cidade para os Portos de África, como se
vê do incluso passaporte, necessita para continuar o seu tráfico haver outro
para a viagem que de próximo tem de fazer, e como este não possa ser dado sem
que se mostre corrente por esta repartição, recorre o Suplicante. Bahia, 26 de
maio de 1846. Fonte: APEB, Seção Colonial, Maço: 6310.
Informando, como ordena Vossa
Excelência, o requerimento de Antonio Francisco, Africano liberto, residente em
Ajudá, o qual quer transporta-se para esta Cidade, com sua mulher e filhos e
uma escrava Nagô de nome Anna, pedindo para isso passaporte e a Vossa
Excelência tenho a dizer que os passaportes são concedidas pela Autoridade do
lugar, d’onde saem os indivíduos, que os requerem, e se naquele Porto não há
quem os conceda, pode o Suplicante, como é prática, regressar com sua mulher e
filhos, com o mesmo passaporte, que daqui levou, menos essa escrava de que
fala, e que não pode ter a vir por legal proibição. Bahia, 24 de Novembro de
1847. (Fonte: APEB, Seção Colonial, maço: 3139-8.
De acordo com a Pesquisadora Lisa Earl Castillo, Antonio Francisco era borno e saiu da Bahia em
1836, depois da Revolta dos Malês. A casa ancestral ainda existe em Ouidah e ele
tem muitos descendentes no Benim. O sobrenome da família é Chagas.
From invisible to digital: digitising endangered historical documents in Brazil
COURTNEY
J. CAMPBELL 19 May 2016
Without
documents, much of the history of the enslaved is lost. Digitisation offers a
way to preserve rapidly deteriorating documents, but how does one actually set
up a large-scale digitisation project?
The
personal histories of enslaved and oppressed peoples are notoriously difficult
to access. This is especially true of people who lived in earlier historical
periods, since information on their lived experiences usually come via third
parties, such as foreign travellers writing about slavery for European audiences,
or by way of court cases, where their voices are only faintly heard. These
sources are essential to understanding how slave societies worked, but they too
often reduce the enslaved to a nameless and faceless crowd. While documents
about the lives of the enslaved and free people of colour do exist, they tend
to be hard to find and can often be in an advanced state of deterioration. We
need these documents to create human historical narratives and to understand
how individuals justified, resisted, accepted, and fought against enslavement
and other forms of social oppression.
This
piece considers one increasingly important method of bringing the lives of the
invisible to light: the digitisation and dissemination of archival historical
sources related to slavery and its afterlives. I draw upon personal experience
arising from two research projects in the state of Paraíba, Brazil. The first
project successfully digitised 266 ecclesiastical and secular documents stored
at three institutions: the Waldemar Bispo Duarte Historical Archive; the
Paraíba Historical and Geographical Institute in the coastal state capital of
João Pessoa; and the Church of Our Lady of the Miracles of Saint John of the
Cariri in the town of São João do Cariri in the interior of the state. The
project digitised many types of documents, but the most exciting are the
baptismal, marriage, and death records, which list the names and places of
origin of the free, freed, and enslaved, as well as early land grants from the
Portuguese government that describe the terrain in great detail.
A
second project, currently underway, focuses on criminal and notarial records
(such as wills, land deeds, and other documents that require official stamps
and signatures), and is projected to nearly double the first project in size.
All of the materials generated by both projects are made accessible via the
Ecclesiastical and Secular Sources for Slave Societies (ESSSS) website, which
is housed at Vanderbilt University. Both projects have been supported by the
Endangered Archives Programme (EAP) of the British Library, in turn supported
by Arcadia, a fund dedicated to both environmental and historical conservation.
The
following remarks explain the five main steps associated with these
digitisation projects, and offer practical advice for undertaking similar
projects in the future.
Step
one: identifying partners and securing permissions
Digitisation
projects require the investment and expertise of many institutions and
individuals. The first step involved entering into a partnership with ESSSS to
house our digitised documents. This was done by contacting Vanderbilt
University to explain how our digitised documents fit within the overall
project of preserving and making available to the public documents related to
slavery. Vanderbilt accepts the documents, ensures that they are hosted across
several servers in several locations, and provides and updates the web
interface for viewing.
While
carrying out research in Paraíba, I met Solange Rocha and Vitória Lima of the
Federal University of Paraíba, who were eager to co-coordinate a digitisation
project. We brainstormed a list of archival institutions that might be suitable
partners and we quickly came to agreements with the three institutions listed
above. Once we had established verbal confirmation with each institution, we
quickly sought written agreements giving permission to digitise the documents
on site and make the images available online.
We
carefully explained to our institutional partners both the benefits (for
example, less day-to-day damage to documents by researchers in the archives and
greater institutional visibility online) and risks (for example, damage done to
documents during digitisation or reduced need for people to consult within the
archive itself) so that they could make an informed decision before giving us
permission to digitise. If an institution expressed serious doubts, we gave
them time to consider the possibility and make the decision according to their
institutional aims and needs. We also agreed to leave a set of digitisation
equipment and provide copies of the digitised images on hard drives to each
partnering institution.
Step
two: applying for funding and seeking advice
I
decided to apply for an EAP grant because this programme focuses on archives
whose contents are endangered by environmental, infrastructural, and/or
political conditions. The project archives were strong candidates because the
humid environment of the north-eastern coast of Brazil and a lack of funding to
conserve historical documents in the region had already left important
historical documents to decay. To support the application, I recruited a number
of experts to the project team, and also consulted sample grant applications
from colleagues who had secured similar funding in the past.
These
consultations were particularly important when it came to putting together a
realistic list of equipment required for the project, including digital
cameras, laptops, tripods, carrying cases, rulers, and colour charts. Without
this step, we might not have thought of ball heads for tripods to allow the
cameras to point downward and remote shutter releases to keep the camera from
trembling (see Step four for more on the types of cameras we use). The final
submission included a detailed monthly timeline and budget justifications for
each proposed expense, along with letters and photographs from the archives. As
with all applications, this process proved to be very time consuming.
Step
three: providing specialised training and project oversight
Our
project took off once funding was secured, starting with the recruitment of
students, archival staff, and faculty to help with digitisation and other
tasks. This expanded project team completed training regarding how to handle
fragile historical documents, including information on British Library EAP
guidelines for copying images and creating listing metadata (translated into
Portuguese). Other issues included making effective use of cameras, controlling
for light variations, adjusting white balance, and setting up tripods. As with
all research projects, it also proved necessary to provide administrative
support, transfer funds and manage budgets, complete interim and final reports,
and communicate with partners and institutions.
Step
four: overcoming unexpected challenges
All
research projects encounter unexpected problems. On this occasion, a
potentially major problem emerged when one of the archives, having previously
agreed in writing to participate, later expressed a desire to pull out of the
project. This resulted in delicate negotiations to address their concerns about
document conservation and project ownership. We offered a timeline to make a
final decision so that we could adjust our original plans and, maybe, find
another archive with which to partner. Fortunately for the project, we were
able to complete digitisation as planned. Extended negotiations were also
required in relation to governmental archives, with incredible patience and
local knowledge being required in order to secure bureaucratic permissions at
numerous levels.
The
next obstacle we faced was transferring money internationally. Vanderbilt
University houses these projects, so funds are transferred from the British
Library to Vanderbilt in instalments, and then from Vanderbilt to Brazil as
needed. In the first project, we paid unexpected taxes and fees on our
transfers to Brazil, with the values differing unpredictably from one transfer
to the next. Great patience was again required in order to successfully release
funds from the Brazilian banking system. For our second project, we partnered
with an NGO in Brazil in order to facilitate the administration of funds across
international institutions. This initially led to an unexpected amount of
paperwork in the United States, but this initial investment should make things
easier and cheaper in the longer term. Another
challenge involved our equipment. Knowing that we needed to produce RAW images
(for Canon that is CR2) and then convert to TIFF to meet EAP standards, we
purchased six Canon G12 cameras. The Canon G12 can take images in both CR2 and
JPG formats simultaneously. Each of our CR2 images, once converted to TIFF,
showed significant barrel distortion. We contacted Canon, who suggested that we
shoot from further away, which reduces the clarity of images. The only way to
remove the barrel distortion without altering the images would be to buy new
cameras, which was not within our budget. The EAP reluctantly agreed to accept
our JPG images, which, by definition, are altered. The CR2 images were
subsequently edited to remove some of the distortion. To avoid these problems,
we switched to the Canon EOS Rebel T3 in the second project, and our images no
longer suffer barrel distortion.
Finally:
celebrating accomplishment
We also
had unexpected victories. At the initial training workshops, students were
timid when using the equipment, since they were afraid they would break it. As
the project progressed, they came to speak and work like experts. Undergraduate
students who presented papers on their work at conferences repeatedly received
awards, and some were able to publish their work.
Graduate
students working on the project completed dissertations based on the digitised
documents and were able to make claims about Afro-Brazilian presence in the
interior of the state that upended previous historical understandings. We also
held an international symposium at the end of the project where they could
present their work to an audience made up of directors of local archives,
governmental representatives, and professors from Brazil and the United States.
Celebration is important to team morale. The team in Brazil puts day-to-day
travel, time, and diligence into these projects and their success must be
celebrated.
Without
these documents, we cannot study how the enslaved lived, who they married, who
they looked to for support, how they sought freedom, or how they interacted
with the state. Allowing these documents to disappear makes it easier for us to
forget slavery. Yet, the documents deteriorate before our eyes and often there
simply is not the time or funding to conserve or repair the physical copies.
Digitisation makes it possible to create a copy of documents on the brink of
vanishing forever, to preserve their content, and to make them available to
anyone with access to the internet.
About the author
Courtney J. Campbell is a historian and Mellon
Postdoctoral Fellow at Tougaloo College. She has directed two digitisation
projects in Brazil with funding from the British Library.
FONTE:
Doação anônima resgata livro de notas do século XVIII que é restaurado no Arquivo Público do Estado da Bahia
A
doação do papel foi motivada a partir de diagnóstico realizado pela equipe
técnica de Restauro do Arquivo Público (Janilda Abreu, Clemilda Palmas, Mariete
Araújo, Maria da Glória Fernandes, Jaciara Cruz e Arlete Cruz), que constatou a
fragilidade do Livro. O exame na capa e no interior do livro identificou a
presença de sujeira, acidez, oxidação de tinta, ondulações, dobras e perda de
suporte no Livro. A partir disso, teve início o processo de higienização em
cada folha do documento. "Velatura" foi a técnica utilizada, que
consiste na aplicação de uma folha de reforço do verso das páginas. O trabalho
foi finalizado pela equipe em janeiro deste ano, o que possibilitou a posterior
digitalização. Os interessados em doar este outros materiais que podem ser utilizados
no restauro de documentos deve procurar a direção geral da Fundação Pedro
Calmon (veja aqui). Na restauração em questão, foram utilizadas 380 folhas do
papel japonês doado.
De
acordo com o coordenador técnico do projeto, o historiador Urano Andrade, esses
Livros de Notas abrangem uma série de conceitos que permitem a descrição e
limitação de toda área rural e urbana da Bahia, endereços, qualidade e
quantidade dos imóveis existentes, por exemplo. Os livros estão custodiados no
Arquivo Público desde a abertura da entidade, em 1890. Além dele, 480 outros
Livros de Notas (450 mil imagens), estão sendo digitalizados até julho de 2017
(saiba mais aqui).
“Cada
livro é composto por diversas séries documentais e tem, desde compra e venda de
escravos, cartas de liberdade, compra e venda de imóveis e procurações
diversas, a doação de dotes para casamento, cartas pessoais e venda de navio
negreiro para o tráfico de pessoas”, disse Urano que, em abril, proferiu
palestra no Arquivo Público sobre o projeto (veja aqui).
Arquivo
Público – Com 126 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da
Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a
segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu
extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados
no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente
consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo
organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da
Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.
FONTE:
Palestra: Digitalizando Documentos Ameaçados: Os Livros de Notas da Bahia – 1664-1889. UFRB
Palestra:
Digitalizando Documentos Ameaçados:
Os
Livros de Notas da Bahia – 1664-1889.
Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia.
Realização:
Colegiado de História, Grupo de Pesquisa História Regional e Local
Dia 19
de maio, as 14:30h
Local:
Cachoeira, CAHL: Centro de Artes, Humanidades e Letras.
Acervo do Arquivo Público do Estado sobre relações Brasil – África será tema de palestra com historiadores
No
próximo dia 24 de maio, às 14h30, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB),
unidade da Fundação Pedro Calmon/SecultBa promoverá a palestra “Fontes para o
estudo das relações estabelecidas entre o Brasil e o continente africano,
custodias pelo APEB" com os historiadores Cândido Domingues e Urano
Andrade. A palestra é aberta ao público e tem o objetivo de apresentar fontes
documentais custodiadas no Arquivo que contribuem para a pesquisa histórica das
relações entre Brasil e o Continente Africano.
Dentre as fontes que serão apresentadas estão
os fundos documentais das Ordens Régias, Inventários, Correspondências
Diversas, Registros de Passaportes e Escrituras, que tratam das relações Brasil
- África ao longo dos séculos XVII a XIX.
Urano Andrade é pós graduado em História
Social e Econômica do Brasil Colônia, desenvolve pesquisas na área de história
das populações afro-brasileiras e, no Arquivo Público, coordena o projeto
“Digitalizando Fontes Manuscritas ameaçadas: os Livros de Notas da Bahia, Brasil,
1664-1889”, financiado pela Biblioteca Britânica. Tem atuação na área de
pesquisa e consultoria histórica, digitalização e preservação de acervos
documentais nas temáticas de História do Brasil Colônia, Brasil Império,
História da Escravidão.
Cândido Domingues é mestre em História, com
pesquisa sobre o tráfico de escravos africanos, com foco nos capitães de navio
que atuaram na Salvador Setecentista. Seus estudos abordam, tanto as relações
sociais que estes personagens protagonizaram, como seus investimentos naquela
que foi uma das mais lucrativas atividades econômicas do período. Atualmente é
professor Assistente da UNEB, Campus IV onde desenvolve pesquisa sobre o
comércio colonial e seus agentes com foco especial para o tráfico atlântico de
escravos para Salvador e sua redistribuição para os sertões e outras
capitanias.
ACESSE A FONTE:
Ardras, minas e jejes, ou escravos de "primeira reputação": políticas africanas, tráfico negreiro e identidade étnica na Bahia do século XVIII.
SILVA JR., Carlos da.
Em 1715, um viajante francês comentou que Salvador parecia uma "nova Guiné", devido à diversidade de origem dos escravos. Malgrado essa diversidade, Salvador guardava uma alta concentração de africanos escravizados que compartilhavam origens similares. Estes escravos vinham principalmente do golfo do Benim, a segunda maior região escravista na África. O artigo visa discutir a presença dos falantes das línguas gbè (ardras, minas e jejes, principalmente) na Bahia durante o século XVIII. O trabalho de Luís Nicolau Parés, A formação do Candomblé, ilumina a presença de africanos da área gbè na Bahia setecentista. Ainda assim, há a necessidade de investigar as dinâmicas atlânticas que resultaram na deportação de gbè falantes para as Américas à luz de novas fontes. Ao explorar as conexões entre os eventos políticos no golfo do Benim e o tráfico baiano de escravos, o artigo também busca os números e origens dos exportados para a Bahia. Procuro combinar análises quantitativas acerca dos números do tráfico transatlântico de escravos, inventários post mortem e registros de batismo de modo a lançar luz sobre as vidas dos africanos ocidentais na Bahia do século XVIII.
Keywords : Tráfico de escravos; Nações africanas; Gbè-falantes; Bahia; Golfo do Benim; Século XVIII.
ACESSE A FONTE:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=2236-463320160001&lng=en&nrm=iso
UEFS 40 ANOS - PALESTRA: DIGITALIZANDO DOCUMENTOS AMEAÇADOS: OS LIVROS DE NOTAS DA BAHIA - 1664-1889
Data: 31 de maio de 2016
Horário: 09:00h
Local: Auditório da Biblioteca Central Julieta Carteado - UEFS
Interessados deverão confirmar presença pelo e-mail: bcjceventos@ufes.br
TREZENA DA LIBERDADE
No dia
treze de Maio do ano de 1888, foi decretado o fim da escravidão em terras
brasileiras. Porém, a historiografia brasileira, especialmente a baiana, vem
demostrando há décadas que as experiências e trajetórias de liberdade foram
vivenciadas, disputadas - e em alguns casos concretizadas -, pelos sujeitos
escravizados durante todo o período que perdurou a escravidão. O ato formal e
legal do treze de Maio de 1888, mesmo tendo sua importância histórica, não deve
– e não tem como – ofuscar a antiquíssima pauta da liberdade construída
cotidianamente e forjada nos costumes: elaborada, defendida e disputada pelos
escravizados e seus descendentes ao longo dos séculos.
“A
Trezena da Liberdade” é uma ação da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, que
busca divulgar essas experiências de liberdade através de treze relatos de
historiadores, com um artigo a cada dia, de 1º de maio até 13. Conheça as
histórias de Domingos, Luiza, Lucas, Basílio, Margarida, Noberta, Victório e
tantos outros homens, mulheres e crianças que lutaram – cada um a sua maneira –
por dias melhores. Dias de liberdade!
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