CATIVOS ÀS PORTAS DO SERTÃO - CATÁLOGO DIGITAL

Fontes para a história da escravidão e das populações negras em Feira de Santana e região (1830-1835)
No âmbito dos trabalhos de preservação do acervo documental do Poder Judiciário na cidade de Feira de Santana, compromisso assumido pela Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS através do convênio firmado entre esta instituição e o Tribunal de Justiça da Bahia desde 2004, realizamos um detalhado levantamento da documentação histórica no Tabelionato do 1.º Ofício do Fórum Desembargador Filinto Bastos. Neste trabalho, nos deparamos com o inestimável valor histórico deste conjunto, especialmente no tocante à história da escravidão. Identificamos uma documentação inédita, em estado delicado de armazenamento e conservação, composta de livros, na sua maioria em estado precário, além de uma série de folhas avulsas e fragmentos de livros incompletos. A antiguidade dos registros é igualmente digna de nota, uma vez que a periodização identificada cobre as décadas de 1830 a 1880.
A riqueza documental deste precioso e delicado acervo estimulou a elaboração de um projeto encaminhado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB, no ano de 2008, visando a produção de um catálogo digital dos documentos relativos à escravidão identificados nos livros de notas do Tabelionato do 1.º Ofício de Feira de Santana. Para satisfação dos proponentes, o projeto foi contemplado com recursos financeiros e de pessoal para realizar o empreendimento proposto à instituição de fomento.
Apresentamos aqui os resultados do desenvolvimento do projeto Cativos às portas do sertão: fontes para a história da escravidão e das populações negras em Feira de Santana e Região (1830-1885). Sua conclusão possibilita a disponibilização para a consulta pública, pela rede mundial de computadores, de registros históricos únicos e de fundamental importância para o estudo da estrutura escravista e da experiência dos escravizados numa região privilegiada pela localização geográfica que a tornou, em muitos aspectos, zona de transição entre o Recôncavo e o Sertão baianos. Neste sítio, o usuário poderá consultar 775 registros digitalizados de um total de 1.250 catalogados, resultando em 1.867 imagens que incluem: cartas de alforria, escrituras de compra e venda, hipotecas, escrituras de doação, escrituras de penhor,  recibos e contratos de locação de serviço, escrituras de destrato e de troca. Do total catalogado, alguns documentos não puderam ser digitalizados em razão de seu estado de conservação. Trata-se, é bom salientar, de fontes quase intocadas pelos historiadores da escravidão na Bahia, agora acessíveis a todos os interessados no tema.
Por fim, é justo proclamar que este trabalho foi fruto de um esforço coletivo que envolveu algumas gerações de bolsistas e pesquisadores vinculados aos projetos “Fontes e Acervos para a História de Feira de Santana, Cachoeira e Santo Amaro”, “Itinerários da Memória: comunidades negras rurais no Paraguaçu (1880-1940)” e, finalmente, ao projeto "Cativos às Portas do Sertão". Foi também imprescindível na execução do projeto a assessoria do CPD da UEFS, a infra-estrutura do Centro de Documentação e Pesquisa - CEDOC/UEFS, a colaboração e a compreensão da administração e dos juízes e funcionários dos Cartórios Extra-judiciais do Fórum Desembargador Filinto Bastos. Foi fundamental o apoio, primeiro do Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária - IPRAJ, na primeira etapa do projeto e, posteriormente, do Centro de Documentação e Informação - NDI do Tribunal de Justiça da Bahia. As belíssimas fotos que ilustram o sítio foram gentilmente cedidas por Luiz Cleber Moraes Freire, pesquisador do projeto “Cativos às portas do sertão”, e fazem parte de seu acervo pessoal. A todos, nosso muito obrigado, especialmente à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia pelo patrocínio que tornou possível a realização deste empreendimento.

Convite de lançamento da coleção História Geral da África em Salvador

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http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/special-themes/

Cabaré da Raça - Áfricas - A Sacanagem da Outra

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Autos judiciais são arquivos culturais


JUCA FERREIRA

São legítimas as preocupações com custos de armazenamento de autos judiciais concluídos, mas sua destruição é danosa para a preservação da cultura.

Entre as inúmeras medidas propostas no projeto do novo Código de Processo Civil, há uma que tem sido recorrente e que, além das interpretações jurídicas e administrativas, destaca-se quando analisada sob uma perspectiva cultural.
São bem-vindas quaisquer medidas que agilizem a Justiça, e são legítimas as preocupações com o custo de armazenamento de autos judiciais concluídos, mas sua destruição é monstruosamente danosa para a preservação da cultura. Não se aprende sem memória.
"Incinerar" ou "reciclar" autos judiciais concluídos significa eliminar fonte substancial de nossa história. Alio-me àqueles que se mobilizam para garantir a perpetuidade desses arquivos.
Lamentavelmente, nossa história registra momentos em que medidas legais ampararam a destruição de autos judiciais. Como seria mais rico o conhecimento da nossa história se tivéssemos em mãos milhões de registros de nossa vida social, política e econômica que acabaram se perdendo, pelas razões mais variadas!
 
A avaliação histórica atribuída a um documento está historicamente determinada. Não bastasse ser a história um processo de reinterpretações contínuas.
As correntes contemporâneas da historiografia recuperaram a importância da história cotidiana, da vida das pessoas comuns, dos pequenos fatos sociais, culturais e econômicos que talvez não pareçam relevantes vistos isoladamente, mas que, estudados em seu conjunto, podem indicar a direção e a força dos processos sociais que fazem a história.
Tudo isso espantosamente acontece quando as novas tecnologias de registro, preservação e multiplicação de textos nos colocam, pela primeira vez, diante da possibilidade de criar arquivos gigantescos de informação em um pequeno espaço, e com instrumentos que permitem, em pouco tempo, levantar e interpretar uma quantidade assombrosa de dados.
O pesadelo burocrático dos séculos 19 e 20, que se traduzia em cordilheiras de documentos ilegíveis e desordenados, deixa de existir nos tempos da cultura digital.
Nunca foi tão fácil e tão rápido rastrear dados, reuni-los, quantificá-los, compará-los, extrair hipóteses e conclusões. Seria uma enorme contradição se, justamente na hora em que a tecnologia nos fornece tais ferramentas, destruíssemos nossos arquivos baseados em receios e princípios de um tempo que está em vias de desaparecer.
Esse é um passo atrás no esforço que fazemos. Nunca se investiu tanto em ações de valorização do acervo documental.
O Ministério da Cultura, por meio de instituições a ele vinculadas, tem um trabalho de referência na preservação de documentos, como a Biblioteca Nacional, a Fundação Casa de Rui Barbosa, e, especialmente no campo do audiovisual, o CTAV - Centro Técnico Audiovisual, no Rio de Janeiro, e a Cinemateca de São Paulo.
Em associação com o Projeto Brasiliana, da USP, o MinC está gerando um modelo de biblioteca digital que pode ser compartilhado e servir de plataforma para outras iniciativas na preservação de acervos, por meio da sua digitalização.
Paralelamente, também investimos na recuperação de acervo documental. A documentação deve ser preservada também fisicamente, além de reproduzida em bancos de dados digitalizados, segundo norma arquivística internacional.
Do contrário, nunca saberemos quem somos - e o que somos nos pegará sempre de surpresa e despreparados. História e cultura são aspectos indissociáveis da memória de um povo. Um país que não pode recuperar a própria memória é um país com uma visão limitada de si mesmo.
Fonte: Folha de São Paulo, quinta-feira, 10 de março de 2011 
JUCA FERREIRA é sociólogo. Foi ministro da Cultura (governo Lula).

Ecos da escravidão


No anúncio de tevê feito para atrair turistas pelo governo da Bahia, o menino dizia que, quando crescesse, queria ser capoeirista como o pai. Por volta das 10 da noite de 21 de novembro do ano passado, Mestre Ninha, pai de Joel da Conceição Castro, chamou os filhos para dentro de casa, no instante em que a polícia fazia uma incursão pelo bairro onde mora a família, Nordeste de Amaralina, um dos mais violentos de Salvador. Segundos depois, o garoto foi atingido por uma bala perdida e morreu. Tinha 10 anos de idade.
A história do menino que não realizou seu sonho por não ter crescido, infelizmente, não é exceção. Como ele, cerca de outras 50 mil crianças, jovens e adultos, morrem vítimas de assassinato todos os anos no País, brancos e negros. Mas negros, como Joel, morrem em proporção muito maior. E o pior: a diferença tem aumentado nos últimos anos. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou, em outras palavras, para cada três mortos, dois tinham a pele escura. Quem maneja os dados preliminares de 2009 diz que a situação piorou ainda mais. 
Não bastasse, os crescentes investimentos em segurança pública feita pelos estados e pela União parecem ter beneficiado, como de costume, a “elite branca”, como definiu o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo. Entre 2002 e 2008, o número de brancos assassinados caiu 22,3%. A morte de negros cresceu em proporção semelhante: os índices foram 20% maiores, em média. Em algumas unidades da federação, os números se aproximam de características de extermínio: na Paraíba, campeã dessa triste estatística, são mortos 1.083% (isso mesmo) mais negros do que brancos. Em Alagoas, 974% mais. E na Bahia, a terra do menino Joel, os assassinatos de negros superam em 439,8% os de brancos.
Até mesmo entre os suicidas os negros mortos superaram os brancos. Houve crescimento de 8,6% nos suicídios de cidadãos brancos, mas, entre os negros, os que tiraram a própria vida aumentaram 51,3%.
Os critérios utilizados para definir a “cor” das vítimas de violência são os mesmos do censo do IBGE. Nos atestados de óbito do Brasil, a partir de 1996, mais notadamente desde 2002, passaram a ser apontadas as características físicas dos mortos. Foram considerados no estudo todos os classificados como “pardos”, “pretos” e “negros” para chegar a esses números que assustam, em um País onde, como alguns insistem em dizer, principalmente nestes dias de carnaval, “não existe racismo”. Os passistas, puxadores de samba e operários das escolas de samba, que serão saudados como exemplos do “congraçamento de raças” são os mais propensos a perder a vida, sem confete, sem serpentina e em alguma esquina escura da periferia.
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Cynara Menezes 

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital. 

Leia o artigo na íntegra: http://www.cartacapital.com.br/politica/ecosda-escravidao-2  

Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano

Está chegando às livrarias de todo o país o livro Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano. Em suas 640 páginas, o jornalista João Roberto Laque narra a vida de Pedro Lobo de Oliveira ao mesmo tempo em que discorre sobre as ações armadas, as prisões, as torturas e as nuances políticas que marcaram o regime militar instalado no Brasil a partir de 1964.
A história do Pedro impressiona. De bóia fria ele passou a servente de pedreiro e metalúrgico até ingressar na Força Pública, hoje Polícia Militar. Expulso da corporação por força do AI-5 em 68, o então sargento Lobo foi um dos fundadores da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e se tornou um dos mais ativos guerrilheiros urbanos da época.
Preso no início de 69, Pedro é torturado e banido do país durante o sequestro do embaixador alemão. Depois de passar por Argélia, Cuba, Chile e Argentina, o personagem central de Pedro e os Lobos se instala na Alemanha Oriental. Com a anistia, ele volta ao Brasil onde é reintegrado aos quadros da Polícia Militar. Hoje um pacato capitão PM aposentado, Pedro vive em São José dos Campos, em São Paulo.
João Roberto passou os últimos sete anos mergulhado no projeto desta obra que foi lançada em dezembro de 2009 no prédio do antigo Dops de São Paulo, que hoje abriga o Memorial da Resistência da Pinacoteca do Estado. Ele explica os objetivos dessa obra que ultrapassa os limites de uma biografia tradicional.
“Através da trajetória de vida do Pedro, procurei traçar, numa linguagem simples, o perfil dos conflitos políticos e sociais que marcaram o governo Jânio/Jango e as agruras da ditadura implantada pelos militares”.
As 157 primeiras páginas da obra estão disponíveis neste endereço do Google Livros.
A compra on-line do livro pode ser feita pela internet no site:  www.pedroeoslobos.com
 

Operación Cóndor en el Archivo del Terror

Washington D.C., Diciembre 21, 2007 –En ocasión del 15 aniversario del descubrimiento del Archivo del Terror en Paraguay, el National Security Archive publica nuevas pruebas de la coordinación de las dictaduras del Cono Sur en desapariciones en los años 1970y 1980,  junto a otras conocidas que hicieron famoso a este acervo. La selección de documentos incluye evidencias  inéditas de la detención de Horacio Campiglia y Elcira Campiglia (ambos desaparecidos), por fuerzas de seguridad argentina y transcripción de los cuestionarios preparados por el Coronel de la inteligencia argentina, Jose Osvaldo Riveiro, para el interrogatorio del chileno Jorge Isaac Fuentes Alarcón y el argentino Amilcar Santucho, detenidos en Paraguay en 1975. 
La cooperación entre Argentina, Chile y Paraguay en el caso Santucho – Fuentes Alarcón,  las cartas del jefe de inteligencia Chileno Manuel Contreras a su par Paraguayo Pastor Coronel, y el programa  de la primera reunión de Operación Cóndor en 1975, la comunicación regular entre Cóndor 1 y Cóndor 4 en 1976,  las sesiones conjuntas entre el D-2 de inteligencia paraguayo, el Servicio de Inteligencia del Estado (SIDE) de Argentina y el Servicio de Inteligencia de Defensa (SID) del Uruguay en 1977 y las pesquisas para capturar Montoneros en Asunción, Paraguay por oficiales de la Escuela Mecanica de la Armada en 1980, dan una muestra de las múltiples facetas de la coordinación represiva entre las dictaduras de la época.

Por años, el Archivo del Terror ha servido y sirve como fuente de evidencia ante cortes internacionales gracias en gran parte el tenaz trabajo de investigadores paraguayos como Alfredo Boccia Paz, Rosa Palau y Miriam Gonzalez. En su libro “Es mi informe: los archivos secretos de la policía de Stroessner (Asunción : CDE, 1994)” salieron a la luz los mas conocidos documentos de este acervo único. Entre ellos, otro que se publica hoy, esta la nota manuscrita en que la desaparecida Dora Marta Landi, una ciudadana argentina detenida junto a dos argentinos y dos uruguayos, clama por su libertad al a policía paraguaya.
Hoy, con la colaboración del National Security Archive, la digitalización del acervo completo en el Archivo del Terror Digital (ATD), permite encontrar nuevas evidencias del terrorismo de estado en el Cono Sur en los años 1970 y 1980.

Boletim eletrônico da Revista de História da Biblioteca Nacional

RHBN 66 nas bancas e no site

Aproveite o carnaval para ler a edição de março de 2011 da "Revista de História da Biblioteca Nacional". A capa traz um dossiê sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos. A reportagem principal mostra as diferenças e semelhanças entre os dois gigantes das Américas. Os artigos falam de religião, educação e sistema eleitoral. No site, você pode ler a abertura do dossiê e trechos de todos os textos.  [ leia mais ]

Monteiro Lobato sem fantasia

O criador do Sítio do Picapau Amarelo é acusado novamente de racismo. O cartunista Ziraldo o desenhou ao lado de uma mulata para um bloco de carnaval, para criticar o politicamente correto - o que desagradou quem vê nele um propagador de teses de eugenia. A questão gerou carta-aberta, protestos e muito bate-boca. [ leia mais ]

De outros carnavais

A folia carnavalesca não precisa se ater às escolas de samba, blocos, bailes e todo o movimento que incentiva o sacolejar do esqueleto. Quem preferir algo mais contemplativo, pode conferir três exposições que relembram um pouco do passado da festa momesca, saindo do século XIX até o XXI. As fotos já dão uma boa amostra das exposições. [ leia mais ]

Reconhecimento da profissão

Em entrevista, o senador Paulo Paim, autor do projeto de lei que regulamenta o profissional de História, diz que aprovação pode sair ainda neste semestre.  [ leia mais ]

O CARNAVAL FORA DO BRASIL: MUITA FESTA E ALEGRIA

Ricardo Barros Sayeg

O carnaval surgiu no século XI, a partir da implantação da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum. Esse período longo de tempo acabou por reunir diversas festas que ocorriam antes da Quarta-Feira de Cinzas, considerado o primeiro dia da Quaresma. A palavra carnaval deriva do grego, da expressão “carnis valles”, sendo que carnis, significa carne e valles, prazeres.
No Brasil o carnaval é a maior festa popular, sem dúvida alguma, entretanto, em outros lugares do mundo essa folia também é comemorada com muita alegria!
Em geral, o carnaval dura três dias. Os dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas são chamados de “gordos”, em especial a terça-feira: em francês Mardi Gras. Nos Estados Unidos, por exemplo, Mardi Gras é sinônimo de carnaval e é comemorado em Nova Orleans, no sul do país. Ele teve início na Louisiana, fruto da colonização francesa.  O primeiro Mardi Gras foi comemorado em 1699. O carnaval norte-americano é conhecido por suas máscaras de gesso, colares de contas coloridas e paradas com bandinhas que fazem a alegria dos turistas e moradores.
Em Nice, na França e em Veneza, na Itália são encontrados carros alegóricos, gôndolas enfeitadas, bailes de máscaras e batalhas de flores. Tudo sem o nosso samba, mas sem deixar a diversão de lado.
O carnaval de Nice, na Riviera Francesa também tem lá sua animação. A folia naquelas terras teria começado no século XVIII, inspirada no carnaval de Veneza.  O desfile principal é composto por vinte carros que este ano tem como tema: “Rei do Mediterrâneo”. À noite, as alegorias, que são montadas num barracão especial denominado Maison Du Carnaval, recebem iluminação especial que pode ser vista por todos os visitantes. Nessa festa há também apresentação de grupos musicais e de teatro de diversas partes do mundo. O carnaval de Nice é conhecido, entretanto, por outra característica. Nele acontece o famoso desfile das flores, cuja origem está no ano de 1876. Naquela época os visitantes trocavam buquês entre si. A festa evoluiu para a confecção de carros alegóricos que são enfeitados com pétalas de flores. Do alto desses veículos, os participantes do espetáculo jogam flores no público: é a famosa “guerra das flores”.
Em Veneza, a imagem mais conhecida do carnaval é seu famoso baile de máscaras. Essa tradição remonta ao século XVII. Mas também há muita folia nas ruas e nos canais da cidade. Há também muitas gôndolas que desfilam nos canais enfeitadas e cheias de pessoas fantasiadas.
O local mais importante do carnaval de Veneza, todavia, é a Praça de São Marcos. Lá acontecem apresentações musicais e teatrais e chega até a jorrar vinho numa fonte que tradicionalmente jorra água!
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Ricardo Barros Sayeg é Professor de História do Colégio Paulista, Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da USP, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.

Documentos históricos jogados no lixo são restaurados

(Foto: Carolina Iskandarian/ G1)
Documentos que contam sobre a Maçonaria foram destruídos por traças, cupins e pela má conservação (Foto: Carolina Iskandarian/ G1) Há um ano, quando pisou no Museu Maçônico do Palácio do Lavradio, no Centro do Rio, com a incumbência de recuperar o acervo, o restaurador Tércio Gaudêncio não tinha ideia de que seu trabalho seria muito maior. Até hoje, ele revira os sacos de lixo onde foram despejados livros e documentos históricos. A maioria traz informações sobre a Maçonaria e o Brasil Império. Gaudêncio conta que, se não tivesse passado pelo depósito do prédio, não teria esbarrado naquele “tesouro”, que agora passa por restauro em São Paulo.

Documentos que contam sobre a Maçonaria foram destruídos por traças,
cupins e pela má conservação (Foto: Carolina Iskandarian/ G1)
“Estava tudo em 251 sacos pretos de lixo de cem litros. Sem saber o que tinha dentro, fomos abrindo documento por documento e começamos a descobrir coisas fantásticas”, diz o restaurador em sua oficina, na Zona Sul da capital paulista. Entre os documentos recolhidos, o especialista, dono de uma empresa de restauração, aponta raridades. Ele calcula que trouxe em três caminhões para São Paulo cerca de 17 mil documentos, sete mil livros, 30 gravuras e 13 quadros.

Uma das raridades é um decreto do rei português D. João VI, datado de junho de 1823, com, entre outras, a seguinte ordem contra os maçons: "todas as sociedades secretas ficam suprimidas (...) e nunca mais poderão ser instauradas". No acervo, há ainda atas de reuniões da Maçonaria no século 19 e documentos sobre a proclamação da independência do Brasil.
Gaudêncio mostra gravura que precisa de restauro (Foto: Carolina Iskandarian/ G1)
Agora bem guardada em uma caixa está uma Bíblia, que, segundo Gaudêncio, é de 1555 e foi escrita em aramaico, grego antigo e latim medieval. “D. Pedro I ganhou quando se casou. Só existem três edições desta no mundo”, afirma ele sobre a raridade. A publicação ficava exposta aos visitantes em uma vitrine, o que não impediu o estrago. “Jogaram a capa original fora e colocaram outra com uma cola muito ruim”, conta Ruth Sprung Tarasan, uma das coordenadoras do trabalho de restauro.

Irregularidades
Marcos José da Silva, o grão-mestre geral do Grande Oriente do Brasil (ao qual estão subordinadas muitas lojas maçônicas no país), admitiu ao G1 que o prédio onde fica o museu não está em boas condições e sofre com infiltrações, cupim e mofo, entre outros problemas. Ele disse não saber por que parte do acervo estava em sacos de lixo e atribuiu à “falta de uma pessoa habilitada” o fato de o material ter sido acondicionado daquela maneira.

“É desconhecimento, falta de uma pessoa habilitada. Durante muitos anos o acervo não teve a manutenção devida, verificamos em que estado ele estava e resolvemos enfrentar o desafio”, contou ele, sem revelar quem cuidava do museu e quanto custará o trabalho de restauro das peças e de reforma do prédio. A organização, que tem sede em Brasília, assumiu a direção do local em setembro de 2009.
Silva disse preferir acreditar que os livros e documentos históricos não iriam para o lixo. “Acredito que estavam ali para futura apreciação.” As obras começaram em março de 2010 e ele não deu previsão de término.
Ruth, Gaudêncio e Ana Maria (de amarelo)
mexem em quadro que está sendo restaurado
(Foto: Carolina Iskandarian/ G1)
Da Maçonaria
Por ser maçom e ter muita experiência no ramo, Gaudêncio assumiu a restauração de parte do acervo do Museu Maçônico, o primeiro da categoria na América do Sul. Enquanto ele se debruça sobre livros e papéis destruídos por traças, cupins e mofo, o prédio do museu na capital fluminense passa por reformas.
Parte do material que está sendo recuperada estava nos sacos plásticos pretos. “Ia tudo para o lixo. Dá para imaginar quanta pesquisa a gente podia fazer com isso?”, questiona Ruth, que também é historiadora. “Sou obrigado a ler os documentos e começo a cair de costas porque a história dos livros não é a mesma. Aqui, tenho os originais dos grandes maçons da época. E só quem é da Maçonaria pode mexer nisso”, ressalta Gaudêncio, entusiasmado com o trabalho que teve início em 2010 e que pretende entregar no segundo semestre deste ano.

O processo de restauração inclui encadernar os livros, recuperar o papel destruído e retocar a tinta das palavras. Para garantir a perpetuação do material, Gaudêncio e sua equipe digitalizam o que conseguem salvar. “Já temos 14 mil documentos digitalizados”, diz ele. O G1 esteve no escritório de Gaudêncio e viu quando a restauradora Ana Maria do Prado tentava recuperar a cor original de dois quadros: o do general Osório e do visconde de Sapucaí.

“O desenho tem muito retoque. Muita gente mexeu; o verniz está oxidado”, revela Ana Maria, que põe na ponta do pincel uma tinta especial para restauradores. “Ela é reversível. Sai com qualquer solvente e não ataca a pintura original”, explica. “Hoje em dia, tudo tem que ser reversível. Não se sabe o que vamos achar daqui a 20 anos”, completa Ruth.

De acordo com Luiz Alberto Chaves, integrante do Grande Oriente do Brasil em Brasília, o prédio do museu na Rua do Lavradio foi comprado em 1840 e passou por dois anos de reformas. Foi sede da Maçonaria até 1978, quando houve a transferência para Brasília.

Fonte: 

 

OUTROS CARNAVAIS!

(CLICK NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)
Fonte: Arquivo Municipal de Salvador
Requerimentos/Associações carnavalescas. 

Edital Mestrado UNEB Sto Antonio de Jesus

 EDITAL Nº 004/2011
O REITOR DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA (UNEB), no uso de suas atribuições legais e regimentais, comunica a abertura para seleção de alunos regulares para o Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em História Regional e Local, sediado na Rua Monsenhor Antônio Oliveira nº. 81 / 2º andar – Centro – Santo Antônio de Jesus/Ba, aprovado pela Resolução do CONSU nº 327/2005, e recomendado pelo Conselho Técnico Cientifico – CTC da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) através do Ofício Nº324-03/2006, emitido em 14 de junho de 2006, com vistas ao preenchimento de 20 (vinte) vagas, igualmente distribuídas entre as linhas de pesquisa: I - Estudos Regionais: Campo e Cidade; II – Estudos sobre Trajetórias de Populações Afro-brasileiras.
ACESSE: http://www.mestradohistoria.com.br/imagens_sys/edital.pdf

INSTITUTO BUZIOS - INFORME 72 MARÇO 2011

A "Assembléia Pelos Direitos à Comunicação", reunindo centenas de participantes durante o Fórum Social Mundial de Dakar, discutiu a realização do II Fórum Mundial de Mídia Alternativa que acontecerá em 2012, no Rio de Janeiro, dois dias antes da Rio+20, a Conferência Mundial promovida pela ONU para discutir as mudanças climáticas. A Assembléia discutiu também o contexto das comunicações e constataram que em todo mundo a Liberdade de Expressão é nula, travada ou reprimida e que o acesso à informação de qualidade é dificultado por poderosos interesses políticos e econômicos e por monopólios da indústria da comunicação. Notou-se que há um crescente descrédito por parte da população em relação às notícias veiculadas pela velha mídia e, ao mesmo tempo, constatou-se um crescimento da conscientização e da capacidade dos próprios cidadãos em produzir e distribuir conteúdos que favorecem a disseminação de informação de qualidade e em defesa da justiça social. Os participantes da Assembléia aprovaram um declaração onde se destacam o apoio e o incentivo aos meios de comunicação alternativos, a luta por leis e regulamentações que garantam o direito à comunicação e à informação e permitam o desenvolvimento dos meios alternativos. A blogosfera progressista brasileira, a partir de agora, tem diante de si mais um novo desafio, ou seja, participar do processo de organização do II Fórum Mundial de Mídia Alternativa que ocorrerá em nosso país. 
ACESSE: http://www.institutobuzios.org.br/

MOVIMENTO DA SENZALA

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Com base na historiografia tradicional, o abolicionismo e o fim da escravidão no Brasil foram interpretados por muito tempo como processos elitistas, nos quais o escravo aparecia como um personagem passivo. O livro O Plano e o pânico: os movimentos sociais na década da Abolição, que acaba de ganhar sua segunda edição, revista, vem contribuindo desde 1994 para mudar essa visão.
O fim da escravidão foi resultado de uma cultura política gestada no cotidiano do trabalho nas senzalas, de acordo com a obra, fundamentada em pesquisa realizada a partir de múltiplas fontes por Maria Helena Toledo de Machado, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com Maria Helena, a tese central do livro – que teve origem em sua pesquisa de doutorado, concluída na USP em 1991 – é que os escravos não tiveram um papel passivo no processo que culminou com o fim da escravidão, que não teve nada de elitista, ao contrário do que deixava transparecer a historiografia abolicionista.
“Os escravos tiveram ampla participação no processo, em um movimento que também envolveu trabalhadores livres pobres e imigrantes. A atuação dos líderes abolicionistas só é compreensível como parte de um contexto de uma cultura política que teve origem nas senzalas, com a tensão social causada por sucessivas fugas em massa ao longo da década de 1880”, disse à Agência FAPESP.
Segundo a historiadora, o objetivo do livro era analisar a atuação dos escravos no processo de abolição, no período entre 1880 e 1888, no contexto paulista. Para isso, além de consultar uma bibliografia internacional, ela realizou uma pesquisa inédita considerando acervos judiciários e a documentação da polícia em cidades paulistas.
“Tratava-se de uma documentação massiva, com milhares de documentos que mapeei para selecionar apenas o que se referia aos escravos. A partir dessa seleção, valorizei os casos que relatavam revoltas, fugas em massa, homicídios, invasões de cidades e outros movimentos de maior impacto”, afirmou.
A pesquisadora, então, visitou diversas cidades paulistas, consultou cartórios locais e levantou processos criminais relacionados aos eventos que estavam listados na documentação oficial da polícia.
“Além disso, encontrei no Arquivo do Estado, pela primeira vez, o livro de reservados da polícia – onde eram registrados os fatos que não podiam ser divulgados para o público. Colhi os relatórios mais gerais dos chefes da polícia, dos presidentes das províncias e dos jornais da época”, disse Maria Helena.
No ano de 1885, por exemplo, os relatórios do chefe de polícia de Campinas relatavam que havia sido um ano tranquilo, sem maiores problemas a não ser pequenas ocorrências pontuais com escravos. Enquanto isso, o livro de reservados registrava um cenário certamente mais próximo da realidade: a cidade estava em perigo iminente com as fugas em massa de escravos.
“Percebi que os jornais eram censurados e retratavam uma versão rósea da realidade que a polícia de fato estava enfrentando. Acompanhei diversos estágios da produção dos eventos. Desde os primeiros telegramas, nos quais os fazendeiros pediam socorro ao subdelegado depois da invasão da sede de uma fazenda por escravos armados, passando pela notificação de cada autoridade, até chegar ao desenrolar do conflito e à divulgação nos jornais”, disse.
Onda de pânico
A historiadora descobriu revoltas de escravos que não haviam sido documentadas anteriormente. Uma delas, abortada, estava planejada para ser realizada em Resende (RJ), em 1881. Os registros diziam que um homem branco conhecido como Mesquita tinha chegado dos Estados Unidos e estava organizando uma revolta de escravos sem precedentes.
“Ele orientava os escravos a roubar armas dos senhores, a cortar os fios dos telégrafos e a roubar cavalos. Planejava articular uma ação orquestrada e formar uma excursão para a corte, no Rio de Janeiro, a fim de exigir a abolição da escravidão. Vários episódios mostravam grande movimentação social naquela década – entre São Paulo e Rio de Janeiro – com participação ativa dos escravos”, disse Maria Helena.
Outra revolta estudada foi organizada em 1882, em Campinas (SP), e chegou a ser realizada, embora em dimensão menor que a planejada. Liderada por um escravo liberto chamado Felipe Santiago, essa revolta foi associada à organização de uma seita religiosa denominada Arásia.
“Os adeptos tinham iniciações, recebiam novos nomes e eram marcados no corpo em ritos iniciáticos. Esses escravos haviam comprado armas e invadiram a cidade de Campinas em uma ação muito violenta. Esse tipo de episódio dissipa a ideia de que a abolição foi uma libertação passiva, ou um protesto irracional e apolítico dos escravos”, contou.
O título do livro – O Plano e o pânico –, segundo Maria Helena, remete à organização deliberada das revoltas arquitetadas por escravos e à onda de pânico por elas espalhada entre os escravistas.
“Depois da revolta de Resende em 1881, houve vários outros episódios e o pânico se espalhou pelo território paulista. O medo era tamanho que, em Bananal, por exemplo, as pessoas chegaram a abandonar as fazendas e fugir para a cidade. As polícias paulista e fluminense, despreparadas, sem armamentos, sem treinamento, viram-se sob o risco palpável de eventos violentos durante toda a década”, disse Maria Helena.  

O Plano e o pânico: os movimentos sociais na década da Abolição  
Autor: Maria Helena Toledo de Machado 
Lançamento: 2011 
Preço: R$ 37 
Páginas: 248 
Mais informações: www.edusp.com.br

Prêmio Palmares de Monografia e Dissertação - II Edição


Por Joceline Gomes

O Prêmio Palmares de 2010 teve número surpreendente de inscritos.

O Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC) da Fundação Cultural Palmares prepara-se para lançar a segunda edição do Prêmio Palmares de Monografia e Dissertação. O objetivo é destacar monografias de conclusão de graduação e dissertações de mestrado que versem sobre Cultura afro-brasileira, Comunidades tradicionais ou Cultura afro-latina.
Os critérios permanecem basicamente os mesmos da primeira edição, e cada trabalho habilitado será avaliado por dois membros da Comissão Julgadora, formada por 22 professores. Com avaliadores de todas as regiões do País, espera-se que em 2011 os números ultrapassem os de 2010 (veja box), os quais, aliás, já haviam superado as expectativas da comissão organizadora.
Na primeira edição do concurso, foram premiados, dentro das três áreas temáticas propostas (Cultura afro-brasileira, Comunidades tradicionais ou Cultura afro-latina), os melhores trabalhos em cada uma das cinco regiões brasileiras, somando 30 premiações com valores individuais de R$ 4 mil para monografias e R$ 8 mil para dissertações. Em breve, neste portal, você encontrará mais informações sobre o Prêmio e o lançamento oficial do edital.

ACESSE: 
http://africas.com.br/site/index.php/archives/8564?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+com/ZLVz+%28AFRICAS.com.br%29

Triste situação do Arquivo Público da Bahia

 
Bahia Notícias: As informações que chegam ao Bahia Notícias são de que o arquivo público baiano precisa de ajuda. Infiltrações nas paredes, umidade e falta de estrutura colocariam em risco os arquivos históricos da Bahia, e fala-se até na necessidade da construção de uma nova sede. Qual o raio-X do arquivo público baiano hoje?
 
Ubiratan Castro: Atualmente, trabalhamos o planejamento do arquivo público baiano em duas vertentes: a primeira é a preservação da atual sede, o da Quinta do Tanque, que é um prédio tombado, mas que não tem as condições ideais para a preservação deste acervo. Estamos realizando reparos. Trabalhamos para março e abril, para evitar que os arquivos sejam atingidos pelo período de fortes chuvas. Estamos realizando serviços de tapar as pingueiras, cuidar do assoalho, mas há muita umidade naquele prédio. Os padres jesuítas que fundaram aquele local o fizeram ali, porque sabiam que lá não faltaria água, pois naquela localidade há duas fontes de água. Agora, justamente aquele local é onde se guarda o arquivo público do estado. A outra vertente, é de que precisamos do apoio e mobilização da imprensa e de toda a sociedade para a construção de uma nova sede, em um terreno a ser definido. Assim como é muito importante a obra da Nova Fonte Nova, a população tem que entender a importância de também construir um arquivo público, para preservar a nossa história e a nossa cidadania. Conversamos com o Instituto de Arquitetos da Bahia (IAB), lançaremos um concurso para que arquitetos nos ajudem a construir essa sede. Nosso arquivo público é o segundo mais importante do país, já que Salvador foi sede da colônia por três séculos. Está atrás apenas do arquivo público nacional, que fica no Rio de Janeiro.
 
BN: O que esse arquivo público novo significaria na preservação da memória do Estado?
 
UC: Nas grades bibliotecas do mundo, há documentos que estão em ótimo estado de conservação com mais de 3 mil, 4 mil anos. De acordo com especialistas, não é colocar apenas no ar condicionado gelado. Não adianta fazer isso, pois, na verdade, você tem que manter mais em uma temperatura estável. E se você manter uma temperatura estável a 28°, isso é melhor que um ar condicionado que liga e desliga, que esquenta e esfria. Há toda uma arquitetura especializada hoje na construção de arquivos. Há todo um recurso hoje de microfilmagem, de digitalização, que permitem que qualquer pessoa consulte os dados do arquivo sem precisar pegar no papel. Hoje você pode guardar esse papel original com o maior cuidado, e abrir o acesso às informações na mídia eletrônica. Em computadores, ou mesmo colocar isso na rede, na internet.
 
BN: Atualmente, como se dá essa consulta ao arquivo público baiano?
 
UC: Temos uma sala de consulta dos impressos, que é o carro-chefe, que cotidianamente pesquisadores, não só de Salvador, mas de outros estados e de outros países se dirigem; e temos uma sala de consultas de microfilmes. Paralelo à essa pesquisa, que é mais de interesse científico, existem as demandas do cidadão, que nós prestamos também atendimento quando eles buscam a comprovação de diretos, de posse de terras, de escolaridade. Por exemplo, temos muita demanda por conta da comunidade europeia, de pessoas que tem interesse de identificar parentes de outras origens para pleitear cidadanias de outros países. Isso tem aumentado cada vez mais. Mas também prestamos um atendimento à distância, porque no momento a base que o arquivo tem ainda não está disponibilizada na internet. Nesses quatro anos voltamos a alimentar a base e procedemos também a revisão para, neste momento, a gente se preparar para, em um futuro próximo, disponibilizar esses arquivos na internet e esse pesquisador já saber do que nós dispomos. Hoje existe um atendimento à distância, em que nós recebemos um e-mail com as demandas de consulta, verificamos se temos e, se tivermos, informamos. Temos também uma biblioteca especializada em história da Bahia, e prestamos, além do cidadão, atendimento a alguns órgãos da administração pública: a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a Secretaria de Administração, a Secretaria de Segurança Pública, e outros. Foram cerca de 30 mil consultas ao arquivo em 2010. Apesar disso, a maioria das pessoas não conhece o arquivo público ou sabe sua utilidade.
 
BN: Qual a urgência da criação, então, desse novo arquivo público? Quanto tempo o atual arquivo ainda suporta?
 
UC: A demanda pela construção de um novo arquivo é para já. O arquivo na Quinta do Tanque está congelado. Ele não aguenta mais, não tem mais espaço, não tem mais condições físicas de acompanhar o crescimento da documentação baiana, tanto pública quanto privada. Então, já está no momento em que nós estamos deixando de recolher a memória do estado, por conta da falta de espaço. Corremos o risco, pelas más condições de temperatura, de umidade, de perder a memória que nós já temos guardadas. É uma coisa que para nós é prioridade: resolver neste segundo mandato do governador Jaques Wagner (PT) a questão do arquivo público. A gente sabe que temos um mandato para resolver isso, são quatro anos, parece que é muito, mas não é. A gente tem que ter toda uma tarefa técnica, de definir prioridades, temos uma tarefa de buscar os recursos e temos a tarefa da construção. A construção de um prédio complexo, porque o arquivo é uma coisa complexa, além de todas as dificuldades burocráticas.
 
BN: O que seriam essas dificuldades burocráticas?
 
UC: Por exemplo: nosso arquivo conseguiu recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, para a instalação de todo um sistema antifogo, de prevenção de incêndio, que é fundamental, o prédio do arquivo público é muito antigo e tem deficiências. Mas a legislação exige que a gente tenha um parecer favorável do corpo de bombeiros. Há quase dois anos que esse processo está no corpo de bombeiros sem que seja dado um parecer, para dizer que está bom, ou que não. Na verdade, a gente vem lutando para não perder esse recurso, e você veja que devido a um procedimento burocrático, algo que é tão urgente como proteger o arquivo público, um prédio velho, do fogo, é adiado por anos. A gente tem uma burocracia muito lenta. A gente precisa hoje urgentemente deste parecer. Infelizmente, boa parte das pessoas tem uma visão extremamente errada de arquivo. Acha que arquivo é papel velho, e papel velho está lá só ocupando espaço. Nos papeis velhos é que estão nossos direitos, nossa memória. Direitos inclusive financeiros. Quando você compra uma terra, você tem que levantar uma cadeia sucessória para saber quem foi que comprou aquela terra, de onde é que ela veio, se é grilado ou não, se quem está lhe vendendo é um oportunista. Porque, se não, você compra e não leva. Então, tudo isso depende do arquivo.
 
BN: Qual era o estado do arquivo público quando o atual governo assumiu, em 2007?
 
UC: Não havia esse hábito de preservar, da prática de higienização dos depósitos e de intensificar essa limpeza, porque a higienização é necessária para que a gente não precise fazer a restauração. Se você estiver limpo, com a ventilação e luminosidade devida, você está favorecendo a sobrevida daquele documento. Mas se você nunca limpar, inevitavelmente acabará perdendo parte do arquivo.
 
BN: Foi encontrado algum tipo de arquivo que já não tinha mais como ser recuperado, em alto estágio de decomposição?
 
UC:Não, nós não encontramos uma situação dessa. O que encontramos foi poeira, que a gente tem aperfeiçoado a limpeza, e microrganismos. Mas agora, se você for ao arquivo, não vai mais encontrar nenhum documento no chão. Todos estão nas estantes, em caixas, classificados, acondicionados. Agora, claro que existem documentos mais fragilizados.

* Tereza Matos, diretora do Arquivo Público, também participou da entrevista com informações sobre o arquivo.

Fonte: Bahia Notícias.

QUANDO SAMBAR ERA CRIME!

(CLIKC NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

Subdelegacia de Policia da Cidade de Cachoeira 
7 de Novembro de 1875 

       In(lustrissi)mo Senhor
Tendo hontem a noite uma denuncia
De que haviam alguns sambas em diver-
sos lugares desta cidade e sendo ja meia
noite, sahi acompanhado pellas patrulhas
e me dirigi aos lugares que me forão in-
dicados a fim de fazer cessar os sambas e
providenciar como fosse mister.
                                       Encontrei
em uma caza no caquende um forte
samba que fiz cessar, prendendo o do-
no da mesma caza, o qual sendo com-
duzido declarou que tambem fazia
parte do samba um guarda policial
de nome Francisco Bispo das Flores q(ue)
naquelle acto sahia do interior da caza
Ordenei logo a prizão desse guarda q(ue)
foi entregue a patrulha que me acom-
panhava e querendo esta dizarmalo
não quis entregar-se e pondo elle tenaz
resistencia, a ponto de dezobedecer-me
formalmente sem respeito algum, a-
cometendo-me até de rifle em punho
p(or) ofender-me o que teria conseguido
se não fosse emediatamente obstado
pella mencionada patrulha.
                              E como
semelhante procedimento seja alta-
mente reprehencivel e criminoso, levo
o exposto ao conhecimento de V(ossa) S(enhori)a para p(or)
providencias como o cazo exige, fazen-
do remeter o referido guarda ao com-
mandante do respectivo corpo para
proceder de acordo com os preceitos dessi-
plinares, a fim de ser ponido com as pe-
nas em que tiver encorrido para des-
te modo manter-se elleso o princi-
pio da autoridade.
                                 Foram testemunhas
prezenciais os guardas. Francisco Pe-
dro da S(ilv)a, Felismino Jose Per(ei)ra, Benedi-
to Aurelio da S(ilv)a, Libanio Andre da
Costa, e Manoel Mont(eir)o do Nacim(em)to
                                     D(eu)s G(uard)e a V(ossa) S(enhori)a

In(lustrissi)mo Senhor       O Subdelegado em
Manoel J(os)e For-             exercicio.
tunato. M. De
Delegado de Pu-               Ignácio J(os)e da Costa
licia desta Ci-
dade

Fonte: 
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção Colonial/Provincial
Maço: 6244