LAVAGEM DE CORPO E ALMA: POLÊMICAS HISTÓRICAS DA LAVAGEM DO BONFIM


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A lavagem da Igreja do Senhor do Bomfim, é uma destas coisas que principiadas com as mais puras intenções ao depois no decorrer do tempo, inda que seu escândalo seja altamente reprovado pela gente honesta, e pela Religião, contudo só do mesmo tempo, e das luzes da civilização pode ter sua extinção. Ajuntam-se para a lavagem milhares de mulheres, mais solicitas em apresentar o luxo com que vão vestidas, do que sua devoção, e enquanto esfregam o pavimento da Igreja, e carregam a água precisa, se entregam a excessos reprováveis, o que é de antever em uma reunião, onde um ato meritório para o Senhor do Bomfim, vai a fazer contínuas libações nas barracas que por ali se apinham. Eis aqui, meu amigo como se viciam as mais das vezes as puríssimas instituições da Religião. Quando os devotos do Bom Jesus do Bomfim, inventaram pela primeira vez a demonstração de sua devoção, sendo os mesmos que lavassem a sua Igreja, mal talvez previssem o desenvolvimento que a sua devoção havia tomar, tornando-se um escândalo. Tais são sempre os abusos que se divisam na sociedade, e que parecem aprovados pela Religião foram instituições como esta de que falamos, - que, arreigadas nos costumes de um povo, ela os tolera – inda reprovando-os. Nem possível é que ela aprove uma reunião imensa de povo, que com um pretexto religioso, no meio de um templo, na confusão em que se acham, pode dar lugar, e de fato aparece muito fato escandaloso, que serve de mover o riso a quem de parte os presencia. O nosso muito digno Diocesano têm muitas vezes alçado sua voz contra a lavagem da Igreja do Senhor do Bomfim, mas não se pode inda de todo lançar por terra essa festa, mais própria de um povo pagam, do que de uma cidade religiosa como a Bahia. Alguns porém, que de tudo criticam, e que em tudo querem achar um motivo para morder, lançam mão destas coisas, e por elas reprovam o geral da Religião. Muitos temos nós vistos a se saírem a campo com argumentos desta espécie. Desprezo sobre eles. Já cumprida vai esta minha correspondência; paro aqui, fazendo protestos de voltar a dedicar alguns momentos em escrever-lhe, já que assim o permite.
Padre Mariano.

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...é o dever dos Párocos admoestar, e instruir os seus paroquianos todas as vezes que tiveram oportunidade. Vejam sobretudo os Sacerdotes, e outros Eclesiásticos, que em semelhantes procissões, assim eles com todos os mais observem aquela modéstia, e reverência, que se deve especialmente a estas pias, e religiosas ações. Revestidos do hábito e vestes eclesiásticas convenientes ao ato, caminhando dois a dois, grave, modesta e devotamente, estejam de tal sorte atentos as sagradas preces, que evitando o riso, mútuas conversas e vago movimento de olhos, convidem e excitem o povo com o seu exemplo a imitar a mesma exterior compostura. Os Leigos caminhem separados dos Clérigos, as mulheres dos homens. Em uma palavra, dizíamos nós, as procissões, como adverte um erudito expositor do mesmo ritual, representam, e figuram como um templo ambulante, onde deve reinar o mesmo respeito, e acatamento; e onde conseguintemente não é menos criminosa e irreverência, ou a profanação, do que no sagrado recinto das próprias igrejas. O Reverendo Pároco da freguesia de Nossa Senhora da Penha faça também publicar esta na supradita Capela no dia da Epifania, 6 de janeiro. Data nesta cidade da Bahia, sob nosso sinal e selo da nossas armas, aos 31 de dezembro de 1853.
Lugar selo. Romualdo, Arcebispo da Bahia.                     

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http://memoria.bn.br/DOCREADER/DocReader.aspx?bib=709786&PagFis=1813 

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