Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão: Cartas Brasileiras
O
objetivo do CE-DOHS, face eletrônica do banco de textos DOHS, é disponibilizar
edições fac-similares em versão semidiplomática para o estudo do português
brasileiro, em diferentes perspectivas teóricas, de acordo com critérios
estabelecidos pelo Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB).
Embora os acervos, em sua maioria, sejam originados da grande área do semiárido
baiano, há acervos de outras áreas da Bahia e também de diversas regiões do
Brasil.
A maior
parte dos acervos aqui disponibilizados são compostos de cartas particulares
(1808-2000), que integram, em sua maioria, Cartas Brasileiras: coletânea de
fontes para o estudo do português (Fapesb, Processo 1493/2010). Há também, no
Banco, outros manuscritos, como livros de gado e de razão, documentos impressos
e amostras de fala
Há
previsão de inserção de novos acervos por alunos da pós-graduação que estão
editando documentos históricos inéditos, procedentes da grande área do
semiárido, gestada sob forte ambiente de contato linguístico, principalmente
com línguas ameríndias e africanas, durante o processo de multilinguismo que
caracterizou o interior da Bahia no período colonial brasileiro
A exemplo
dos chamados “Livro do Gado” e “Livro de Razão”, parte do que se constituiu o
rico arquivo privado das famílias Almeida, Pinheiro Pinto e Pinheiro Canguçu,
do Sobrado da Fazenda do Campo Seco. A importância de uma edição desses livros
advém do fato de se constituírem em registros raros, feitos de forma
sistemática por três dos seus senhores: o escrivão português Miguel Lourenço,
inicialmente como contador no “Tribunal dos ausentes” (1742-1743), cujos
registros da fazenda se iniciam em 1755 e vão até 1885; o brasileiro, genro de
Miguel Lourenço, Antônio Pinheiro Pinto, com registros a partir de 1794; o seu
filho, Inocêncio Pinheiro Canguçu, neto de Miguel Lourenço, com registros a
partir de 1822. Nesses livros, constam não apenas lançamentos contábeis, mas
também anotações minuciosas do cotidiano da fazenda do Brejo do Campo Seco.
ACESSE A
FONTE:
DESVENDANDO MANOEL RAYMUNDO QUERINO
Apesar da fama do escritor e ativista negro Manuel
Raymundo Querino, pouco se sabe ainda sobre sua infância e vida íntima. Sabe-se
que ele casou duas vezes, sendo que as primeiras núpcias foram com Ceciliana do
Espírito Santo. É sabido que com Ceciliana o escritor teve o filho Manuel
Querino Filho, nascido em 1887, e suponhava-se que ela fosse também mãe da
filha primogênita, Maria Anathilde Querino.
Contudo, este documento, datado de 7 de outubro de
1886, em que o escritor perfilhou Maria Anathilde, então com apenas três ano de
idade, revela que a mãe da menina se chamava Cecilia Cândida da Conceição e que
já era falecida. Essas informações deixam claro que Maria Anathilde não era
filha de Cecilia do Espirito Santo. O documento ainda fornece a data exata do
nascimento de Maria Anathilde, até agora desconhecida.
Lisa Louise Earl Castillo.
Lisa Louise Earl Castillo.
Para mais
sobre a vida de Querino, ver
LEAL,
Maria das Graças de Andrade. Manuel
Querino entre letras e lutas. Bahia: 1851-1923. São Paulo: Annablume,
2009.
Manuel
Querino. Dicionario da Arte na Bahia.
http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/manuel-querino-manoel-raymundo-querino/
Escriptura de perfilhação que faz Manuel Raymundo
Querino à menor Maria Anathilde Querino na forma abaixo.
Saibam quanto este instrumento de escritura de
perfilhação ou como
em direito melhor nome tenha, que no ano de Nascimento de Nosso Senhor
Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e seis, aos sete dias do mês de Outubro,
nesta cidade da Bahia, em meu cartório compareceu o outorgante Manuel Raymundo
Querino, solteiro, residente nesta cidade e reconhecido próprio das testemunhas
abaixo assinadas e estes de mim Tabelião, e perante eles, por ele foi dito que
pela presente escritura perfilha e reconhece a menor Maria Anathilde
Querino, nascida em primeiro de Janeiro
de mil oitocentos e oitenta e três e havida de Cecilia Candida da Conceição,
solteira e já falecida, para que a dita sua filha possa gozar das garantias e
privilégios que gozam os filhos de legítimo matrimonio e esta perfilhação faz
de sua livre e espontânea vontade, sem a menor exceção. A mim disse e aceitou e me pediu esta escritura
que eu aceitei lhe mandei aceitar a quem mais possa interessar o conhecimento
desta. Foram testemunhas presentes que assinaram com o outorgante depois de
lido este perante todos por mim Virginio José Espinola Tabelião a escrevi. Bahia
7 de Outubro de 1886. Manuel Raymundo Querino, Francisco Pinheiro de Souza, Vicente
Patricio Ribeiro.
FONTE: Arquivo Público do Estado da Bahia
Livro de Notas 778, fls. 14v-15.
Colaboradora desta postagem: Lisa Louise Earl Castillo.
Sobre a autora acesse:
CURSO: QUADRINHOS EM SALA DE AULA
É um
pássaro? É um avião? Não, é o curso Quadrinhos em Sala de Aula: estratégias,
instrumentos e aplicações, da Universidade Aberta do Nordeste (Uane) da
Fundação Demócrito Rocha (FDR) em parceria com a Prefeitura Municipal de
Fortaleza. Com 160h, na modalidade de ensino a distância (EaD), GRATUITO e
aberto a todo o país, objetiva fornecer aos profissionais da educação,
quadrinistas, pesquisadores e interessados pelo tema subsídios para, conhecendo
todos os principais elementos da linguagem, particularidades e recursos dos
quadrinhos, poder explorar adequadamente as suas possibilidades, introduzindo-os
na sua prática didática, enriquecendo, dinamizando e otimizando o processo de
ensino-aprendizagem. E mais: democratizando o acesso a conteúdos que, por meios
comuns, não seriam atraentes nem conquistariam outros públicos com menos
fluência leitora, além de estimular o seu raciocínio crítico, criatividade e a
imaginação.
Para
isso, trazemos a você 12 fascículos, 12 videoaulas (com transmissão pelo Canal
Futura), 12 radioaulas (em podcasts no AVA e transmitidas pela rádio O
POVO/CBN), 4 webconferências e muito, muito mais. E, ao final, a sua
certificação pela Universidade Federal do Ceará.
Você é
nosso convidado para, com a ajuda de nossos amiguinhos Kim, Igor, Lena e o
misterioso Capitão Fraude, nos reunirmos, ensinarmos e aprendermos juntos em
nossa sala de aula virtual (AVA).
Curta,
compartilhe, divulgue e inscreva-se já:
CONVERSANDO COM SUA HISTÓRIA: TRAJETÓRIAS DOS COMUNISTAS
É com
grande satisfação que anunciamos a 15ª edição do projeto Conversando com sua
História.
Neste ano de 2018, o CSH retomará suas atividades em Abril, com o tema "Trajetória dos Comunistas", as palestras são semanais sempre às terças-feiras, 17h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris), na sala Kátia Mattoso (3º andar).
Contamos com a sua presença!
Neste ano de 2018, o CSH retomará suas atividades em Abril, com o tema "Trajetória dos Comunistas", as palestras são semanais sempre às terças-feiras, 17h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris), na sala Kátia Mattoso (3º andar).
Contamos com a sua presença!
SEMINÁRIO ORUN / AIYÊ
O Centro
de Estudos Miguel Santana - “Projeto Memória Viva” - com o apoio da
Associação Amigos do Coral Renascer (AMICOR), Núcleo de Cultura Popular e
Câmara Municipal de Salvador tem a grata satisfação de convidar Vossa Senhoria
para participar do SEMINÁRIO ORUN /AIYÊ –
A memória não pode
falhar –
em comemoração aos 20 anos de atividades pela valorização da herança africana e afro-brasileira na Bahia.
em comemoração aos 20 anos de atividades pela valorização da herança africana e afro-brasileira na Bahia.
Dia/Hora:
16 de abril de 2018, às 14h.
Local:
Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador
Praça
Thomé de Souza, s/n – Centro
"Conferência de Economia/Comércio Internacional do Jean Monnet Networkon Atlantic Studies"
O Núcleo de Prospecção e
Inteligência Internacional e a Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas
convidam a todos os interessados para a:
"Conferência de Economia/Comércio Internacional do Jean Monnet Networkon Atlantic Studies"
A Conferência é aberta ao público e tem como objetivo reunir especialistas internacionais renomados para discutir as mudanças econômicas no espaço atlântico e as novas oportunidades e desafios para o Brasil, a União Europeia e outros atores.
O evento é uma realização do Projeto 'Jean Monnet Network on Atlantic Studies’, financiado pela Comissão Europeia, que reúne 10 Instituições de Pesquisa e ‘think tanks’ distribuídos pelos 4 continentes do Atlântico. Todos os países participantes são considerados estratégicos no âmbito atlântico, e a coordenação dos trabalhos é assegurada pelo FGV NPII, no Brasil.
O objetivo do projeto é desenvolver uma rede para analisar três temas relevantes no Atlântico, de particular interesse para a União Europeia: Energia, Economia e Segurança-Humana.
O evento será uma excelente oportunidade para debater as perspectivas para o Brasil e outros atores representados no Network em moldar o futuro do Atlântico, especialmente por meio de iniciativas conjuntas, tanto em áreas públicas como privadas.
A conferência será em inglês e não haverá tradução simultânea.
Será concedido certificado de participação apenas aos previamente inscritos e que comparecerem aos dois dias da conferência.
Nossos Ancestrais. Performance com Demian Reis
"Nossos Ancestrais" é um rito, uma
oração, uma constatação da primeira violência na formação do Brasil. Um olhar
para o passado, quando barcos da velha Europa chegaram para mudar o destino de
cerca de 5 milhões de pessoas que habitavam as terras que se tornariam colônia
de Portugal, dos quais milhões foram sacrificados no altar do colonialismo
português. 500 anos se passaram, mas não a violência que aqui aportou. Um
passado que se recusa a passar. No Brasil dos descendentes misturados dos
povos indígenas, europeus e africanos de hoje vemos e sofremos a presença desse
passado em toda parte. Essa herança persegue os descendentes de Nossos
Ancestrais.
"Nossos Ancestrais" encara nossas sombras para sarar a ferida
histórica da qual viemos. E que teima em permanecer aberta. Sangrando.
Inspirado em texto de Nuno Gonçalves.
Justas homenagens e debates fundamentais marcam a programação da UFBA no Fórum Social Mundial 2018
A UFBA
inicia suas atividades no Fórum Social Mundial 2018 no começo da tarde de
terça-feira, 13 de março, com uma verdadeira celebração da ciência e da cultura
produzidas na Bahia, no salão nobre da reitoria. É ali, às 14:30 horas, depois
de ter sido recepcionado na entrada do prédio pela Orquestra de Frevo e
Dobrados sob a regência do maestro Fred Dantas, que o público presente
participará da homenagem da Universidade ao casal de cientistas Zilton Andrade
e Sônia Andrade e ao artista plástico e escritor Mestre Didi, Deoscóredes
Maximiliano dos Santos, cujo centenário se celebrou em 2 de dezembro de 2017. Para quem
não sabe, Zilton Andrade, prestes a completar 92 anos, professor emérito da
UFBA e patologista reconhecido, é um dos mais importantes pesquisadores do
Brasil em doenças endêmicas, em especial esquistossomose e Chagas, é
membro da Academia Brasileira, e segue ativo, trabalhando diariamente em seu
laboratório, junto com Sonia, na Fundação Oswaldo Cruz em Salvador, a
Fiocruz-Bahia. Ela, Sonia Gumes Andrade, completará 90 anos neste ano, é também
pesquisadora respeitada, e se notabilizou principalmente com seus estudos
experimentais em doença de Chagas.
Mestre
Didi, filho único da mãe-de-santo Maria Bibiana do Espírito Santo, era, como
disse a antropóloga Juana Elbein dos Santos, sua mulher, em entrevista ao
jornalista Luís Nassif em 2014, “um sacerdote artista. Expressa, através de
criações estéticas, arraigada intimidade com seu universo existencial, onde
ancestralidade e visão-de-mundo africanas se fundem com sua experiência de vida
baiana”. A homenagem da UFBA a essa notável personagem da cultura baiana, que
recebeu em 1983 o título máximo de Obá Mobá Oni Xangô, do rei de Ketu, em Benin,
África, vai incluir a exibição de um grande boneco feito pelo artesão Jurandyr
Sobrinho a partir de desenho do artista plástico Mauritano, na parte externa da
reitoria.Fórum Social Mundial 2018 terá exposição de Sebastião Salgado e debates sobre povos indígenas
O Fórum
Social Mundial (FSM 2018) irá unir movimentos sociais de todos os continentes
com o objetivo de elaborar alternativas para transformação social global. Com o
lema “Resistir é criar, resistir é transformar”, o evento será realizado de 13
a 17 de março de 2018, nos campi da UFBA. Um dos eixos temáticos do Fórum
será “Povos Indígenas”, que contará com mesas de debate e mostras artísticas.
A
exposição de Sebastião Salgado, um dos maiores nomes da fotografia mundial,
intitulada “Índios Korubo: Vale do Javari”, é uma das atrações confirmadas.
Resultado do contato do artista mineiro com o povo Korubo, do Vale do Javari,
oeste da Amazônia, as imagens registradas são as primeiras da tribo,
classificada como de “recente contato” ou de pouca relação com não índios.
Poucos deles falam português e são frágeis frente às doenças comuns entre não
índios. Conhecidos como violentos e chamados de “caceteiros” – em razão de
usarem bordunas, em vez de arco e flecha – os korubos estão ameaçados pela
exploração clandestina das riquezas de seu território.
O
trabalho de Salgado é uma continuidade de “Gênesis”, que inclui fotos dos
índios zo’és, do Pará, e de outras etnias. A série de reportagens fotográficas,
que ficará exposta na antessala da reitoria a partir de 13 de março, faz parte
de um projeto maior, “Amazônia”, classificado por Salgado como seu “último
projeto”, já que ele pretende revisitar e reeditar seus antigos acervos.
ACESSE: FMS 2018
ÌROHÌN - CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO, COMUNICAÇÃO E MEMÓRIA AFRO-BRASILEIRA
Finalmente,
você já pode acessar a coleção digitalizada do Irohin, jornal impresso que circulou,
com interrupções, de maio de 1996 a agosto de 2009, e mantém ainda grande
atualidade. Trabalhamos agora para colocar à disposição de estudantes,
professores, pesquisadores e o público em geral uma biblioteca, contendo
diversificado material bibliográfico referente ao negro, sua história e cultura
(livros, periódicos, separatas) e matérias jornalísticas, fotos, filmes e
fitas). A biblioteca do Irohin está sendo organizada por estagiárias do
Instituto de Ciência da Informação (ICI), da Universidade Federal da Bahia, com
a orientação da professora Ivana Lins, e seu acesso será oportunamente
viabilizado através deste portal. (www.irohin.org.br).
Queremos uma biblioteca atuante e transformada, que possa incentivar a leitura
e fazer a diferença em uma comunidade onde as taxas de analfabetismo continuam
altas pelos dados recentes divulgados pelo IBGE. Somos conscientes de nossas
responsabilidades com a inclusão de nossa gente. A memória referente aos fatos
políticos e culturais relacionados aos negros e ao enfrentamento do racismo
costuma ter pouco espaço entre nós. O Irohin quer contribuir para que possamos
ampliar a receptividade a nossa história e ajudar na preservação e atualização
de patrimônio inestimável, de relevância fundamental para luta que travamos pela
vida, pelos direitos de cidadania, pela liberdade religiosa e por uma
democracia efetivamente pluralista.
Vida longa ao Ìrohìn!
ACESSE: www.irohin.org.br
BIBLIOTECA DOS BARRIS JOGADA ÀS BARATAS
Local
está sujo, sem ar-condicionado e jornais; pesquisador fez carta ao governador.
Foto: Maria Silva/Correio
Primeira
biblioteca da América Latina; dona de uma história de 207 anos; detentora de um
acervo de mais de 600 mil arquivos – mais de 150 mil livros. Sobrevivente a
incêndios, bombardeios, roubos e mudanças de sede. A Biblioteca Central do
Estado, antes Biblioteca Pública do Estado, é tudo isso. Agora, ela enfrenta
outro momento sombrio: sem grandes investimentos, falta limpeza, climatização e
até jornais diários.
A
situação não é nova, mas voltou à tona na semana passada, depois que o
jornalista Claudio Leal divulgou, nas redes sociais, uma carta
pública endereçada ao governador Rui Costa. No texto, Claudio denuncia
as condições da biblioteca – que vão desde o que chama de ‘desertificação’ do
setor de periódicos, onde ficam os jornais diários, até as más condições de
limpeza.
“São
quase dois anos de incúria, de estúpida austeridade e de grosseria contra
leitores e pesquisadores. Um ato de desprezo à memória histórica da Bahia”,
diz, na carta. Segundo ele, os banheiros têm cheiro de urina e os mictórios são
‘podres’, mas refletem um descaso que vêm atravessando mandatos e partidos
políticos.
ACESSE NA
ÍNTEGRA:
Um
problema histórico!
Há muito
que sabemos da atual situação dos Arquivos
e Bibliotecas públicas pelo Brasil. Em muitos estados se quer existe um
arquivo, e quando existem não recebem a atenção devida por parte dos
governantes. Essa história se repete, e não é de agora. A matéria publicada no
Diário de Notícias de 1905, demonstra o quanto esses espaços são esquecidos
pelo poder público.
Arquivo e
Biblioteca
Não há
povo amante de seu passado, de suas conquistas liberais e de suas tradições
históricas, que não zele com especial carinho o arquivo onde se guardam os
documentos de sua evolução e de sua independência. Não há governo,
mediocremente consciente de seus deveres morais que não olhe com interesse para
as bibliotecas onde os adultos de todas as classes sociais vão completar a sua
educação mental, e os especialistas costumam encontrar os elementos
indispensáveis ao desempenho da vocação com que os dotou a própria índole
espiritual e lhes apurou o meio em que surgiram.
Sem os
arquivos, sem as bibliotecas perderiam os indivíduos e os povos, perderia a
humanidade inteira o senso da continuidade histórica, que é o
fundamento mesmo da civilização, porque é justamente o laço que prende o
passado ao presente, preparando o futuro.
Os
arquivos e as bibliotecas nacionais, além de serem um patrimônio que as
gerações se transmitem, representam o maior fator da progressividade em todas
as manifestações da atividade humana. Recolhendo a seus arquivos e as suas
bibliotecas os tesouros espirituais da mentalidade greco-romana, puderam os
claustros salvar do naufrágio da barbaria medieval as mais belas conquistas do
humano intelecto, facilitando o extraordinário movimento darenascença,
que veio reatar o fio partido da evolução cultural da humanidade, restaurando
nos anais de seu progredir aquela continuidade histórica, a que aludimos acima,
e sem a qual os acontecimentos perderiam a sua natural concatenação.
Pois bem.
Nós também possuíamos aqui nesta antiga metrópole da inteligência e da
civilização brasileira um arquivo e uma biblioteca, cuja utilidade os governos
compreendiam e de cujos serviços podem dar eloquente e inequívoco testemunho
aqueles que os frequentavam e neles cultivaram as faculdades do seu espírito.
Sim, nós também os possuíamos!... mas que é feito deles?
Fale por
nós, na linguagem verdadeira e expressiva do laconismo oficial, a mensagem do
Sr. Dr. Governador do Estado, na mais triste, na mais vergonhosa, na mais
acabrunhada das informações:
“Estes
dois antigos monumentos, que guardam os mais preciosos documentos da nossa
história e cultura intelectual, acham-se em deplorável estado: o
primeiro porque, abatendo parte do teto do edifício, em que está
instalado, viu-se a sua administração obrigada a remover, confusamente,
para salvar de total prejuízo, o seu precioso material, e a
Biblioteca, porque, retirada por força maior do consistório da Igreja Catedral,
(vai por cerca de 6 anos!) ainda não foi reinstalada,achando-se a sua
grande e rica livraria amontoada em um dos cômodos do pavimento inferior do
Palácio do Governo”.
Informações
oficiais desta natureza são por demais expressivas e dispensam quaisquer
comentários de terceiros. Na que acabamos de ler e reproduzir, se encontram,
nos próprios termos em que foi vazada, a seca narração de tão deplorável e
vergonhoso acontecimento, e a condenação consequente do crime
administrativo que ele representa. No entretanto, da censura que o
fato provoca estão isentos os representantes da opinião, aqueles que, pelas
circunstâncias anormais a que chegamos, simbolizam a única voz desinteressada,
mas pouco ouvida, do povo sofredor e desprezado. Referimo-nos aos jornais desta
capital, referimo-nos especialmente a este Diário que mais de
uma vez levou aos ouvidos surdos do governo trans ato as queixas do povo, as
reclamações dos estudiosos e os protestos veementes de sua justa indignação.
Que
pretende fazer, diante disto, o Sr. Dr. José Marcelino de Souza? Um homem de
responsabilidade, um governador não denuncia á opinião uma ocorrência de tanta
gravidade sem providenciar com máxima presteza no sentido de sua correção. É
este o seu dever, e
sua
excelência parece havel-o compreendido, a julgar pelas seguintes palavras da
mensagem:
“Quanto
ao Arquivo já providenciei para os reparos do edifício, afim de ser tudo
reposto em seu competente lugar; e sobre a Biblioteca estou com todo cuidado,
empenhado em reinstala-la, convenientemente, o que já não foi possível por
falta de edifício apropriado.”
Oxalá
tudo isto se verifique!...
Jornal
Diário de Notícias, Bahia, quarta-feira, 19 de abril de 1905.
FONTE: Biblioteca
Pública dos Barris, setor de jornais e revistas raras.
ACOMPANHEM
ESSA LONGA HISTÓRIA:
Mentiras
Oficiais
Qualquer semelhança, não é mera coincidência
Arquivo Público da Bahia sofre com falta de manutenção
Qualquer semelhança, não é mera coincidência
Arquivo Público da Bahia sofre com falta de manutenção
ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL
Com o
tema Espaços coloniais: domínios, poderes e representações, o VII EIHC celebra
seu décimo primeiro ano de existência, na cidade de Natal, promovido
pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O mesmo
padrão de qualidade das edições anteriores será mantido ao reunir experts de
vários campos da História Colonial em conferências, mesas redondas e simpósios
temáticos, além do lançamento de obras recentemente publicadas.
Todos(as)
os(as) pesquisadores(as), professores(as), estudantes e amantes da História
Colonial, e áreas afins, estão convidados(as) a fazer parte desse grande
evento, que ocorrerá nas dependências do Campus da UFRN, entre os
dias 5 e 8 de setembro de 2018.
"AFRICANO AMIGO DE EUROPEUS DEGREDADO POR LABATUT"
Ilustríssimos
Excelentíssimos Senhores
1823
Diz José
Ignacio Gonçalves, morador na Vila de Nossa Senhora da Purificação e Santo
Amaro, que vivendo manso e pacífico na dita Vila, inteiramente ocupado em
procurar os meios da sua subsistência, sem que em nada fosse contrário a Santa
Causa do Brasil, donde se considera natural por vir para ele de menor idade da
Costa de África em que nasceu; contudo foi preso por ordem do Excelentíssimo
General Labatut, e desterrado para a Vila do Itapicuru, na qual se acha a mais
de dois meses, com o fundamento de ser o Suplicante amigo dos Europeus, que
emigraram daquela Vila para a Cidade, e de ter com eles correlações, e o mais
que talvez lhe acumulassem os seus inimigos para denegrirem a boa reputação que
sempre teve o Suplicante. Não é crível, Excelentíssimos Senhores, que sendo o Suplicante
um preto pobre e maior de setenta anos perpetrasse um tal delito, e tanto é
inocente nele, quanto se mostra da atestação juntas, e melhor dia justificando
que já fez; a qual sendo apresentada ao mesmo Excelentíssimo General deposto,
já mais obteve deferimento algum; por isso vem suplicar humildemente a Vossas
Excelências se dignem pelo Amor de Deus mandar relaxar o Suplicante do degredo
em que se acha, visto que a sua qualidade, idade, pobreza, documento junto, e
da justificação mostram com a maior evidência a impossibilidade de existir nele
a culpa imputada.
Pede a
Vossas Excelências se dignem atender ao Suplicante, em mandá-lo soltar, visto
ser inocente.
Espera
Receber Mercê
FONTE: APEB, Seção Colonial, Maço: 2883
O CASTIGO SENHORIAL E A ABOLIÇÃO DA PENA DE AÇOITES NO BRASIL: JUSTIÇA, IMPRENSA E POLÍTICA NO SÉCULO XIX
Resumo:
O
objetivo deste artigo é analisar a criação da lei de 15 de outubro de 1886 que
aboliu a pena de açoites no Brasil. Diferentemente da historiografia dedicada
ao tema que destacou o contexto antiescravista internacional e as disputas
parlamentares, pretendo olhar para os debates travados no âmbito da Justiça e
da imprensa a partir do estudo de três casos que tiveram grande repercussão nas
décadas de 1870 e 1880. Minha intenção é demonstrar como as discussões
parlamentares para a abolição da pena de açoites no Brasil relacionavam-se a um
amplo debate de crítica aos castigos físicos nos anos finais da escravidão.
Ricardo
F. Pirola
Universidade
Estadual de Campinas, Campinas - São Paulo - Brasil.
ACESSE:
INTERAÇÕES ATLÂNTICAS ENTRE SALVADOR E PORTO NOVO (COSTA DA MINA) NO SÉCULO XVIII
Resumo:
O artigo
discute as dinâmicas atlânticas entre Salvador e Porto Novo, na Costa da Mina,
durante o século XVIII. A despeito do foco da historiografia brasileira no
tráfico baiano em Uidá, os portos a leste – os chamados “portos de baixo” –
foram importantes terminais de deportação de africanos para as Américas. O
artigo explorará ainda as dinâmicas entre Porto Novo e o Daomé, principal reino
traficante do golfo do Benim no século XVIII, que reivindicava o “monopólio” do
tráfico na região. O jogo político do tráfico de escravos envolvia entidades
africanas locais, traficantes de diversas carreiras e autoridades coloniais.
Observar as interações entre a Bahia e Porto Novo iluminará as diferentes fases
do comércio atlântico no golfo do Benim no século XVIII.
Carlos da Silva Jr.
University of Hull
Reino Unido – Inglaterra
Frontiers of Citizenship: A Black and Indigenous History of Postcolonial Brazil
Book description
Frontiers of Citizenship is an engagingly-written,
innovative history of Brazil's black and indigenous people that redefines our
understanding of slavery, citizenship, and the origins of Brazil's 'racial
democracy'. Through groundbreaking archival research that brings the stories of
slaves, Indians, and settlers to life, Yuko Miki challenges the widespread idea
that Brazilian Indians 'disappeared' during the colonial era, paving the way
for the birth of Latin America's largest black nation. Focusing on the postcolonial
settlement of the Atlantic frontier and Rio de Janeiro, Miki argues that the
exclusion and inequality of indigenous and African-descended people became
embedded in the very construction of Brazil's remarkably inclusive nationhood.
She demonstrates that to understand the full scope of central themes in Latin
American history - race and national identity, unequal citizenship, popular
politics, and slavery and abolition - one must engage the histories of both the
African diaspora and the indigenous Americas.
Reviews
Advance praise: ‘This book is a major achievement not
only because of the innovative research and groundbreaking analysis, but also
because the author has uniquely found a way to communicate these in prose that
is both concise and precise. She effectively articulates theoretical and
epistemological insights in a streamlined way that is certainly helpful to
students and nonspecialists but also, frankly, is useful for specialist
scholars trying to apprehend her reading of the archive. I can sincerely say
that having read this book will forever change the way I think and teach about
Atlantic slavery and Brazilian history, something that I have been doing for
over twenty years.'
Amy Chazkel - Queens College, City University of New
York
Advance praise:‘In Frontiers of Citizenship, Yuko Miki
connects racial categories that hitherto have been archivally and
historiographically separate and argues persuasively why this approach is ‘not
only possible, but necessary'. By intertwining the histories of indigenous
peoples and black slaves in a frontier region, she offers surprising new
insights about race, slavery, and citizenship during Brazil's transition to
nationhood.'
Judy Bieber - University of New Mexico
Advance praise:‘Yuko Miki provides a critical
accounting of nation-state building in nineteenth century Brazil. Surprising
and engaging, Miki tells a series of stories from a variety of perspectives
that bring indigenous peoples into the light. She provides those of us who work
in the modern era on Black-Indian disputes and alliances with an important
backdrop that will inform our work in many years to come. This book would be
excellent for both undergraduate and graduate courses in Brazil, nineteenth
century Latin America, and adds Brazil, a country often left to one side when
discussing indigenous peoples of South America.'
Jan French - University of Richmond
Advance praise:‘In placing together Indians and black
slaves within a complex framework of territorial claims, labor exploitation,
nation-building, and the struggle for and denial of citizenship, Yuko Miki's
book opens a new frontier in the social history of nineteenth-century Brazil
and Latin America in general.'
João José Reis - Universidade Federal da Bahia, author
of Divining Slavery and Freedom.
Fonte: University of Cambridge
LINKS PARA PESQUISA NOS MÓRMONS
NASCIMENTO,
CASAMENTO E ÓBITO
IMIGRAÇÃO
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