PESQUISANDO A HISTÓRIA É DESTAQUE NO PAPERBLOG

Gostaria de comunicar-lhe que foi eleito como Autor do Dia e, por este motivo, você estará em destaque até amanhã na página principal de Paperblog:  
http://pt-br.paperblog.com/users/uranoandrade/#
Continuaremos a lê-lo!

Cada vez mais, através da blogosfera descobrem-se novos talentos: peritos e amantes de vários temas que querem partilhar os seus conhecimentos e experiências… Os artigos estão dispersos entre a
enorme onda de blogs que inunda a rede.
pt-br.Paperblog.com nasce com o objetivo de localizar, entre os blogs, os artigos mais interessantes, originais e cativantes para apresentálos ao maior número de leitores.
Um conjunto de temáticas que recolhem as últimas novidades mais interessantes da atualidade, do mundo da tecnologia, da ciência, saúde e viagens.
Sem esquecer as últimas tendências do mundo da moda, arte e da comunicação. Um serviço que promete transformar a blogosfera
Depois do enorme sucesso da versão francesa, lançada em 2007, Paperblog investiu no lançamento das versões em espanhol, italiano e alemão que difundem diariamente milhares de artigos dos blogs.
Nicolas Verdier, o fundador do projeto, e sua nova equipe esforçam-se para que Paperblog se convirta numa referência para a blogosfera no Brasil.
Depois de um processo de seleção dos melhores blogs propostos pelos autores através da sua inscrição, a informação se organiza segundo um sistema desenvolvido em três fases:
Em primeiro lugar, os artigos são pontuados automaticamente segundo critérios objetivos de redação desenvolvidos pela equipe técnica;
Em seguida, são os internautas que, através do número de leituras, votos e comentários, tornam visíveis os conteúdos que mais lhes interessam;
Por último, a equipe de coordenação de conteúdos encarrega-se de aperfeiçoar a seleção e destacar os melhores artigos e elaborar a página principal deste novo meio de comunicação diário, gratuito e participativo.
O site estará acessível ao público a partir do dia 2 de novembro. Entretanto, cerca de 200 bloggers já testaram a versão privada durante um mês para aperfeiçoar e corrigir possíveis erros.
O resultado: uma ferramenta eficaz para os blogueiros, cujos artigos de alta qualidade deixarão de estar em lugares remotos e poderão ser visíveis em apenas um click, evitando horas de busca.

A cultura e a ilusão do mercado


 JOHN NESCHLING
Juca Ferreira representa um tipo de político que chama para si a responsabilidade de viabilizar o que o mercado jamais terá interesse em fazer
 
Na abertura da temporada do Teatro Alla Scala de Milão, o evento mais importante da pauta operística do mundo, o maestro Daniel Baremboim dirigiu-se ao público presente na sala, fazendo sua a preocupação da comunidade produtora e consumidora de cultura na Itália e na Europa em relação aos cortes drásticos de subvenções e à retração do Estado de suas responsabilidades culturais.
Foi delirantemente aplaudido. Fora do teatro, uma grande manifestação popular de repúdio aos cortes estatais teve que se ver com a repressão policial do governo Berlusconi. Fosse italiano, o cineasta Luiz Carlos Barreto estaria do lado da turma do Berlusconi, gritando a plenos pulmões que o Estado não deve ser provedor de cultura.
Ao menos é o que se depreende da leitura de seu artigo "Nem fica nem sai Juca", publicado nesta Folha no dia 9 deste mês.
No seu texto, na verdade um manifesto anti-Juca Ferreira, Barreto desclassifica toda uma mobilização espontânea de importante parte da classe artística, que vem apoiando a permanência de Ferreira no Ministério da Cultura, em diferentes partes do Brasil, afirmando que tal movimento não conta com a participação da "classe artística".
E o que somos nós, músicos, cantores, diretores de teatro, pensadores culturais, dançarinos, produtores etc., que temos, sim, nos engajado publicamente pela sua recondução ao cargo?
Talvez Luiz Carlos ache que eu seja beneficiário de uma verba astronômica dirigida à "cultura de salão" e nem me considere artista digno de discutir a questão cultural no país. Talvez ele desconsidere a linguagem cultural que eu represento, a julgar pela forma pejorativa com que se refere à música clássica.
Barreto é o tipo de produtor artístico que Berlusconi tem como ideal para o século 21, aquele que recebe as benesses do Estado, mas o isenta da enfadonha responsabilidade de pensar a cultura e apresentar democraticamente propostas definidas de política cultural.
Evidentemente que, com esse perfil, Barreto jamais apoiará um ministro como Juca Ferreira. Ferreira representa um tipo de político que encara o Estado como um pensador e enunciador de política cultural, com projetos definidos, e que chama para si a responsabilidade de viabilizar aquilo que o mercado jamais terá interesse em realizar.
Curioso é perceber que justamente essa produção cultural "autônoma", que Barreto enaltece, viveu as últimas décadas mamando nas tetas generosas do Estado, beneficiando-se justamente dos "mecanismos de clientelismo" que o produtor cinematográfico critica.
Reclamando eternamente da penúria em que são mantidos os "autônomos", se opõe a um ministro que propõe uma discussão democrática sobre o emprego das verbas oficiais para a cultura, alegando que se trata de prática autoritária.
Realmente, para Barreto, como ele mesmo afirma, não é importante discutir se Juca fica ou não. Aliás, para essa tendência que representa, não é fundamental um ministro que pensa e que discute. Aliás, nem é importante ter um ministro da Cultura, sonho de Berlusconi. Basta um mecanismo de distribuição de verbas e esmolas para o pátio dos milagres das artes brasileiras.

JOHN NESCHLING, maestro, é diretor artístico da Cia. Brasileira de Ópera. Foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Também dirigiu os teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro e os teatros São Carlos (Lisboa), St. Gallen (Suíça), Massimo (Palermo) e a Ópera de Bordeaux.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br  

Dicionário Caudas Aulete Digital

O dicionário Caudas Aulete Digital é uma ferramenta extraordinária e imprescindível para se ter em seu motor de busca. Inteiramente gratuito, fácil de utilizar, contém o novo acordo ortográfico, sendo o primeiro dicionário online a tê-lo integrado . Repleto de recoursos: verbetes, sinônimos, possibilidade de participar na sua atualização e extensão , enfim este dicionário publicado no século XIX, persiste ganhando em qualidade e precisão. 

DOMÍNIO PÚBLICO - BIBLIOTECA DIGITAL

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos.

 Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia;
· Eer acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· E muito mais....

Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Ao menos acessem, por favor, sempre que puderem.

O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: http://www.dominiopublico.gov.br/

Family Tree Builder

O Family Tree Builder é um software genealógico no qual milhões de pessoas mundialmente confiam para a construção de suas árvores genealógicas. A nova versão 5.0, lançada hoje, traz novas funcionalidades e melhorias. Nós trabalhamos duro no ano passado para fazer do seu lançamento uma grande alegria para os amantes da pesquisa genealógica. Todas as funcionalidades novas e aprimoradas do Family Tree Builder 5.0 são livres.

Nota importante: se você já estiver usando uma versão anterior do Family Tree Builder, você pode simplesmente baixar e instalar a versão 5.0 por cima de sua versão atual. Isso não afetará os seus dados inseridos na árvore genealógica, é fortemente recomendado e grátis. Se você ainda não estiver usando o Family Tree Builder, a nova versão 5.0 é um excelente começo. Se você estiver usando algum outro programa, pode passar qualquer árvore genealógica para o Family Tree Builder utilizando a importação de GEDCOM.

Quais são as novidades na versão 5.0?

Gráficos da árvore genealógica: O Family Tree Builder 5.0 apresenta um módulo gráfico totalmente reformulado, que gera gráficos bonitos, completamente gratuitos. 18 estilos novos já estão disponíveis. Dois formatos de gráfico novos foram adicionados: Borboleta e Ampulheta. Um assistente novo torna a criação de gráficos mais fácil. Temos novos melhoramentos visuais: decorações do título, fundos e molduras para escolher. Você pode criar quantos gráficos desejar, salvá-los em formatos PDF ou JPEG, imprimi-los ou compartilhá-los. Crie o seu próprio estilo favorito e guarde-o para a reutilização posterior. Existem mais melhorias nos gráficos além do que podemos listar aqui.

Posters da árvore genealógica: agora qualquer gráfico pode ser encomendado como poster impresso através de MyHeritage.com. Isso torna-se um grande presente para um familiar amado para os dias de festa - para o Natal, para a Páscoa e outros dias de festa; ou para um aniversário, um casamento ou uma reunião familiar. Isto é especialmente útil para gráficos grandes, pois a impressão deles em casa torna-se difícil. Você pode escolher entre uma variedade de materiais de alta qualidade, incluindo os materiais vinil e lona. Os posters irão encantar você e sua família, para obter um ou mais encomende hoje e receba-os antes dos dias de festa!

Teste de consistência na árvore: nós investimos muitos pensamentos neste novo e gratuito módulo, que irá verificar sua árvore genealógica e detectar possíveis erros de aprox. 40 tipos diferentes. Esta função ajudará você a melhorar sua árvore. Por exemplo, se você informou datas dentro de campos para locais ou alguém marcou uma foto datada antes do nascimento dessa pessoa, este módulo vai encontrar esses erros, e muitos outros, e mostrar-lhe exatamente como consertá-los.

Melhor controle de privacidade: usuários que publicam sua árvore no site da família em MyHeritage.com, têm agora melhor controle de privacidade, o que lhes permite configurar com muita precisão quais informações serão publicadas online. Por exemplo, pode evitar facilmente a publicação de informações de indivíduos específicos, ou remover determinados campos, tais como endereços, para todas as pessoas. Veja toda a informação que está marcada como privada num ápice e facilmente se certifica de que as informações privadas permaneçam privadas.

Listas de tarefas: use esta grande novidade para organizar seu trabalho. Informe as tarefas que precisam ser feitas e associe-as a pessoas e a locais que se encontram na árvore; organize os próximos passos que você precisa de fazer na sua pesquisa e priorize-os. Veja todas as tarefas associadas a uma determinada pessoa ou a uma situação e conduza sua pesquisa genealógica de forma mais eficaz.

Restaurar facilmente: o Family Tree Builder 5.0 agora pode facilmente restaurar qualquer árvore que você publicou online, e também recuperar as fotos que estão incluídas nela. Você até pode baixar as árvores que você criou online em MyHeritage.com e usar o Family Tree Builder para continuar seu trabalho nela.

Pesquisar e substituir: procure e substitue textos em quase todos os campos da árvore genealógica. Terá várias opções de configuração, como casos de correspondência completa, correspondência em só uma palavra ou em qualquer parte do texto etc. Você pode até mesmo selecionar quais campos irá usar na pesquisa.

Dezenas de outras melhorias e correções de bugs: incorporamos o feedback dos nossos usuários e muitos aspectos do programa foram melhorados ou corrigidos. Agora você pode adicionar fotos e outros itens de mídia a fontes, para melhorar a documentação da sua pesquisa. Para referência futura, pode informar os resultados dos testes de DNA. Um assistente novo foi acrescentado para localizar pessoas duplas na sua árvore, além disso você receberá um aviso antes de adicionar uma nova pessoa à árvore, se essa parecer ser dupla. Fornecemos também uma manobra melhor de nomes, pode informar nomes para homens casados. Você pode agora marcar uma pessoa como "investigação completa" e localizar facilmente as pessoas cuja pesquisa ainda está incompleta. Adicionamos novos gráficos e vários problemas no programa se tornaram uma coisa do passado. Uma lista de todas as melhorias encontra aqui.

Faça o Download do Family Tree Builder 5.0 (GRÁTIS)

ESCRAVOS NÃO FORAM VÍTIMAS PASSIVAS

Dayanne Sousa
A história da escravidão no Brasil não precisa ser uma história de vítimas, avalia João José Reis. O historiador está lançando com mais dois autores o livro O Alufá Rufino, resultado de uma extensa pesquisa para reconstruir os passos de um escravo que, liberto, foi marinheiro em navios negreiros.
Autor também de um longo estudo sobre a Revolta dos Malês (levante de africanos liderado por muçulmanos na Bahia), ele acredita que a história da escravidão tem ganhado mais espaço nas escolas, porém critica o tom de "vitimização".
- Essa história não precisa ter o tom da vitimização somente. Acho melhor as crianças e adolescentes aprenderem que os escravos não foram vítimas passivas de suas circunstâncias, que resistiram como puderam.
O novo livro, também assinado pelos historiadores Flávio dos Santos Gomes e Marcus de Carvalho, narra a vida de Rufino José Maria, que era alufá, um mestre malê. Ele vivia onde hoje fica a Nigéria, mas foi vendido a traficantes baianos e passou oito anos como escravo em Salvador.
Reis destaca que Rufino teve a chance de viajar para vários locais, mesmo quando escravo. Esteve no Rio Grande do Sul, comprou sua liberdade, foi a Angola e depois passou a integrar a tripulação de um navio negreiro.
Em entrevista por e-mail, Reis destaca a importância de dar luz a um personagem a princípio desconhecido, alguém que não era ilustre.
- É importante que os rebeldes explícitos como Zumbi, os malês, Manuel Congo e outros sejam lembrados, festejados e estudados, mas não devemos esquecer os heróis do dia a dia, anônimos, que foram a maioria dos escravizados.
Terra Magazine - Primeiro, gostaria que o senhor comentasse um pouco sobre o processo de pesquisa de O Alufá Rufino. Como foi que o senhor e os outros pesquisadores passaram a conhecer a existência desse personagem - o Rufino José Maria - e quais foram as referências para conhecer a vida dele?
João José Reis -
O primeiro documento foi encontrado pelo historiador Flávio Gomes, da UFRJ, no Arquivo Nacional. Era a cópia de um inquérito policial enviado pelo governo pernambucano ao ministro da Justiça. A polícia investigava rumores de uma conspiração africana no Recife, em 1853. Ao vasculhar a casa de Rufino foram descobertos muitos manuscritos em árabe, inclusive uma cópia do Corão provavelmente feita por ele. As autoridades o prenderam, pois lembraram-se da Revolta dos Malês, um levante de africanos liderado por muçulmanos em 1835 na Bahia. Rufino também era malê, termo que vem do iorubá imalê, muçulmano. De fato ele era alufá, um mestre malê. Sob interrogatório, além de afirmar sua fé com muita dignidade, conhecimento e segurança, contou sua vida de aventuras e desventuras, desde quando fora capturado em sua terra natal, o poderoso reino de Oyó na atual Nigéria, em torno de 1820.
E quais as fontes dessa pesquisa, além do inquérito policial?
As fontes para o livro são muitas e bem diversas, estão em documentos de arquivos baianos, cariocas, gaúchos, angolanos, portugueses e ingleses, nos quais seguimos as pistas deixadas por Rufino. Nem sempre o encontramos cara a cara, mas encontramos gente com quem ele conviveu, principalmente seus senhores e empregadores, mas também outros escravos e libertos, marinheiros, capitães de navios, viajantes, autoridades políticas e policiais brasileiros, portugueses, angolanos, ingleses, serra-leonenses etc. Com esses personagens, recompomos para o leitor os diversos ambientes em que Rufino viveu, inclusive sua experiência no mar. Foi a narrativa do próprio Rufino que traçou o roteiro do livro, uma vida que daria um roteiro de filme.
Em que medida o retrato deste homem é também um retrato da escravidão naquele período? Não quero generalizar as coisas, mas o que o senhor destacaria como um traço marcante da vida dele e do momento? O fato de ele ter comprado a alforria e depois trabalhar em navios negreiros é uma ironia típica?
Sua vida foi excepcional, mas não totalmente incomum. Dos cerca de cinco milhões de escravos importados da África para o Brasil, que foi o maior consumidor deles nas Américas (cerca de 45% do total), a imensa maioria morreu escravizada, não teve a chance de conhecer a liberdade, provavelmente morreu servindo ao primeiro e único senhor.
Rufino foi diferente. Além de mudar de senhor várias vezes, e de se alforriar, circulou muito dentro e fora do Brasil, tanto como escravo quanto liberto. Mas muitos libertos africanos foram marinheiros de navios negreiros. Nesse sentido Rufino não foi exceção. Entre 1780 e 1860, 17% dos tripulantes dos negreiros brasileiros eram africanos. Desconhecemos, no entanto, outros que tenham deixado eles próprios tantas pistas sobre sua biografia. Usamos Rufino como uma espécie de guia para discutir a escravidão nos vários lugares onde ele viveu e que visitou, no Brasil, na África e sobre o Atlântico.
Boa parte do livro se dedica ao tráfico transatlântico de escravos num momento crucial, quando já proibido pelo Brasil e reprimido pela marinha britânica sobretudo nas costas africanas. O embate entre ingleses e traficantes foi longo e custoso para ambos os lados, centenas de navios foram apresados, o conflito teve uma face política e diplomática - de um lado os países importadores de cativos, como o Brasil, do outro a Inglaterra -, mas o livro se volta mais para os embates no mar e nos entrepostos do tráfico, que detalhamos. E Rufino no meio disso tudo. O livro tem ritmo de aventura, eu acho.
O Rufino é um personagem como o Eichmann foi para Hannah Arendt (Eichmann em Jerusalém), por exemplo? Um membro de uma engrenagem histórica e social, mas que não era necessariamente o mais ilustre, um líder, um mandante? Qual a importância de personagens assim para a historiografia?
Rufino foi um personagem bem menor para o escravismo do que Eichmann foi para o nazismo. Mas era uma importante pequena peça da máquina escravista atlântica, que ajudou (literalmente) a alimentar como cozinheiro de negreiro, mas também como pequeno traficante. Personagens de seu tope - não necessariamente com a mesma ocupação, mas libertos africanos - são cada vez mais o foco da recente historiografia, personagens cujas vidas, no mais das vezes, aparecem de relance, um flash apenas, em geral parte de episódios dramáticos, de crimes, revoltas etc. Dificilmente conseguimos dados para narrar um pedaço tão grande da trajetória de pessoas como Rufino.
Vou sair um pouco do tema do livro, para falar sobre seu trabalho na história da escravidão. O senhor já escreveu sobre a Revolta dos Malês, que é um fato histórico daqueles que a gente não aprende muito no colégio, não é? A história da escravidão no Brasil é "mal contada" nesse sentido? Nós a valorizamos?
Hoje encontramos episódios como a Revolta dos Malês em livros didáticos e em salas de aula, a coisa está melhorando sobretudo devido à lei que obriga a inclusão nos currículos escolares de temas como a história da África e do negro no Brasil. Mas essa história pode ser bem ou mal contada. Essa história não precisa ter o tom da vitimização somente. Acho melhor as crianças e adolescentes aprenderem que os escravos não foram vítimas passivas de suas circunstâncias, que resistiram como puderam a virar mera máquina de trabalho, que resistiram a isso de diversas formas, nem sempre através de atos heróicos, da rebeldia aberta, mas através de formas mais sutis de resistência, fazendo corpo mole, fingindo-se doentes, manipulando psicologicamente seus senhores, fugindo para uma festa, batendo atabaques, cultuando seus deuses, aprendendo a ler e escrever a língua do Corão.
É importante que os rebeldes explícitos como Zumbi, os malês, Manuel Congo e outros sejam lembrados, festejados e estudados, mas não devemos esquecer os heróis do dia a dia, anônimos, que foram a maioria dos escravizados.
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Sobre o Autor: Nasceu em Salvador, Bahia, em 1952. É doutor em História pela Universidade de Minnesota (EUA) e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia. Em 1992 recebeu os prêmios Jabuti (melhor ensaio) e Haring (melhor obra historiográfica latino-americana) pelo livro A morte é uma festa

Livros Publicados: 
O ALUFÁ RUFINO (2010) - Autor
LIBERDADE POR UM FIO (1996) - Organizador
A MORTE É UMA FESTA (1991) - Autor
NEGOCIAÇÃO E CONFLITO (1989) - Autor
REBELIÃO ESCRAVA NO BRASIL (2003) - Autor 

Dossiê: História & Culturas de Classe

 Sumário
 
Dossiê: História & Culturas de Classe
Organização: Paulo Fontes

Nos canteiros de obras do Recife oitocentista: sobrevivências corporativas, experiências associativas e coesão de classe
   Marcelo Mac Cord
Greve nas Marinhas: protestos, tradições e identidades entre pequenos lavradores, quitandeiras e pombeiros (Rio de Janeiro, século XIX)
    Juliana Barreto Farias
Empregados do comércio e prostitutas na formação da classe trabalhadora no Rio de Janeiro republicano  
    Cristiana Schettini Pereira
   Fabiano Popinigis

Coesão e conflito: reflexões sobre a identidade mineira entre os trabalhadores das minas de carvão do Rio Grande do Sul nos anos 40
    Clarice Speranza
Tensões nas usinas de açúcar do Recôncavo: greves e disputas jurídicas no contexto da República Populista
    Edinaldo Antônio Oliveira Souza
 
Tradução
Senhor, escrevendo à luz de vela
    E.P. Thompson  
Minidossiê: História & Teatro
Kátia Rodrigues Paranhos
Engajamento às avessas: textos e representações do mundo do trabalho no "Estado Novo"
    Kátia Rodrigues Paranhos
História de uma arquitetura ética: espaços teatrais de Lina Bo Bardi
    Evelyn Furquin Werneck Lima
A construção poética de Pina Bausch: os olhares para as cidades
    Solange Caldeira
A trajetória de Romeu e Julieta: do teatro inglês renascentista ao teatro popular brasileiro
    Rogério Lopes
 Artigos
Práticas de consumo e identidades de gênero: representações da dona de casa moderna na revista Casa & Jardim
    Joana Maria Pedro
   Marinês Ribeiro do Santos

Pensamento social brasileiro e literatura contemporânea
    Ronaldo Oliveira de Castro
Roberto Carlos no altar de Nelson Leirner
   Eleonora Zicari Costa de Brito
   Emerson Dionísio Gomes de Oliveira

A diversidade dos carnavais no Brasil: sobre fantasias e abadás
    Clarissa Valadares Xavier
   Carlos Eduardo Santos Maia
 Resenhas
Por um comunismo com “c” minúsculo
    Carlos Magno de Abreu Neiva
Um percurso alternativo para a modernidade: a terra como invenção
    Fernando Perlatto
Referências das imagens
Onde Encontrar ArtCultura

Normas de publicação

Ficha de Assinatura 
ACESSE: http://www.artcultura.inhis.ufu.br/atual.php

“Como escrever a tese certa e vencer”

José M. de Carvalho, O Globo, 16/12/99, pág. 7, “Como escrever a tese certa e vencer”
Ter que fazer uma tese de doutoramento na incerteza de como será recebida e na insegurança quanto ao futuro da carreira é experiência traumática. Quando passei por ela, gostaria de ter tido alguma ajuda. É esta ajuda que ofereço hoje, após 30 anos de carreira a um hipotético doutorando, ou doutoranda, sobretudo das áreas de humanidade e ciências sociais. Ela não vai garantir êxito, mas pode ajudar a descobrir o caminho das pedras.

Dois pontos importantes na feitura da tese ou na redação de trabalhos posteriores são as citações e o vocabulário. Você será identificado, classificado e avaliado de acordo com os autores que citar e a terminologia que usar. Se citar os autores e usar os termos corretos estará a meio caminho do clube. Caso contrário, ficará de fora à espera de uma eventual mudança de cânone, que pode vir tarde demais. Começo com os autores ... A regra no Brasil foi e continua sendo: cite sempre e abundantemente para mostrar erudição. Mas, atenção, não cite qualquer um. É preciso identificar os autores do momento. Eles serão sempre estrangeiros. No momento, a preferência é para franceses, alemães e ingleses, nesta ordem. Entre os franceses, estão no alto Ricoeur, Lacan, Derrida, Deleuze, Chartier, Lefort. Foucault e Bourdieu ainda podem ser citados com proveito. Quem se lembrar de Althusser e Poulantzas, no entanto, estará vinte anos atrasados, cheirará a naftalina. Se for para citar um marxista, só o velho Gramsci, que resiste bravamente, ou o norte-americano F. Jameson. Entre os alemães, Nietzsche voltou com força. Auerbach e Benjamin, na teoria literária, e Norbert Elias, em sociologia e história, são citações obrigatórias. Sociólogos e cientistas políticos não devem esquecer Habermas. Dentre os ingleses, Hobsbawm. P. Burke e Giddens darão boa  impressão. Autores norte-americanos estão em alta. Em ciência política, são indispensáveis, R. Dahl, ainda é aposta segura, Rorty e Rawls continuam no topo. Em antropologia, C. Geertz pega muito bem, o mesmo para R. Darnton e H. White em história. Não perca tempo com latino-americanos ( ou africanos, asiáticos, etc. ). Você conseguirá apenas parecer um tanto exótico.

Brasileiros não ajudarão muito, mas também não causarão estrago se bem escolhidos. Um autor brasileiro, no entanto, nunca poderá faltar: seu orientador ou orientadora. Ignorá-lo é pecado capital. Você poderá ser aprovado na defesa de tese, mas não terá seu apoio para negociar a publicação dela e muito menos a orelha assinada por ele. Se o orientador não publicou nada, não desanime. Mencione uma aula, uma conferência, qualquer coisa.

O vocabulário é a outra peça chave. Uma palavra correta e você será logo bem visto. Uma palavra errada e você será esnobado. Como no caso dos autores, no entanto, é preciso descobrir os termos do dia. No momento, não importa qual seja o tema de sua tese, procure encaixar em seu texto uma ou mais das seguintes palavras: olhar ( as pessoas não vêem, opinam, comentam, analisam, elas têm um olhar ); descentrar ( descentre sobretudo o Estado e o sujeito ); desconstruir ( desconstrua tudo ); resgate ( resgate também tudo o que for possível, história, memória, cultura, Deus e o diabo, mesmo que seja para desconstruir depois ); polissêmico ( nada de “mono”); outro, diferença, alteridade ( é a diferença erudita ), multiculturalismo ( isto é básico : tudo é diferença, fragmente tudo, se não conseguir juntar depois, melhor ); discurso, fala, escrita, dicção ( os autores teóricos produzem discurso, historiadores fazem escrita, poetas têm dicção); imaginário ( tudo é imaginado, inclusive a imaginação ), cotidiano ( você fará sucesso se escolher como objeto de estudo algum aspecto novo do cotidiano, por exemplo, a história da depilação feminina); etnia e gênero ( essenciais para ficar bem com afro-brasileiros e mulheres ); povos ( sempre no plural, “os povos da floresta”, “os povos da rua”, no singular caiu de moda, lembra o populismo dos anos 60, só o Brizola usa ); cidadania ( personifique-a: a cidadania fez isso ou aquilo, reivindicou, etc. ). Para maior efeito, tente combinar duas ou mais dessas palavras. Resgate a diferença. Melhor ainda: resgate o olhar do outro.

Atinja a perfeição: desconstrua, com novo olhar, os discursos negadores do multiculturalismo. E assim por diante.

Como no caso dos autores, certas palavras comprometem. Você parecerá démodé se falar em classe social, modo de produção, infra-estrutura, camponês, burguesia, nacionalismo. Em história, se mencionar descrição, fato, verdade, pode encomendar a alma.
Além dos autores e do vocabulário, é preciso ainda apreender a escrever como um intelectual acadêmico ( note que acadêmico não se refere mais à Academia Brasileira de Letras, mas à universidade ). Sobretudo, não deixe que seu estilo se confunda com o de jornalistas ou outros leigos. Você deve transmitir a impressão de profundidade, isto é, não pode ser entendido por qualquer leitor. Há três regras básicas que formulo com a ajuda do editor S. T. Williamson. Primeira: nunca use uma palavra curta se puder substituí-la por outra maior: não é “crítica” mas “criticismo”. Segunda: nunca use só uma palavra se puder usar duas ou mais: “é provável” deve ser substituído por “ a evidência disponível sugere não ser improvável”. Terceira: nunca diga de maneira simples o que pode ser dito de maneira complexa. Você não passará de um mero jornalista se disser: “os mendigos devem ter seus direitos respeitados”. Mas se revelará um autêntico cientista social se escrever: “o discurso multicultural, com ser desconstrutor da exclusão, postula o resgate da cidadania dos povos  da rua”.
Boa sorte.



Coleção História Geral da África - 8 volumes da edição completa

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.  

Coleção História Geral da África - Download gratuito

Convite lançamento do livro "Tempo de Festas" - Edilece Souza Couto

LANÇAMENTO: Tempo de Festas: homenagens a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940), de Edilece Souza Couto
 
Será lançado no próximo dia 13, a partir das 17h30, o livro Tempo de Festas: homenagens a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940), de Edilece Souza Couto. A publicação, da Editora da Universidade Federal da Bahia, terá o lançamento realizado durante o Lançamento Coletivo da EDUFBA, que acontecerá no Palácio da Reitoria, onde a entrada será gratuita.
 
A cidade de Salvador possui um extenso calendário de festas religiosas populares, que acontecem entre o dia de Santa Bárbara e o Carnaval. As festividades católicas mesclam-se, desde o período colonial, com elementos europeus, indígenas e africanos. O canto e a dança de índios e negros foram incorporados às pomposas missas e procissões de raízes ibéricas. Assim formou-se uma religiosidade voltada para o fervor da devoção aos santos, a diversão e a sensualidade, na qual não se pode distinguir com precisão as fronteiras entre o sagrado e o profano.
 
Tempo de Festas optou por pesquisar três festas: Santa Bárbara, Conceição da Praia e Sant’Ana. Apesar de possuírem características comuns, as devoções surgiram em épocas diferentes, são realizadas em distantes localidades da cidade e atraem um público também diversificado, de acordo com as posições ocupadas na hierarquia das associações católicas e as atividades profissionais dos seus organizadores. O livro, dividido em cinco capítulos, traz uma nova contextualização das festas. A partir dos relatos documentados pelos que viveram essas experiências, o leitor viajará pelo mundo lúdico desses importantes patrimônios culturais.
 
SERVIÇO

 

O quê: Lançamento do livro Tempo de Festas: homenagens a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940), de Edilece Souza Couto
Quando: 13 de dezembro de 2010, a partir das 17h30
Onde: Durante o Lançamento Coletivo da EDUFBA, Palácio da Reitoria da UFBA, Rua Augusto Viana - Canela
Preço do livro: R$ 40,00
Preço do livro (Lançamento): R$ 35,00

ESTAMOS EM MANUTENÇÃO

Caros amigos, colaboradores e curiosos.
Estamos remodelando todo o layout do blog para que possamos fornecer um espaço mais leve e de fácil acesso a todos. Em breve estaremos de volta com novidades!  
Grato pela compreensão.

INFORME:INSTITUTO BUZIOS


Mesa redonda O Alufá Rufino - CEAO

O Alufá Rufino: Tráfico, escravidão e liberdade no Atlântico Negro (c.1822-c.1853) é o tema da mesa redonda, homônimo de livro recém-lançado, que acontece nesta sexta-feira (3), às 16h, no CEAO. Trata-se das aventuras de um ex-escravo africano envolvido no tráfico negreiro. Mais do que uma biografia convencional, a trajetória de Rufino serve como guia para uma história social do tráfico e da escravidão no mundo atlântico em meados do século XIX.
O evento terá a participação dos professores, autores do livro O Alufá Rufino, João José Reis, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Flávio dos Santos Gomes, professor da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), e Marcus J. M. de Carvalho, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Nas malhas do tráfico negreiro: Alufá Rufino e o Atlântico Sul do século XIX - por Rafael Marquese!

AINDA QUE NÃO SEJA 
tão usual como nas "ciências duras", o trabalho colaborativo em ciências sociais revela, em seus diversos campos, uma longa história de sucessos.

É o caso do notável banco de dados sobre o tráfico transatlântico de escravos elaborado por um grupo internacional de historiadores nas últimas três décadas, disponível em slavevoyages.org

Em "O Alufá Rufino - Tráfico, Escravidão e Liberdade no Atlântico Negro (c. 1822-c. 1853)" [Cia. das Letras, 488 págs., R$ 62], João José Reis, Flávio dos Santos Gomes e Marcus Joaquim Maciel de Carvalho, três dos maiores especialistas na escravidão brasileira, juntaram-se numa empreitada que, ao narrar uma trajetória de vida fascinante, joga luz sobre importantes aspectos da história brasileira, africana e mundial.

O leitor se vê diante de uma pletora de temas, todos abordados com bastante cuidado: a conturbada história da Iorubalândia -a vasta região habitada pelos povos de fala iorubá, compreendendo terras nas atuais Nigéria e Benin; a escravidão urbana em diferentes províncias brasileiras; a resistência escrava no Brasil; as realidades de cidades africanas como Luanda e Freetown; as engrenagens do tráfico transatlântico de escravos na era da ilegalidade; o antiescravismo britânico; os processos de formação cultural e reconfiguração identitária na diáspora africana.

Os autores estão entre os maiores especialistas na escravidão brasileira: cada qual escreveu obras decisivas para a compreensão de nosso passado escravista, como as que tratam do maior levante de escravos urbanos na história das Américas, a Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador, em 1835, trabalho de João José Reis ["Rebelião Escrava no Brasil", Cia. das Letras]; das múltiplas formas de resistência escrava em quilombos do Amazonas, do Maranhão, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro ["A Hidra e os Pântanos", Unesp, de Flávio dos Santos Gomes]; ou da movimentada história da província de Pernambuco entre a Independência do Brasil e a Revolta Praieira (1848), de Marcus Joaquim Maciel de Carvalho.
ACESSE A RESENHA NA ÍNTEGRA:
http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2010/11/nas-malhas-do-trafico-negreiro-alufa.html

A Bahia de São Salvador de todos os santos e africanos

Investigações sobre o tráfico, redes de comércio e as sociedades da África Ocidental relevam identidades africanas na Bahia dos séculos XVII e XVIII
Cena de rua em Salvador (BA), feita no ano de 1900. A presença de negros africanos,
escravos libertos ou cativos, fazia-se notável. A cidade chegou a ser descrita como uma "Nova Guiné"
No século XVIII, os minas se tornaram a maioria dos escravos africanos em toda a Bahia. Sua presença, entretanto, fazia-se sentir com mais força em Salvador. De 612 escravos africanos relacionados nos inventários da primeira Assim como ocorreu com os africanos centro-ocidentais no século XVII, havia - no tocante aos africanos ocidentais - considerável diversidade étnica, com um universo variado de nações: benins, cachéus, couranas, cabo-verdes e são-tomés. Além disso, surgiam com maior freqüência moçambiques e mocorongos, africanos da África Oriental. Nessas classificações e denominações diversas, podemos encontrar termos que podem remeter para grupos étnicos do interior africano, como guiné calumbê e ozobenim. É também nesse período que aparecem os primeiros registros de africanos denominados nagôs (0,65%), nação africana que seria responsável, em 1835, pela Revolta dos Malês. Enfim, entre os séculos XVII e XVIII, localiza- se na Bahia a transição demográfica de natureza étnica da predominância de africanos centro-ocidentais (especialmente angolas, congos, massanganos e matambas) para aqueles africanos ocidentais (jejes, nagôs, tapas e bornu). Na segunda metade do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, os africanos ocidentais vieram a conformar definitivamente o perfil étnico e cultural da população africana urbana, deixando marcas indeléveis em Salvador até nossos dias.
CARLOS FRANCISCO DA SILVA JÚNIOR é aluno de Mestrado em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

ARQUIVOS SECRETOS

Os depoimentos dados por Dilma Rousseff no Dops em 1970 ficaram trancafiados por décadas no cofre do Superior Tribunal Militar. 
Agora, eles vêm a luz no blog do jornalista João Roberto Laque.
Para conhecer os detalhes do que a futura presidente revelou aos seus carrascos acesse:www.blogdolaque.blogspot.com

Eventos: "Consciência em Poesia" com Elisa Lucinda

(CLICK NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA)

PALESTRA

ENTRE A CRUZ E O TRABALHO - a exploração da mão-de-obra indígena no sul da Bahia (1845-1875)
26 de novembro das 17 às 18:30 horas | Auditório do Museu | Livre

Entrada Franca | Será fornecido certificado

A UEFS Editora e a Livraria LDM convidam para o lançamento do livro:

O Centro Histórico
da Cidade do Salvador
Sua integração sociourbana
de Juarez Duarte Bomfim
 Sábado, 27 de novembro de 2010,
a partir das 10h, na Livraria LDM.
A Obra:

Fundada em 1549, Salvador foi a capital do Brasil Colônia até 1763 e hoje é a terceira cidade do país em população. Mas, o que aconteceu com ela? O que é seu Centro histórico, que se tornou Patrimônio da Humanidade? Por que e como, no início da década de 1990, os moradores do Pelourinho foram deportados?

Com lúcida paixão pela cidade em que nasceu, Juarez Duarte Bomfim se fez essas e outras perguntas durante anos. Para respondê-las, escreveu este livro, cujo texto é, originalmente, a tese de doutorado em Geografia, aprovada com louvor, que ele defendeu na Universidade de Salamanca, Espanha, em 2007.

Resultado de extensa e consistente pesquisa bibliográfica e de campo, é um livro essencial para se compreender por que Salvador, construída como um símbolo da cultura europeia na América, uma afirmação do Império ultramarino português, em pleno Renascimento, veio a se transformar, ao longo de meio milênio, no símbolo mais expressivo da cultura afro-brasileira.

O Autor:

Juarez Duarte Bomfim, baiano de Salvador, nascido em 1959, é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; professor-adjunto do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana (DCHF-UEFS), da Área de Conhecimento em Ciência Política. Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Urbana. É colaborador do JornalGrandeBahia.com.br
E-mail de contato: juarezbomfim@uol.com.br