Nota pública das comunidades dos terreiros


NÓS DA REDE RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA DO SUBÚRBIO (RREMAS[1]), VIMOS A PÚBLICO MANIFESTAR NOSSA INDIGNAÇÃO DIANTE DE MAIS UMA BRUTALIDADE QUE A IGNORÂNCIA POPULAR ATRIBUI A NóS COMO PRÁTICA RELIGIOSA.  MAIS AINDA, NOS INDIGNAMOS COM O FATO EM SÍ QUE VITIMOU UM SER PEQUENINO NO TAMANHO, MAS GRANDE EM SUA ESSÊNCIA, INOCENTE E POR TUDO ISSO SAGRADO PARA NóS: UMA CRIANÇA (QUE ATÉ O NOME ESQUECERAM E QUE ESTÁ SENDO CHAMADO “MENINO DAS AGULHAS”); VÍTIMADA PELA INSANIDADE DE PESSOAS VISIVELMENTE DESCOMPENSADAS.

TÃO PASMOS COMO TODA POPULAÇÃO, TEMOS ACOMPANHADO AS REPORTAGENS ESPERANDO PARA ELE UM DESFECHO POSITIVO E QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ACORRAM ÀS NOSSAS LIDERANÇAS RELIGIOSAS PARA ALGUMA DECLARAÇÃO, COMO É DE PRAXE SE FAZER, EM CIRCUNSTÂNCIAS COMO ESTA, QUANDO UM IMPORTANTE SEGMENTO DA SOCIEDADE É CITADO OU RESPONSABILIZADO.

VIMOS A FALA DO MÉDIUM DIVALDO FRANCO, POR QUEM DEVOTAMOS RESPEITO; CONTUDO, NÃO PODE SER CONSIDERADA COMO BASTANTE A PONTO DE NÃO SE BUSCAR OUVIR OUTROS SEGMENTOS ESPIRITUALISTAS, PRINCIPALMENTE, O CITADO PELO REU-CONFESSO.

PREOCUPADOS COM O CRESCIMENTO DA CALÚNIA, ESTAMOS NOS ANTECIPANDO, PARA QUE NÃO CRESÇA SOBRE NÓS A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA OU PIOR, O ÓDIO RELIGIOSO, JÁ TÃO FORTEMENTE DISCEMINADO POR DETERMINADOS SETORES NEOPENTECOSTAIS, ATRAVÉS DE SUAS TÃO PÚBLICAS E “NOTÓRIAS” ATIVIDADES  MERCADOLÓGICAS.

PORTANTO, DECLARAMOS QUE NUNCA HOUVE E NÃO HÁ EM NENHUMA DAS NAÇÕES RELIGIOSAS, DE CULTO A ANCESTRALIDADE AFRICANA E BRASILEIRA, AS QUAIS CHAMAMOS DE  “RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA”, RITUAL, DE QUALQUER OBJETIVO, ENVOLVENDO SACRIFÍCIO DE VIDA HUMANA, SEJA QUAL FOR A FAIXA ETÁRIA, MUITO MENOS HAVERIA DA INFANTIL, QUE É POR NÓS TÃO RESPEITADA.

VALE RESSALTAR, QUE NÃO HÁ EM NENHUM DOS SACRIFÍCIOS RITUAIS QUE REALIZAMOS COM ANIMAIS, REQUINTES DE CRUELDADE. AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS CONSOMEM TODOS OS DIAS, TONELADAS E MAIS TONELADAS DE CARNE ANIMAL SEM  QUESTIONAR QUAIS OS MÉTODOS ADOTADOS PARA ABATÊ-LOS E, PODEMOS  GARANTIR QUE NÃO SÃO NADA GENEROSOS, BOA PARTE DELES SÃO EXTREMAMENTE CRUÉIS. A DESPEITO DO QUE TRATAMOS AQUI, CONSIDERAMOS UMA RESSALVA IMPORTANTE, POIS QUE  COMPLETA A INFORMAÇÃO E SE ANTECIPA AS ARGUMENTAÇÕES,  HIPÓCRITAS E AMORAL EM SUA MAIORIA,  DE QUE SACRIFICAMOS ANIMAIS.

AINDA VALE OUTRA RESSALVA, PARA O FATO DE QUE MESMO SE UMA DAS ACUSADAS FOSSE IYÁLÒRIXÁ (“MÃE DE SANTO”), NÃO SE PODERIA CONDENAR O CANDOMBLÉ; POIS QUE QUANDO UM MÉDICO ERRA, NÃO SE CONDENA TODA A MÉDICINA. ASSIM COMO O ERRO DE LÍDERES  RELIGIOSOS,  NÃO SE ATRIBUE ÀS SUAS MATRIZES RELIGIOSAS.

NÃO HÁ HISTÓRICO NEM LUGAR PARA ESTA MONSTRUOSIDADE QUE INSISTEM EM DAR VISIBILIDADE NO DISCURSO IGNORANTE E NÃO INOCENTE (PORQUE BUSCA SE EXIMIR DA RESPONSABILIDADE), DO CRIMONOSO, DE QUE UMA DAS ACUSADAS USAVA “OS CABOCLOS E ORIXÁS”, PARA SUA PRÁTICA ASSASSINA E DOENTIA. OS CABOCLOS, ORIXAS, VODUNS E INQUICES, DE CERTO VÃO COBRAR DELE E DE QUEM MAIS AFIRMAR TAL BARBARIDADE. ELES SÃO SERES DE LUZ E NA LUZ, RESPONSÁVEIS PELO EQUILÍBRIO DA TERRA, DAS PESSOAS E DE SUAS RELAÇÕES.

POR FIM, CONCLAMAMOS A TODAS AS ORGANIZAÇÕES DOS “POVOS DE SANTO” A QUEM PREFERIMOS CHAMAR DE “POVOS DE TERREIRO”, DA BAHIA E DE TODO O PAÍS, A SE MANIFESTAREM, PARA QUE MAIS ESTA INJUSTIÇA _ QUE ALIÁS, JÁ DESPONTA EM OUTROS ESTADOS, A EXEMPLO DO MARANHÃO, COMO “MAGIA NEGRA” E, AÍ AUTOMATICAMENTE  AFIRMAM AUTORIA A NÓS _  NÃO SE ATRIBUA A NOSSA TÃO BONITA RELIGIÃO. EMBORA, DIGA-SE DE PASSAGEM, NADA TEM HAVER O TERMO “MAGIA NEGRA” COM O CONHECIMENTO DA MAGIA AFRICANA, PASSADA DE  GERAÇÃO EM GERAÇÃO HÁ MILHARES DE ANOS, , QUE MANIPULA OS ELEMENTOS DA NATUREZA PARA NOS EQUILIBRAR DIANTE DELA E NOS RELIGAR A ANCESTRALIDADE, LEMBRANDO QUE A HUMANIDADE SURGIU NA ÁFRICA.  VALE DESTACAR, QUE MAGIA NEGRA é COISA DE SÉCULOS REMOTOS DA EUROPA. AXÉ!

[1]Comissão Organizadora: ILÊ AXÉ TORRUNDÊ /  ILÊ AXÉ ODETOLÁ / ILÊ AXÉ OYÁ DEJI / ILÊ AXÉ OMIN ALA / ILÊ AXÉ GEDEMERÊ / TERREIRO GÊGE  DAHOMÉ / ILÊ AXÉ IYÁ TOMIN /  ILÊ AXÉ OGODOGÊ / ILÊ  AXÉ  LOGEMIN – contatos: 9966-6506 / 3394-8184,Guilherme de Xangô - Bàbálòrixá;  9908-5566 / 3408-1455 Valdo Lumumba-Ogan;  8716-5833 Edvaldo Pena - Huntó; 3521-1423 Dari Mota – Bàbálòrixá; 3394-8175, Wilson Santos - Bàbálòrixá.
Estamos longe de termos nossos direitos assegurados...

Luiz Dantas
Coordenador ponto de cultura  
Associação do Culto Afro Itabunense
Projeto cultura em ação
ACAI/Bahia
(73) 3612-0175
 

Prêmio Jovem Cientista 2010-Energia e Meio Ambiente


Soluções para o Futuro é o tema da 24ª edição do Prêmio Jovem Cientista 2010. O concurso vai distribuir a graduados, estudantes do ensino superior e médio mais de 145 mil reais em prêmios. As inscrições, e maiores detalhes,podem ser feitas até junho de 2010 no endereço:


O objetivo do Prêmio é buscar, através dos diferentes temas abordados a cada ano, soluções simples e acessíveis para problemas diretamente ligados à população. O foco desta edição será o estudo, desenvolvimento e uso de energias alternativas, com a finalidade de estimular a produção e o consumo sustentável dessas fontes de energia, ou seja, que atendam às
necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações atenderem também às suas próprias.
Colaborador desta postagem: Paulo Cesar

Sepromi seleciona universitários para mapear espaços de religião africana


Estão abertas até quarta-feira (23), as inscrições para estudantes universitários que queiram atuar no Projeto Mapeamento de Espaços de Religião de Matriz Africana nos Territórios de Identidade do Baixo Sul e do Recôncavo. Os 20 bolsistas selecionados vão colaborar com a iniciativa, aplicando questionários sob a orientação da coordenação do projeto. A íntegra do Edital 007/2009, que regulamenta a seleção dos candidatos, está disponível no site sepromi/edital, da Secretaria de Promoção da Igualdade, responsável pela iniciativa. 
As inscrições podem ser protocoladas na sede da Sepromi, das 9h às 12h e das 14h às 17h, ou postadas nos Correios (via sedex) para: Secretaria de Promoção da Igualdade, Centro Administrativo da Bahia – CAB, 2ª Avenida, 250,  Anexo  B, Blocos A e B, Paralela, CEP – 41745-003 – Bahia – Brasil. O resultado da seleção será divulgado no dia 30 desse mês, através do  site da Sepromi e do Diário Oficial do Estado. 
Além da cópia do CPF e RG, os candidatos deverão entregar formulário de inscrição preenchido e impresso, conforme modelo disponível no site da Sepromi; comprovante de matrícula do semestre 2009.02; declaração própria de que não possui vínculo empregatício nem percebe outra modalidade de bolsa (modelo disponível no site da Sepromi); e currículo atualizado. Os bolsistas que desejem concorrer seguindo critérios para cotistas deverão apresentar boletim de desempenho no vestibular, que deverá ser requerido na instituição de ensino a que esteja vinculado(a). 
As bolsas terão o valor de R$350 mais diária de R$200 e serão concedidas pela Sepromi para estudantes que estejam cursando a partir do 3º semestre e matriculados em instituições de ensino superior devidamente registrada pelo Ministério da Educação (MEC). Uma vez selecionados, os colaboradores bolsistas terão o compromisso de manter o bom desempenho estudantil e não poderão ter vínculo empregatício durante a vigência da bolsa.

O Projeto  

O projeto será realizado a partir de um convênio firmado entre a Sepromi e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir, em parceria com as prefeituras e organizações da sociedade civil dos municípios envolvidos. Com início previsto para este mês, o projeto deverá ser concluído em 15 meses, abrangendo Casas de Santo dos territórios do Recôncavo e do Baixo Sul. 
Os dados coletados, que serão disponibilizados em uma publicação e na Internet, servirão como subsídio para elaboração de uma política estadual, com estratégias de atendimento às demandas dos espaços pesquisados. Para tanto, serão pesquisadas informações relativas à origem e história dos Espaços; nação a que pertencem; tempo de fundação; condições físicas e de infraestrutura; recursos ambientais, trajetórias de luta e resistência; e sobre o perfil das autoridades religiosas (sexo, raça, formação etc). 
No Baixo Sul, os municípios abrangidos são Aratuípe, Cairu, Camamu, Gandu, Igrapiúna, Ituberá, Jaguaripe, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Presidente Tancredo Neves, Taperoá, Teolândia, Valença, Wenceslau Guimarães. No Recôncavo, o projeto contempla Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Castro Alves, Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Maragojipe, Muniz Ferreira, Muritiba, Nazaré, Santo Amaro, Santo Antônio de Jesus, São Felipe, São Félix, São Francisco do Conde, Sapeaçu, Saubara e Varzedo. 

Assessoria de Comunicação 
Secretaria de Promoção da Igualdade 
(71) 3115-5142 / 3115-5132 / 9983 9721

O REI DA PALHA


Aldonildo Cândido Sena, nascido em Fortaleza-CE em 22 de julho de 1972, mas baiano por opção a quase (30) trinta anos. Aos onze anos descobriu o amor pela arte, começando com desenho artístico, passando pelo couro, arame e atualmente na palha do coqueiro onde já se encontra ha mais de doze anos, enfrentando toda espécie de críticas e preconceitos. Durante esses doze anos, fazendo decorações em hotéis, casamentos, pousadas, teatros, distribuindo brindes confeccionados com a palha de coqueiro em camarotes no carnaval.
ACESSE: http://reidapalha.blogspot.com/
E-mail: aldonildooreidapalha@hotmail.com 
Tel: 71- 8846-7856

ACADÊMICOS AMESTRADOS


Por Idelber Avelar

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a "morte de Marx". Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar - cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. Éimpensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que
revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me
acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de "vagabunda" pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como "o filósofo" pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de "terrorismo de Estado". Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real - por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses - se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como "terrorismo de Estado" a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de "trapalhadas" e chamava Celso Amorim de "líder estudantil" e "cavalo de troia de bufões latino-americanos". Poucos dias depois, a respeitadíssima
revista Foreign Policy - que não tem nada de esquerdista - apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o "melhor chanceler do mundo", nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os "especialistas" sobre isso - agora sim, com aspas - são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e
Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro.
Nas bancas.
Idelber Avelar

Acesse: Os Urbanitas
http://www.aguaforte.com/antropologia
Colaborador desta postagem: J.J.Reis

JUCA FERREIRA - FACTÓIDE DO FOLDER


Prezados(as),
Nesse episódio que poderíamos chamar de factóide do folder, depois da tempestade, temos a bonança bonança dinâmica. Tivemos, primeiro, o factóide do folder indevidamente caracterizado por alguns parlamentares de propaganda eleitoral –quando, na realidade, era evidentemente uma peça de força para alavancar a cultura nesta reta final e decisiva de votações. Inclusive, fez parte da sessão solene do Dia Nacional da Cultura na Câmara.
Ou seja, era a parte que inescapavelmente nos cabia no evento como ministério da área.

Em seguida ao factóide, alguns veículos compraram acriticamente a falsa pauta –negando assim seu papel de investigadores isentos.

Na sequência, me envolvi num entrevero com um jornalista que –mais uma vez– distorcia o papel da imprensa: agora, em vez de investigar, ele me acusava.

A seguir, chamo sua atenção para dois documentos: a nota distribuída à imprensa em que me penitencio por minha resposta indignada e justa ao comportamento inusitado do jornalista; e a entrevista que concedi a Jotabê Medeiros, de O Estado de S.Paulo, versão integral reproduzida pelo jornalista no seu blog, e que inclui observações que recompõem, isentamente, o que foi esta minha indignação.

Sinto necessidade ainda de parabenizar os que fazem jornalismo objetivo. A imprensa cumpre papel insubstituível nas sociedades contemporâneas –e zelar por sua integridade é tarefa que cabe a todos nós, tanto os que trabalham nela, quanto os que se informam por meio dela.


Juca Ferreira

SEGREGAÇÃO PÓS-MORTEN



Senhores Representantes da Provincia    Da Meza [...] da Irmandade  da Conceição desta cidade  pedindo 20 loterias [...]
  Indeferido na forma do parecer      
Aff. Em 24 de Setembro de 1857           
F-1
A Mesa Administrativa da Confraria Professa na
Ordem da Conceição desta Cidade, estando bem certa de quan-
to se tem mostrado Esta Assembleia sempre sollicita, e desvella-
da em proporcionar meios para manutenção do Culto Divi-
no, e coadjuvação de obras pias; vem pelo prezente supplicar,
e espera merecer, a concessão de 20 Loterias, livres de Direitos
P (mutilado)  melhor para com
o producto dellas (mutilado) a continuação da obra de uma
pequena caza de azilo ao lado da Capella, que está parali-
zada por falta de meios desde 1853; e á factura de novas
catacumbas no Cemiterio publico da Quinta dos Lázaros;
alem dos indispensaveis, e urgentissimos reparos, de que nece-
sita a mesma Capella, e que estão orçados por Peritos enten-
didos em cerca de 16:000#000.
A Confraria suplicante não pode deixar, Senhores,
de reconhecer, que a prohibição dos enterramentos dentro das
Igrejas, restituiu aos Templos o devido leustre, e decoro, por
que elles se fizerão para que os vivos rendão cultos á Divin-
dade, e não para vastos sepulcros de mortos; mas he tam-
bem verdade, que a privação desses enterramentos nas Car-
neiras da Igreja fez quazi desapparecer sua mingoada
receita annual, não havendo d’então para cá entradas
de Irmãos, por que o principal incentivo para isso era
a segurança de jazigo certo para descanço do côrpo, depois
de apagado o sôpro da vida.
Não he, portanto, para alimentar vai
F-2
vaidades, ou privilegiar sepulturas, que se levantão as novas
catacumbas; he sim para despertar o fervor religiozo um
pouco amortecido; para fazer partilhar pelo mais crescido
nº possivel de pessoas o que há de mistico, sublime, e edifi-
cante na Regra da Confraria; já que o desenvolvimento do Culto
está assim dependente das vantagens, com que cada um quer
contar para os cazos de (mutilado)
longada, por que he melhor ter um azilo proprio, do que esmolar o
pão de porta em porta.
A receita unica, que a confraria Supplicante percebe
Prezentemente he de 1: 214#000 rs dos alugueres das proprie-
dades de seo pequeno Patrimonio; mas ella se exhaure toda nos
multiplicados gastos ordinarios, de Missas, guizamento, cêra,
azeite, lavagem, e engomado de roupas para a celebração dos
Actos Divinos, Decimas urbana, e de mão morta, ordenados de
Capellão, organista, Escriturario, Andador, e Sineiro, sem fallar nos
Pequenos, e atamancados concertos, que se fazem todos os annos
Na Capella.
A crença herdada de nossos Paes não se pode, Senhores,
Desarraigar do coração do Povo – Chega-se á considerar tão pal-
pitante necessidade para a morte o não ser enterrado no cam-
po de mistura o senhor com o escravo; o assassino com a victima;
o bem feitor com o ingrato # quanto o he para a vida a alimenta-
ção; quanto o he para a salvação d’alma o socorro espiritual
da Releigião.
Portanto, sendo tão justificados os objectos, a que se
F-3
se tem de applicar o producto das Loterias; sendo tão digna de
attenção a falta de meios, em que se vê a Confraria Supplicante,
e a justiça, com que parece se-lhe-deverão compensar os interesses,
que perdeo, provenientes de direitos adquiridos; espera ella, e
P. aos Senhores Representantes, e Legisladores
Da Provincia mais esta prova de Patriotis-
mo, e Religião, com concessão das 20 Lote-
rias declaradas em principio.
Reconheço as assinaturas em fé           E.R.M.ª
por verdadeira 9 de junho de 1856.      Os Membros da Confraria
[ilegível]                                                         Thomas [...] [...] Silva
Jose Joaquim da Costa Amado              Luis Francisco [...]
Para saber mais consulte: Reis, João José: A morte é uma festa - Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do Séc. XIX. Cia das Letras, SP1991
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção: Legislativa - Petições
Maço: 1043